Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Filhos da Mãe

Como um blog também é feito de dedicatórias, parece-me importante referir que estas linhas foram suscitadas por um amigo que se lembrou de me presentear com um pequeno livro lançado recentemente, por uma jornalista Brasileira. Após uma leitura rápida, numa linguagem bastante simples e acessível a qualquer um, o amigo Aurélio Diniz, provocou um sentimento de indignação que me levou a reflectir mais profundamente sobre o tema do livro “Filhos da Mãe”.
Para quem ainda não leu, nem conhece a autora, desde já fica o ponto de ligação, que me parece fundamental para contextualizar a sua obra,AQUI.
Versa, então, o livro sobre uma temática social bastante actual e que tem na sua base uma palavra muito forte, o preconceito. As relações culturais e sociais entre dois povos que se dizem irmãos, foram postas nos pratos da balança e o resultado final mostra, não mais do que, um grande desequilíbrio entre características nada abonatórias para cada um dos países que limitam o oceano que os separa.
Haverá certamente um enquadramento histórico por detrás de todos estes sentimentos, que já remontam aos tempos do descobrimento ou achamento do Brasil, mas nos nossos dias pouco ou nada justifica semelhantes comportamentos, ainda mais quando se vive em pleno século XXI, de fronteiras abertas e sem grandes barreiras … pelo menos, pensava eu.
5 histórias de Portugueses que vivem no Brasil e 5 histórias de Brasileiros que vivem em Portugal, todas com um denominador comum, o medo de partilhar e dividir. Não consigo encontrar outra justificação que não esta, para não entrar no domínio da estupidez humana, que me transcende largamente. A leitura do livro mostrou-me sentimentos fortes e comportamentos injustificados que, pensava eu terem ficado confinados na Idade Média, do obscurantismo e do medo de coisas novas e diferentes que a Igreja, à época, aceitava ou definia como verdadeiras. Tudo o que se apresentasse como oposto ou evidência do contrário tinha como destino a fogueira. Foi mais ou menos isso que me aflorou à memória quando à medida que ia lendo cada uma das histórias que se descrevem ao virar das folhas. A integração social, o fenómeno da imigração, a aceitação de pessoas e culturas diferentes da nossa, o preconceito que é passado de geração em geração e é aplicado sem quaisquer repúdio ou escrúpulos pelos mais novos, contra os seus colegas ou amigos dos bancos da escola.
Perante estes factos, como posso explicar aos meus filhos, que o caminho não é este, mas sim o da aceitação e da integração cultural e racial? Nem a propósito. Fui há poucas semanas convocado para uma reunião escolar, para ser informado dos acontecimentos até à data, sendo um deles, a transferência de uma menina brasileira para a turma do meu mais velho. Fiquei deveras surpreendido, quando uma das professoras relatou que no primeiro dia de aulas, na nova escola em Portugal, os novos colegas desta menina fora do seu país, da sua família, dos seus amigos, da sua escola, enfim, do seu ambiente normal, foi recebida pelos colegas de turma com nomes impróprios e sem qualquer tipo de acolhimento à escola. Nos primeiros dias, a menina chegava atrasada às aulas porque simplesmente não sabia a localização das salas.
Tudo isto para dar corpo à palavra tão feia e tão pesada que é a base do conteúdo não só do livro, que recomendo, mas também, do nosso quotidiano, se não soubermos nem quisermos mudar a agulha deste rumo que não levará a bom porto, com toda a certeza.
À autora do livro apresento os meus parabéns, bem como, ao amigo Diniz que me trouxe o tema para vos deixar à consignação e reflexão. Merece, certamente, que cada um de nós agite a consciência e pense se lá no fundo nunca presenciou, ou eventualmente, pactuou com situações desta natureza.
Eu, Português de Portugal, já por duas vezes ao Brasil, não me apercebi deste sentimento contra nós, mas recordo bem o episódio das meninas de Bragança e dos comentários dos voos a Fortaleza. O certo é que pude constatar que, no meio da floresta brasileira e onde "Judas perdeu as botas", lá nas aldeias recônditas, há educação e sensibilização para questões ambientais, que não vi, até hoje no nosso país, nem tão pouco nas zonas mais turísticas de Portugal.
Leiam o livro, se assim o entenderem, e reflictam sobre o assunto, pois penso que valerá a pena. Para quem quiser partilhar, os comentários são sempre bem vindos, independentemente da raça ou credo.

 

publicado por Pedro Oliveira às 07:24
endereço do post | favorito
Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

.vasculhar neste blog

 

.quem esteve à mesa

Ana Narciso

Eduardo Louro

Jorge Vala

Luis Malhó

Paulo Sousa

Pedro Oliveira

Telma Sousa

.Palestras Vila Forte

Prof. Júlio Pedrosa - Audio 

 

Prof. Júlio Pedrosa - Video 

 

Prof. António Câmara - Palestra

Prof. António Câmara - Debate

Prof. António Câmara - Video

 

Agradecemos à Zona TV

 

.Vila Forte na Imprensa

Região de Leiria 20100604

Público 20090721

O Portomosense20081030

O Portomosense20081016

Região de Leiria20081017

Região de Leiria20081017

Região de Leiria2008052

Jornal de Leiria 20080529

O Portomosense 20071018

Região de Leiria 20071019 II

Região de Leiria 20071019 I

Expresso 20071027

O Portomosense 20071101

Jornal de Leiria 20071101

Região de Leiria 20071102

.arquivos

.arquivos blog.com

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

.Vizinhos Fortes

.tags

. 25 abril(10)

. 80's(8)

. académica(8)

. adopção(5)

. adportomosense(11)

. aec's(21)

. alemanha(7)

. ambiente(9)

. amigos(5)

. amizade(7)

. angola(5)

. aniversário(9)

. antónio câmara(6)

. aquecimento global(7)

. armando vara(9)

. ass municipal(12)

. autarquicas 2009(46)

. avaliação de professores(9)

. be(7)

. benfica(13)

. blogosfera(16)

. blogs(38)

. blogues(19)

. bpn(6)

. casa velório porto de mós(10)

. casamentos gay(17)

. cavaco silva(8)

. censura(7)

. ciba(6)

. cincup(6)

. convidados(11)

. corrupção(7)

. crise(35)

. crise económica(8)

. cultura(7)

. curvas do livramento(10)

. democracia(7)

. desemprego(14)

. disto já não há(23)

. economia(25)

. educação(63)

. eleições(7)

. eleições 2009(55)

. eleições autárquicas(40)

. eleições europeias(12)

. eleições legislativas(46)

. escola(8)

. escola primária juncal(9)

. eua(8)

. europa(14)

. face oculta(18)

. freeport(14)

. futebol(39)

. futebolês(30)

. governo(6)

. governo ps(39)

. gripe a(8)

. humor(6)

. internacional(18)

. joao salgueiro(38)

. joão salgueiro(15)

. josé sócrates(7)

. júlio pedrosa(10)

. júlio vieira(6)

. juncal(31)

. justiça(11)

. liberdade(11)

. magalhães(6)

. manuela ferreira leite(13)

. médio oriente(10)

. medo(12)

. natal(13)

. obama(6)

. orçamento estado 2010(7)

. pec(8)

. pedro passos coelho(7)

. podcast(11)

. politica(12)

. politica caseira(6)

. porto de mós(119)

. porto de mós e os outros(41)

. portugal(27)

. presidenciais 2011(6)

. ps(48)

. psd(54)

. psd porto de mós(11)

. publico(9)

. religião(6)

. rtp(12)

. s.pedro(6)

. salgueiro(16)

. sócrates(81)

. socrates(62)

. teixeira santos(6)

. tgv(6)

. turismo(8)

. tvi(6)

. twitter(17)

. ue(17)

. vila forte(24)

. todas as tags

.subscrever feeds