Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Como se injecta dinheiro na economia e para quê?

A evolução da massa monetária de uma economia determina  o seu crescimento económico assim como o crescimento dos preços. O crescimento económico pode ser avaliado pela evolução do PIB, Produto Interno Bruto, e o crescimento dos preços já sabemos ser a taxa de inflação.

Em cada economia cabe ao seu Banco Central (BC) determinar objectivos para estas duas variáveis. Quando há um grande crescimento da massa monetária, sem que seja acompanhado por um aumento do PIB existem riscos de inflação. Nesses casos os BC’s tentam retirar fundos da economia, através do Mercado Monetário Interbancário (MMI). Na prática conseguem-no se ofereceram aos Bancos taxas superiores às praticadas entre eles no momento anterior. Perante uma taxa mais favorável os Bancos entregam os seus fundos ao BC. Esta operação é designada por ‘secagem’ do mercado.

O contrário acontece quando há falta de liquidez e/ou de confiança no MMI o que leva a um aumento do preço do dinheiro, entenda-se das taxas de juro. Um aumento das taxas de juro provoca no primeiro momento uma desacelaração do crescimento económico, pela aumento do custo dos investimentos. Nesse cenário e se o BC não desejar esta desaceleração económica injecta dinheiro na economia. Na prática consegue-o adquirindo títulos do tesouro detidos pelos bancos ou simplesmente cedendo fundos a taxas inferiores às praticadas no mercado.

No últimos dias a ruptura do Lehman Brothers, Merrill Lynch, American Internacional Group e HBOS criaram uma tal instabilidade no mercado que levou a um grande aumento da procura do dinheiro, assim como do seu custo, por parte dos restantes bancos e instituições financeiras. Esta procura levou a que a Euribor assim como outras taxas de referência subissem a níveis que ‘congelariam’ a economia.

Hoje os Bancos Centrais Europeu, Inglês, Canadiano, Japonês, Suiço e a Reserva Federal Americana, em acção concertada injectaram uma quantia inédita de milhões para tentar travar a subida das taxas de juro.

Espero que esta modesta explicação, que poderá ter algumas falhas técnicas, permita entender melhor as notícias dos últimos dias.

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publicado por Paulo Sousa às 00:23
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5 comentários:
De violeta a 19 de Setembro de 2008 às 03:04
E é e por outras por estas e por outras que a prestação da casa sobe e o meu poder de compra diminui... ;)
De Paulo Sousa a 19 de Setembro de 2008 às 08:37
Cara Violeta,
Como vimos, sem a intervenção dos Bancos Centrais de ontem as nossas prestações seriam bem maiores.
Esperemos que seja suficiente para travar a tendência de subida dos juros.
Agora parece que é o Morgan Stanley que está a tremer.
Se a incerteza continuar certamente que serão necessárias mais intervenções.
Aguardemos a fazer figas.
De Pedro Oliveira a 19 de Setembro de 2008 às 08:44
Meu caro, essa tua explicação dá para perceber, de uma forma simples, o mecanismo da coisa, só não consigo perceber é como é que estando a inflação a subir se sobe os juros e como a inflação não pára de subir os juros também não.Não há aqui qualquer grão de areia na teoria económica que está afalhar?
Não era suposto que o aumento da taxa de juros fizesse baixar a inflação?
De Paulo Sousa a 19 de Setembro de 2008 às 11:49
Sim, sem intervenção dos BC's as taxas disparariam e 'congelando' o crescimento económico a inflação iria baixar. Mas a insegurança que se sente no mercado é tal que o objectivo inflação fica para já em segundo plano.
Além disso a inflação é variável que não reage de imediato, ao contrário do que acontece às taxas de juro nos mercados financeiros. Ontem o mercado foi inundado com a intervenção e no final do dia as bolsas já respiravam de alívio, como podes ver no último link do texto.
De Anómico a 19 de Setembro de 2008 às 12:28
O mundo financeiro está mergulhado numa crise sem precedentes. Portugal por força dascircunstâncias actuais também sofre na pele os efeitos da aludida crise.
Claro que seria inevitável que isso acontecesse, fosse com que governo fosse.
O que é imcompreensível é o facto de nem o primeiro ministro nem o presidente da república falarem aos portugueses .
Os portugueses têm o direito de saber de que forma é possível ultrapassar ou pelomenos minimizar os altos custos que já estão presentes e outros que se adivinham vir por aí pela boca do primeiro ministro e do ministro das finanças.
è inadmissivel este silêncio.
Maria Antonieta Mariano

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