Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

Humanização na Saúde

Na passada sexta-feira, à noite, tive de me dirigir à urgência de Obstetrícia do Hospital de Sto André em Leiria. Quando alguém se dirige a uma urgência, à partida está frágil, receia que algo se possa passar com a sua saúde e naturalmente a atitude de acolhimento e respeito dos profissionais de saúde, desde as administrativas até ao pessoal médico, culminando no acto médico em si, muito contribuem para uma maior tranquilização, maior confiança no acto médico prestado e uma maior aderência ao próprio tratamento.

 

Não venho falar do mau diagnóstico e das possíveis consequências caso eu tivesse seguido as indicações do médico (no dia a seguir fui novamente à urgência de Obstetrícia da Maternidade Bissaya Barreto em Coimbra). De registar a diferença abissal na relação com o utente) mas manifesto a minha indignação pela falta de humanidade, de profissionalismo e de respeito com que fui tratada e vi serem tratadas outras pessoas que lá estavam. É na minha opinião inadmissível que um médico não olhe para o seu paciente, não escute as suas queixas, dúvidas e inseguranças e muito menos que teça comentários sarcásticos acerca da opção que a utente fez relativamente à maternidade em que decidiu (seja por que razão for) ter o seu filho. É inadmissível que “despeje” para cima dos utentes a rivalidade, sem sentido, entre a maternidade Bissaya Barreto e o seu hospital.

 

É inadmissível que a sala de observações e atendimento esteja de porta aberta, onde entra quem quer e olha quem passa, sem qualquer respeito pela intimidade e privacidade do utente. É inadmissível que a forma como o médico fala seja de “frete”, com a postura de quem está de saída e não está para responder a nada, como se nos estivessem a fazer um favor! È absolutamente inadmissível que ao contar este episódio a uma profissional de saúde que trabalha no hospital de Leiria, no referido serviço, ela me diga “Ah pois, toda a gente deveria saber que à sexta-feira à noite ninguém deve ir à urgência de obstetrícia. É sempre esse médico que está de serviço. É horrível. Já tem imensas queixas contra ele.” Ora, eu pergunto, como é possível ter imensas queixas e nada mudar? Para continuar com aquela postura é porque tem as costas muito quentes e sobretudo não tem mesmo nenhum respeito pelos seus pacientes, ou seja, não é fruto de “um dia mau” mas sim de falta de carácter e falta de profissionalismo.

 

Quantas mais queixas serão necessárias para que a postura deste médico mude? Vai ter mais uma, porque é um direito meu manifestar a minha reclamação, mas também é um dever porque poderá contribuir para alguma mudança no futuro. Alguma coisa deverá acontecer quando as queixas registadas forem muitas. Digo eu! Possivelmente ingenuidade minha! Temos que exigir que sejamos tratados com respeito!

 

A humanização da saúde é urgente. Muito já se fez mas ainda falta percorrer um longo caminho!

 

 

Ps. Para quem quer saber e para quem não quer o meu filho é Lindo e está muito bem de saúde! Mas tão lindo!!!

 

 

 

estou:
publicado por Telma Sousa às 08:00
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10 comentários:
De Pedro Oliveira a 6 de Maio de 2010 às 08:37
Por incrivel que pareça quando me contaste a história ontem não fiquei admirado, pois a mesquinhez aqui em Leiria em relação a Coimbra é de tal ordem que até mete nojo. Infelizmente não é só na saúde, eu próprio já sofri na pele só porque sou sócio da Académica.
É triste quando num país profissionais de que área seja , coloquem em causa a dignidade do outro só porque foi a Coimbra ou porque tem interesses em Coimbra.
Prevejo que eu, muito brevemente, ainda vá "sofrer" ainda mais pela opção que tomei há dias, mas cá estarei para as aguentar. Quem não deve não teme.


Sim, o teu filho é LINDO e muito sossegado, da próxima diz ao Zé para laragar o miúdo, ........
beijos e abraços aos papais babados.
De Paulo Sousa a 6 de Maio de 2010 às 11:26
Bom dia,

Este é mais um caso que mostra que a qualidade dos serviços que o Estado nos diz prestar em troca dos impostos que pagamos, não melhoram se aumentarem a despesa. Há gloriosas excepções mas no global falta sentido de serviço público, e não é apenas na Saúde.
De antonio carvalho a 6 de Maio de 2010 às 16:28
É só para dizer que o Hospital de S. André, foi daqueles que foi transformado em empresa pública e actualmente é sociedade anónima, com toda a gestão segundo os principios capitalistas puros e duros, nos quais tanto o PS como o PSD estão de acordo.
E esse espelho é bem nitido na falta de respeito, atenção e apoio aos doentes, bem ao estilo americano de tratar da saúde a quem não tem, nem pode ter seguros de saúde. A competição bacoca e egoísta de só ver cuidados médicos em função dos euros.
De Paulo Sousa a 6 de Maio de 2010 às 20:09
Amigo Carvalho,

O Centro de Saúde do Juncal não é gerido por uma parceria público-privada e situações idênticas acontecem.
A falta de respeito, atenção e apoio aos doentes resulta apenas de uma falta de empenho pessoal, e mantém-se inalteradas ao longo do tempo apenas porque não existe a exigência que existem nas empresas privadas, de onde sobressai a ausência de um sistema de avaliação de desempenho. Imagina algo do género num banco?
Sobre os EUA, a origem de todo o mal, imagino que estará a par da reforma do sistema de saúde em curso...
De antonio carvalho a 6 de Maio de 2010 às 21:04
Sobre os EUA, imagina mal, porque se tivesse imaginação chamava estupido ao Presidente e ao seu partido democrático.
Se o sistema de saúde americano é tão bom para os mais pobres, porque raio é que ele o quer modificar, sofrendo tanta contestação interna dentro do partido e, da oposição feroz dos republicanos??"!.
Sobre sistemas de avaliação de desempenho, tenho idade e experiência de vida pública e privada que me permitem dizer-lhe sem qualquer medo de errar que você nessa matéria é de facto ignorante, pois deve ter passado ou conhecido apenas pelo seu umbigo, no que toca a relações laborais e avaliação de desempenho nos serviços públicos ou empresas privadas.
Desculpe lá esta frontalidade, mas falar de cor, é fazer aquilo que você faz sobre várias matérias.
Olhe, a música que às vezes coloca é que é bué de fixe !! Sou um ouvinte assíduo.
Boa noite.
De Pedro Oliveira a 6 de Maio de 2010 às 23:32
Há uma empresa que um dia pensou assim:
A malta está ou não alinhada com os obejctivos da administração?
Será que cada um sabe o que a empresa deseja da sua função? Mais, será que cada um sabe o que tem de fazer na sua função?Ainda, será que que foi admitido sabendo a administração o que espera dele?
Foram tantas as perguntas que foi decidido fazer uma manual de funções, em que cada um descrevia o que fazia, dando pareceres sobre o que sentia sobre os resultados do seu trabalho no contributo para os objectivos "macro" definidos pela administração. Foram elaborados grelhas de competências técnicas, comportamentais e requisitos minimos para a função. Tudo isto feito pelos próprios tendo em vista a estratégia definida pela administração como visão a médio prazo do que seria aquela organizção, como uma empresa de sucesso em termos financeiros(ter lucros não é pecado...) e prespectiva de não morrer por um qualquer abanão exterior. Um trabalho que leva 2 anos, hoje a empresa está com uma cultura de exigência tal que o Director Geral se submeteu a entrevista de avalição por parte do Director da Qualidade da empresa. A Directora Finnaceira e a Gestora de Negócio da Montagem chegaram a um patamar de entendimento sobre acções que ligam as duas áreas que até aqui eram desconhecidas. O Director de Produçaõ e membro do Conselho de Administração, chegou a acordo sobre um plano de investimentos de RH e e equipamentos com o Gestor da área negócio da Injecção, isto tudo sem interferências de sindicatos e politiquices de lutas de classes profissionais.
É claro para todos, que só há lugar para um Director Geral, a um Director Qualidade, a um Director Compras,etc,etc, isso não impede de sermos exigentes uns para com os outros, o que sabemos é que não podemos ser todos Directores Gerais, mas isso não impede de sermos os melhores nas nossas funções, se não estivermos satisfeitos, só temos de acreditar nas nossas potencialidades e mudar de vida...sem contar com o "Deus " protector ESTADO!
Eu acredito que posso fazer parte da mudança,sem esperar pelo "anjo da guarda"!

De Paulo Sousa a 6 de Maio de 2010 às 23:41
Fico satisfeito por gostar da música que vou escolhendo. Esta semana ouvi uma que não ouvia há décadas e que entretanto cá irá parar.
Digo-lhe com sinceridade que também aprecio a sua contribuição no Vila Forte pela capacidade de argumentação linear e clara com que defende os seus pontos de vista e por não deixar que os preconceitos ideológicos (quem não os tiver que atire a primeira pedra) o impeçam de avaliar os temas com profundidade e abertura de espírito.
De Jorge Soares a 6 de Maio de 2010 às 13:19
Olá Telma

O Pedro já me tinha deixado noticias lá no meu sitio.. mas é bom saber que está bem.

Acho que deve reclamar sim... só reclamando as coisas podem mudar.. mas neste momento, duvido que no caso dos médicos as queixas sirvam para algo.

Há uns tempos um médico recusou-e a atender a minha filha mais velha no serviço de urgência dum hospital privado .... era hora de de saída e ante um comentário da minha mulher ele sentiu-se ofendido e decidiu que não atendia uma criança com quase 40 graus de febre e que estava à espera há mais de uma hora.

Reclamamos... a resposta foi quase uma anedota..e o mico lá continua a fazer o mesmo a outros... isto num sitio privado e caro...

Acho que existe um sentimento de impunidade que faz com que façam o que querem... e não sei bem o que irá fazer que isto mude.

Jorge Soares
De antonio carvalho a 6 de Maio de 2010 às 16:08
Agora já sei que o " herói" se vai confrontar com a realidade da vida, e espero que ele se sinta sempre apoiado pelos seus próprios pais e, em quaisquer circunstâncias.
Telma, sobre o combate que tem que travar para ser a mãe que deseja, garanto-lhe que vai ser duro e persistente, pois os direitos dos pais para cuidar responsavelmente dos seus filhos, só raramente neste País são respeitados, quer no plano da cidadania, quer no plano cientifico ou no caso concreto que relata, saúde com qualidade pessoal e técnica.
Não deixe, porém, de lutar pelo que julga ser direito do seu filho, até que ele possa legalmente ser exigente da mesma forma. Só mesmo com pessoas exigentes e ao mesmo tempo solidárias e sérias socialmente, poderemos recriar este País, já que aquele que hoje temos, não passa de um canto terrestre e frio, onde as próprias flores parecem não ter cor, nem cheiro.
Deixo um beijo de muita ternura e carinho ao seu "pimpolho" e um abraço fraterno aos pais que se assumem responsáveis na educação e na defesa dos seus filhos, mesmo que isso custe, lágrimas, suor e confronto, porque trabalho será sempre, mesmo que não pago.
É que aquela expressão capitalista e imoral " Quem quer saúde que a pague" é uma afronta ao mais elementar direito social de uma criança, sobretudo quando fruto da irresponsabilidade social dos pais, sejam eles novos ou menos novos. Somos todos responsáveis pela dignidade humana de uma criança. Aí, não deverá haver fronteiras de ideologias, sexualidade ou religião.
De Maria Antonieta a 7 de Maio de 2010 às 17:26
Parabéns Telma pelo filho lindo.
Claro que queremos saber sim desse pimpolho lindo.
Faça favor de nos comunicar tudo:
Primeiro dentinho, primeiro passinho.
Sabe Telma os blogs são escritos e comentados por Pessoas que têm vida, que têm filhos, em suma são humanos e este espaço que se chama internet não é assim tão desumano como alguns querem fazer parecer. Os outros a " gente não liga".
Agora quanto ao post deve reclamar sim.
Na verdade há coisas neste País que parecem surreais..
Não deixe de reclamar.
Èuma acção de serviço á comunidade.

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