Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Kosovo

Depois do Kosovo ter declarado unilateralmente a independência da Servia a 17 de Fevereiro, Portugal mostrou-se cauteloso com o reconhecimento da sua independência. O assunto é delicado e o precedente incomoda outros países com regiões independentistas como é o caso de Espanha.

O facto do Kosovo se tratar de um país maioritariamente muçulmano e da Servia pertencer aos países da esfera de influência da Rússia, terá pesado para que a sua independência tivesse o apoio dos EUA desde a primeira hora. A administração americana de uma só vez consegue um aliado muçulmano, que não lhe negará fidelidade, e afronta a influência russa na região. Ao fazê-lo passa a bola à UE que terá de gerir um dossier explosivo. Se for bem sucedida, o que acontecerá se o reacendimento do conflito for evitado, sairá politicamente reforçada. Mas este tipo de questões dependem muito do empenho do país que preside à UE e a rotatividade cria facilmente uma intermitência de intenções que não é favorável ao sucesso. A entrada da Sérvia na UE poderá ser uma moeda de troca para arrefecer os ânimos nacionalistas, mas tudo dependerá dos líderes políticos e da vontade dos sérvios em se juntar ao confuso clube dos 27.

Desde Fevereiro que Portugal sempre assumiu que iria reconhecer a independência, sem concretizar quando. Os líderes sérvios não ficaram assim surpreendidos pela posição tomada ontem pela diplomacia portuguesa, que até por um questão de alinhamento diplomático com os restantes Estados Membros da UE era inevitável.

A independência do Kosovo não se poderá desligar, antes pelo contrário, da questão georgiana. Após o excesso do Presidente da Geórgia em ocupar militarmente a Ossétia do Sul e a Abkhazia, a Rússia agiu apoiando igualmente os independentistas fazendo comparações com o caso do Kosovo.

O xadrês joga-se por isso  em vários tabuleiros.

A decisões da diplomacia Portuguesa ultrapassam largamente as questões politico-partidárias. Pelas razões apresentadas ontem no Parlamento pelo portomosense Luis Amado, concordo com o reconhecimento da independência do Kosovo.

publicado por Paulo Sousa às 12:51

editado por Pedro Oliveira em 13/10/2008 às 15:12
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21 comentários:
De Pedro Oliveira a 8 de Outubro de 2008 às 14:02
Aproveitando o intervalo da auditoria da Qualidade,brrrrrrrrr!

Sinceramente,ainda ontem falámos do assunto,não sei se era necessário este reconhecimento e nem sei porque que teve de ser agora,nesta confusão financeira toda.Ainda para mais quando os nossos vizinhos Espanhois ainda não o fizeram, porque têm dentro de casa vários problemas destes.

É que o Kosovo não é similar ao que se passou com a desintegração da URSS ou da Jugoslávia.
A 1ª Grande Guerra começou ali...

A questão que coloco é a seguinte, se a Madeira ,ou os Açores declarassem a indepência unilateralmente, que esperaríamos nós dos nossos aliados ?

Vou então continuar a Auditoria.Até logo!
De Afonso Luís a 8 de Outubro de 2008 às 14:43
Esta situação criada ontem pelo Governo PS é tanto mais caricata quanto hoje a moção da Sérvia irá ser aprovada na ONU,Estavam tão bem quitinhos.

http://diario.iol.pt/internacional/kosovo-onu-independencia-servia-assembleia-geral/999845-4073.html
De Paulo Jerónimo a 8 de Outubro de 2008 às 15:07
Pois eu cá, bom se calhar mais uma vez vou em contra-corrente...

E porque temos precisamente ao lado a incomodada Espanha com o seu País Basco, opino que cada caso é um caso.
O que o Pedro menciona como comparação, dos Açores ou Madeira, parece-me um exagero,tem pouco a ver.
Mas quanto aos nossos vizinhos Espanhóis, já deviam ter acabado com o braço de ferro há muito, muito ano. Eu que cresci dos 3 aos 7 anos no denominado " País Basco" (San Sebastian), que tenho um irmão mais novo que nasceu lá, que ainda comecei a aprender e recordo, no primeiro ano de escolaridade Espanhol,o idioma Euskara, o Idioma Próprio do País Basco, que mantêm bem activo, muito mais antigo que o latim introduzido na Península Ibérica pelos Romanos, que recordo um pouco da cultura própria que alí se tem; Eu pergunto se nós hoje, Portugueses, se não tivesse havido aquela batalha de 14 de Agosto de 1385, ou a Restauração da independência em 1º de Dezembro de 1640, se não andávamos todos aqui a chapada com os espanhóis também! Como é?
Condeno o terrorismo Basco (nem deveria ser preciso dize-lo) Mas acho-lhes legitimo que esse e outros territórios com argumentos fundados queiram a sua independência.

Ainda há quem atire volta e meia levianamente: "Ah , só é pena não sermos, estarmos, que sejamos aglutinados, ou sei lá o que, pelos espanhóis". Dizem, que estaríamos melhor....
De Pedrosa a 8 de Outubro de 2008 às 15:36
Sr.Mr.Cosmos a questão não é tão simples como a coloca, há uma coisa que se chama Direito Internacional,sabemos que ultimamente tem passado ao lado dos politicos,mas que existe existe.
Por isso é que bem o Paulo(se bem que eu não concordo com o reconhecimento do Kosovo como país independente) fala da Geórgia e o Pedro do exemplo, das nossas regiões autónomas, ainda que virtual,penso que percebi a comparação.
A unilateralidade da declaração é que está em causa e a abertura de um precedente que pode levar à implosão da Europa como a conhecemos e mesmo a conflitos muito mais sangrentos que os da ETA(resssalvo que não estou a minorar as vidas humanas que se perderam por causa desses terroristas), e podem levar a conflitos a uma escala jamais vista no mundo.Olhe que não estou a exagerar é só reflectirmos um pouco.
Daí que concorde com um texto que está no "blsafémias.net":
Pode Portugal reconhecer a independência do Kosovo?

Face ao direito a que o estado português reconhece legitimidade, não, não pode.

De acordo com a Constituição da República portuguesa, no seu Art, 8º, nº3 «As normas emanadas dos órgãos competentes das organizações internacionais de que Portugal seja parte vigoram directamente na ordem interna, desde que tal se encontre estabelecido nos respectivos tratados constitutivos.

A carta das Nações Unidas, no seu Capítulo V, Art. 25º afirma «Os membros das Nações Unidas concordam em aceitar e aplicar as decisões do Conselho de Segurança, de acordo com a presente Carta».

A Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas nº1244 estabelece: «Reaffirming the commitment of all Member States to the sovereignty and territorial integrity of the Federal Republic of Yugoslavia* and the other States of the region, as set out in the Helsinki Final Act and annex 2,».

Salvo erro, tal não foi anulado nem sequer reformulado.

* sendo que a República da Sérvia a substituiu, em todos os direitos e deveres.
De Paulo Jerónimo a 8 de Outubro de 2008 às 16:31
Pedrosa,
Obrigado por estás adendas que de facto alargam o debate para um patamar bem mais amplo do que aquele que eu lia no texto do Paulo Sousa, assim a primeira vista.

Aliás, resalvo que dentro dessa lógica, acaba por ser a minha, a observação dada por exagerada, e não como dizia a comparação do Pedro sobre as nossas ilhas. Mais ciente do contexto em que opinamos, e sendo eu visitante algo assíduo do blásfémias, lá irei ler o texto que menciona(s), se me permites o "tu", coisas a espanholada, :-) , deixava então uma questão:

Há menos que se declare guerra, e mesmo assim... Tem ou não tem um território que manifestamente se sinta, e se veja perante o mundo,estar a ser manifestamente subjugado, direito em reclamar e defender a sua independência?

cumptos à mesa.
Paulo César.
De pedrosa a 8 de Outubro de 2008 às 17:57
Se acreditamos no Direito Internacional e numa organização como as Nações Unidas, todas as respostas têm que ser dadas nessa base.Se não acreditamos, então cada caso é um caso dependente dos amores e humores de determinados países e, temos a balda completa.Daí eu ter concordado com a posição do Governo,e PR até ontem.
Agora, a tampa da caixa está tirada...

Cumprimentos par si também
De Paulo Sousa a 8 de Outubro de 2008 às 20:24
Compreendo o ponto de vista do Pedro, mas dessa forma como poderemos justificar a independência de Timor Leste?
Qual a diferência entre o caso do Kozovo, de Timor e da Ossétia do Sul? Certamente que existirão diferenças, mas no fundo tudo se resume aos interesses da grandes potências nas regiões onde se encontram estes candidatos a novos países. O caso da independência do país basco no contexto regional e dentro bloco europeu onde se insere não é viável. Enquanto Espanha for um estado influente como é dentro da UE o país basco nunca poderá ser independente.
Existem outros casos de povos culturalmente distintos e com lígua e cultura própria cujos territórios se dividem por dois ou mais países e não terão hipóteses de ser independentes pela influência regional dos seus vizinhos, como é o caso dos tuaregues (Argélia, Mali e Niger) e dos curdos (Turquia, Iraque, Irão, Siria, Arménia e Azerbeijão).
O direito internacional funciona na prática como um instrumento da real politik. A pedido de esclarecimento levantado pela Sérvia na ONU, como referiu o Afonso Luis, tem o apoio de Portugal, mas a resposta demorará mais de um ano a obter.
Resumindo e concluído, há interesses suficientemente poderosos em que o Kosovo, a Ossétia do Sul e a Abkazia sejam independentes. Portugal não é a ONU e como tal não lhe compete decidir o que é ou não legal à luz do direito internacional, que sabemos ser interpretado à medida de cada ponto de vista. Como membro da NATO e da UE tem de honrar os seus compromissos para com os aliados e por isso, como já disse, concordo com o reconhecimento.
Poderão haver consequências? Haverão concerteza, mas há que assumir as responsabilidades.
De Paulo Sousa a 8 de Outubro de 2008 às 20:31
Não deixa de ser curiosa a posição do PCP que sendo contra o reconhecimento da independência do Kosovo usando os mesmos argumentos que a Rússia, aceita a intervenção russa na Geórgia.
Direito internacional ou Real Politik? Em que ficamos?
De Pedro Oliveira a 8 de Outubro de 2008 às 21:22
Meus caros amigos Paulo César e Paulo Sousa,
Em relação ao "acto de contrição " do P.César, que hoje teve o melhor comentário em relação a mim, "sabe-la toda",eheheheheh, digo-lhe que gosto de questionar,saber o porquê das coisas, tipo mete nojo!
Ao Paulo Sousa,como sabes não sou um expert em geopolitica como tu, mas acho que não podemos comparar a situação de Timor -Leste, pois houve uma ocupação"hostil" por parte da Indonésia quando Portugal,"por falta de comparência", não foi capaz de assegurar uma transição para a independência daquele povo.Estavam muito longe e, longe do da vista longe do coração.A temátia das ex-colónias, dentro da minha ignorância assumida, penso que não pode ser comparada ao Kosovo, mas admito estar errado.
Não percebi, devo ser lerdo, porque sabendo o Governo PS que a proposta de levar a questão do Kosovo à ONU por parte da Sérvia HOJE, o Portomosense, Luís Amado teve a necessidade de anunciar ONTEM a decisão do reconhecimento do Kosovo como País Independente, e depois se abstenha,Portugal,perante a proposta Sérvia,o que está por detrás desta decisão? É que já não tenho idade para acreditar em coincidências.
Quem esperou 6 meses, não podia esperar mais um ano, com um parecer Juridico credivel?

Abraço aos dois e esta coisa das Auditorias não mata, mas moi, será por isso que a Câmara de PM não avança com a Certificação de um sistema de qualidade?Dar trabalho?Ter tudo clarinho como a água?
Lá estou eu a meter nojo...amanhã há mais!
De Paulo Sousa a 8 de Outubro de 2008 às 23:33
Excerto do Público de 08/10/2008
Sobre a abstenção na ONU

«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, nunca referiu a hipótese de Portugal não reconhecer o Kosovo. Ao contrário, sempre fez depender da "evolução dos acontecimentos" a oficialização dessa "inevitabilidade". E a Sérvia sempre soube disso. Aliás, Luís Amado, que ontem anunciou a decisão aos deputados da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República, reconheceu que tem "estado a concertar posições com o Governo sérvio todos os dias", para "ajustar o calendário [português] aos pressupostos da Sérvia".
Ora, os pressupostos da Sérvia passam pelo apoio português (ainda não se sabe se sob a forma de aprovação se sob a forma de abstenção; aliás, a UE procura ainda chegar a uma posição conjunta sobre o assunto) na Assembleia Geral das Nações Unidas que hoje vai apreciar o pedido de parecer de Belgrado ao TIJ sobre a legalidade da declaração unilateral de independência do Kosovo. Mas também por "alguns compromissos" de Portugal, nomeadamente o de contribuir para a aceleração do processo de adesão da Sérvia à UE, acrescentou Amado.
"Há cinco meses que [Portugal] disse que apoiava a Sérvia" no pedido de parecer, indicou Amado, frisando que o caso "justifica a elaboração de jurisprudência". O parecer do TIJ, que poderá demorar anos, não é vinculativo, mas apenas consultivo. Argumento que Amado usou para justificar o timing da decisão. "A responsabilidade política não pode depender da decisão de um tribunal que não se sabe quando vai ser tomada", disse.»
De Febo a 8 de Outubro de 2008 às 22:42
A pressa é inimiga do bom senso.
Portugal está a cotribuir para a abertura da caixa de Pandora.Quem conhece um pouco de história sabe que esta decisão vai trazer grandes dissabores à Europa.
Por um lado,temos prazer em darmos bicadas nos E.U, como o caso dos voos com prisioneiros???
Por outro, alimentamos os interesses americanos, que sempre que podem,interferem com os russos.
Depois ficam zangados com os russos,por causa da Ossétia e Abkazia.
E olhem que prefiro whisky ao vodka.
Mas como prefiro mais vinho tinto,e como defensor do interesse nacional, que nos importa uma região que quer ser país, vivendo na mendicidade mundial, a quem Portugal nem tremoços vai vender, porque eles não podem pagar.
A diplomacia portuguesa( não sei se existe-lembram-se da vinda do gorila do zimbaboé,do homem da tenda da Libia e do amigo José exaltado por Chavez) fazia melhor em não fechar o nosso consulado em Sevilha, e desta forma devolver um edificio belissimo que nos foi doado pela respectiva camara, face a esta decisão nacional.
Enfim socialistas que gostam de aparecer nas primeiras páginas, mas que não passam de nódoas que não dignificam o nosso país.
Sempre o povo disse, cuidado com os conselhos dos pecadores arrependidos.
Muitos portomosenses ainda se lembram do que sofreram há 30, quando o Sr ministro fez as maiores tropelias a cidadãos pacatos da nossa terra, e não alinhavam na sua loucura revolucionária, e de outros que hoje querem dar lições de civismo e democracia.
De Lucílio Carvalheiro a 8 de Outubro de 2008 às 23:15
Reconhecer a indepencia do Kosovo é uma questão meramente politica (politica externa) independentemente da sua apreciação factual (sociedade tribal, fracos recursos económicos, fraca demografia, etc, etc, o que torna o Kosovo um "país" -estado- inviável) assim como o seria a Madeira /várias alusões desse irresponsável político que é o Dr. Alberto João, assim como o seria o país Basco (parte espanhola)sem a parte francesa etc.etc. e podemos infirmar isto com o exemplo do que está a acontecer com a Islandia.
Estando nós inseridos num contexto geoestratégico da Europa, Nato , jamais, poderiamos "fugir" a esta questão e não "alinhar".
As razões diplomaticas de uma certa envergadura raramente são perceptiveis ao comum dos cidadãos.
Este reconhecimento da independencia do Kosovo, feita oito meses depois (ver , antes, para onde as"modas" passavam) seria feita fosse qual fosse o partido que estivesse no governo. Está o PS? azar para uns. Estivesse o PSD azar para outros.
De anonimo a 8 de Outubro de 2008 às 23:56
Gosto deste FEBO!!!
De carlosbarbosaoli a 8 de Outubro de 2008 às 23:30
Gostaria de conhecer os argumentos de Condolezza Rice que motivaram a súbita mudança de opinião do PS e do PR. Como as desconheço, continuo a pensar que foi um tremendo erro político e estratégico
De Paulo Sousa a 9 de Outubro de 2008 às 09:00
Público 09.10.2008
Sobre geopolítica

1. Como age a crise financeira sobre a cena política internacional? Como um catalisador. Não modela uma nova ordem, antes revela e acelera tendências. Seria diferente, se desse lugar a uma crise económica como a de 1929. Olhemos quatro exemplos.
O primeiro é o Irão. O cenário do bombardeamento preventivo, reactivado ao longo de Agosto, era em boa medida uma ameaça para reforçar a pressão sobre Teerão e os europeus. Mas não podia ser excluído. Foi anunciado para uma data a seguir às eleições americanas. Em plena crise e perante o défice de liderança em Washington, torna-se impossível: quem ousaria lançar uma nova bomba incendiária sobre os mercados?
Tudo indica que a via diplomática será reactivada. A sua viabilidade depende de uma negociação directa entre os EUA e o Irão. Se o Irão é uma incontornável potência regional, com um enorme poder de perturbação, os seus dirigentes têm consciência da vulnerabilidade económica.
Não é uma boa notícia para o Presidente Ahmadinejad, que vive da tensão. A poucos meses das eleições, com o petróleo em baixa e uma economia devastada, a sua cotação não é famosa. Deverá prestar contas.

2. A crise financeira ameaça produzir uma "desvalorização estratégica" da Rússia. O Kremlin começou por a olhar como um enfraquecimento da América e uma oportunidade de alargar a sua liberdade de acção. "Nenhum factor externo nem pressões sobre a Rússia farão mudar o nosso curso estratégico", declarou, ainda na semana passada, o Presidente, Dmitri Medvedev. Subitamente, na terça-feira, um dos seus conselheiros declarava ao Financial Times que, depois da crise da Geórgia, Moscovo quer restabelecer as boas relações com o Ocidente, para travar o êxodo do investimento estrangeiro, crucial para a modernização, e responder ao "um insalubre clima de falta de confiança". Na véspera, a Bolsa russa tivera uma quebra de 19 por cento.
O que assusta Moscovo não é o crash bolsista, que aconteceu aos melhores, mas a revelação da fragilidade duma economia assente na exportação do gás e do petróleo. É uma arma e uma "alavanca negocial" perante a UE. Mas "pés de barro" não sustentam a sua nova "ambição imperial". Pior: a crise agrava a factura da guerra da Geórgia. Os diplomatas sublinham o desamparo de Moscovo, após a quebra de confiança do Ocidente e a recusa de apoio da China. O próximo teste será o seu comportamento na Ucrânia.

3. Os sinais mais importantes vêm da Ásia. Se sofre com as turbulências financeiras, as suas economias têm uma estrutura mais adequada para resistir aos riscos de devastação. Muitos especialistas anunciam que esta crise acelerará a deslocação do centro do mundo para a Ásia e a emergência de um mundo multipolar.
Falar da Ásia é antes de mais falar da China. Pequim cooperará responsavelmente para a absorção da crise. Ao longo de duas décadas, financiou o endividamento americano, acumulando exponenciais taxas de crescimento e gigantescas reservas financeiras. O que se traduziu num fascinante "jogo geopolítico" que Lawrence Summers, antigo secretário do Tesouro americano, definiu como um sistema de "Destruição Mútua Assegurada (MAD)", à imagem do equilíbrio
nuclear da guerra fria.
Ora, os chineses sabem que este modelo se esgotou e que os EUA terão de deixar de viver do endividamento. O analista económico Ding Yifan anota, no oficioso China Daily News, que a crise compromete a hegemonia financeira dos EUA e prevê o abandono do "modelo económico neoconservador".
Ele e outros economistas chineses formulam a grande interrogação: pode a China continuar a apostar "no velho modelo de usar as exportações como motor do desenvolvimento"? Qual vai ser o novo modelo?
De repente, a "Ásia tem medo de uma América fraca" perante a emergência de uma China mais poderosa, explica Philip Bowring no International Herald Tribune. Que conflitos surgirão?

4. Por fim a América, onde tudo começou. A crise passou a condicionar a eleição presidencial. Se o desfecho é uma incógnita até à contagem dos votos, desde já se anuncia um inexorável ocaso da "era conservadora" e do seu modelo económico, tal como a mudança do estatuto internacional dos EUA: a marcha para o dito mundo multipolar.
Esta crise, que atinge todo o mundo, pode ter sido o seu último "momento unipolar".
De Rafael Marcelino a 9 de Outubro de 2008 às 16:28
Afinal temos políticos fracos sujeitos a pressões externas, a nossa soberania é uma farsa. Nada decidimos sendo vulgares marionetas, até o Estado Novo tinha maior dignidade quando defendia o indefensável! A História julgará os actos dos governantes fracos, condenando a nossa cobardia colectiva! Estou para ver quais vão ser os argumentos contra a independência da Madeira, ou do País Basco, ou da Corsega, ou da Irlanda do Norte, para não falar da Ossetia do Sul, da Abecásia, ou do Tibete?
De cócaras para Bush. Inventa-se uma guerra, inventa-se um país e inventa-se tudo o que o dono do "casino" quer inventar. É a diplomacia de cócaras para os E.U.A.
Daqui a dias até se pode se podem receber ordens para reconhecimento da independência das Berlengas.
Basta os EUA darem ordens.
Esta foi uma posição defendida no parlamento pelo Luis Amado depois de dizer que acerca do Voos da CIA em Portugal que,
Seria irresponsável abrir uma suspeição pública europeia sobre o Presidente da Comissão Europeia, que foi primeiro-ministro de Portugal. Era feio!.
Feio??? Deixa-me rir, feio porquê? Feio é encobrir escandalos como este, bela Democracia onde o compadrio é pedra de toque para avaliar responsabilidades, se fosse um mija na escada já tinha sido queimado vivo, mas Cuidado, aqui trata-se de alguem que dá muito jeito continuar intocável, pelo menos é alguem que está num alto cargo e que é originário deste país desmocratisado e bem desgovernado, VERGONHA Sr. Ministro, vergonha e irresponsabilidade.
Em paralelo Ana Gomes, é reconhecida no parlamento Europeu como a Activista do Ano com a sua luta em questões relacionadas com a China, Iraque e Jogos Olimpicos.
É sempre assim, por cá são irreconhecidos e mal tratados por alguns invejosos e mal dizentes que tudo fazem para denegrir personalidades. Depois do reconhecimento internacional, os incredulos mal-dizentes ainda continuam a ver sombras, será um problema vista? Agradeço à Ana Gomes os gritos com que se tem feito ouvir, e, espero que continue com alertas na defesa dos menos protegidos. Pode ser que convença/motive outros a juntarem-se na defesa nos menos. Obrigado.

De Paulo Sousa a 9 de Outubro de 2008 às 16:58
Caro Rafael,
Se vivesse nos países que, segundo classifica, não fazem política de cócoras com o EUA, que por acaso são todos regimes autoritários e limitadores das liberdades individuais, não teria a liberdade de se exprimir livremente como o faz neste blog. Bem haja também por isso quem permite a liberdade de expressão.
Mande sempre
Cumprimentos
De Rafael Marcelino a 9 de Outubro de 2008 às 17:28
Parece-me que o que o Governo, Luis Amado e PR, fizeram esta semana última uma politica de obdiência e de Marionetes pelas tomadas de posição referenciadas nos Médias.Veja-se a posição da ONU em relação ao Kosovo em que pedem um parecer ao TIJ-Tribunal Internacional de Justiça sobre a legalidade.
Se por ventura, o Tribunal Internacional de Justiça vier dizer que o estatuto para o Kosovo é ilegal, o que em princípio não acontecerá, sempre quero ver o que o governo português vem dizer. Fico sentado à espera pois a espera pode ser longa.
Quanto á questão de liberdade é outro caso,o que me pareceu não ter gostado da minha opinião.mas vale o que vale com todo o respeito que tenho por todas.
De Rafael Marcelino a 10 de Outubro de 2008 às 06:26
Quero acrescentar só mais isto ao Sr. Paulo. Falar de liberdade é coisa complicada e eu sei o que é isso no antes e depois de Abril 74.Mas em relação a Países que quis referir (Eu não referi nenhum)apenas comentei sobre o Kosovo, acho que o CANADA nunca andou de cocoras com ninguém e exerce-se todos os direito de liberdade e luta pela PAZ.
Pelos vistos é pena que não seja assim em todo o lugar do Planeta.
De Paulo Sousa a 10 de Outubro de 2008 às 08:12
Claro que o Canadá com o problemas separatistas que tem, nomeadamente com o Quebec, não se atreveria a reconhecer o Kosovo. O mesmo acontece com Espanha, Chipre, etc...
Podem dourar a pílula justificando a decisão com questões de principio e de legalidade, mas é apenas Real Politik.
De Rafael Marcelino a 10 de Outubro de 2008 às 15:56
Dia 14 próximo é o dia de eleições no CANADA (Terça-Feira) depois de um dia de feriado Acção de Graças e nos EUA-Dia do Perú. Curioso ser durante a semana as eleições. Imaginem em Portugal. Era um atentado muito grave.Como se vê os direitos das pessoas até nisto tem reflexos.Depois do um dia de trabalho normal a que as pessoas vão votar e tem muito tempo para o fazer se tiverem vontade.
Normalmente fazem-no entre as 4 e 7 da tarde (Noite). Depois..em relação ao Quebec, tem um Partido politico PQ que por sinal é o maior partido de oposição dentro do Parlamneto Nacional de Otava (Federal).curioso.
A luta (Ameaça) pela Soveranité, nunca passou em dois referendos (último em 96) mais não serve que para lutar por mais direitos e regalias para o Quebec, sendo uma das Provincias mais populosas e mais rentáveis de todo o CANADA.É o sitema Federalista.
Como nota de curiosidade, é ver como decorre a campanha eleitoral neste País. Que diferença e que respeito.
Quando relaciona o caso de Real Politik, pois é..eu tenho alguma azia com os politicos todos, reconheço mais as pessoas pela sua postura, caracter e Bom desempenho.Quero lá saber se é de esquerdas ou direitas, verde ou vermelho. Que sejam sérios e respeitadores. Infelizmente existe muita gente que come em qualquer prato para proveito próprio e nunca pela sua identidade.

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