Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Intramuros - Da lógica da exclusão à lógica da inclusão

A discussão do Novo Código de Execução de Penas e Medidas Privativas da Liberdade sugere-me algumas considerações que estão para além da discussão deste diploma em particular. Se é verdade que, por um lado, algumas vezes me indigna o facto de algumas penas para alguns crimes serem tão brandas, também é verdade que, por outro lado, me pergunto até que ponto as penas de prisão cumprem uma das suas missões principais que é ressocializar, reintegrar, quem cometeu o crime, para além de proteger a sociedade e fazer “pagar” o acto delituoso, mas com dignidade, respeito e perspectiva de reintegração. Não basta encarcerar e proteger a sociedade enquanto está dentro dos muros, é necessário protegê-la, no futuro, procurando “devolver” o indivíduo com uma nova perspectiva de vida, um novo projecto de vida, diminuindo assim a probabilidade de reincidência.

 

Segundo alguns autores a prisão é uma escola do crime, mais do que um local de reeducação e ressocialização.

 

O termo Comportamento Desviante cada vez mais ocupa um lugar importante quando se fala de Psicologia Criminal, procurando retratar o facto de, cada um de nós, a determinado momento da nossa trajectória de vida, poder cometer um comportamento que se desvia da “norma”. Atrevo-me a dizer que cada um de nós pode ser um potencial criminoso, ou seja, a dado momento da nossa vida, por alguma razão poderemos vir a cometer um crime, ou um acto delituoso. O comportamento desviante é o resultado de Nós e as Circunstâncias e essas não as conseguimos prever, mas não é difícil prever que alguém que cometeu um crime (legalmente se cumpriu a pena logo expiou a sua culpa perante a sociedade), que esteve preso durante anos e anos quando é “devolvido” à sociedade tem fortíssimas probabilidades de voltar a reincidir se não for feito um trabalho de grande acompanhamento. Muitas vezes a família afastou-se, não existe qualquer projecto de vida pessoal ou profissional, as portas para a reinserção no mercado de trabalho estão fechadas, o estigma é inabalável, o que lhes resta?

 

Claro que se pensarmos com o coração, ou se a situação for connosco ou com a nossa família a nossa mão é pesadíssima e nunca nenhuma pena é suficiente para pagar alguns crimes, mas na verdade existem muitos indivíduos que merecem uma segunda oportunidade, que merecem que o rótulo que lhes é atribuído dê lugar a uma outra oportunidade, devidamente acompanhada por técnicos especializados. É crucial possibilitar ao sujeito preso uma participação activa e responsável sobre o seu processo e o seu projecto de vida, mas nada disto dará frutos se não for trabalhada a comunidade em geral e os empregadores em particular. O que adianta trabalhar um projecto de vida pessoal e profissional na prisão se a comunidade e os empregadores ostracizarem e vetarem o acesso destas pessoas ao emprego e à inserção na sociedade? Se quem sai da cadeia não tem emprego, não tem família, não tem projecto de vida, mas tem um rótulo para o resto da vida, o que é que acontece?

 

É importante e urgente despertar em cada um de nós uma consciência critica sobre o que se passa intramuros, exigindo maiores investimentos por parte dos nossos governantes; condições que garantam o cumprimento do respeito pela pessoa humana, condições físicas dignas e um trabalho biopsicossocial que procure garantir-nos a protecção da vida em sociedade.

 

O actual estado da situação económica e consequente taxa de desemprego do país irá potenciar o aumento da criminalidade e instabilidade social. Naturalmente esta não é a preocupação dos nossos governantes mas poderá a curto prazo ser a nossa!

publicado por Telma Sousa às 08:00
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15 comentários:
De Paulo Sousa a 20 de Maio de 2010 às 08:48
Telma,
Sei que está tudo bem convosco e apesar do tema ... tenho de te dizer: Bem regressa sejas.
Esta tua visão enquadra-se numa deriva social que, se aparentemente obedece a uma lógica de respeito pela dignidade do infractor, simultaneamente baseia-se numa lógica de falta de respeito pela sociedade que além de sofrer as infracções de quem as comete ainda tem de suportar o ónus da suposta integração de de quem é 'empurrado' por uma mão invisível (faz lembrar o Adam Smith) para o crime.
O que fazer com os casos que o prevaricador reincide ad-eternum na infracção? Olhando para esta tua leitura, já sabemos que devemos voltar a dar mais oportunidades por, já sabemos, estamos a falar de dignidade humana, algo que vale mais para um infractor que para uma vitima.
De Pedro Oliveira a 20 de Maio de 2010 às 12:14
Paulo, peço-te desculpa mas não encontro nada no texto da Telma que diga, explicita ou implicitamnete, que caminhamos para uma deriva social(?), mas tendo em conta o que pensas sobre outros assuntos e a divergência que existe entre ti, a Telma e eu próprio,compreendo que seja para dificil perceber que os reclusos devem ter condições minimas de dignidade Humana dentro das cadeias e que elas mesmas, as cadeias, sejam fonte de mudança de vida dessas mesmas pessoas. Dizer isto é diferente de dizer que concordo que seja o Director de uma qualquer prisão a dizer se deve ou não um recluso sair sem cumprir a pena total ,sobrepondo-se a uma decisão judicial, ou concordar um sistema de justiça que deixa suspeitas de não ser "cega" perante uns e outros, sejam eles quem forem, ou ainda um sistema que permite a célebre figura da "porta giratória" em que o alegado criminoso é detido pela policia e de seguida sai por ordem do Juíz sem se perceber bem porquê.
De Paulo Sousa a 20 de Maio de 2010 às 14:06
Pedro,
Diz-me onde é que leste no meu comentário que acho que as cadeias não devem ter condições mínimas de dignidade. Além disso quando dizes que me é difícil entender algo como isso... só te posso responder que uma classificação dessas vinda de um desconhecido ficaria registada.
A deriva social a que me refiro é apenas a minha interpretação da visão que a Telma aqui nos apresentou.
Aprecio também a tua franqueza quando assumes que quando lês as minhas opiniões interpretas para além do que está escrito e incluis a opinião que tens do que penso. Não é preconceito é apenas opinião prévia. Tudo bem. Não me queixo tentando evitar o rótulo de minoria que é coisa que deve dar azar.
De Pedro Oliveira a 20 de Maio de 2010 às 14:38
Se não te importas,traduz então isto:
"Esta tua visão enquadra-se numa deriva social que, se aparentemente obedece a uma lógica de respeito pela dignidade do infractor, simultaneamente baseia-se numa lógica de falta de respeito pela sociedade que além de sofrer as infracções de quem as comete ainda tem de suportar o ónus da suposta integração de de quem é 'empurrado' por uma mão invisível (faz lembrar o Adam Smith) para o crime."
De Telma Sousa a 26 de Maio de 2010 às 02:56
Paulo,

Como podes afirmar que a minha visão “aparentemente … baseia-se numa lógica de falta de respeito pela sociedade”??? ou que pela minha leitura “a dignidade humana vale mais para um infractor que para uma vitima”. Considero isso abusivo e acima de tudo ofensivo! A minha visão e opinião não se reduzem apenas ao respeito pelo outro, por isso procura não reduzir ou resumir tudo a isso. Mas sem dúvida que começa por aí! Acho que ambos sabemos do que estou a falar!

Então não te parece que reeducar, ressocializar e auxiliar a construção de um projecto de vida é proteger a sociedade aquando do regresso dos reclusos à vida em sociedade? Falta de respeito pela sociedade é, após terem estado tantos anos encarcerados e a gastar do dinheiro dos nossos impostos, não se ter feito nada para que o futuro possa ser diferente do passado. Falta de respeito pela sociedade é a cultura da prisão apenas como depositário de pessoas em que em vez de ser um modelo positivo é modelo continuado (e consentido) de comportamentos desviantes; falta de respeito pela sociedade é não se apostar na prevenção e apenas se gastar dinheiro com a “remediação”; falta de respeito pela sociedade é estarem lá sem fazer nada de produtivo quando muitos poderiam e deveriam fazer trabalho a favor da comunidade;

Esta parece-me ser uma das medidas de excelência que nos protege a todos. Em alternativa tens a prisão perpétua ou a pena de morte, mas como nós não temos nenhuma delas, quais são para ti as alternativas?

Muitas das pessoas que cometeram um crime ou acto delituoso tiveram antecedentes que potenciaram comportamentos desviantes. Algo que poderá ser difícil compreender para algumas pessoas porque, felizmente, muitos de nós tivemos uma família que nos amou, nos protegeu, nos possibilitou um projecto de vida; tivemos uma rede de suporte social; não nos faltou comida, nem casa, nem amor, nem trabalho… É fácil “olhar” para o comportamento e julgá-lo. Difícil é tentar compreende-lo, difícil é sairmos do nosso quadro de referência e procurar olhar e enquadrar as atitudes e comportamento do outro na sua trajectória de vida. Mas já dizia Shakespeare “…Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado.”



De Paulo Sousa a 26 de Maio de 2010 às 20:43
Telma,
Entendo o que dizes mas a minha visão da necessidade de um sistema penal justifica-se em primeiro lugar para punir os infractores (penal e punir são palavras com uma mesma origem), em segundo lugar para dissuadir eventuais infractores tendo nessa perspectiva um caracter pedagógico e em terceiro para manter a segurança da sociedade. Posso estar a esquecer-me de algum outro ponto mas estes são os que considero mais importantes.
Não concordo com o aliviar de penas pensando que por alguma razão um dia poderemos "vir a cometer um crime, ou um acto delituoso" como referiste no teu texto. O legislador não deve definir penas pensando que ele próprio pode vir a condenado por elas, mas sim exige-se que o faça abstraído-se de qualquer associação pessoal, por isso as leis devem ser gerais e abstractas.
Nos casos em que, como o Pedro bem lembrou, a entrada da prisão se torna numa "porta giratória" o sistema alimenta não a existência de uma segunda oportunidade, mas de uma milésima oportunidade. Que fazer com os re-re-re-incidentes? Nesses casos os infractores não são devidamente punidos, e pior que isso passam uma imagem de facilidade e de folguedo que é tudo menos dissuadora do crime e por isso tudo menos pedagógica.
Por tudo isto classifico a visão que defendes como uma deriva social cuja direcção num ciclo futuro será invertida.
De Telma Sousa a 26 de Maio de 2010 às 21:58
Mas onde é que eu insinuei em aliviar penas a pensar que um dia poderemos cometer um crime?
De Paulo Sousa a 26 de Maio de 2010 às 23:50
Quando dizes:
"O termo Comportamento Desviante cada vez mais ocupa um lugar importante quando se fala de Psicologia Criminal, procurando retratar o facto de, cada um de nós, a determinado momento da nossa trajectória de vida, poder cometer um comportamento que se desvia da “norma”. Atrevo-me a dizer que cada um de nós pode ser um potencial criminoso, ou seja, a dado momento da nossa vida, por alguma razão poderemos vir a cometer um crime", referes-te à possibilidade de ser cada um de nós o criminoso, e como dizes isso defendendo que um crime não é um crime mas um comportamento desviante, como se isso fosse menos grave e por isso merecedor de uma compreensão especial.
Ao reler-te reparei também noutra frase curiosa que utilizas:
"É fácil “olhar” para o comportamento e julgá-lo. Difícil é tentar compreende-lo".
Não podia estar mais de acordo e até sublinho dizendo que não cabe no meu conceito de missão do Ministério da Justiça compreender os criminosos, mas sim e apenas julga-los, o que como afirmas, é fácil. Não faz qualquer sentido um Código Penal existir para compreender um criminoso mas, sim e apenas, para o julgar. Tentar compreender um criminoso será, como diz um amigo nosso, teorizar a chapa de aço. Quem comete um crime deve ser punido e tudo o que se acrescentar a esta lógica é realmente complicar algo que deve ser claro e linear.
Não interpretes nesta simplicidade nenhum apelo a punições desumanas, degradantes e violadoras dos direitos do homem.
Noutros debates defendi que a validade de uma teoria deveria passar por testes de realidade de escala reduzida e mas também de escala elevada, sem medo de a testar até ao absurdo.
Defendes o esforço pela reintegração de criminosos.
Se falarmos de um assalto de esticão, de condução sob o efeito de álcool ou do roubo de umas sapatilhas num supermercado, todos concordamos com isso, mas se estivermos a falar de um homicídio, de um crime de pedofilia, de tráfico de órgãos ou de seres humanos discordo totalmente do que dizes. O estigma social pós pena é uma benesse relativamente à pena perpétua ou à pena capital, que não existe no nosso enquadramento jurídico.
Levemos agora o que defendes ao absurdo. Lembremo-nos de um julgamento mediático. Julgamento de Nuremberga, em que ex-dirigentes nazis foram julgados por crimes contra a humanidade... diz-me onde é que enquadras a reeducação e ressocialização?
Na recta que liga o primeiro roubo de esticão e o crime contra a humanidade, diz-me em que segmentos de gravidade é que se deve reeducar?
Se achas mesmo que é fácil “olhar” para o comportamento e julgá-lo, então o melhor é mesmo não complicar.
De João Romeu a 20 de Maio de 2010 às 13:20
Boa tarde
Concordo com a D. Telma quando diz que temos que nos preocupar com o que se passa entre muros, desde a formação dos directores prisionais aos guardas , que eles próprios devido a falta de formação também não têm a sensibilidade de tratar o prisioneiro de forma a dar-lhe auto-estima por vezes acontece o contrario, mas também os presos não são todos iguais, á crimes que se cometem com malvadez e premeditação, outros são cometidos num acto de desespero, outros até por ser o único meio de sobrevivência , é nesta perspectiva que a formação dos profissionais deveria incidir, crime é sempre crime mas será que o código penal também não estará desactualizado ? Será que os Srs. Juízes têm maturidade e experiencia para julgar determinados casos ? É de facto uma situação que todos nós nos devemos preocupar, isto é apenas a minha opinião de leigo porque nem sou Juiz nem Advogado , mas que algo tem que ser feito tem.
De Paulo Sousa a 20 de Maio de 2010 às 14:14
Há uma questão cuja resposta, talvez sem darmos por isso, nos separa.
Será a dignidade do ser humano definitiva e vitalícia ou algo que dependa dos seus actos?
Que mérito tem quem é bem sucedido no esforço de acrescentar algo à sociedade?
De Anonimo´s a 20 de Maio de 2010 às 16:02

A questão nao é de maturidade dos magistrados, é de lei. Os magistrados cuidam da aplicação da lei. Ponto. A maturidade é algo à parte e irrelevante.
Ora, garante-se no art. 91 da Lei 3/99 as competencias próprias e máximas ao tribunal de execução de penas.
Contudo há claras injunções administrativas numa filosofia providencialista (a meu ver errada) e irresponsabilizante para o próprio recluso . Mais grave é o gosto por legislar o impossivel.
Por exemplo: trabalho remunerado (art. 39). A fixar por portaria, quando?

A saída nao é como os jornais propalaram (a ignorância é radical...): ver art. 79.

Apesar de tudo, e concordando com Telma Sousa, é de assinalar que o trabalho de casa nao é do Director nem do Tribunal, é nosso. Mania de atirar a fava...
De Maria Antonieta a 20 de Maio de 2010 às 18:08
Eu tenho estado aqui a ler-os e a rir com a discussão ente o Pedro e o Paulo( discussão no bom sentido) e acho que concordo com os dois. Nunca a Telma pensou que ao escrever este post ele iria dar tamanha controversa.
Respeito que a dignidade humana tem de ser preservada mas muitas vezes penso que éa sociedade8 nós todos) que criamos o infractor por diversissimos factores:
O impulso ao consumismo
a exibição de marcas
a competição aguerrida
a própria estrutura social com asua injustiça
a corrupção sem punidade
sei lá, tantas e tantas coisas com que os nossos adolescentes se deparam.
Claro que também não concordo com a omnipotência do director da prisão.
Sinceramente acho o post da Telma muito bom e pertinente, mas na vossa discussão dou razão aos dois.
De Maria Antonieta a 20 de Maio de 2010 às 18:08
só para corrigir "ler-vos"
De Aurora a 27 de Maio de 2010 às 14:00
*Carta enviada de uma mãe para outra mãe no Porto, após um telejornal da RTP1:

De mãe para mãe...

Cara Senhora, vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, presidiário, das dependências da prisão de Custóias para outra dependência prisional em Lisboa.
Vi-a a queixar-se da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que vai passar a ter para o visitar, bem como de outros inconvenientes decorrentes dessa mesma transferência.
Vi também toda a cobertura que os jornalistas e repórteres deram a este facto, assim como vi que não só você, mas também outras mães na mesma situação, contam com o apoio de Comissões, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, etc...

Eu também sou mãe e posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro, porque, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.
A trabalhar e a ganhar pouco, tenho as mesmas dificuldades e despesas para o visitar.
Com muito sacrifício, só o posso fazer aos domingos porque trabalho (inclusivé aos sábados) para auxiliar no sustento e educação do resto da família.

Se você ainda não percebeu, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a uma bomba de combustível, onde ele, meu filho, trabalhava durante a noite para pagar os estudos e ajudar a família.

No próximo domingo, enquando você estiver a abraçar e beijar o seu filho, eu estarei a visitar o meu e a depositar algumas flores na sua humilde campa, num cemitério dos arredores...

Ah! Já me ia esquecia: Pode ficar tranquila, que o Estado se encarregará de tirar parte do meu magro salário para custear o sustento do seu filho e, de novo, o colchão que ele queimou, pela segunda vez, na cadeia onde se encontrava a cumprir pena, por ser um criminoso.
No cemitério, ou na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante dessas "Entidades" que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto ou indicar-me quais "os meus direitos".

Para terminar, ainda como mãe, peço por favor:
Façam circular este manifesto! Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola Portugal e não só...


Direitos humanos só deveriam ser para "humanos direitos" !!!
De Aurora a 27 de Maio de 2010 às 14:08
*Carta enviada de uma mãe para outra mãe no Porto, após um telejornal da RTP1:

De mãe para mãe...

Cara Senhora, vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, presidiário, das dependências da prisão de Custóias para outra dependência prisional em Lisboa.
Vi-a a queixar-se da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que vai passar a ter para o visitar, bem como de outros inconvenientes decorrentes dessa mesma transferência.
Vi também toda a cobertura que os jornalistas e repórteres deram a este facto, assim como vi que não só você, mas também outras mães na mesma situação, contam com o apoio de Comissões, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, etc...

Eu também sou mãe e posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro, porque, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.
A trabalhar e a ganhar pouco, tenho as mesmas dificuldades e despesas para o visitar.
Com muito sacrifício, só o posso fazer aos domingos porque trabalho (inclusivé aos sábados) para auxiliar no sustento e educação do resto da família.

Se você ainda não percebeu, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a uma bomba de combustível, onde ele, meu filho, trabalhava durante a noite para pagar os estudos e ajudar a família.

No próximo domingo, enquando você estiver a abraçar e beijar o seu filho, eu estarei a visitar o meu e a depositar algumas flores na sua humilde campa, num cemitério dos arredores...

Ah! Já me ia esquecia: Pode ficar tranquila, que o Estado se encarregará de tirar parte do meu magro salário para custear o sustento do seu filho e, de novo, o colchão que ele queimou, pela segunda vez, na cadeia onde se encontrava a cumprir pena, por ser um criminoso.
No cemitério, ou na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante dessas "Entidades" que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto ou indicar-me quais "os meus direitos".

Para terminar, ainda como mãe, peço por favor:
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