Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

O Exemplo de D. Nuno

"

II-Considera-se oportuno partilhar com a juventude, breves considerações acerca  do nosso património, herança e memória, (Guilherme d´Oliveira Martins) e relatar a vida de D. Nuno como homem, guerreiro e monge.
            Evocar a Batalha Real, impropriamente chamada de Aljubarrota é recordar, embora telegraficamente, a personalidade e a vida de D. Nuno Álvares Pereira. Filho de Álvaro Gonçalves Pereira, prior da ordem militar dos Hospitalários, nasceu talvez em Cernache do Bonjardim, a 24 de Junho de 1360. Conviveu com o pai até aos 13 anos, de quem ouviu a narração de guerras passadas, em especial a que opunha a França à Inglaterra. Muito jovem aprendeu as “manhas” da guerra e a observar com atenção a luta que opunha a tradicional cavalaria feudal a renovada peonagem.
            Obediente ao pai, frequentou a corte como escudeiro da rainha, onde recebeu educação conforme ao seu estatuto. Voluntarioso, idealista, de inteligência viva e vincada personalidade, viveu a juventude em ambiente que auxiliou uma formação de vincado pendor misticista, próprio da época. O modo de ser e sentir, caracterizado por forte exaltação cavalheiresca e religiosa, era contido por invulgar ponderação e elevada exigência moral.
            O compromisso patriótico de D. Nuno foi desencadeado pela morte do rei D. Fernando a Outubro de 1383, em período de enorme instabilidade social e forte crise da nacionalidade que exigia a necessidade urgente da independência ser reconquistada.      Considerar D. Nuno possuidor de poderes extraordinários, é opinião apressada e simplista do seu comportamento exemplar, orientado por vontade forte ao serviço de um ideal superior. É preciso situar o jovem no seu tempo e em condições humanas normais. A qualidade do seu comportamento resultou da prática diária que sem hesitação o norteou ao longo da vida. Começou por ser um rapaz enérgico e corajoso com invulgar talento guerreiro. Místico e generoso assumiu a responsabilidade de comandar pelo exemplo, empolgando e conduzindo os companheiros à vitória pelo entusiasmo e determinação. Com a idade vieram a ponderação, a clareza de propósitos, a prática da disciplina e a inteligência das decisões que o nortearam nas acções que praticou. Foi o homem necessário no momento e lugar certos. Reuniu e empregou com acerto, escassos meios e vontades disponíveis, por vezes contra a opinião geral, e com eles realizou obra que firmou a nacionalidade."
         
 Continua
                                        Coronel Valente dos Santos
publicado por Ana Narciso às 21:05
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1 comentário:
De Portomaravilha a 14 de Maio de 2009 às 23:15
Estou a ler com muito agrado os capítulos. Já comentei,aqui, o que pensava da vitória da Aljubarrota. A vitória dos peões sobre a cavalaria. A derrota da nobreza.

Porque é que dado o título ou nome de Batalha Real à batalha de Aljubarrota ? É algo que me interessa.

Porque não é D. João 1 quem comanda ?

Parabéns a estes capítulos !

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