Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Ganhámos. E agora?

 

Passados práticamente quatro anos após a vitória de João Salgueiro nas Eleições Autárquicas em Porto de Mós e o mesmo tempo a ouvir-se da sua boca que a oposição derrotada ainda não aprendeu a conviver com a derrota, volto a abordar este tema porque passado este tempo não é difícil concluir que não é (apenas) aos derrotados que podem ser atribuídas (todas) as culpas à coabitação tensa entre cidadãos afectos aos dois maiores Partidos Políticos.

De facto durante este período a História Portomosense não irá registar momentos de grande orgulho ou distinção acerca da convivência democrática entre os seus concidadãos. Na minha perspectiva muito mais significativo que o estilo de governação sem rumo, sem estratégia e sem palavra deste executivo foi a falta de cultura democrática, de capacidade para ouvir e entender o lado positivo da crítica. Estas pessoas que nasceram para a Politica após o 25 de Abril certamente têm no poder local o veículo para o exercício dum poder obstinado, redutor e em muitos casos um obstáculo ao livre dever de cidadania que cada um de nós teria que assumir na persecução dum concelho melhor de e para todos. Por isso não fico orgulhoso destes últimos quatro anos de poder autárquico em Porto de Mós. Porto de Mós regrediu e infelizmente não foi apenas por falta de obras.
Esta forma de estar no poder obriga-me reafirmar que, pior que não saber conviver democraticamente com a derrota é não saber lidar com a vitória.
Sem me querer alongar mais acerca desta tema, convido-vos a ler atentamente um texto escrito pelo seleccionador nacional de râguebi, Tomaz Morais no seu livro “Compromisso nunca desistir” e que transmite fielmente a primeira razão do fracasso deste 4 anos de poder autárquico em Porto de Mós:
“Nada é eterno, muito menos os êxitos. Ainda assim, acredito que prolongar o sucesso no tempo é, talvez, um dos mais bem guardados segredos dos grandes líderes. Para sustentar essa necessidade de extensão, é necessário ser capaz de gerir o sucesso, mantendo a equipa focada nos objectivos e na missão com a qual se comprometeu.
Quem lidera equipas tem que ser capaz de perceber que o sucesso é, por natureza, efémero. O ritmo das sociedades contemporâneas não se coaduna com a possibilidade de narrações épicas de momentos de triunfo. Em termos sociais, esta ideia parece facilmente tolerada mas, quando se analisam os comportamentos humanos no momento de lidar com o sucesso, percebe-se que ainda não fomos capazes de interiorizar esta realidade. Continuamos a ser incapazes de aceitar o verdadeiro efeito potenciador duma vitória.
Quando um ser humano atinge os objectivos a que se propôs, tem tendência a manifestar três tipos de atitude: deslumbra-se, acomoda-se e perde o sentido colectivo. Ora, são precisamente estes três eixos que devem ser trabalhados pelo líder como forma de evitar que os colaboradores deixem escapar os valores de referência, a disciplina e a capacidade de sacrifício que foram a chave do êxito” Tomaz Morais
Espero que o próximo presidente da autarquia Portomosense tenha capacidade para saber lidar com o sucesso, que seja um líder. Certamente começará aí um novo ciclo para o concelho de Porto de Mós – o de recuperar o tempo perdido por falta do líder!
 
publicado por Jorge Vala às 00:32
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5 comentários:
De Pedro Oliveira a 26 de Agosto de 2009 às 10:35
Bom dia Caro amigo,
Este tema da liderança é um tema recorrente neste nosso cantinho, por sabemos bem da importância da Liderança em qualquer empresa, instituição ou clube desportivo. Muitas são as referências que aqui temos colocado, muitos são os estilos de liderança que existem, mas o fundamental é o líder ter a noção clara de qual é o objectivo da sua liderança em cada momento para atingir a sua quimera. Ou seja, qual a visão estratégica que tem, qual é a sua missão, quais as actividades e tarefas que tem que concretizar para atingir o que pretende e escolher a equipa que encaixe nestes pressupostos todos e não porque dá mais votos ali e acolá... .No caso autárquico e em concreto em Porto de Mós, resta saber se os candidatos têm bem presente estes dados todos.
Esperamos todos que Porto de Mós tenha direito a um líder capaz de concretizar uma estratégia que faça de Porto de Mós um concelho de excelência, estamos já um pouco cansados de "bombeiros" e "chefes de obras".
De Paulo Sousa a 26 de Agosto de 2009 às 14:30
Seria interessante que existisse uma urna de voto exclusiva para os colaboradores da Câmara Municipal, pois são eles que sentem na pele o tipo de liderança do actual Presidente e novamente candidato.
São eles que sentem em primeira mão a falte de estratégia, o desnorte da decisões arbitrárias e o revanchismo usado instintivamente contra quem não aplaude ou não engraxa.
A actual governação municipal não se pode definir por uma questão ideológica mais ou menos à esquerda, pois já notamos que não saberão o que as distingue, mas sim um estilo de liderança.
De António carvalho a 26 de Agosto de 2009 às 18:26
Já fiz um anterior comentário sobre liderança e lider.
Desejo que a imagem ou figura de lider, não seja apenas vista como um dirigente, seja ele politico, desportivo ou cientifico.
Lider, pode ser apenas a imagem de um projecto, de uma ideia ou apenas o porta voz de determinado objetivo e não ser efectivamente o topo da qualidade e da bondade de uma organização .
PODE CHAMAR-SE LIDER, A UMA PESSOA QUE INGRESSA NUMA ESTRUTURA JÁ CONSTITUÌDA E QUE NÃO A ALTERA!? e se POR ACASO CONSTROI OU CONQUISTA UMA ORGANIZAÇÃO POR TRAÇAR IDEIAS E CONCEITOS DE ORGANIZAÇÃO DIFERENTES PODE ACEITAR-SE NA REALIDADE A EXPRESSÃO "LIDER"I Posso estar a misturar algum granel na questão, mas lider pode ser para o bem ou para o mal. Basta que utilize o poder (Politico, económico, social ou religioso) no bom ou no mau sentido. O problema é que o sentido de bom ou mau, também é relativo pois varia de pessoa para pessoa, visto que bastas vezes ouvimos expressões " politica é só para corruptos e oportunistas) quando sabemos que essa forma de levar as pessoas a fazerem tais afirmações, são muitas vezes lançadas pelos próprios lideres politicos em momentos em que estão completamente desacreditados. Daí que o lider pode ser uma concepção de liderança muito vasta e portanto necessária de muitas reflexões.
De Ana Narciso a 26 de Agosto de 2009 às 23:13
Bem-vindo!! Este assunto já nos ocupou outros posts , mas só queria acrescentar o seguinte.No texto que citas lê-se "Quando um ser humano atinge os objectivos a que se propôs, tem tendência a manifestar três tipos de atitude: deslumbra-se, acomoda-se e perde o sentido" . Diria que se já atingiu os seus objectivos e não tem outros para perseguir só tem um caminho: dar a vez a outro. O pior mesmo é quando se deslumbra, se acomoda e perde o sentido do colectivo pelo lugar que ocupa e não pela função ou responsabilidade que tem para com os outros. Este isso sim é um problema grave que atinge muitos proatgonistas do nosso quotidiano político.
Assustam-me muito mais!!!
De Eduardo Louro a 27 de Agosto de 2009 às 00:55
Bem vindo Jorge, já tínhamos saudades...
A obra que citas tem duas palavras chave: líder e sucesso. E um desafio, o desafio que se coloca a todas as organizações: Manter o sucesso, ultrapassar o efémero.
Sabemos bem que são palavras e desafios que não têm aderência à realidade política, em particular à nossa realidade local. A não ser que sucesso se reduza à mera circunstância de ganhar uma eleição e que isso baste para fazer do sujeito um líder. Infelizmente todos sabemos que não é preciso ser líder para ganhar eleições. É frequente ser alguém que substitui capacidade de liderança por capacidades circenses (contorcionista, malabarista...). Com um sucesso tão efémero que se esgota na noite das eleições!
Claro que todos desejamos que deixe de ser assim... Que seja como tu desejas!

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