Domingo, 5 de Abril de 2009

Nós e os filhos

Feliciano Barreiras Duarte , um amigo de longa data, a quem aprecio o verbo fácil , a memória espantosa  para factos, ambientes e pessoas, estreou-se hoje Revista Plenitude do Público com um texto sobre " Nós e os Filhos".  Se  em geral concordo com o registo do artigo que escreveu , como por exemplo, que na sociedade actual  se observa :

... " a instalação  de uma cultura social, nos últimos anos em que o sucesso profissional e o gozo material devem vir primeiro na cadeia das prioridades só depois os filhos..."

 

é verdade que se inverteu a lógica das prioridades e não vejo qualquer  inversão a caminho; antes pelo contrário esta crise, endureceu as condições de trabalho, regressando  ao modelo de "sol a sol" . Nestas condições a maternidade e os desejo de ter filhos são absolutamente incompatíveis. Mas se concordamos neste ponto , discordamos logo a seguir quando  questiona:

 

... " quantas mães exemplares adoptam a profissão de mãe, com a melhor das intenções e responsabilidades, abdicando das suas actividades profissionais, fazendo vários sacrifícios, físicos, familiares e outros para cumprirem o papel de orientadoras- não só escolares, mas também de formação complementar a nível de valores cívicos, humanos e culturais que muitas vezes os sistemas públicos e privados não proporcionam? São muitas."

 

 E os homens delegam completamente a sua função de orientadores?  Ficam ausentes ?

 Os filhos são da responsabilidade dos dois, portanto não há "profisão de mãe"!

 Estou certa ou estou errada?

publicado por Ana Narciso às 15:57
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5 comentários:
De Si a 5 de Abril de 2009 às 17:52
Estou de acordo com o que afirma, mas parece-me que a frase do autor não terá essa intenção (pelo menos do que me apercebo, já que do texto original só li mesmo as frases aqui publicadas). Aliás, até me parece que o autor usa de uma forma positiva esta conotação, reconhecendo a opção particular e muitíssimo exigente que a mulher poderá assumir. Mulher, porque, cultural e socialmente não é comum serem os homens a fazê-lo, mesmo que não haja qualquer diferença entre os direitos e responsabilidades dos dois. E este é um facto estatisticamente comprovável.
Portanto, de facto, as mães que assumem esta posição perante a sociedade, substituem a profissão externa por uma completa dedicação aos filhos, à casa e às actividades a ela inerentes, como se uma qualquer outra profissão se tratasse, só que, executada não 8 h/dia, 5 dias por semana, mas 24 sobre 24h, 365 dias / ano.
Embora os filhos sejam da responsabilidade do casal, o que é facto, é que inconscientemente se atribui uma maior 'carga' às mães, e às que tomaram esta opção, consequentemente são-lhes imputadas ainda mais responsabilidades.
Poderá não ser correcto, mas real, do meu ponto de vista, esta termo é concerteza...

P.S. - Hoje, no meu blog, tenho uma reflexão que vem na sequência de uma conversa que tivemos há tempos, aqui. Se quiser comentar, terei muito gosto.
De Ana Narciso a 5 de Abril de 2009 às 19:15
Eu acrescento apenas um detalhe à discussão , SI: seria fantástico que as mulheres pudessem optar e decidirem qual a Profissão que querem ter e isso não está no texto do meu amigo Feliciano. Não porque é tradição , ou está melhor entregue ....blá blá blá, mas sim porque ela decidiu ser mãe a tempo inteiro . E se essa hipótese estivesse ao alcance de muitas mulheres, tenho a certeza de que muitas optariam pelo regresso a casa. Isto não tem nada de sacrifício " familiar, profissional ou outro" tem apenas a ver com opções e as opções têm dias melhores e piores. É a vida.
De Vera Baeta Lima a 6 de Abril de 2009 às 08:58
Cheguei aqui pela mão da Si. Eu sou um caso de Mãe a tempo inteiro. Tomei esta opção, (de acordo com o meu marido e fazendo grandes contas à vida porque já tínhamos 3 filhos na altura e o meu ordenado era o mais alto na altura), há 9 anos. Foi uma vontade minha porque não me fazia sentido deixar os meus Filhos na Escola às 8 da manhã, pegá-los às 7 da tarde e tê-los comigo durante 2 horas por dia, sendo que eram as horas em que tanto eles como eu estavamos mais cansados. Não me arrependo da opção que tomei, tive mais um Filho. São quatro, entre os 7 e os 17 anos. Tenho podido segui-los, acompanhá-los, ajudá-los quando necessitam. Quanto a mim, sim, é uma tarefa pesada. Não há férias, feriados ou fins de semana, folgas ou baixas por doença. Por muito colaborador que seja o cônjuge, no fundo de cada homem há sempre um "bocadinho" que adora ter a Mulher em casa, os Filhos tratados, a casa arrumada, as camisas engomadas. Tenho pena que não haja um apoio do Estado para as Mulheres que assumem esta posição de Stay Home Mother. Seria uma forma de, pelo menos, não tornar tão pesada a dependência económica do homem e, consequentemente, alguma perda de independência.
Não é fácil...
Pelos meus Filhos voltaria a fazer o mesmo, porque sei que estou a fazer um bom trabalho com eles e sei que eles vão, para sempre, recordar com muito carinho todas as fases da vida deles que pude acompanhar e partilhar e, por outro lado, porque lhes estou a transmitir valores que dificilmente aprenderiam se passassem todo o dia entregues a uma Escola.
De Pedro Oliveira a 6 de Abril de 2009 às 09:11
Bom dia,
Ontem tive a oportunidade de ler a Crónica de Feliciano Barreiras Duarte e fiquei com ideia que ele defendia que o Estado devia apoiar as mães que decidem estar mais próximas dos filhos tendo em conta o conceito da familia que estamos a criar,ie, erá que não é legitimo uma mãe decidir em conjunto com o Pai, estar a acompanhar os filhos e dessa forma contribuir para uma sociedade com outros valores, que não sejam a competição profissional,o egoismo, a individualidade, a falta de apoio e carinho nas horas mais dificeis?
Eu estou de acordo com o Feliciano, e acho que se a mulher decidir estar mais próximo dos filhos, a familia não deve ser penalizada em termos economico/financeiros.
De Ana Narciso a 7 de Abril de 2009 às 00:29
Não Pedro , não posso concordar consigo: ser mãe não tem preço …já todos sabemos história que tem acontecido com o subsídio para os filhos: as famílias com mais solidez financeira são as que têm menos filhos ( com algumas honrosas excepções) ;sabemos quem tem crescido ao sabor dos subsídios. E depois é bom saber que há mães felizes sem subsídio. O testemunho da Vera é um dos muitos exemplos que conhecemos. Obrigada por isso.
Páscoa Feliz!

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