Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Referendo (casamento entre homossexuais)

Ainda há poucos dias, a partir de um post do Pedro Oliveira, que se interrogava sobre o que deveria ser referendado, este assunto foi aqui tema de ampla discussão.

Volto a ele!

Entendo que a opinião pública, os media e mesmo a classe política, usa e abusa do tema do referendo que, de resto, foi durante muitos anos proibido pela Constituição da República de 1976. Sou dos que pensam que há que pôr alguma ordem na utilização, efectiva ou de dialéctica, do referendo. Que questões de consciência não se referendam e que direitos inalienáveis de minorias não podem ser sujeitas à ditadura das maiorias!

Ao invés, entendo que grandes e decisivas questões nacionais, sejam ou não transversais aos programas dos partidos políticos (que ninguém lê!) sufragados nas mais diversas eleições, devem ser objecto de legitimação através desse instrumento, inquestionavelmente democrático. E porquê? Porque nada garante que uma questão de evidente relevância nacional, pelo simples facto de constar nos programas dos principais partidos ou de, mesmo não constando, ser pelos mesmos apregoada, ser ela própria a razão da sua expressão eleitoral. Porque cada eleição tem um fim próprio!

Nesse sentido sempre me manifestei, por exemplo, pelo referendo das questões europeias. Sendo um europeísta convicto, entendo que o nosso sentido europeu deveria legitimado explícita e conscientemente através de referendo. E entendo mais, entendo que quanto mais claramente fosse expressa a opção europeia pelos respectivos povos, e não só pelo nosso, mais segura, consistente e afirmativa seria a construção do edifício europeu, da nossa verdadeira casa comum.

Não posso deixar de estranhar que as elites políticas tenham negligenciado por completo, ou mesmo combatido, essa vertente de utilização do referendo e se revelem tão espontâneas e convictas em referendar, por exemplo, o casamento entre homossexuais. Talvez deixe de estranhar quando vejo que, nas actuais condições do país, seja este, para essa mesma elite, o problema fundamental do país. Tão fundamental que exige um referendo!

Sou dos que pensam que não é o casamento, reivindicado pela comunidade homossexual, que fará qualquer diferença. A igualdade de tratamento perante a lei pode e deve ser obtida por outras formas. Sou igualmente dos que pensam que esta exigência pode não passar de um oportunismo circunstancial. Mas também sou dos que pensam que, a ir avante, o casamento entre homossexuais não põe em causa coisa nenhuma e que pode perfeitamente sair do quadro parlamentar, sem terem que nos maçar com mais invenções e objectos de distracção, quando temos tanta coisa grave e verdadeiramente importante com que nos preocupar.

Aceito que, depois de tantos e tantos anos de descriminação, repressão e de humilhação os homossexuais aproveitem todas as janelas de oportunidade para reclamar condições de igualdade, mesmo as que nos possam parecer mais despropositadas. E percebo mal que, instituições como a Igreja Católica, se metam nisto da forma como o está a fazer. Sabendo que, levando à imposição de referendo despropositado, utiliza a sua imensa maioria para interferir numa matéria que, a meu ver, lhe não diz respeito. Tão simplesmente porque não se trata de casamento católico!

Acharia bem a Igreja que houvesse um referendo sobre o casamento dos padres, ou o exercício do sacerdócio por mulheres?

 

publicado por Eduardo Louro às 10:04
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49 comentários:
De Anómico a 9 de Novembro de 2009 às 11:53
os seus colegas vazaram?onde anda a ana?
De anonimo a 9 de Novembro de 2009 às 13:03
o casamento entre sacerdotes só diz respeito à Igreja. Logo não é argumento.
O exercício do sacerdócio por mulheres só diz respeito à Igreja.
Logo...repete-se.
Estamos a falar de toda a sociedade! Não estamos a falar de uma instituição com regras claras à partida!
Não se desvirtue sob aparência de argumentos de validade zero que só o desatento ou incapaz de realizar simples operações intelectuais não perceberá na falácia em que incorre.
O problema é :
ESTÁ a sociedade portuguesa interessada em alargar a esfera do casamento a pessoas de género igual? É útil?
É só isto.
*
O casamento é algo que este tempo não percebe.
O casamento tem valores há muito perdidos.
Não me parece que seja o grupo dos homossexuais a reinventar os valores do antigamente...mas deixá-los.
E nós os polígamos?
Ludendi...
Não posso aceder a todos os efeitos de ser mórmon, ou muçulmano...
Há discriminação por limitação à liberdade religiosa...
Pergunta:
CONCORDA COM o CASAMENTO SOB DUAS OU MAIS PESSOAS INDEPENDENTEMENTE DO GÉNERO?
*
É clarto que para todos entraremos na maior desorganização...é mais um desejo de queda do Ocidente.

De Jorge Soares a 9 de Novembro de 2009 às 23:22
LOL

Há pessoas engraçadas, o casamento dos padres só diz respeito à igreja, ora, não é essa igreja que diz que 90% da população é católica?, nesse caso não deveria dizer respeito a 90% da população?

Em que é que o facto de duas pessoas individuais, anónimas, se casarem ou não afecta a sociedade em geral?, eu sou heterossexual, em que é que o facto de eu me casar ou não afecta a sociedade? e o que é que interessa se é útil ou não?, em que é que isso vai afectar a sociedade?

O casamento é um simples papel, um contrato, o que realmente dá os valores a uma relação não é esse papel, é a convivência, o respeito, o amor a lealdade, você caro anónimo, precisa de um papel assinado para algumas destas coisas?, é incapaz de as viver se não tiver um papel assinado em que diga que está casado?...e muda alguma coisa se este sentimentos forem entre duas pessoas do mesmo sexo? Perguntará o senhor para que é que eles se querem casar nesse caso, bom, eles querem, lá terão as suas razões, que serão tão válidas como as suas ou as minhas, mas isso só lhes diz respeito a eles.. ou o senhor pediu autorização à sociedade para se casar?


Jorge Soares
De anónimo a 10 de Novembro de 2009 às 13:47
Jorge: é verdade , mas está a falar de quê? do povo ou da organização formal, é que foi um orgao da Igreja a CEP que falou, logo estamos a falar dos princípios de norteiam uma instituição, e daí que nao se referenda os princípios que a instituição tem dentro de si, quem quiser pertencer já saberá à partida tais princípios...
Jorge: milhares de anos, é discurso do caco, do falar, do debitar palavras sem relação subjacente. O casamento é uma prática de organização social, como muitas que o tempo ofereceu para crescermo-nos e organizar-mo-nos...
Agora não venha é desconversar: tb podia dizer que há homossexualidade na Natureza Animal...e?
De Jorge Soares a 10 de Novembro de 2009 às 14:32
E alguma vez se referendou se as restantes pessoas se podem casar ou não? não, quem quer casar casa, quem não quer casar não casa e há cada vez mais pessoas que decidem não casar, e isso não as impede de formar família, ou por acaso acha que todas essas pessoas que pagam impostos como família, vivem como família, tem filhos como família,, não o são só pelo facto de não terem um papel assinado?

Não percebo porque é que diz que milhares de anos é o discurso do caco, a sociedade organizou-se me famílias muitos anos da existência de qualquer vinculo legal, e já existiram sociedades em que a homossexualidade era normal e aceite... mas claro que isso foi antes de a igreja católica ter instituído o obscurantismo da idade média.

E não, os animais não são para aqui chamados para nada, estamos a falar de pessoas e de igualdade de direitos,... e é só!

Jorge soares
De anónimo a 10 de Novembro de 2009 às 13:50
E o Jorge pede autorização para votar? Não, mas pede...tem de ter 18 anos...p. ex. O que se pretende dizer é que há regras que sao feitas precisamente para nao obedecer aos quereres de cada um! se assim fosse, desordem.
De Jorge Soares a 10 de Novembro de 2009 às 14:41
Sabe, até há 35 anos havia regras que impediam que tivéssemos esta conversa, e havia uma regra que impedia de fumar sem ser debaixo de telha, e durante muitos anos havia uma regra que impedia as mulheres de votar.... também eram regras que alguém achou que não podiam ficar ao arbítrio do querer de cada um... felizmente existiu quem lutasse para essas regras serem mudadas.... e felizmente há quem lute para mudar estas.

Jorge soares
De anónimo a 11 de Novembro de 2009 às 02:05
Compara liberdade de expressao com homossexuais?
Compara estes com a proibição de fumar...Valha-nos Cruz Santíssima!
E porque não DIZER TODAS MAS MESMO TODAS AS REGRAS vão MUDAR...?
Imagine,
a capital de Portugal é Kinshasa, do Zaire é Montevideo; o norrte fica para Loulé; hoje é domingo, e vamos almoçar à 9 da noite...
É perceptivel...que nao bate a perdigota...
De anónimo a 9 de Novembro de 2009 às 13:13
A Igreja Católica mete-se porque faz parte da sociedade civil.
Numa comunidade política laica, e que o deve ser, a Igreja deve intervir!
Sejamos francos, a imaturidade desta sociedade civil vê-se quando a Igreja Católica é a única instituição que faz frente real ao Poder.
A Igreja Católica faz parte da Memória Coectiva Nacional há séculos...não se retira por decreto.
A Igreja Católica tem a maior rede de solidariedade concreta do país...
Acho bem que a Igreja intervenha...à falta de todos! Intervenha sempre e todo o sempre!
E seria bom que a comunidade política soubesse escutar...para bem decidir, independentemente de discordância.
De anónimo a 9 de Novembro de 2009 às 13:29
Referendo sim.
Voto contra o casamento dos hossexuais.
*
O casamento foi feito para a conservação da espécie biológica.
*
O casamento é uma memória formalizada contrafacticamente à desordem do todo.
*
O casamento é o futuro de um ser que vê no tempo um pai e uma mãe.
*
O casamento é diferença na identidade.
Agora,
o que traz o casamento homossexual?
--a preferência no direito de transmissão do arrendamernto.
--a escalada à herança.
...é isto?
Muito...muito...muito fútil...
De Jorge Soares a 9 de Novembro de 2009 às 23:25
Se o casamento foi feito para : "O casamento foi feito para a conservação da espécie biológica", como é que explica a existência de vida nos milhares de anos antes de ser instituído o casamento?

Definitivamente anda gente engraçada por ái.

Jorge
De anónimo a 10 de Novembro de 2009 às 13:53
Jorge: a sua simplicidade desafia ... vejamos, seria melhor andarmos a retirar o q é dos outros, como se fez há centenas de anos? Já havia propriedade antes das policias...No casamento o valor compreendedido por todos foi elevado a norma de validade universal num esforço próprio de ordem, ordenação; não gosta de ter a sua casa arrumada?
De Jorge Soares a 10 de Novembro de 2009 às 14:47
Gosto, mas continuo sem perceber, o que é que me impede de ter a casa arrumada se não me tiver casado, e o que é que eu tenho a ver com quem vive na casa do lado?

Toda esta discussão não é sobre casamentos ou família, é sobre direitos e discriminação....

Jorge Soares
De anónimo a 10 de Novembro de 2009 às 16:18
Jorge caríssimo, era só uma metáfora, um símbolo descritivamente exteriorizado...significa que há necessidade de ter alguma ordem no nosso círculo, no nosso espaço.
Há discriminação quando coisas iguais sao tratadas desigualmente...um homem e um homem num casamento, com o anel posto bilateralmente,nao é discriminação...é mudança de natureza das coisas. Há coisas que não devem mudar.
De Marco a 9 de Novembro de 2009 às 14:46

A questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo tem sido aqui amplamente debatido , na minha opinião, já disse isto antes, está-se a dar mais tempo de antena, mais importância, a um assunto que não é mais do que uma forma de alguns retirarem algum proveito social desta situação, governantes que vão aprovar esta lei, e uma forma que alguns (casais do mesmo sexo) têm para impor aos demais um conceito que em nada beneficia o resto da sociedade.

Sim trata-se apenas de questões materiais nada mais ....

Cumprimentos,
De Maria Antonieta a 9 de Novembro de 2009 às 18:21
Outrora este blog postava muito mais sobre assuntos do concelho ou mesmo do distrito
E há tantos problemas para chamar a atenção. E tantas sugestões a dar.
Estou de acordo com o Marco.
O País, o Distrito e o Concelho tem problemas graves, como por exemplo o desemprego, a segurança, enfim tanta coisa.
Dedicarmos tempo e energias sobre os casamentos gays numa época em que nitidamente o casamento enquanto instituição está em queda livre.
Estamos em plena crise com dificuldades enormes e já se pensou que verba se gastará para fazer um referendo sobre essa matéria?
De Rafael Marcelino a 9 de Novembro de 2009 às 19:29
Mas ainda perdem tempo com estas questões?! O Casamento cada vez mais é um negócio de alto risco.
Alguém alguma vez proibiu ou proibe os Gays ou Lésbicas a viverem juntos?!
O que é preciso é talvez mudar a legislação do código civil para que TODOS possam testamentar para quem quiserem em vida todos os seus bens pessoais.
Bom..vão-se entretendo a falar nestas coisas e na Gripe dos porcos.
Eu Sou Contra este tipo de casamentos.Vale o que vale.
Mas quanto mais conheço os animais mais gosto deles. Realmente os irracionais ainda continuam a defender e preservar o direito de familia enquanto os humanos querem inverter tudo.
De anónimo a 9 de Novembro de 2009 às 19:44
Maria Antonieta: isto interessa ao concelho, são os nossos filhos, netos...interessa a toda a Nação, seja Pátria ou Mátria.Interessa ao MUNDO DO HOMEM.
De anínimo a 9 de Novembro de 2009 às 19:47
Verba? Posso dizer: menos que o passe do cristi ronaldo, menos que 19 km de auto-estrada...vale a pena discuir ...ok? nao se referenda e tudo vai ...é isso?! Por causa de uns milhoes...ó santos...mais milhao menos milhao, IMPORTA È QUE GAYS nao se casem...namorisquem...é mais moderno...
De anónimo a 9 de Novembro de 2009 às 19:51
"há que pôr alguma ordem na utilização, efectiva ou de dialéctica, do referendo. "
Óh Eduardo veja lá a coisa...é que o povo nao participa...não põe a sineta, percebe?! A sineta, a participação nas nossas aldeias era à luz da sineta, percebe?! Não coloque a historicidade hegeliana no meio da fenomonologia da dialéctica do referendo...o povo não marcha...nao gosta...nao vai. Ponto.
O que não significa que nao referende...nas eleições também é livre para nao pôr cotos...

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