Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Curiosidades eleitorais

É já tradicional, nas nossas noites eleitorais, que ninguém perca. E não é que desta vez quase que têm razão?

 

Parece-me que quem verdadeiramente perdeu foi o país, mas isso também já não é grande novidade. As sondagens também voltaram a perder. Mas nem o país nem as sondagens são partidos políticos.

 

O PS ganhou as eleições; perdeu mais de meio milhão de votos em relação às últimas eleições mas… ganhou. Sem discussão! O PSD obteve um mau resultado, mas ganhou votos e deputados em relação a 2005. O CDS, ninguém terá dúvidas, ganhou. E, se dúvidas houvessem, bastaria seguir a noite eleitoral. É sempre fechada pelo partido ganhador e ontem foi fechada por Paulo Portas que aguentou…aguentou e falou só depois de Sócrates! O Bloco ganhou, apesar de derrotado pelas sondagens (e até pelo método de Hondt). Duplicou os mandatos, ultrapassou os 500 mil votos que colocara como fasquia e, portanto, ganhou. A própria CDU, que ganha sempre, apesar de cair para a última posição dos partidos com representação parlamentar, conquistou mais 30 mil votos que nas eleições anteriores e ganhou mais um deputado. Uma festa, portanto, para todos!

 

Duas novas forças políticas a merecer atenção: a abstenção, a maior força política no país, representando mais de 39% do eleitorado, e os famosos brancos e nulos, já com significativa expressão eleitoral.

 

O resultado do CDS ou, talvez mais propriamente, de Paulo Portas é de facto notável. Como notável é a sua teimosia em contrariar as sondagens. É consequência da autêntica máquina em campanha que Paulo Portas na realidade é (não confundir com máquina de campanha, porque essa é do PS, como se viu), através do que conseguiu roubar muitos votos a PS e PSD, mas também de uma eficiência ou de uma produtividade do voto fora do comum (ver quadro abaixo).

 

O método de Ont favorece os grandes partidos que, nestas eleições, precisaram em média de cerca de 21 mil votos para eleger cada deputado. O CDS de 28 mil, a CDU de 30 mil e o BE de 35 mil. Curiosamente, o BE, que era apontado como o mais favorecido por este método de atribuição de mandatos – por concentrar o seu eleitorado nos grandes centros urbanos seria menos penalizado pela dispersão de votos – acabou por ser o mais penalizado, ou talvez melhor, por ser objecto da mais baixa eficiência de voto: o CDS, com mais cerca de 35 mil votos consegue mais 5 deputados; e a CDU, com menos cerca de 112 mil votos, atinge apenas menos 1 deputado.

 

Quadro de "eficiência" de voto

 

Mandatos

%

"Custo" de cada mandato

 

Número

%

Votos

     %

Votos

PS

96

42,48%

36,56

0,38

21.551

PSD

78

34,51%

29,09

0,37

21.104

CDS

21

9,29%

10,46

0,50

28.186

BE

16

7,08%

9,85

0,62

34.837

CDU

15

6,64%

7,88

0,53

29.727

 

Enfim, curiosidades…

 

 

publicado por Eduardo Louro às 12:30
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9 comentários:
De Paulo Sousa a 28 de Setembro de 2009 às 13:57
Uma das características do método em causa é o facto de facilitar a estabilidade governativa, leia-se favorecer os grandes partidos e o bi-partidarismo.
Quando se fala em alterar o actual método numa revisão futura a alternativa sempre referida é introdução dos círculos uninominais, esses sim esmagadores dos pequenos partidos. A título de exemplo, em Inglaterra onde funcionam os círculos uninominais, o parlamento é composto pelos Conservadores e pelos Trabalhistas. A terceira força política, os Liberais, já tiveram perto de um terço dos votos totais tendo conseguido menos de 10% dos lugares.
De Maria a 28 de Setembro de 2009 às 17:33
Eduardo, aconselho-o vivamente a reler os seus apontamentos sobre estatística e sobre as regras de ortografia. Este post é um verdadeiro conjunto de calinadas!!
De Maria a 29 de Setembro de 2009 às 11:29

Esta Maria é diferente desta ...
De Miguel a 28 de Setembro de 2009 às 19:08
Não percebi o objectivo do texto.
De Anómico a 28 de Setembro de 2009 às 20:02
Eu sou franca, os textos deste senhor nem os costumo ler, são de tal maneira longos que corta logo o apetite.
método de hondt!
De Paulo Sousa a 28 de Setembro de 2009 às 20:30
Aprender dá trabalho. Recomendo que os leia até ao fim.
De Anómico a 28 de Setembro de 2009 às 20:59
Há regras para a escrita de textos minimamente apelativos.
Textos longos, para serem apelativos têm que ser muito bem escritos.
De Paulo Sousa a 28 de Setembro de 2009 às 21:40
Leia até ao fim, vai ver que não dói nada.
De Eduardo Louro a 28 de Setembro de 2009 às 21:53
Método d`Hondt, pois claro. Peço desculpa pelo disparate.

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