Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Diferenças: 1979 - 2009

A propósito deste post, lembrei-me de um mail que recebi hà dias.

 

Vejamos como mudaram os tempos.

 

Situação: O fim das férias.

 

Ano 1979:

Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar.

 

Ano 2009:

Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e caganeira.

 

Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.

 

Ano 1979:

Não se passa nada.

 

Ano 2009:

As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

 

Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.

 

Ano 1979:

O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.

 

Ano 2009:

A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

 

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.

 

Ano 1979:

Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.

 

Ano 2009:

A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Moura Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

 

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.

 

Ano 1979:

Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.

 

Ano 2009:

Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

 

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.

 

Ano 1979:

Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa. Amanhã são colegas.

 

Ano 2009:

A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

 

Situação: O Luís parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.

 

Ano 1979:

O Luís tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.

 

Ano 2009:

Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

 

Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar.

 

Ano 1979:

Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.

 

Ano 2009:

A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego.

Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

 

Situação: Três meninos de 7 anos tiram a camisola e correm à volta de uma menina da mesma sala.

 

Ano 1979:

A menina diz-lhe que são uns parvos. Eles, que estavam tão divertidos, olham uns para os outros e sem que o consigam expressar por palavras concordam que é dificil entender as raparigas. Voltam a vestir-se e vão jogar à bola.

 

Ano 2009:

Já leram o primeiro episódio.

 

publicado por Paulo Sousa às 14:10
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7 comentários:
De ss-rabugenta a 29 de Abril de 2009 às 14:45
simplesmente genial... eu bem digo que as pessoas têm demasiado tempo livre e inventam filmes onde não há...
De Pedro Oliveira a 29 de Abril de 2009 às 15:13
Eu bem tinha razão ficámos uns adultos parvos e atrasos mentais!Deixemos as nossa crianças serem crianças,será que somos capazes?
De Anómico a 29 de Abril de 2009 às 21:57
"Ficámos uns adultos parvos e atrasados mentais" , talvez nunca tenha falado tão verdade como hoje. Felicito-o por finalmente fazer um exame de consciência e, como o coloca no plural, depreendo que se esteja a referir aos outros editores do blog.
Parabéns!
De Pedro Oliveira a 29 de Abril de 2009 às 22:04
sim meu caro(a), ao contrário de v.exa, reconheço as minhas limitações como EE, mas tudo faço para todos os dias errar menos que ontem,mas para isso é preciso reconhecr que até jesus cristo não era perfeito, lamento que só veja erros nos outros, os maluquinhos normalmente são assim riem-se sózinhos dos outros e está tudo bem.É da vida, o que se há-de fazer?
Bons sonhos,durma bem.
De Centro de Outra Vila a 30 de Abril de 2009 às 00:32
Boas!

Muito bem pensado, e sobretudo um retrato demasiado real para apenas 30 anos de diferença!

Há 30 anos ou mesmo há 20 anos, este caso era muito simples, 2 estalos em cada um, e um aviso, da próxima apanhas 4, foi assim que me fizeram e é simples e eficaz!

Não venham com as histórias de não se poder bater nos meninos!Será melhor o metodo actual?

Abraços
De Anómico a 30 de Abril de 2009 às 10:16
Amigo Paulo Sousa, esqueceste-te de um pequeno pormenor quando dizes “O Jaime não para quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas”
Ele não levava só uma bronca, leva umas fortes reguadas, os país são informados e quando chegar a casa leva uma sova que não se esquece nos próximos dias.
Em 2009 os país são chamados à escola e quando o professor diz que ele é muito irrequieto, mal educado e incomoda os colegas, os PAPAS viram-se para o professor dizem “ Coitadinho ele é um bom menino só é um pouco hiperactivo e não consegue estar muito tempo quieto”
Esta diferença parece pequena mas se um dia deres aulas verás que é enorme.
De Rosa Vieira a 30 de Abril de 2009 às 14:55
"O quarto das crianças nunca está desarrumado, embora os adultos insistam em imaginá-lo assim. As peças de lego têm vida, porque, de outro modo, jamais insistiriam em esconder-se nos sapatos...
As embalagens de bolachas terão certamente uma existência paralela, senão porque haveriam de aparecer amarfanhadas na gaveta das meias?
E as caixas dos brinquedos só se atropelam umas às outras porque a imaginação é um ecoponto, onde elas esperam, com paciência (debaixo da cama, por exemplo) ser recicladas, sem dioxinas, pelos gestos intensivos das crianças.
As pessoas crescidas parecem, no entanto, aqueles especialistas que discutem o ambiente...criando «mau ambiente», e insistem em transformar a vida intima dos brinquedos num resíduo que traz alergias ao seu "lado sisudo".
Muitos adultos são, pensam as crianças, muito inteligentes; doutra forma elas não encontram explicação para o modo como eles descobrem, sem hesitação, estes esconderijos que as crianças inventam...São muitos anos de experiência que os adultos têm a varrer para debaixo do tapete do seu mundo interior, fazendo com os seus sonhos, aquilo que as crianças fazem com os pacotes de bolachas.
Era bom que a cabeça de algumas pessoas, quando crescem, fosse como o quarto das crianças, pois elas sabem que a vida não tem graça nenhuma quando só se pode sonhar de olhos fechados, esperando que um Peter Pan bondoso as guie, pelo escuro, até à Terra do Nunca dos seus sonhos... "

Lí, e não podia deixar de postar esta parte deste texto de Eduardo Sá

Eu levei umas boas palmadas da minha mãe, para que aprendesse a ler, escrever e a Aritmética convenientemente, o que me levou a fazer um percurso escolar com 0 erros, Mt Bom em todas as áreas, e terminar a 4ª classe com 20 valores. Sabem o que sempre tive a dizer em relação a isso? Obrigada Minha Mãe

Deixem que as crianças sejam crianças.

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