Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Apanhados no meio de uma mudança civilizacional!?

Sempre ouvi dizer que gostos não se discutem, eu não gosto da Clara Ferreira Alves e raramente leio a sua crónica semanal no Expresso, mas quis o destino que por lá passasse os olhos na sua Pluma Caprichosa de há duas semanas atrás.
O tema está na moda, mas não sei quem terá lançado a campanha Primavera-Verão 2009. Quiça o nosso Primeiro, que, em ano de eleições, terá pensado, em promover e fomentar a discussão sobre o assunto.
Não é certamente matéria para intelectuais, antes pelo contrário, qualquer um pode e deve opinar, quanto mais não seja para ajuizar sobre os comportamentos de terceiros, porque quando se trata de cortar na casaca alheia, há sempre pano para mangas … Já o mesmo não se pode dizer quando toca a falar sobre a nossa pessoa, especialmente na praça pública.
Então, para quem não gosta da senhora, como eu, e não teve oportunidade de ler a dita crónica, que está bem clara, transparente e bastante elucidativa, vou tentar resumir em duas pinceladas para que possam, também, partilhar e comentar as vossas opiniões sobre tema tão badalado.
Versa o texto sobre o casamento entre homossexuais e está digno de se ler com bastante atenção. É verdade que até há bem pouco tempo atrás, não entendia, à luz do espírito da educação tradicionalmente católica em que fui educado, o comportamento de duas pessoas do mesmo sexo para actividades como o casamento e demais tarefas domésticas, quanto mais, ousar pensar, sequer, na hipótese de adopção de crianças. Para mim, tratava-se de um qualquer comportamento desviante que não seria aceitável nem tão pouco equacionável, uma vez que a estrutura familiar assume e reveste-se com duas figuras bem distintas, desde os primórdios da humanidade, um PAI e uma MÃE, caso contrário, não há procriação. É lógico e científico, não há quaisquer dúvidas quanto a isto. Claro e transparente!
A juntar ao facto de estarmos em ano de eleições, não podemos esquecer que celebramos, igualmente, duzentos anos do nascimento de Charles Darwin, que se tornou conhecido pela sua polémica, na altura, e só recentemente aceite, teoria da evolução das espécies.
Já Galileu Galilei afirmava, após a sua condenação pelo Santo Ofício, “Eppur si muove!”, referindo-se ao movimento da Terra em volta do Sol, contrariando, assim, a teoria geocêntrica das autoridades de então, que acreditavam ser esta o centro do Sistema Solar. Quanto a Leonardo da Vinci, recordo apenas uma das suas muitas facetas que nos ensinam nos bancos da escola, o projectista que estudou e produziu máquinas voadoras, cuja viabilidade foi já cientificamente provada. Mais exemplos de outros cientistas ou personalidades poderia aqui referir, que não foram aceites na sua época, mas apenas posteriormente e após algum impacto e celeuma causado à sociedade. Não quero, com isto, dizer que o assunto que aqui me trouxe revela muitas cabeças, aparentemente iluminadas e convictas de possuírem, por via da maioria, aquilo a se denomina razão de facto. Também, não quero, nem posso pensar que ainda temos o clássico, mas já “demodé” Velho do Restelo, quanto a este respeito.
Certo é, que abri o olho e procurei sacudir alguns neurónios que teimavam em preguiçar no tema do casamento homossexual e dei-me conta que afinal não me choca, nem sequer pensar nas chamadas famílias de dois pais ou duas mães. No entanto, procurei auscultar a opinião do meu filho sobre este tema e eis que fiquei deveras surpreso pela abertura e desprendimento do seu pensamento. Nada que o incomode ou perturbe, até porque não temos nada que nos meter na vida dos outros, foi a resposta que obtive. Se tivesse algum ou alguns colegas filhos de dois pais ou duas mães, em nada afectaria o seu relacionamento. Parece-me por demais evidente que estava errado quando pensava na tradicional família heterossexual, mas eis que se fez luz!
Há algumas questões, bastantes pertinentes, por sinal, que a autora da crónica do Expresso levanta e às quais não posso deixar de concordar. Senão, veja-se, o que podemos dizer perante as notícias de mães que abandonam, à nascença, os seus próprios filhos, e aquelas que não o fazendo, os maltratam, abusam e violentam? Será, de facto, “normal” uma mãe poder ter filhos atrás de filhos, quando não tem sequer condições mínimas de dignidade humana para ela própria? Podemos assistir impávidos aos tratamentos de fertilidade que multiplicam crianças como se fosse a coisa mais natural do mundo? Onde param a educação e as condições de saúde destes seres vulneráveis, vítimas da sociedade? Que padrões de comportamento familiar e social lhes são transmitidos, com um pai e uma mãe e irmãos que, muitas das vezes, ultrapassam os dedos de uma mão?
Sabemos que estamos em tempo de crise, pelo menos assim o dizem os entendidos e peritos na matéria. As aberturas de noticiários não nos têm mostrado outra coisa senão a tão badalada crise, mas como poderão suportar todas as despesas inerentes a esta estrutura, aliás, já considerada como famílias numerosas?
A adopção também está na ordem do dia … haja lugar e vontade de aceitar quem quer, e pode, sejam homossexuais ou heterossexuais, dar condições a todas as crianças que assim o merecem e não têm oportunidade de ter o seu lugar na vida se não lhes proporcionarem melhor sorte.
 

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publicado por Pedro Oliveira às 12:34
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8 comentários:
De Ferreira-Pinto a 16 de Março de 2009 às 14:41
Um excelente texto com um conjunto de questões e interrogações laterais (ou colaterais) pertinentes.
Quanto à questão do dito casamento homossexual, enquanto um mero contrato regulado à luz civilística nada tenho a opor embora também seja dos que entende que não será, porventura, dos temas mais pertinentes e não é, certamente, um tema maioritário na sociedade portuguesa.
Sou dos que entendem que nalguns domínios a protecção das minorias há-de ser efectuada do mesmo modo que a protecção das maiorias e este é um deles. Ou seja, quando (e se vier a acontecer) a regulamentação de tal matéria, espera-se que não seja mais papista que o Papa e acabem uns por ter mais direitos que os restantes.

No mais, concordo plenamente com as interrogações que levanta a propósito do comportamento de muitos pais heterossexuais e aparentemente tidos por normais!
De Pedro Oliveira a 16 de Março de 2009 às 14:48
Opinião de alguns jovens do Distrito de Leiria sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo:
http://vimeo.com/3623579
De Ana Narciso a 16 de Março de 2009 às 18:37
é exactamente esta atitude de branquear diferenças sobre o que não é nem natural não nos leva a um mundo melhor. Assistimos espantados e incrédulos à escravidão execercida por um pai sobre uam filha durante 24 anos. Porquê? Porque não temos nada a ver com a vida dos outros. Discordo em absoluto. Devemos preocupar-nos e envolvermo-nos . Foi exactamente esta indiferença pelo outro que permitiu um crime tão horrível como o que houve em Austria. Há muitas interrogações, há quem não consiga,há quem não tenha competências para ser pai ou mãe( olhe-se o recente caso do esquecimento de uma criança dentro de um automóvel) mas isso são erros . são falhas humans. E que dizer de todos os pais que se preocupam, que trabalham , que se sacrificam para dar uam vida diferente aos seus filhos? Podemos e devemso compreender sem julgar ,mas não devemos seguir por aí.
De Jorge Soares a 16 de Março de 2009 às 22:03
Olá Pedro

Um excelente texto.... das tuas palavras e do vídeo que sugeriste retiro uma menssagem de esperança, afinal, estamos a criar uma geração melhor que a nossa... há esperança para o futuro do nosso país, pelo menos a julgar pelo que vemos aqui.

Abraço e boa semana
Jorge
De Carlos Barbosa de Oliveira a 17 de Março de 2009 às 00:21
Colocas questões pertinentes. A minha posição já a conheces, não é? Por isso há dias levei tanta pancada pela blogosfera...
De AP a 17 de Março de 2009 às 07:38
Não tenho mais nada a comentar que não tenha já dito no meu blogue e que não seja do teu conhecimento.
Adopção? Contra e muito.
De Pedro Oliveira a 17 de Março de 2009 às 17:04
Façam o favor de ver este vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=cyTjE7eqx-U

roubado do blog do Jorge Soares.
De Portomaravilha a 17 de Março de 2009 às 21:56
A minha posição é clara quanto a este assunto. Sou a favor do casamento entre homosexuais tal como sou pela adopação de crianças por casais gays .

Segundo contactos ou testemunhos que tenho tido, mas é subjectivo, parece ser muito difícil assumir a sua homossexualidade em Portugal.

Penso que uma criança não pede para nascer. Quantas não as há abandonadas em orfalinatos, nas ruas... fora deste paraíso terrestre que é a Europa Cidental. Para quê o preconceito se crianças podem ser felizes ?

Os ensaios Franceses actuais têm tendência a mostrar que a guerra entre aspas entre heteros e homos relegam, totalmente, para o segundo plano a bissexualidade. Penso que é um levantamento teórico interessante.

É como se o talvez desaparecesse deixando lugar à bipolaridade dum sim ou dum não. Ambos categóricos, não deixando espaço para a interrogação.

Ontem não tive tempo de escrever aqui , embora tivesse consultado.

Ontem celebrou-se o nascimento do centenário da primeira revista literária no mundo : "NRF". Revista muita importante e que em muito mudou muitas visões do mundo. Num dos números desta mesma revista, existe existe um texto fabuloso de Jorge Amado que descreve como passou 24 horas no aeoroporto de Lisboa sem ter podido entrar em Portugal ( fascismo).

Aqui as greves das universidades continuam . Quase seis semanas de greve. Consultem :

http://www.telesorbonne.com/index.php?option=com_xevgfx&Itemid=99999999&func=detail&id=190

Para a greve geral de quinta, segundo uma sondagem de "Paris Match", que está mesmo muito longe de ser uma revista esquerdista, 4 sobre 5 franceses aprovam a greves e as manifestações.

Situação questionante.

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