Sábado, 1 de Novembro de 2008

Digno do Halloween

Há pouco mais de dois anos começou a ser cumprida uma das promessas que levou o Sr. Salgueiro, nosso Presidente de Câmara, a Fátima a pé após a sua vitória eleitoral. Refiro-me à Casa Velório do Juncal na freguesia onde resido.

Como a opção de comprar um terreno era muito dispendiosa e de forma a minimizar o investimento, coisa que no Juncal tem de ser gerida com muita parcimónia (tanta que ronda frequentemente a mesquinhez) o terreno escolhido foi o do cemitério antigo que fica por de trás da igreja e que se encontra desactivado há 80/90 anos.

O Presidente da Câmara logo que pôde avançou para o terreno e toca de remover as ossadas com uma escavadora.

O Presidente da Junta e o Pároco, ávidos de uma obra importante para a Freguesia e Paróquia, respectivamente, consideraram que o trabalho estava a ser feito com respeito, como se ‘respeito’ fosse uma função accionada por um botão nos comandos da referida escavadora.

Nem toda a população concordou com os métodos utilizados para o levantamento de ossadas e daí até que uma denúncia chegasse ao Instituto Português da Arqueologia (IPA) passou pouco tempo. Como era de esperar a obra foi de imediato visitada pelo antropólogos do IPA (ou antropófagos, como sempre lhe chamou uma pessoa que acompanhou todos os acontecimentos) e a obra teve de ser interrompida.

As ossadas espalhadas pelo terreno, assim como outras que se encontravam junto às raízes das árvores já cortadas, foram recolhidas por arqueólogos que lamentaram o que ali se tinha passado. Pelo que tive a oportunidade de conversar com as duas técnicas que executarem estes trabalhos, soube que o levantamento de um cemitério não é feito todos os dias, mas é a forma mais eficaz de conhecer as pessoas de uma determinada comunidade no passado. A partir da ossadas é possível estimar a estatura da população, com que idade morreram, as doenças mais frequentes, entre outro tipo de informação. Por exemplo fiquei a conhecer objectivamente os efeitos da osteoporose assim como vi deformações provocadas pelo esforço e por doenças. Tudo a partir de restos mortais de meus conterrâneos, onde se incluem familiares meus que já partiram. Toda esta informação se perdeu por acção da escavadora.

Nesta fase entendeu-se que era muito caro e dispendioso proceder a todo o levantamento das ossadas e acordou-se levantar as ossadas apenas nas zonas das sapatas. Confrontado numa Assembleia Municipal com o facto de desta forma estar a separar famílias que quiseram ser sepultadas juntas, o Presidente da Câmara justificou-se dizendo que os técnicos eram muitos lentos no seu serviço, e, interpretei eu, como o calendário eleitoral é quem mais ordena, the show must go on.

Nesta fase a ‘bola ficou do lado’ do Gabinete Técnico da Câmara que teve de definir a localização das sapatas. Este trabalho será de tal complexidade que demorou dezanove semanas até que os técnicos soubessem onde poderiam escavar.

Durante estas dezanove semanas, ocorreu o episódio mais macabro de toda a novela. Na manhã do dia 15 de Outubro de 2006 foram encontradas no adro a Igreja, assim como no lugar do Andam em vários locais, “cerca de dois quilos de ossos” conforme consta no auto da GNR chamada ao local para proceder a sua recolha. Durante as dezanove semanas em que os técnicos camarários trabalharam afincadamente da escolha da zona de implantação das sapatas, a entrada no antigo cemitério ficou vedada com dois portões velhos amarrados por dois arames.

Este é o rigor técnico que temos na Câmara Municipal, cujo Presidente é um homem que diz entender de obras e faz questão de escrever nO Portomosense que chega às 7h da manhã aos Paços do Concelho para dirigir o pessoal.

A obra está pronta e quis o destino que fosse inaugurada no dia de Finados, logo depois da noite das Bruxas, ou segundo a tradição anglo-saxónica, de Helloween.

O povo, que depois da missa de Todos os Santos ruma ao actual Cemitério, esbarrará com um lanche de papas e bolos, um metro acima do chão onde rolaram caveiras profanadas de juncalenses. É de esperar o discurso de lançamento da campanha eleitoral.

Salgueiro Sim, pela nossa terra.

Digno do Halloween.

 

publicado por Paulo Sousa às 00:30
endereço do post | comentar | favorito
4 comentários:
De Ana Narciso a 1 de Novembro de 2008 às 21:39
Lamentável!!
De Rafael Marcelino a 1 de Novembro de 2008 às 23:40
Eu diria mais. Vergonhoso, e todo este processo e aonde foi implatada esta dita Casa de Velório.
De Rafael Marcelino a 1 de Novembro de 2008 às 23:45
Em homenagem a todos meus Familiares e Amigos que neste dia de celebrações de Finados não me vou alongar neste Post.Também por respeito.
De Rafael Marcelino a 3 de Novembro de 2008 às 02:43
Ora bem. Cá estou eu de volta. Terminado o meu dia de respeito, mas sempre respeitosamente pelos ante-passados, aliciou-me comentar este feito. É que como é do conhecimento de todos quantos me conhecem eu sou e sempre fui um opositor deste projecto com a sua implatação neste local da Casa de Velório.Agora ao que sei foi finalmente Inaugurada com o Porco oferecido no Churrasco, pão, tintol, café, filhoses etc. O Pessoal gostou. Pudera..de borla.
Fala saber os termos em que foi o envolvimento de orçamento, quem pagou ou vai pagar, de quem é pertença imobiliária, quem vai fazer a sua manutenção, bem como custear todos os eventos. Enfim..o grande números de questões para serem respondidas.
Espero que o Sr. Paulo Sousa nos traga elementos para se entender bem e com clareza.
Tanto quanto me chegou aos ouvidos, parece que o orçamento inicial da CMPM era de 70-mil-euros, seria?será?, depois ouvi dizer que a parte de Primeiro andar corria por conta da Fábrica da Igreja em que iria ou vai servir de salas de reuniões e Catequese, será?seria?
Já agora gostaria que aqui coloca-se se possivel uma foto final da obra e se poderia esclarecer estes pontos.Fico-lhe grato.
Independentemente de tudo isto, Eu como disse, considero esta obra para esta finalidade de muito mau gosto e de muito má gestão para o actual e para o futuro. Neste momento apenas quem fica com alguma coisa resolvida é a Igreja para fins de Catequese.
Coloco uma questão muito engraçada que até se pode começar a pensar a curto prazo em utilizar o Adro da Igreja Matriz como um espaço público para estacionamento de carros. Porque não?!
Entendo como uma tarefa dificil de gerir o levantamento das ossadas do cemitério, mas teria tudo sido feito e bem com um esforço conjunto de todos em concertação com a Autarquia local (Juncal) e levados para local remarcado no actual cemitério Novo. Não se esqueçam que existem mais ossadas no Adro da Igreja e em redor da mesma. É bom que todos se lembrem disso também.
Acho eu que aquele local deveria ser propriedade da Paróquia-Igreja e seus afins e nada mais, nunca a casa de Velório deveria ter a sua implantação naquele local. É fácil imaginar os contornos em que pode incomodar e vir a ser incomodtiva naquele local. Vou debitar uma Dica; Serviu para satisfazer a vontade de alguém e nunca de olhar para o futuro e prestar um bom serviço público e de respeito. Foi de igual modo o desviar ou mudar o trajecto dos cortejos fúnebres da Carreira da Vila (Rua) secular para o da Rua da Escola.Foi a primeira obra feita por esta Junta actual mudar as placas da Rua Carreira da Vila que interditava a via Automóvel excepto para Funerais. Ai ..que eu nasci, ajudei tantos na sua última caminhada e isto doi...Eu ajudei com os punhos que a minha Mãe me deu, pobres e menos pobres, Com gravata e sem gravata. Ai que doi..., isto para satisfazer o pedido de alguém.Ups...
Agradeço ao Sr.Paulo Sousa que me esclarece certas questões que aqui coloquei se lhe for possivel e quiser. Ah, parece que o Presidente anúnciou outra vez em jeito alegórico que vai pensar em fazer obras no salão Paroquial. Oh Diabo...será?!
Parece-me que temos aqui outra dor de cabeça, quem faz,quem paga, como e para que afins e sua dimensões.Eu digo, precisamos de Anfi-teatro digno e com a capacidade multi-usos. Aquele local nunca pode servir a comunidade Juncalense que tão carênciada está de infrasctruturas.Se Porto de Mós tem e Mira D,Aire vai ter uma enorme, o JUNCAL tem de exigir com toda a legitimidade.

Comentar post

.vasculhar neste blog

 

.quem esteve à mesa

Ana Narciso

Eduardo Louro

Jorge Vala

Luis Malhó

Paulo Sousa

Pedro Oliveira

Telma Sousa

.Palestras Vila Forte

Prof. Júlio Pedrosa - Audio 

 

Prof. Júlio Pedrosa - Video 

 

Prof. António Câmara - Palestra

Prof. António Câmara - Debate

Prof. António Câmara - Video

 

Agradecemos à Zona TV

 

.Vila Forte na Imprensa

Região de Leiria 20100604

Público 20090721

O Portomosense20081030

O Portomosense20081016

Região de Leiria20081017

Região de Leiria20081017

Região de Leiria2008052

Jornal de Leiria 20080529

O Portomosense 20071018

Região de Leiria 20071019 II

Região de Leiria 20071019 I

Expresso 20071027

O Portomosense 20071101

Jornal de Leiria 20071101

Região de Leiria 20071102

.arquivos

.arquivos blog.com

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

.Vizinhos Fortes

.tags

. 25 abril(10)

. 80's(8)

. académica(8)

. adopção(5)

. adportomosense(11)

. aec's(21)

. alemanha(7)

. ambiente(9)

. amigos(5)

. amizade(7)

. angola(5)

. aniversário(9)

. antónio câmara(6)

. aquecimento global(7)

. armando vara(9)

. ass municipal(12)

. autarquicas 2009(46)

. avaliação de professores(9)

. be(7)

. benfica(13)

. blogosfera(16)

. blogs(38)

. blogues(19)

. bpn(6)

. casa velório porto de mós(10)

. casamentos gay(17)

. cavaco silva(8)

. censura(7)

. ciba(6)

. cincup(6)

. convidados(11)

. corrupção(7)

. crise(35)

. crise económica(8)

. cultura(7)

. curvas do livramento(10)

. democracia(7)

. desemprego(14)

. disto já não há(23)

. economia(25)

. educação(63)

. eleições(7)

. eleições 2009(55)

. eleições autárquicas(40)

. eleições europeias(12)

. eleições legislativas(46)

. escola(8)

. escola primária juncal(9)

. eua(8)

. europa(14)

. face oculta(18)

. freeport(14)

. futebol(39)

. futebolês(30)

. governo(6)

. governo ps(39)

. gripe a(8)

. humor(6)

. internacional(18)

. joao salgueiro(38)

. joão salgueiro(15)

. josé sócrates(7)

. júlio pedrosa(10)

. júlio vieira(6)

. juncal(31)

. justiça(11)

. liberdade(11)

. magalhães(6)

. manuela ferreira leite(13)

. médio oriente(10)

. medo(12)

. natal(13)

. obama(6)

. orçamento estado 2010(7)

. pec(8)

. pedro passos coelho(7)

. podcast(11)

. politica(12)

. politica caseira(6)

. porto de mós(119)

. porto de mós e os outros(41)

. portugal(27)

. presidenciais 2011(6)

. ps(48)

. psd(54)

. psd porto de mós(11)

. publico(9)

. religião(6)

. rtp(12)

. s.pedro(6)

. salgueiro(16)

. sócrates(81)

. socrates(62)

. teixeira santos(6)

. tgv(6)

. turismo(8)

. tvi(6)

. twitter(17)

. ue(17)

. vila forte(24)

. todas as tags

.subscrever feeds