Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Entidade reguladora ou a voz do dono?

 «A TVI foi ontem condenada pelo Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) por desrespeito de normas ético-legais aplicáveis à actividade jornalística. A condenação surgiu na sequência da apresentação de dez queixas de cidadãos que, dessa forma, se insurgiram quanto ao conteúdo e apresentação do jornal televisivo que é apresentado à sexta-feira pela jornalista Manuela Moura Guedes.

"Normal e natural" foi como o deputado socialista e antigo secretário de Estado para a Comunicação Social, Alberto Arons de Carvalho, classificou a condenação da ERC. "Congratulo-me e registo o facto de a votação ter atingido um consenso tão alargado [quatro votos a favor da condenação e um contra] e agora só estranho que o conselho deontológico do Sindicato dos Jornalistas ainda não se tenha pronunciado sobre um caso tão lamentável", adiantou o mesmo responsável, que, de resto, foi uma das pessoas a queixar-se à ERC.
As queixas registadas reportam-se às edições do Jornal da Noite apresentado por Manuela Moura Guedes entre 16 de Fevereiro e 30 de Março deste ano. Nesses serviços de notícias, a jornalista apresenta e tece considerações sobre a actividade do Governo e, em particular, sobre o primeiro-ministro, José Sócrates, e a sua alegada participação em casos de corrupção (Freeport). "O estilo de apresentação desse noticiário não é isento nem próprio de uma sociedade adulta. É primário e prima pelo sectarismo e por uma falta de isenção chocante", afirmou ainda Arons de Carvalho, que, mesmo tendo consciência de que a condenação agora divulgada não implica qualquer pagamento pecuniário nem suspensão de programação, se mostra satisfeito por uma decisão que "tem efeitos muito negativos para um órgão de comunicação que é condenado em público". "Espero que, a partir de agora, a TVI volte a ter uma informação independente e rigorosa", acrescentou.
Na ERC votaram favoravelmente à condenação José Alberto de Azeredo Lopes, Elísio Cabral de Oliveira, Maria Estrela Serrano e Rui Assis Ferreira, tendo os dois últimos apresentado declaração de voto considerando que a decisão final é branda para a TVI. O voto contra, igualmente acompanhado de declaração de voto, pertenceu a Luís Gonçalves da Silva, o qual entende que a estação televisiva não teve, nesta apreciação e consequente votação, direito ao contraditório, ficando impossibilitada de exercer a sua defesa.»

 

Público, hoje

 

Será que este vigor regulador da ERC não seria mais útil na Autoridade para a Concorrência, no caso do preços praticados pelas gasolineiras?

publicado por Paulo Sousa às 08:20
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15 comentários:
De Paulo Sousa a 29 de Maio de 2009 às 08:28
Votar PS é apoiar e reconhecer como positiva a forma como tem governado.
De Si a 29 de Maio de 2009 às 11:39
A minha credibilidade relativamente a qualquer partido político, sem excepção, é hoje elevada a zero, pelo que me sinto confortável ao comentar este post.
Concordo plenamente com a sua questão relativamente às gasolineiras, mas não me parece correcto ligá-la a um conselho regulador que nada tem a ver com esse assunto. Conforme explicou e muito bem, a ERC regula apenas a comunicação social.
Por outro lado, e pelo que li da notícia que transcreveu, a condenação refere-se à postura de Manuela Moura Guedes nos noticiários de 6ª feira e não à postura informativa da estação. O caso Freeport foi amplamente investigado pela jornalista Ana Leal, que, de uma forma correcta, serena e documentada apresentou a sua visão jornalística, mesmo depois de ter sido confrontada com algumas pressões políticas.
Os espectáculos deprimentes que Manuela Moura Guedes tem vindo a protagonizar, de facto, em nada abonam em favor de uma informação isenta e deontologicamente coerente com os princípios do bom jornalismo - veja-se, por exemplo o expoente desta faceta, na entrevista a Marinho Pinto.
Mesmo não sendo tão inocente ao ponto de pensar que os elementos deste conselho, ou de outro qualquer, não são manipuláveis ou pressionáveis, esta decisão, será, no mínimo louvável. Se Manuela Moura Guedes pretende tecer considerações ou opiniões sobre factos, o seu lugar não será de pivôt de um Telejornal das 20.00h, mas sim de comentadora em debates organizados por outros jornalistas.
De Paulo Sousa a 29 de Maio de 2009 às 14:13
Por norma só vejo a TVI pelos vídeos que circulam na internet. Enquanto consumidor de TV de muito reduzida escala, escolho entre o que há disponível no mercado e raramente escolho essa estação. Mas não é isso que está em causa neste minha questão.
Há poucos dias li algures na net, que a liberdade de imprensa definida por lei nos EUA existe exactamente para defender as especulações dos jornalistas.
Cá quem especula participa numa campanha negra movido por forças ocultas.
No EUA, os políticos que se sintam acossados por jornalistas e que queriam recorrer aos tribunais têm o ónus da prova.
Cá quem se sente acossado, arranja umas assinaturas de uns amigos e ai vai disto.
As pessoas que cantam as musicas de Abril e andam de cravo ao peito são exactamente as mesmas que não resistem a puxar as orelhas aos jornalistas que se portam mal.
De Si a 29 de Maio de 2009 às 15:24
Caro Paulo, continuo a achar, na minha modesta opinião, que está a misturar um pouco as coisas, talvez, precisamente por desconhecer o que se passa na informação da TVI, que eu conheço apenas da perspectiva de espectadora comum.
O verdadeiro jornalismo não especula, levanta questões e arranja respostas documentadas. O verdadeiro jornalismo não opina, afirma sustentada e comprovadamente, investiga. Isto é jornalismo. Aquele que, volto a repetir, a Ana Leal fez e que deu origem a todo o processo Freeport. Este tipo de jornalismo faz falta, este tipo de jornalismo é protegido pela actual lei da imprensa, este tipo de jornalismo provoca reflexão e assusta quem, nos cargos públicos, se julga intocável.
Fazer o que a Manuela Moura Guedes faz - e que faz parte do conteúdo principal deste post - é descredibilizar o jornalismo, fazer tábua rasa da necessidade de preparação séria para realizar entrevistas, apalhaçar notícias, que chegam ao destino, completamente cheias de ruído folclórico.
Mais, tendo acompanhado o trabalho da Ana Leal no caso Freeport, e a seriedade com que este foi apresentado, aguentando pressões evidentes e mostrando originais de documentos que puseram o nome de José Sócrates em questão, vídeos do Reino Unido relacionados com Smith e toda a restante investigação por ela levada a cabo, eu acho até que o trabalho dela foi seriamente prejudicado pelas barbaridades da MMG, cometidas a seguir.
Não desçamos ao nível dos políticos (TODOS) que fazem do povo português meras marionetas que aplaudem discursos inflamados pelos copos de vinho em sardinhadas de campanhas eleitorais, nem cometamos os mesmo erros de Sócrates, de achar que é uma campanha consertada para calar a TVI, quando a condenação visa - e bem - o noticiário de 6ª feira, apresentado pela MMG.

Esta é a minha opinião sincera, apartidária e convicta de que Portugal, de momento, não tem, da extrema esquerda à extrema direita, gente credível em nenhum sector público, nem tão pouco ninguém que verdadeiramente esteja interessado em resolver os problemas do país, mais do que os seus próprios, pelo que agradeço, caro Paulo, que não considere esta minha mais acalorada intervenção no seu blog, como qualquer crítica pessoal ou tendenciosa.
De Paulo Sousa a 29 de Maio de 2009 às 21:35
Caa Si,
É um prazer debater consigo, é por isso que cá estamos e por isso temos de estar sempre abertos ao debate.
Compreendo o que diz. O exemplo que dei sobre o tratamento entre as especulações da imprensa no nosso país e nos EUA, são isso mesmo, um exemplo das muitas diferenças entre estas duas sociedades. Eu pessoalmente preferia que o ónus da prova tivesse de ser dos políticos, pois são eles que têm de prestar contas do que fazem ou não fazem.
Depois desta nossa conversa, hoje tive de ver o Jornal Nacional. E sabe o que lhe digo? Não o achei tendencioso, não achei que fosse violada a ética ou o código deontológico dos jornalistas. Foram apresentados vários casos incómodos ao governo,mas também ao PSD.
Destaco-lhe um deles.
A empresa JP Sá Couto, fabricante do famoso Magalhães, perante um aumento percentual de vendas na ordem das varias centenas, está a aumentar as instalações. Para isso, a Câmara, julgo que de Matosinhos, endividou-se para adquirir um terreno que irá oferecer a esta empresa. Foram ouvidos alguns deputados municipais de Matosinhos, entre os quais alguns eleitos pelo PS, que se manifestaram contra esta 'prenda'. Pergunto eu: Num plano de investimento de onze milhões de euros a viabilidade do projecto dependia do valor do terreno em causa? Se dependia, então o projecto não é viável, e restará apenas a hipótese do apadrinhamento desta empresa. Acha que isto é especular? Talvez seja, mas só não vê quem não quer.
Noutras sociedades claramente mais evoluías que a nossa, cada órgão de comunicação social tem a sua linha editorial definida e tem o público. Em Espanha quem é da direita lê o El País, quem é de esquerda lê o El Mundo, e o mesmo acontece em França e por esse mundo desenvolvido fora.
Outro exemplo. Não sou leitor do Correio da Manhã, mas este jornal tem o seu público e o seu estilo. A capa de hoje (pode vê-la aqui ao lado) tem como manchete: 'jogador do Benfica suspeito de violação', acha que esta será a notícia de maior relevo do dia em todo o país? Perante manchetes como esta eu não compro e não leio, mas pela sua tiragem, e como tal pelo impacto que tem nos portugueses, concordo que este jornal tenha a sua primeira página todos os dias neste blog.
Onde quero chegar é que cabe ao mercado corrigir os excessos também da imprensa e não aos políticos a escolher os jornalistas que respeitam a ética e os que não respeitam, de acordo com o conteúdo do seu trabalho.
E para já termino com uma citação de Thomas Jefferson: "A nossa liberdade depende da liberdade de imprensa, e ela não pode ser limitada sem ser perdida."
No fim de tudo é disto que se trata, de liberdade.

De Si a 29 de Maio de 2009 às 22:48
Hoje não vi o Jornal Nacional, portanto não poderei tecer qualquer consideração sobre ele, mas, a semana passada compreenderia bem melhor o que digo, relativamente à postura da MMG.
De qualquer forma, chegámos já a um ponto de concordância - não é este tipo de jornalismo que dignifica a informação no país e MMG não é a única a fazê-lo. A sua visibilidade, e agressividade, sobretudo, torna-a, no entanto, muito mais impactante.
E não concordo que seja o mercado a fazer o seu juízo, precisamente pelas conclusões do seu raciocínio: quanto mais folclore e excertos fora do contexto, maior é a audiência, o que cria um ciclo perigoso de estabelecimento de limites mínimos de respeito pelas elementares regras do jornalismo e das próprias linhas editoriais, para as quais existe uma flexibilidade enorme. É para isso que servem as Entidades Reguladoras a quem se deve fazer chegar as queixas, tal como, por exemplo, o fez (ou fará ainda, não estou certa) o Benfica relativamente ao jornal desportivo que publicou a notícia sobre o suposto treinador já contratado.
Quanto ao ónus da prova, será discutível, mas num país onde esteja onde ele esteja, ninguém é responsabilizado, duvido que alterasse alguma coisa ele estar do lado dos políticos.
Finalmente, lhe digo, apenas em jeito final, que a TVI tem excelentes jornalistas, tal como a SIC e a RTP. Todos os que desempenhem a sua função de uma forma isenta e rigorosa merecem ser destacados e apoiados, numa profissão em que apenas meia dúzia têm visibilidade sobre um trabalho que é realizado por dezenas.
De Paulo Sousa a 29 de Maio de 2009 às 23:45
Quando diz que "quanto mais folclore e excertos fora do contexto, maior é a audiência" toca num ponto fulcral do debate. É o nível cultural e a vivência social do auditório que deverá definir os conteúdos dos media, ou o contrário? É uma pescadinha de rabo na boca. A evolução dependerá de ambos, mas não aceito que deva ser um organismo que dependa do poder estabelecido a definir o que são bons e maus conteúdos, a que podemos chamar 'lápis azul', ou ministério da propaganda, pois então estamos a mandar a liberdade de Abril às ortigas. Falo pela segunda vez de Abril, pois Abril não é propriedade da esquerda.
Quando estas questões são debatidas lembro-me sempre de uma peça de teatro que vi há uns anos. Pop Corn, importado dos EUA e encenado em Portugal por José Pedro Gomes, António Feio e Helena Laureano, naquele teatro junto nas Picoas, que não me lembro o nome.
Pode dizer-se que é uma crítica ao cinema onde a violência é banalizada como acontece nas series B, e nas quais o Pulp Fiction se tornou um ícone, tendo sido premiado em festivais de referência como o de Cannes.
A acção passa-se após uma entrega de óscares em que o vencedor é um realizador (José Pedro Gomes) que se tornou célebre com uma personagem violenta, o assassino do supermercado (Ant Feio) e a sua namorada (H Laureano). No decorrer da acção esta personagem entra em casa do realizador e sequestra a sua família, chama as televisões, representadas por 2 repórteres com um portátil onde pode acompanhar as audiências e cada momento e faz uma comunicação ao país:
Se não mudarem de canal, ele irá executar toda a família.
Imagine o que acontece! Num cenário destes éramos capazes de mudar canal e salvar a família? Somos capazes de mudar da canal quando o nível do conteúdo se degrada? Ou a nossa atenção é arrebanhada pelo espalhafato de certos media?
Somos ou não os juízes legítimos desta causa? Ou precisamos de ERC para nos escolher os conteúdos,porque coitadinhos não sabemos escolher?
Obrigado por me pôr a descarregar este testamento e desculpe se a enfadei.
De Si a 30 de Maio de 2009 às 00:27
Enfado não se sente certamente a discutir valores da sociedade em ambiente saudável e cortês, caro Paulo.
Entendo perfeitamente a sua posição e a sua luta pela liberdade de informação, mas, de facto, vivemos num país onde, a começar pela Educação, e a terminar na Política, se nivela tudo por baixo, todos a querer enganar mais do que os outros, sem olhar ao cumprimento das mais básicas regras de civismo, de competência, tapando-se o sol com a peneira e entretendo-se o Zé Povinho com telenovelas, futebol e os tais discursos inflamados, quanto mais gritados, melhor. E é esta a realidade que temos, Paulo, não somos Alemães que têm ao longo das estradas bancas de fruta sem vendedor, onde cada um pesa a que quer e deixa o dinheiro correspondente, não somos Noruegueses, rígidos nos seus comportamentos e princípios, nem somos, ainda, felizmente, mas se calhar pouco faltará, Italianos conduzidos por um Berlusconi.
Somos Portugueses, cuja mentalidade é sobreviver a cada dia com o rendimento mínimo, usufruir sem preocupações do subsídio de desemprego até ao último dia, num país que não tem indices de produtividade, que não produz porque não tem indústrias relevantes, que abandonou a agricultura e que depende em tudo e para tudo da Europa e do resto do mundo de onde vêm as importações.
Para haver liberdade, e não é só na Informação, mas em tudo, tem de haver muita e rigorosa responsabilidade, e ninguém assume nada neste país, caro Paulo. E os piores exemplo vêm de cima. Realmente, porque não há-de o desempregado usufruir do sub. de desemprego até ao fim sem realizar o menor esforço para alterar a sua situação, se à sua volta só vê exemplos de corrupção e aproveitamento próprio e pessoal de dinheiros públicos??
Parecerá que estou a divergir relativamente ao assunto desta nossa conversa, mas limites, regras e dignidade são fundamentais em qualquer tipo de liberdade, sob a pena de esta se tornar em anarquia, como sabe, e certamente, será assim que estabelecerá na sua casa a educação dos seus filhos (perdão, se não os tem, é apenas um exemplo).
E é isso que a ERC deve representar, não uma censura, mas a certeza da manuenção dos valores democráticos.
E porque foi assim que o debate começou, volto a dizer que, NESTE CASO, considero que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que inclui elementos de mais do que um quadrante politico, agiu bem ao condenar os excessos inúteis para o rigor jornalísitico, de uma figura chamada MMG, sem que esta acção constitua (até porque não tem consequências punitivas) qualquer tentativa de calar vozes discordantes do poder instituído.
De Paulo Sousa a 30 de Maio de 2009 às 08:37
Compreendo o que diz, mas a nossa sociedade, feliz ou infelizmente é a que é. Entre os casos que apresenta como exemplo, Alemanha Noruega, que são de facto casos de sociedades mais evoluídas, mais informadas, mais abertas, e o nosso ou outros, qual é a fronteira, qual o critério para definir em que sociedades pode ou não haver uma orientação no conceito de bom gosto?
Será que não estamos aptos para escolher os nossos conteúdos? Será que não estamos aptos para mudar de canal quando não nos interessa o que está a dar?
Não sendo uma sociedade que poderíamos ou deveríamos ser, não acho aceitável que tenha de ser um comissão, seja ela qual for, a definir, a premiar ou reprovar, o trabalho deste ou daquele jornalista, seja ele\a casado, ou filho de quem for.
Estamos a debater o limiar entre as sociedade onde a liberdade de expressão é permitida e aquelas onde a opinião tem de estar dentro dos limites estabelecidos por outras pessoas.
De Carlos Barbosa de Oliveira a 30 de Maio de 2009 às 01:13
Um esclarecimento prévio, Paulo: a ERC não condenou, porque não tem poder para isso. Apenas aprovou uma deliberação em que verbera o comportamento do Jornal da Sexta da TVI ( e não a informação da TVI em geral) no tratamento de determinadas notícias.
Em minha opinião, fez bem, Apesar de a ERC não gozar de grande credibilidade, estva obrigada a responder às queixas que lhe foram apresentadas. E concluiu, com naturalidade, que a TVI violou, de forma sistemática, o Estatuto do Jornalista no tratamento noticioso do caso Freeport.
É uma evidência e a ERC não podia deixar de o salientar.
Se MMG fosse uma jornalista com um mínimo de credibilidade e não estivesse a fazer um servicinho ao marido, também se preocuparia em divulgar notícias sobre o caso BPN, que dariam pano para mangas. Acontece porém, que, além de ser casca grossa, MMG não tem a mínima noção do que é jornalismo. Não é isenta e julga que o jornal da Sexta é um talk show.
Tenho pena que asim seja, porqeu na TVI existem excelentes profissionais que MMG está a denegrir com a sua postura de vendedora na lota de Setúbal.
Abraço
De Paulo Sousa a 30 de Maio de 2009 às 08:26
Carlos,
Obrigado pelo esclarecimento.
Como disse no início, não sou nem deixo de ser apreciador do trabalho de MMG pois raramente vejo a TVI. Ontem vi o dito jornal e não o achei excessivo.
Compreendo o que diz, mas receio que em detalhes como este, e como aqui debati com a Si, possa haver a tentação em condenar por violação do conceito de bom gosto, pois se isso acontecer ter-se-á passado o que considero ser o limite entre as sociedades livres e as autoritárias. Queremos que o Delito de Opinião seja apenas um blog de leitura diária obrigatória e não um motivo de condenaçao...
De Si a 30 de Maio de 2009 às 09:57
Com a ajuda do Carlos, acho que se voltou ao início desta discussão referindo-se pormenores importantes, que vale a pena detalhar, no sentido daquilo que tenho vindo a tentar especificar.
É que o problema todo não está no bom ou mau gosto, nem eu estaria aqui a debater este post, se assim fosse.
O problema está, de facto, no código deontológico do jornalista, que não pode emitir opiniões. Pode levantar questões, investigá-las, comprová-las e noticiá-las, ponto final.
O Delito de Opinião não é um blogue de um órgão de informação, não é um blogue jornalístico nem obedece às tais regras deontológicas, porque cada um dos intervenientes participa nele como indivíduo, onde tem liberdade de opinar, interagir com os comentadores e expressar-se da forma que entender.
São blogues onde o Carlos Barbosa de Oliveira, por exemplo, é apenas o Carlos pessoa que, por acaso, também é jornalista.
Se a MMG tivesse um blogue (nem sei se o tem), teria toda a liberdade de acusar, especular e fazer todo o tipo de malabarismos que quisesse com a informação de que dispõe e aguentar pessoalmente com as consequências disso, caso alguém quisesse, por exemplo, acusá-la de difamação.
Mas o Jornal das 20.00h não é um blogue, como tal, tem de seguir as regras do código deontológico do jornalismo, havendo, para isso, a ERC, que, mal ou bem, existe para chamar à atenção dos jornalistas que não cumprem.
E foi isto que lhe quis explicar desde o início, se calhar não pelas melhores palavras...
De Paulo Sousa a 30 de Maio de 2009 às 14:18
Fiquei intrigado sobre o que me disse e fui consultar o Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses no site do sindicato (http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=24&idselect=369&idCanal=369&p=368)
No seu primeiro ponto pode ler-se que "A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público" pelo que depreendo que os jornalistas não estão impedidos de opinar. Se o estivessem teriam menos direitos que os restantes cidadãos, o que não faria sentido.
Tem razão quando lê-mos o segundo ponto onde se afirma que o "jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo", embora aqui eu acho que voltamos às zonas cinzentas onde não se sabe o chão que se pisa. Qual é a fronteira do sensacionalismo? Qual o critério para o aferir? Podemos entregar a definição deste critério à ERC. Ok.
Acha que estes senhores são isentos relativamente ao actual poder?
Acha que o actual poder não se tem excedido no que toca à relação com os media?
Acha que a linha editorial dos media públicos são invariavelmente favoráveis ao governo e os privados invariavelmente desfavoráveis?
Quantos processos José Socrates já moveu contra jornalistas?
Será que todos os jornalistas processados pelo PM são os únicos que violam o seu, deles, código deontológico?
Acha que em Portugal existe uma liberdade de expressão idêntica à que existe na Alemanha e na Noruega, para pegar nos exemplos que deu? Acha que os atropelos a essa liberdade de expressão nos farão aproximar das sociedade desenvolvidas?
Acha que existe na nossa sociedade existe o 'Medo' de que Manuel Alegre já falou várias vezes?
Posso estar a ver atropelos onde estes não existam, mas há um mau estar geral no país, e de facto o medo existe. Estarão os senhores da ERC isentos desse medo?
De Si a 30 de Maio de 2009 às 15:18
Tantas questões, Paulo, e eu, que não sei responder individualmente a todas....!
Por isso, tentarei resumir:
Na diferença entre notícia e opinião e no seu esclarecimento perante o público, reside o erro crasso de MMG, quando, de uma assentada só revela as duas, como se a opinião fosse a conclusão natural da notícia. (Até poderá não o fazer sempre, mas a queixa apresentada também se refere a um período muito específico) Ora, isto, é manipulação de informação, a mesma que o Paulo questiona se não será exercida pela ERC. Lamentável seria, exactamente da mesma forma, com direito a queixa e deliberação da ERC, se MMG fizesse elogios despropositados e reverências ao poder político, tentando arranjar justificações para cada acto noticiado. A notícia tem, portanto um local próprio e um interlocutor próprio e daí a existência de pivôts de noticiário e de comentadores, notícias e debates, notícias e artigos de opinião, notícias e blogues.
De resto, todas as suas questões, que são pertinentes, terão que ser respondidas com uma única acção. O uso do bom senso, já que, exactamente como refere, há zonas cinzentas em que é preciso uma capacidade de gestão de conflitos muito grande e responsável, até porque nunca, mas nunca podemos esquecer, enquanto cidadãos que se prezem de ser cívicos, que a nossa liberdade acaba quando começa a dos outros.
Se existe medo?? Custa-me a crer, na sua verdadeira acepção da palavra, tantas são as formas existentes de veicular informação hoje em dia.
Processos contra jornalistas??
Costuma-se dizer que 'cão que ladra não morde', Paulo, pelo que, além do tipo de justiça que temos ser o que é, estes não serão mais do que artifícios (mais alguns) para distrair das verdadeiras questões, que continuam, no entanto, a vir a lume, uma após outra. Haverá, certamente complôs, como sempre os houve, qualquer que seja o partido no poder, mas se reparar, as peças do tabuleiro são sempre as mesmas e comem todas do mesmo prato.
A ERC é manipulável e manipuladora de conceitos de liberdade? Pois seja, se assim a quiser ver, só que, com esta postura, nunca poderá deixar de considerar tão ou mais manipuladora destes conceitos, a MMG, no sentido oposto, com a agravante de que se a ERC delibera não por iniciativa própria, mas por que para isso foi solicitada, recorrendo à ponderação de 5 elementos, a MMG comenta de moto próprio e improvisado, como se as palavras que lhe saiem da boca representassem o fulcro da notícia e a sua conclusão. E isto não é bom senso certamente....
De Paulo Sousa a 30 de Maio de 2009 às 23:14
Sobre este nosso debate recomendo a leitura da entrevista de MMG ao jornal i.
http://www.ionline.pt/conteudo/6612-socrates-proibiu-palavra-corrupto-na-entrevista--rtp

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