Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Cavaco

A recente promulgação da lei do chamado casamento homossexual pelo Presidente da República terá, provavelmente, representado a machadada final na esperança dos portugueses no desempenho presidencial de Cavaco.

O que acabo de afirmar nada tem a ver com a minha posição pessoal perante essa lei ou perante o tema em si, amplamente aqui discutido na oportunidade própria. Não é a promulgação em si que pretendo pôr em causa. É apenas a forma como Cavaco fugiu das suas responsabilidades e fugiu de si mesmo.

Dizer que o seu veto era ineficaz porque a lei regressaria da AR exactamente na mesma, sendo então obrigado a promulgá-la, ou que o seu veto constituiria motivo de instabilidade política, não é mais que fugir das responsabilidades e negar-se a si próprio.

Mas é mais: é a confirmação de um presidente que nada decide, que em nada intervém e que nada faz. Tudo pelo que considera serem os superiores interesses da sua recandidatura, bem à maneira da máxima  do funcionalismo reinante em Portugal: se nada fizer não cometo erros!

Cavaco assume-se não como mais alto dignitário, como deveria, mas apenas como o mais alto funcionário do país, esquecendo-se que nem sempre se consegue passar por entre os pingos da chuva. Muitas vezes saímos molhados!

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

A candidatura de Fernando Nobre: ainda a excelente notícia

Os comentários ao que aqui escrevi na passada quinta-feira a propósito da candidatura de Fernando Nobre, que intitulava de “uma excelente notícia”, impeliram-me a retomar o tema.

O post suscitou larga expressão de comentários e, mais do que isso, a apresentação de uma candidatura – Sebastien de Vries (pelo nome não poderei garantir que reúna condições de elegibilidade, mas acredito que tenha salvaguardado essa minudência) – que, pelo enorme apoio que de imediato aqui suscitou no Vila Forte, não poderia ignorar neste regresso ao tema.

Focando-me no entanto nos comentários permito-me identificar claramente três ideias centrais que marcam as atitudes políticas (talvez fosse mais apropriado falar em tiques políticos) em Portugal: uma primeira ideia de currículo político, no caso de falta dele; uma segunda ideia de que a política é para os políticos, ainda complementada por uma noção de desperdício, no caso que não faria sentido que Fernando Nobre desperdiçasse as suas muitas qualidades numa candidatura destas e, finalmente, uma terceira ideia que chamaria de contexto político-partidário, de a avaliar e analisar à luz das coordenadas do xadrez partidário reinante.

É antiga a ideia que uma candidatura à Presidência da República deve, numa lógica de carreira profissional na política, corresponder ao fim de um percurso político constituído por toda uma vida dedicada à política, com longas passagens pelo parlamento e pelo governo, aqui de ministro a chefe do executivo, primeiro-ministro. A Presidência da República corresponderia como que a um prémio de carreira que chegaria no últimos anos de vida activa. Dos quatro presidentes da terceira república, metade, Soares e Cavaco, confirmam este perfil. A outra metade, Eanes e Sampaio, desmentem-no. Mas não é isto que está em causa quando me apresso a aplaudir, como excelente notícia, esta candidatura. O que está em causa é precisamente o oposto, é surgir uma candidatura de alguém que não fez carreira política, que não está comprometido com quem conduziu o país a este estado, que não está sujo pelo lamaçal e que não está conspurcado pelo cheiro de que falava então.

Não perceber isto, e continuar a perguntar pelo que Fernando Nobre fez na política até hoje que legitime a sua candidatura é, como o próprio refere na primeira entrevista que deu depois de a anunciar, é o risco que corre: “O risco de muita gente não compreender porque é que um humanista e um humanitário, a partir de certo momento, entende dever entrar num processo que à partida não era o seu”. Não perceber isto é não perceber que é aos grandes homens que cabem os grandes exemplos de cidadania e que cabe, quando a vida política chega ao que chegou entre nós, dizer que “a política não se esgota nos partidos e nos políticos profissionais”. Mas perceber isto é uma excelente notícia!

Não se poderá dizer que a ideia de que a política é para os políticos esteja muito afastada da anterior. Na realidade não está, faz parte da mesma lógica. No entanto, a forma como foi apresentada, complementada com a tal noção de desperdício, remete-a para um patamar de descrença. Da fatalidade da política estar reservada não aos melhores mas aos mais medíocres de nós. Não posso deixar de citar, do comentário de Maria Antonieta:

i)                     “…Fernando Nobre demasiado precioso em relação ao Mundo para se dedicar á politica.”

ii)                   “A política é demasiado pequena para ele”.

Pois a mim parece-me que é uma bênção que, nesta altura da nossa vida colectiva, tenhamos alguém que se proponha resgatar a política aos medíocres e devolver-lhe a mais nobre dimensão da cidadania. É uma excelente notícia que um dos melhores de nós, que ainda acredita em utopias, que soube e teve a coragem de fazer opções de vida marcadas pelo primado do outro em relação ao eu, decida dizer-nos que é possível fazer tudo isso. Que pelo menos ele acredita nisso!

Finalmente o contexto politico-partidário. Comentava-se que esta candidatura dividiria a esquerda e, dessa forma, seria uma boa notícia para a direita e centro-direita, ou seja para a reeleição de Cavaco Silva. Mais, teria tido origem na velha guerrilha Soares/Alegre e, dessa forma, sendo promovida pelos soaristas, iria abrir mais uma grave ferida no PS. Acresce ainda uma tentativa de exploração de um trajecto supostamente errático quando balizado pelas fronteiras do xadrez partidário: Fernando Nobre apoiou Soares nas últimas presidenciais, Capucho nas últimas autárquicas e o BE nas últimas europeias…

São leituras de um contexto que não corresponde ao contexto que fez desta candidatura uma excelente notícia. Designadamente a sua contribuição para a reabilitação da sociedade civil, num contexto de afirmação dos direitos de cidadania e de capacidade para dizer aos partidos e aos políticos que basta! Esta candidatura constitui um desafio aos portugueses e não a este ou àquele partido, a esta ou àquela figura, ou a este ou àquele figurão. Se os portugueses compreenderem e aceitarem o desafio é irrelevante quem divide o quê e quem ganha com quê!

Claro que sabemos todos que não é fácil que os portugueses compreendam este desafio, que é ainda menos fácil romper com as barreiras dos aparelhos partidários e bem mais difícil montar uma campanha eleitoral sem as máquinas partidárias. Mas vale a pena tentar!

 

Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Candidatura de Fernando Nobre: uma excelente notícia

A notícia começou a circular há duas semanas, sem que ninguém lhe desse grande importância. Nem grande nem pequena, pura e simplesmente ninguém lhe deu importância e só por isso passou despercebida. Até ontem, quando era anunciada a apresentação formal da candidatura já para amanhã.

O Luís deu-lhe ontem aqui o devido destaque mas eu não quero deixar de dar a minha opinião sobre aquilo que considero uma excelente notícia, para mim a melhor notícia dos últimos tempos. Dir-me-ão que não é difícil, tão más têm sido todas elas!

A candidatura de Fernando Nobre abre uma janela de esperança à sociedade portuguesa quando, olhando em redor, nada tínhamos a que nos agarrar. Quando a vida pública portuguesa está completamente inundada por um charco repleto de uma lama viscosa e fedorenta que a tudo se agarra. Quando já não suportamos este cheiro nauseabundo que não despega…

Evidentemente que não é um D. Sebastião, daqueles que sempre esperamos e que acaba por nunca chegar. Nada disso, apenas nos diz que ainda há gente neste país com capacidade para nos mostrar que é possível dizer “basta”! Que não temos que ter a resignação como fatalidade. Que ainda poderemos acreditar que somos capazes…

Independentemente dos fundamentos da candidatura, que desconheço e que naturalmente virão a público na sua apresentação de amanhã, reclamando-se de uma candidatura em nome da cidadania, esta é a primeira candidatura credível e, como se diz, “com pernas para andar”, que nasce à margem dos partidos (arriscaria a dizer mesmo contra os partidos!) e que emana da sociedade civil. Essa mesmo a que sempre apelamos e que raramente diz presente, amorfa e adormecida que tudo deixa nas mãos dos aparelhos, de todos os aparelhos que acabam por a condicionar e formatar à exacta medida dos seus interesses e das suas conveniências.

Independentemente de tudo o que venha a ser dito e escrito, esta pode ser uma candidatura de libertação da sociedade civil, de um grito de Ipiranga deste lado de cá do Atlântico e em pleno século XXI. É, por tudo isto, uma excelente notícia! Claro que não é uma notícia que faça Manuel Alegre retirar a sua candidatura. Mas devia ser! Muito menos evitar que Cavaco se recandidate…

 

Presidenciais #2

Fernando Nobre, segundo a imprensa desta noite, vai ser candidato à Presidência da República.

 
A ser verdade é uma boa noticia, não sei se tem algum partido por trás, se é a ala soarista a tentar “tramar” Manuel Alegre. Leio que tem contactos em toda a esquerda, desde do Bloco de Esquerda até ao PS, passando pelo PCP.
 
Nas últimas autárquicas, foi apoiante de António Capucho (PSD) em Cascais e de António Costa (PS) em Lisboa. Também participou numa qualquer convenção do PSD em 2002.
 
Mas mais importante do que tudo isto é que pertenceu aos Médicos sem Fronteiras e fundou em Portugal a AMI - Assistência Médica Internacional, onde participou em mais de 250 missões de estudo, coordenação e assistência médica humanitária.
 

Só espero, que seja uma candidatura que emerge da Sociedade Civil, que seja transversal a todos os Partidos e que seja para levar até ao fim. Portugal precisa de candidaturas deste nível, que estejam para além dos partidos políticos. É um sinal muito bom para a nossa jovem democracia.

estou: Contente
Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Presidenciais #1

A um ano de eleições presidenciais, e após um intervalo de dois meses, a campanha eleitoral vai recomeçar.

 
O primeiro a avançar é Manuel Alegre, para já, com o apoio claro do BE. Alegre deu uma entrevista ao Expresso há três semanas e disponibilizou-se para o “combate” na semana seguinte.
 
A propósito do Orçamento que o PS negociou com o CDS, refere que “o PS devia de negociar à esquerda” e logo a seguir que “não está claro que os outros partidos de esquerda aceitem a economia de mercado”.
 
Mais à frente, quando o jornalista refere que as contas públicas não se resolvem com história e cultura, responde, que “também é preciso atacar a banca”. “Não há dinheiro para a Segurança Social e há para o BPN?”
 
Quando o jornalista refere que os Presidentes são sempre reeleitos, diz que “o Olhanense nunca ganhava ao Sporting” e ri-se…
 
Uma semana depois, declarou estar disponível para o combate!
 
Conclusões breves sobre o mote desta candidatura, para quem como eu, não simpatiza com o candidato:
 
 - É contra a economia de mercado.
 - Está refém do BE.
 - Quer sequestrar o PS.
 - Quer atacar a banca.
 - O Olhanense ganhou ao Sporting!
estou:
Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Manuel Alegre disponível para concorrer a Belém

 

 

Manuel Alegre

 

Que surpresa!

Agora José Sócrates já não pode assobiar para o lado. Goste ou não vai mesmo ter de apoiar!

Votar é outra questão. Poderá sempre tapar a fotografia com uma mão e votar com a outra…

 

 

publicado por Eduardo Louro às 22:03
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