Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

I am sterdam

 

Após uns dias em Amesterdão, regresso a casa com vários pensamentos avulsos para aqui partilhar convosco.

É recorrente associar Amesterdão às bicicletas, aos canais com barcos habitados, à facilidade em consumir drogas levas e às montras da luz vermelha.

De facto, após algumas conversas que travei com estrageiros que lá moram, o imenso gosto pela cidade é comum a todos. Todos sentem a tolerância, outra das imagens de marca da cidade, e todos sentem que fazem parte da cidade. O turismo de Amesterdão foi muito feliz na escolha do seu slogan, I am sterdam.

Observando tantas pessoas a usar a bicicleta como principal meio de transporte, muitas mães com duas e três crianças assim como muitos executivos de gravata a pedalar ao sol e à chuva, não pude deixar de pensar que o mesmo hábito não existe cá por puro comodismo. Claro que podemos dizer que cá o terreno não é tão plano, mas a diferença maior é mesmo em termos culturais.

Outra questão que me assolou, foi a da legalização da prostituição. Na Holanda a mais antiga profissão do mundo é reconhecida, regulada e tributada. O mesmo acontence noutros países da Europa. Com o reconhecimento oficial da profissão, ganham as(os) profissionais pois pagando impostos têm acesso a serviço de saúde, a baixa, reforma e a acompanhamento médico espacífico, ganha o Estado que aumenta as suas receitas pelos impostos cobrados, ganha quem recorre aos serviços das(os) profissionais do sexo pelos benefícios decorrentes da regulação da actividade e perdem as máfias associadas à prostituição, pois num mercado regulado por lei têm menos espaço de manobra.

Especulemos sobre os motivos que levam os governantes portugueses a não tocar nesta questão.

1ª hip – A maioria dos dirigentes do país não acredita que exista prostituição em Portugal.

2ª hip – Uma pequena minoria já ouviu dizer que existe mas por achar que é um ofício pouco digno perfere fingir que não se passa nada. Claro que todos eles, mais ou menos crédulos, se consideram progressistas em termos sociais e todos, sem execepção, apoiam o reconhecimento do casamento gay, esse sim um tema fracturante que tem de ser resolvido.

3ª hip – Sendo o tráfico de pessoas  uma actividade associada à prostituição não regulada, um negócio muitíssimo rentável, existirão lobies empenhados na manutenção da actual situação.

Aceitam-se outras sugestões.

 

publicado por Paulo Sousa às 22:04
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9 comentários:
De Eduardo Louro a 21 de Outubro de 2009 às 22:30
Benvindo Paulo, agora mais um novo internacional da maratona!
Pois a mim parece-me que não se pode legalizar o que não existe!!! A melhor forma de negar a existência da prostituição é deixá-la andar assim. Pode ser que ninguém dê por ela e que se continue a pensar que o que há é FRUTA (ainda alguém se lembra?)...
Agora, gays existem, já toda a gente deu por eles e consta que pagam impostos. Porque, ainha há pouco tempo, também não existiam. Pode ser que qualquer dia a prostituição deixe de ser fruta. Parece-me que ainda nenhum ministro das finanças se lembrou desta actividade com medo que se agrave a fuga e a evasão fiscal!
De Paulo Sousa a 21 de Outubro de 2009 às 22:35
Olá Eduardo,
4ª hip - Há um debate com vários anos entre os assessores do Ministro das Finanças, sobre a definição dos escalões de contribuição desta actividade.
Abç
De Eduardo Louro a 21 de Outubro de 2009 às 22:41
Uma dica para os escalões (apenas dois para simplificar as declarações):
1º escalão - O calor da noite - o de entrada, pela fruta;
2º escalão - Elefante Branco, para tudo o resto...
De Pedro Oliveira a 22 de Outubro de 2009 às 08:45
Sei que não é tua intenção misturar assuntos e como tal vamos só falar da prostituição...
É evidente que num país evoluído a prostituição devia ser legalizada, pelas questões que falaste que tem que ver com a dignidade humana, direitos à saúde e serviços sociais,mas também para terminar com a podridão que a rodeia, os xulos,a exlusão, e os maus tratos.Fechar os olhos a isto é o que tem acontecido no nosso país.Urge que a dita comunidade civil se liberte de preconceitos e que olhe para os outros por forma a presionar para que essas pessoas também se sintam Portuguesas de plenos direitos e deveres.
abraço e toca a teclar
De Paulo Sousa a 22 de Outubro de 2009 às 14:29
Claro que não quero misturar os assuntos, mas apenas sublinhar que os ditos progressistas estarão a ser movidos mais por modas que por questões de princípio, o que na prática enfraquece as suas actuais reivindicações.
De Marco a 22 de Outubro de 2009 às 10:37

Bom dia,

Realmente esta questão da legalização da Prostituição é deveras interessante, defendo à algum tempo a sua legalização, defendo a sua prática em locais com condições de segurança e higiene dignos quer para os profissionais quer para os consumidores.

Era bom para todos:
- Para o Estado que arrecadaria uma importante soma nos impostos;
- Para os Profissionais que teriam acesso a regalias como qualquer profissional de qualquer área, com duas dúvidas: como teriam acesso ao subsídio de desemprego e qual a idade da reforma.
- Para os consumidores que iriam usufruir do serviço com padrões de higiene e segurança adequados e ainda receberiam um recibo para efeitos de IRS.

Para alguns sectores da sociedade a prostituição não existe e não existe porque se utiliza bastante, não a de rua mas a prostituição de luxo, como tal não interessa legalizar.

Se me permitem lançar aqui para a discussão mais duas áreas que, na minha opinião, deveriam ser pensadas para se legalizar e assim o Estado arrecadar, ou tentar arrecadar, mais alguma receita:

Falo naturalmente do negócio da droga e do negócio reliogioso, penso que é justo admitir que há paises cuja economia está directamente dependente do comércio de drogas, colombia por exemplo, pelo que se seria importante discutir esta possibilidade.
O negócio reliogioso, seria ainda mais urgente tributar, pois se as prioridades continuam a ser ampliar o negócio e insistem em não aplicar esses lucros em prol do próximo, então tribute-se e o Estado que distribua.

Independentemente de tudo, parece que, quer PS, quer BE, acham que o casamento entre homosexuais é que é prioritário, é que é urgente, é que é um passo significativo na evolução da nossa sociedade, continuamos a preocuparmo-nos com problemas menores em vez de outros esses sim fracturantes.

Cumprimentos,

P.S. - perdoem-me o extenso comentário
De Rodrigo a 22 de Outubro de 2009 às 14:02
Parabens pela aventura, que inveja tenho
Sem duvida um assunto pertinente, num pais que esta na moda assuntos fracturantes que são aproveitados para capitalizar votos BE, chega a ser constragedor a nossa esquerda fazer ouvidos moucos em relação a prostituição sem duvida uma bandeira pela qual a nossa esquerda deveria lutar mas ate o BE tem medo.
Com as ultimas eleições cheguei a uma conclusão o BE e um embuste com fim á vista á primeira opurtunidade tentaram ser governo com o PS, para isso abdicariam de todos os seus cavalos de batalha.
Só mais um apontamento a unica camara BE Salvatera de Magos tem o seu programa o oposto do BE nacional, o Sr Francisco Louça falhou.
De João Romeu a 22 de Outubro de 2009 às 18:57
Sr.Paulo boa tarde.Sabe que se a prostituição fosse legalizada ,como é que os Senhores do poder donos do nosso País poderiam usufruir dos serviços ? Como é que se pagavam favores , e o negócio que os Senhores fazem com as suas participações em "Serviços de acompanhamento de luxo" em nome dos filhos etc. Mas para os turistas que nos visitam é agradável ver estas pobres mulheres na estrada IC2 e outras por Portugal fora que não têm outro meio de sobreviverem. é um postal bonito para turista ver.Isto num país que quer apostar em turismo de qualidade.
De António carvalho a 23 de Outubro de 2009 às 00:12
A 4ª sugestão que me parece a que devia vencer era a de simplesmente trabalhar com ideias concretas (sociais e económicas) para recuperar socialmente este tipo de pessoas, que na maioria dos casos se encontram abandonadas de afetos, trabalho, fome e miséria económica.
Assim, sugiro que cada um que visite este blog remeta para o Sr. Presidente da Assembleia da República, um texto que repudie o enquadramento social que é dado a estas pessoas e que a Assembleia dentro do mais breve espaço de tempo discuta essa problemática.
Deixemos de brincar sobre este flagelo social, pois ao pôr a questão sobre a prestação de serviços, parte económica e de recebimento de imposto para o OGE, é do meu ponto de vista dar cobertura ao tráfico de carne humana.
Eu não gosto desses açougues, sejam eles legais ou clandestinos !
As meninas ricas não se prostituem, praticam orgias e noites de beneficência.

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