Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Os novos velhos comunas

Recomendo a leitura deste post do Pedro Correia, no Delito de Opinião.

publicado por Paulo Sousa às 08:39
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8 comentários:
De Eduardo Louro a 22 de Outubro de 2009 às 14:54
O PCP é o único Partido Comunista ocidental que resistiu à ascensão e queda do império e do regime soviéticos, e sabe que essa sobrevivência apenas é possível ignorando a existência dos Gulags e de todos os hediondos crimes do estalinismo. O PCP viu o que aconteceu aos outros e sabe bem que lhe acontecerá o mesmo se alterar o rumo. É pois uma questão de sobrevivência!
Por isso vai conseguindo sobreviver, sabendo que dificilmente poderá reescrever a História, na esperança que ela seja esquecida. Mas é confrangedor, para não dizer outra coisa, ver uma jovem deputada de 26 anos e licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais que não tem nada para dizer. Que “não é capaz de responder”, “desconhece”, “não tem que concordar nem que discordar”, “não conhece a fundo”…
Não é que o curso da sua licenciatura, como ela refere, não aborde essas matérias. O outro curso – e numa estrutura como a do PC para chegar a deputado aos 26 anos tem que se ser muito bom aluno –, que lhe é ministrado em regime de lavagem cerebral, é que não aborda. Nem deixa abordar…
A luta pela sobrevivência tem tanto de natural como de legítimo. Mas passa a ser apenas natural, perdendo a legitimidade, quando perde a dignidade!

De António carvalho a 23 de Outubro de 2009 às 00:47
Penso que é a primeira vez que leio alguma coisa que escreve sobre o PCP. Pensava eu, que era porque não lhe dava qualquer importância e não lhe reconhecia vida, pois há muitos anos (pelo menos desde1991) que tantos politicos, tantos jornalistas, politólogos e afins lhe fizeram manchete com a noticia de morte e enterro, que eu admiti que você também se encontrava nesse naipe de pessoas. Mero engano, pois parece que conhece muito bem o PCP e até sabe que uma jovem de 26 anos(deputada do PCP) para além de uma licenciatura tirada nalguma excelsa universidade privada, não sabia o que era um Gulag, porque a outra licenciatura de lavagem de cérebro tinha um valor muito superior e mais eficaz.
Meu caro, não estar de acordo com o PCP é mais do que legitimo, mas utilizar esse pseudo - argumento para falar politicamente do PCP da forma que o faz, só pode ser de uma mente pouco esclarecida e manipuladora de opinião. Pergunte há maioria de jovens licenciados deste País se conhecem o que foi o 25 de Abril, o que foi a PIDE, a guerra colonial e atente nas respostas !. Talvez lhe abram horizontes na dignidade de discordar.
De Paulo Sousa a 23 de Outubro de 2009 às 08:42
Caro Carvalho,

Façamos um pequeno jogo de espelhos, recorrendo a algumas figuras de estilo baseadas no exagero.
Imaginemos que um jovem deputado do CDS (o ex-partido do Taxi, tanta vez com a morte anunciada) e licenciado na Universidade Católica, numa entrevista idêntica, dizia desconhecer a existência da PIDE e da Colónia Penal do Tarrafal e por isso não se pronunciava sobre o que desconhecia. Defendia também que se deveria deixar de festejar o 25 de Abril e propunha um Nobel da Paz, a título póstumo, a Oliveira Salazar.
Como já escrevi num outro comentário, as ditaduras envergonham tanto a direita como a esquerda, agora o negacionismo envergonha quem o defende e quem rodeia quem o defende.
De António carvalho a 23 de Outubro de 2009 às 12:24
Que eu saiba, nem o Paulo nem eu, viveu em nenhum Gulag, mas eu vivi uma ditadura e essa eu sei bem classificá-la.
Mas o que estava em discussão, penso ser o PCP. E nessa matéria, você apenas parece conhecer o que lhe interessa, faz o mesmo que a deputada do PCP.
Nunca fui à ex-URSS até 1991 e pelos vistos você nisso está em vantagem, pois foi lá depois. Mas olhe que em Portugal desde que você nasceu, o PCP deve ter estado em governos de coligação de pelo menos com 3 partidos /PSD/ PS e PCP e apenas depois do 25 de Abril. E também que eu saiba, não foi nesse período de tempo que as tão apregoadas liberdades de imprensa e reunião e criação livre de associações civicas, desportivas, etc.,não foram proibidas, mas antes fomentadas.
Falar HOJE do período após o 25 de Abril, sem o contextualizar no tempo e nos excessos e querer imputar nesta revolução as situações de outros países para enxovalhar politicamente os que mais lutaram e sofreram pela liberdade, é no minimo pouco sério de pensamento. AFINAL, você não respeita o individuo enquanto pessoa, com as debilidades inerentes ao ser humano, se eles forem de sinal contrário. Têm que ser sábios apenas para dizer aquilo que convém. Para outros temas ou capacidade de trabalho e solidariedade, já não as pessoas e os temas interessantes. Modelos !!!

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De Paulo Sousa a 23 de Outubro de 2009 às 14:27
Não tenho qualquer memória da ditadura mas acredito que existiu, e da forma como me conheço e se ela ainda hoje existisse seria um dos que a combateria. O mesmo aplica-se aos Gulag.
Não entendo o que o leva a dizer que eu não respeito o individuo enquanto pessoa, com as debilidades inerentes ao ser humano. Embora ache rídiculo o que ela diz, aceito que a jovem deputada do PCP diga o que disse, assim como acho rídiculo que o PCP escolha alguém com este discurso para as suas hostes. Sei que o PCP é um partido unido e coeso, em que todos se defendem nas situações difíceis e rídiculas, como é o caso, mas perante o exterior transparece alguma desonestidade intelectual defender uma negacionista.
De Eduardo Louro a 23 de Outubro de 2009 às 15:50
É de facto a primeira vez que, aqui, escrevo sobre o PCP. Por uma única razão: porque, desde que aqui cheguei, este foi o único tema que me motivou a fazê-lo. Não é por ignorar ou desprezar o PCP que foi esta a primeira vez. O PCP tem um lugar de relevo na nossa História contemporânea, conquistado por direito próprio numa luta antifascista sem paralelo em qualquer outra força política.
Mas, com todo o respeito, e face ao contexto específico e objectivo daquele meu comentário, parece-me que não fica bem catalogar-me de mente pouco esclarecida e manipuladora de opinião. Não é que eu, pessoalmente, lhe leve a mal. Não, não dou importância a isso. É que esses dois epítetos estão demasiadamente evidenciados na intervenção da nova deputada.
Mas também a sua sugestão de perguntar à maioria dos jovens licenciados pela PIDE e pelo 25 de Abril, numa alusão à ignorância da juventude, não colhe. Aos quadros do PCP, e repito o que escrevi – não é qualquer um que, nesse partido, chega a deputado tão jovem –, não é admitida ignorância. Eu sei, e o senhor também sabe, que lhes é exigida grande preparação política. Até pelo pressuposto de que estão permanentemente a ser postos à prova, e de que terão que se sair bem nesses confrontos político-ideológicos. O problema é quando a cartilha emperra. É quando a famigerada cassete, de tanto rodar, fica riscada e já não tem como funcionar. Aí fica pior que a ignorância!
Admito que lhe não seja possível concordar comigo ou mesmo que lhe não consiga abrir horizontes na dignidade de discordar. Mas não tem qualquer problema. Acredite que será sempre com a mesma simpatia e o mesmo respeito que olharei para as suas opiniões.
De António carvalho a 26 de Outubro de 2009 às 17:23
É evidente que não concordo consigo nesta matéria, nomeadamente no que se refere ao PCP, da forma que considero de pouco feliz e objetiva. Mas isto é o meu ângulo pouco aberto à sociedade neo-liberal e globalizada em que nos encontramos.
Sem por em causa o seu ponto de vista sobre o que pensa, ou o que devem ser as qualidades ou debilidades técnicas, politicas ou sociais dos deputados comunistas, eles não deixam de ser homens e mulheres com defeitos como quaisquer outros e ainda com um que é ainda maior (sonhadores) que estão fora de moda: na mente e nos formulários que os atuais média nos impingem. Eles, NÂO estão por norma formatados para o desvario das falsas questões, que a maioria das pessoas e dos eleitores, entendem ser os seus ideais.
Como disse Jerónimo de Sousa ao "Gato Fedorento" o pequeno almoço dos comunistas, tem anos, horas, comida e razões para criar forças para lutar contra essas adversidades, mas a utopia de querer um mundo novo, não se acabará com o ciclo eleitoral. Mesmo que o PCP tivesse obtido a maioria para formar governo, não seria necessário mais 4 anos para falar de politica aos eleitores. No PCP, cultiva-se de fato a democracia todos os dias, embora com defeitos e erros, mas tenta-se sempre dar respostas aos problemas que atingem por norma e com mais violência, os que menos têm e os mais desprotegidos.
Razão acrescida para os nossos inimigos e adversários politicos, não nos confundirem com o BE, que alguns editores e comentadores deste blog tanto puxaram para a ribalta nestas últimas legislativas.
O PCP não morrerá enquanto não for tomado de assalto por traidores, oportunistas e carreiristas. A vida e os alicerces do PCP, são as raízes de um povo que não se nega de inventar a árvore e de colher frutos. Não os frutos para a sua barriga, mas para aqueles que deles precisam mais. E como o capitalismo na atual fase vai agudizar ainda mais a luta de classes, é mais do que evidente que o PCP vai crescer ainda mais, quando a prática politica deste governo começar a produzir a politica de que está incumbido - Criar mais desemprego e mais pobreza para quem trabalha e dar mais e mais riqueza aos mais ricos.
Daqui a 6 meses, aposto e pago-lhe um almoço ou jantar com todo o gosto, se eu estiver enganado nas minhas previsões económicas e politicas sobre Portugal. Nesse convívio podemos falar ainda de mais coisas se assim o entender. Um abraço.
De Eduardo Louro a 26 de Outubro de 2009 às 19:23
Ora bolas...assim é fácil apostar um jantar!
Sobre o desemprego não aposto porque sei que perco. Para os outros dois o tira-teimas seria mais complicado, pelo menos na hora de pagar o jantar...
Um abraço também!

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