Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

Brincadeiras

Já é penoso assistir ao desenvolvimento dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito ao fracassado negócio PT/TVI. É penoso pelo desfile de depoimentos e contradições. É penoso pela exposição da mistura promíscua entre política e negócios. Mas é ainda mais penoso pelo espectáculo servido ao país: um grupo, e grande, de deputados com um certo ar lunático de quem está completamente a viver, já nem digo noutro país, digo mesmo noutro planeta, à procura não se sabe bem de quê.

Não fosse o ar lunático que muitas vezes percebemos, e vislumbrássemos naquele ambiente alguma sonoridade melódica, e diria que lembra aquela cena do Titanic, com a orquestra a continuar a tocar, como se nada se estivesse a passar, enquanto o navio se afundava e centenas de pessoas eram engolidas pelo mar.

Será que pretendo com isto dizer que as comissões parlamentares não servem de nada? Que à Assembleia da República (AR) não compete investigar o que quer que seja?

Não. Não é bem isso que quero dizer!

As comissões parlamentares estavam completamente desacreditadas. Era geralmente entendido que não serviam mesmo para nada: as conclusões a que chegavam eram percepcionadas não como resultados objectivos de um trabalho sério de investigação mas como resultados de conveniência política. As conclusões a que chegavam eram sempre as que interessavam ao bloco político dominante em cada conjuntura parlamentar.

Evidentemente que isto aconteceu no passado, acontece no presente e acontecerá no futuro. Referi-me a esta circunstância utilizando o pretérito perfeito porque, com a Comissão de Inquérito ao BPN, fez-se passar para a opinião pública a ideia que, pela primeira vez e finalmente, a coisa funcionava! Não me parece que tenha funcionado, o próprio Relatório final o prova sem reservas, mas a verdade é que bastou que de lá emergissem novas estrelas para a política para que lhe fosse atribuído esse estatuto de credibilidade que, de facto, nunca justificou. E bastou isso para esta coisa das comissões parlamentares ganhasse novo fôlego. Agora é comissão parlamentar para tudo: seja de investigação, seja de inquérito, seja lá do que for!

Esta da PT/TVI virá repor a normalidade: o descrédito completo, arrastando-se penosamente quando, na nossa dupla condição de portugueses e europeus, atravessamos tempos dramáticos, de verdadeiro risco de naufrágio, como o do Titanic. Bastaria isso para sermos levados a pensar que esta gente anda a brincar connosco!

E andam mesmo. Vejamos: o que é que a comissão visa concluir? Que o primeiro-ministro mentiu ao parlamento, não é?

Ora bem: quem é que tem alguma dúvida sobre isso? Ninguém!

Então para que serve a comissão de inquérito? Para nada!

Mas pronto. Lá andam não sei quantos deputados entretidos com esta brincadeira enquanto, cá fora, a gente, que já tinha aprendido o que é a Fich, e a Standard & Poor´s, também já conhece agora a Moody`s que, como eu avisava a semana passada, era a que nos faltava para preencher a caderneta.

 

publicado por Eduardo Louro às 14:00
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5 comentários:
De Rafael Marcelino a 6 de Maio de 2010 às 15:58
Pode e deve-se reflectir em tudo o que se está a passar com a Grécia e no que pode ser acrescentado quer em Portugal quer na UE.
Mas..talvez para alguns isto seja apenas os Invejosos a reclamar...
De Ana Narciso a 6 de Maio de 2010 às 22:59
Eduardo, escrevi sobre este assunto para o Jornal de Leiria desta semana onde também opino sobre a Comissão de Inquérito. Penso que a estratégia está a dar resultado :há uma intoxicação tal sobre este assunto que já ninguém suporta ouvir qualquer detalhe. Já não há pachorra! Não somos anglo-saxónicos, portanto .. se mentiu, ponham-lhe pimenta na língua! Safa!!
De Eduardo Louro a 7 de Maio de 2010 às 22:44
Ana, li o teu texto no JL e achei curiosa a coincidência ou as coincidências...
Realmente á coisa era simples: mentiu, conclusão indiscutível. Não é razão para que se demita? Nãao se demite! É razão para ser demitido? Não? Ponto final! Sim? Vamos a isso, demitimo-lo!
Mas isso é que era bom...
O melhor é mesmo pôr-lhe pimenta na língua!
De Ana Narciso a 8 de Maio de 2010 às 16:06
Eduardo, acha mesmo que é razão sificiente para demitir um Primeiro Minsitro ? As instituições falharam? Está em perigo a democracia? esta Comissão é credível?
De facto só os eleitores o poderão demiti.....r a seu tempo. Até lá com mais ou menos mentiras, e outras bem mais graves do que aquelas que motivaram a criação desta comissão, deverá governar!!Afinal a maioria dos Portugueses assim o quiseram. Discorda?
De antonio carvalho a 7 de Maio de 2010 às 15:49
O titulo que colocou a este post, é deveras interessante, por dois motivos:
1- Consegue colocar os problemas do País num patamar de discussão interessante, que é o de se saber quais as prioridades de problemas que o nosso País tem no presente e, aqueles que os nossos ilustres deputados conseguem inventar para falar do acessório.
2 - Outra conclusão que retirei é que a agenda politica das actividades parlamentares está de tal modo cheia, que raramente conseguem iniciar quaisquer trabalhos(sejam comissões, audições, inquéritos ou plenários) dentro dos horários previstos.
Eu sei que felizmente há bons e grandes trabalhadores(deputados) que cumprem com alta qualificação a sua representação popular, mas infelizmente são cada vez menos e em situações de grande sacrificio, pois têm muitas vezes que trabalhar por dois ou três que não fazem literalmente nada.
As comissões de inquérito, são o espelho fiel da representação parlamentar e se o plenário não dá respostas nem decisões justas e atempadas aos problemas do País, como poderão estas comissões ser eficientes e, criminalizar politicamente as afrontas económicas, delitos politicos e eventuais corrupções de quem governa !?.
Tanto quanto tenho observado, as comissões de inquérito quando são constituidas, têm por base pressupostos de manchetes jornalisticas, ou as chamadas fugas de informação, quanto a actividade de investigação de policia ou do Ministério Público. Curioso, é que as mesmas comissões de inquérito, têm revelado uma apetência especial para a exibição de deputados e inquiridos, que invariavelmente chutam para o lado, ou não respondem objectivamente às questões de fundo. Logo, a tendência dos relatórios finais, são muitas vezes o farol para a não obtenção da verdade politica e deixar resvalizar o acusatório ou o contraditório para a parte criminal ou judicial, lavando os senhores deputados as mãos como Pilatos. Deixar a marinar o descontentamento politico das situações menos claras para os Magistrados, é de facto uma técnica que os nossos parlamentares vão usando com perícia. Porém, o tempo para as brincadeiras, tem limites e os senhores deputados já atingiram a maioridade, pois ela é obrigatória para serem eleitos. Será que as direcções partidárias já nem o direito à consciência individual vos concedem !?.

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