Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Nun'Álvares Pereira

Há duas semanas o "Condestável" foi canonizado,pessoalmente não liguei muito porque,sinceramente, diz-me muito pouco o facto de ele ter sido considerado Santo por causa de um "milagre óptico",mas como não quero ir por aí,fé religiosa, gosto mais de o lembrar como o Homem que derrotou Castela e nos manteve Lusitanos.

Como recebi este texto por mail,polémico,basta ver quem é o autor,resolvi partilhá-lo convosco e deixá-lo à vossa consideração.

 

Nun'Álvares

"Quanto a Nun'Álvares, a sua avidez e ganância são atestadas por numerosos incidentes, conflitos e reclamações. Assim, por exemplo, quando D. João I lhe doou os direitos de Almada, Nun'Álvares achou pouco e tomou conta, por sua iniciativa e abuso (sancionado depois com uma demanda) dos esteiros de Arrentela e Corroios. Os seus rendimentos provenientes das doações feitas por D. joão I foram avaliados em 16.000 dobras cruzadas. Mais de uma vez, quando resistiam à sua desmedida ganância e à dos seus apaniguados, Nun'Álvares ameaçava... abandonar. Lutar, lutava. Mas mais bem pago que o rei. Assim Nun´Alvares se torna senhor de Barcelos, Braga e Guimarães, Montalegre e Chaves, Ourém e Porto de Mós, Alter do Chão e Sousel, Borba e Vila Viçosa, Estremoz e Arraiolos, Montemor-o-novo e Portel e ainda Almada, Évora-Monte, Monsaraz, Loulé e muitos e muitos outros reguengos e muitas e muitas rendas de muitos e muitos lugares. É de um homem destes que a Igreja Católica fez um santo, erguendo-lhe uma igreja em Lisboa aonde os pobres vão orar-lhe e pedir-lhe a sua intervenção junto de Deus..."


Álvaro Cunhal, "As lutas de classe em Portugal nos fins da Idade Média", ed. Estampa, 1975.

estou: Tuga
publicado por Pedro Oliveira às 07:34
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10 comentários:
De Febo a 8 de Maio de 2009 às 08:30
Muito interessante.
para esta gente mais nova, aqui está um exemplo de como a esquerda " interpretava" a História de Portugal.
Hoje essa esquerda tenta apagar da memória, essas posições. dando ares de modernidade.
O nosso ministro Luis Amado que os Portomosenses se lembram daqueles tempos,também assim pensava.
agora representou Portugal no Vaticano.
Há uns dias atras ouvi o Prof. Adriano Moreira falar a propósito da cooperação com as ex-colonias, em processo de pacificação da memória.Bonito.
Mas pacificar não é esquecer.
Porque este ar moderno,não elimina os germes do ADN, que há primeira oportunidade,volta a aparecer aquele fervor revolucionário de inveja,contra quem anda de camisa lavada.
Esta malta mais nova que já não viveu aquele período devia conhecer melhor estes personagens.
De Ferreira-Pinto a 8 de Maio de 2009 às 10:50
A História guarda registo do génio militar de Nuno Álvares Pereira e, quanto ao seu património, que era um homem do seu tempo.
A interpretação dada por Álvaro Cunhal é uma visão particular da História e uma explicação da mesma enviesada.
Quanto à santidade de Nuno Álvares Pereira, não me pronuncio.
De André miguel a 8 de Maio de 2009 às 13:03
Seja de que forma for o capitalismo é sempre o inimigo a abater. Nem que para isso se leia a história com umas lentes muito desfocadas...
De Rafael Marcelino a 8 de Maio de 2009 às 18:42
A História deve de ser respeitada pelos seus feitos e feitores, mas esta de elevar o Nuno A. Pereira a Santo é mais uma gralha da Igreja Católica e seus servidores.
Qual santo ...qual carapuça..
Daqui a uns anos ainda vão propor o A.Oliveira Salazar a santo também...
Bem...já o elegeram como o maior do Século (Vergonha) nada me admira..
De Portomaravilha a 8 de Maio de 2009 às 22:14
Albert Alain Bourdon, professor universitário da faculdade d'Aix en Provence, escreve em 1970, a história de Portugal, editada pelas Presses Universitaires de France, na colecção "Que sais-je ?".

Melhor que a Wikipédia !

A este propósito já leram a partida que um estudante australiano pregou à wikipédia, levando a imprensa séria da inglaterra e dos usa e da austrália a publicarem informações erradas ? Foi ontem.

Voltando à vaca fria : Desde então o seu livro esgotou-se e não foi re-publicado. Foi substituído na dita colecão pela obra, com o mesmo título, de Jean François Labourdette, em 1995.

O que é interessante ler na obra de Bourdon é que a crise de 1983 é considerada como a primeira revolução burguesa da história moderna. A burguesia aproveita-se da crise para desentronizar a nobreza.

E que o casamento com uma Lancaster não é mais que a união entre duas burguesias mercantis : Daí as Grandes Descobertas.

A vitória de Aljubarrota significa a vitória da burguesia sobre a nobreza. E essa vitória é possível porque a burguesia se apoia no povo. No fundo, a vitória de Aljubarrota é o reconhecimento da importancia da "plebe".

A vitória dos peões sobre a cavalaria.

Isto creio que não é novidade.

Em contrapartida, não deixa de ser interessante que Arrabal escritor e jogador de xadrez ( muito mau segundo a minha mulher ) lembre que a importância do peão no tabuleiro de xadrez aparece nessa mesma época.

E Viva o Porto !




De Anómico a 9 de Maio de 2009 às 00:25
Para reflexão da comunidade Portomosense

A propósito da canonização de Nun’ Alvares Pereira e da citação de um texto do Dr. Álvaro Cunhal neste blogue; chamo a atenção para um outro texto publicado no Jornal de Leiria no dia 16 de Abril de 2009, pelo investigador Senhor Professor Doutor Moisés Espírito Santo – Professor Catedrático de Sociologia/Historia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa.

O santo português que matou 36 mil
Espanhóis

“Falo de Nun’Alvares. Até há pouco, as mulheres ameaçavam os miúdos
com «Olha que eu chamo o Dom Nuno!». Um papão. Os portugueses só o
conhecem porque ele derrotou os espanhóis. Em Aljubarrota foram 36.000,
para além dos 7 de que se encarregou a padeira. Invocou Santa Maria - que
só será Mãe dos portugueses e não dos espanhóis - venceu. Esta mitologia
merece tanto crédito como as lendas de feiticeiras; o problema é que, repetida
hoje, significa estagnação cultural. Ideologia rústica fora do tempo. O povo
vai venerar um santo só porque ele derrotou os espanhóis. (Ficamos à espera
que seja canonizado o régulo Gungunhana que se sacrificou pela independência
da sua pátria, Moçambique...).
O Dicionário de História de Portugal, de Joel Serrão, lemos isto: «[Nun’Alvares]
exigia sempre uma disciplina rigorosa e o exacto cumprimento das suas
ordens; se isso não sucedia tornava-se bravo como um leão, chegando a matar
os cavalos e a ferir os corpos dos descuidados, se eram pessoas de mais pequena
condição». Entenderam: «se eram pessoas de mais baixa condição». Cavaco
Silva, ao integrar a comissão de honra da canonização, disse que «pode ser
um exemplo para os portugueses». Eu diria que exemplos desses já temos de
sobra: uma Justiça que condena os pobres e absolve os ricos; os trabalhadores
pagam impostos enquanto os políticos e suas famílias acumulam milhões
com a corrupção, os banqueiros a apropriarem-se dos dinheiros dos clientes...
Preferia ver o responsável máximo da Nação - que, hoje, é amiga
de Espanha - a abster-se desses conluios patriotiqueiros e a apontar
os espanhóis como exemplo de civismo, criatividade e empreendedorismo.
Não foi pelas qualidades guerreiras do Condestável que o Vaticano
o canonizou. Seria porque, já velho e impotente, se recolheu
a um convento onde viveu 8 anos ? (Diz o ditado: «O diabo depois
de velho fez-se ermitão»). Não consta que tivesse dado as
suas riquezas aos pobres, como se diz agora. Que se dedicasse
a tarefas conventuais, milhões de frades o fizeram.
No entanto, o mesmo historiador que citei diz: «Por baixo
do hábito de frade, Nun’ Álvares trazia por vezes vestido o seu arnez de
combatente». Estão a ver? Um belicoso disfarçado de frade. Foi pelo milagre
do salpico de azeite quente que saltou para a vista duma mulher de Ourém e
que não a cegou?

De Anómico a 9 de Maio de 2009 às 00:30
Continuação:
Porque foi? E porque só agora? Política vaticana. A beatificação, em 1918,
visou combater as Repúblicas portuguesa e espanhola, liberais. Depois o processo
foi p’ra gaveta, por cumplicidade com o fascismos ibéricos. Agora, como
o Condestável foi anti-espanhol, saiu dos arquivos para a actual guerrilha
entre a Espanha e o Vaticano (este já não tem mão duma nação que foi a mais
católica do Globo). Primeiro foi a lei sobre o aborto. Depois, o casamento civil
entre pessoas do mesmo sexo que levou os bispos espanhois a sairem à rua
em manifestação (coisa nunca vista - para combater uma lei democrática).
Bento XVI até veio a Espanha apoiar os bispos num congresso em favor da
«família tradicional». Hoje há o problema das aulas de Religião e Moral que
o governo substituiu por Educação Cívica, e o programa da Memória Histórica
sobre a guerra civil a que a Igreja - que foi co-responsável nessa guerra
- se opõe («para não abrir feridas», diz ela). Se isto fosse em países como Inglaterra,
Alemanha ou França, laicos ou protestantes de longa data, passons como
dizem os franceses. Vindo de Espanha que foi a católica por excelência, no
pasaran como diriam os bispos espanhóis. E passaram. Então... «Tomem lá
com o Condestável português que vos derrotou!» (Sendo eles como
são, faz-lhes tanta mossa como mostrar-lhes um espantalho).
Esta canonização é a reprodução da de Santa Joana d’Arc, rapariga
francesa que derrotou os ingleses invasores da França, em Orléans
(1429); mas foi entregue traiçoeiramente aos ingleses que a condenaram
à fogueira por heresia (1431). Só foi beatificada em 1909 e
canonizada em 1920, uma época de fundamentalismo católico... contra
a Inglaterra protestante.
E, com este costume medieval de inventar santos e de
os pôr a fazer política, é a imagem do Vaticano que fica
muito aquém das culturas da modernidade.”

Moisés Espírito Santo

IN: Jornal de Leiria – 16- de Abril de 2009


De hb a 9 de Maio de 2009 às 20:17
Muito bom o texto que aqui colocaste.

Infelizmente aqui, para os habituais do blog, o mais importante não é discutir criticamente a situação. Visto que, inicialmente, o problema é levantado com um texto do Álvaro Cunhal a discussão está logo inquinada à partida, como se pode até ver logo pelo alerta do Pedro, "polémico,basta ver quem é o autor".

De hb a 9 de Maio de 2009 às 20:18
Pedro, falhou-te mais um aniversário hoje....

http://tacada.blogspot.com/2009/05/aniversario-do-fim-da-2-guerra-mundial.html

Abraço
De Portomaravilha a 9 de Maio de 2009 às 22:44
Concordo com HB !

Faltou anunciar o aniversário do fim da segunda guerra mundial.

A derrota militar do Nazismo.

Foi um grande passo para a humanidade. E seria bom lembrar Souza Mendes que todos tentam esquecer.

A derrota do nazismo é ainda aqui festejada, visto o dia 8 de Maio ainda ser feriado.

E talvez por isso a Europa seja mesmo uma necessidade. É que nem todos os Alemães eram nazis.

Mas também é verdade que quem vive num país periférico tem sorte. Não quero ofender com esta afirmação. Como já escrevi aqui, várias vezes, quando se vive ou quando se sabe, através de familiares próximos, o que foram os campos da morte ou os campos de trabalho algo muda na nossa consciência.

Ideologicamente, creio que o nazismo continua em pezinhos de lã. Vejam-se as tentativas de quem quis , com a exposição Our Body, fazer comércio do corpo humano.

Quem coloca par a par Estalinismo e Nazismo coloca par a par Nazismo e colonização Portuguesa, por exemplo.

Ora essa comparação não permite uma conceptualização do que foi e é o Nazismo.

O Nazismo abriu um precedente na história da humanidade : A carne humana é matéria prima para a indústria. Melhor dizendo, para o consumo.

Não se trata de combater um opositor, mas sim de o destruir para uma rentabilização industrial e comercial. Algo que já é programado.

Reagi ao texto sobre Alvaro de Cunhal porque me pareceu ser um texto que obedece à historiografia oficial. Ou seja, de Cunhal pensa história a partir dum homem, duma personagem , eludando que quem faz os acontecimentos e a dinámica da história são os elementos contradictórios entre sim. E estes são anónimos !

Mas não é por acaso que aqueles que questionam as ideias de Marx ( voltaram a estar na moda ) têm tendência a esquecer a principal lei da dialéctica : a negação da negação : O movimento.

E Viva o Porto !



















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