Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Casamentos gay - exercício de retórica I

 

Debater os casamentos gay não é o mesmo que debater os direitos dos gay.

Respeito a liberdade individual e defendo quem for incomodado por questões dessa natureza. A dignidade de cada pessoa não deverá ser posta em causa pela cor da pele, orientação sexual, política, religiosa, clubística, etc...

Mas como já o disse no nosso podcast, e já aqui escrevi, o que se está a fazer é equiparar um casamento (não digo tradicional, pois é desnecessário) com uma união gay. Na prática consiste num alargamento semântico de um conceito, ou à abertura de uma excepção. Alguns dos argumentos dos defensores baseam-se em questões sucessórias, mas isso pode ser ultrapassado, sem que se equipare o meu casamento, ou o dos meus pais, ou o dos meus avós, a uma união gay. Aceito e defendo que se crie uma figura jurídica para as uniões gay com direitos e obrigações em tudo idênticas ao casamento. Digo isto no sentido de que é possível criar uma solução para as aspirações dos gays, lésbicas, etc. sem que se alargue o conceito do casamento.

Façamos um exercício de retórica.

Quem defende o casamento entre um irmão e uma irmã?

Quem se atreveria a fazê-lo? Ao fim ao cabo existe o problema da aceitação social e da procriação... mas por acaso estas são algumas das questões levantadas pelo opositores das uniões gay. Diriam os defensores: Sim, mas o amor não escolhe as pessoas... e têm os mesmos direitos que os pais...

Claro que pode parecer uma questão desconcertante e muitos dos defensores do alargamento semântico, dirão que estou a desconversar. Nessa fase do debate tenho de acrescentar outra pergunta:

E defenderiam o casamento entre duas irmãs? Ou dois irmãos?

Quem se atreveria a negar esse direito? O amor não escolhe géneros...

Os exemplos poderiam continuar com casamentos entre três ou mais pessoas, uniões com animais de estimação, objectos do quotidiano, meios de transporte ou objectos espaciais.

Perdoem-me o excesso, mas o exagero além de uma figura retórica, serve também como teste de validação de regras.

Recorrendo ao exagero pretendo chamar a atenção de que os argumentos usados pelos defensores das uniões gay, encaixam igualmente para a defesa das improváveis uniões que acabei e enumerar. Lembram-se? Direito a ser feliz, o amor não escolhe o género, não são bichos que devam ser enjaulados e por vezes chega-se até ao incontornável 'porque sim'.

Da mesma forma que se diz que a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros, também os nossos direitos terminam onde começam os dos outros. O Estado, que recusa levar a questão a referendo, diz-nos que a instituição do casamento, em cujo espírito milenar celebrei um contrato, agora passa ser diferente. Sinto que perco o direito à diferença. Será o direito à diferença um privilégio reservado aos homosexuais?

Deixem que o meu casamento seja diferente de uma união gay. Quando me casei essa diferença estava assegurada e deixou de estar. Perante uma banalização de 'estatuto' não posso ficar satisfeito.

 

Há ainda outros pontos de vista que considero pertinentes e que partilharei em breve convosco.

Gosto de argumentos lógicos e lineares, e peço que tolerem o meu ponto de vista fora de moda.

publicado por Paulo Sousa às 07:21
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De Ricardo a 11 de Novembro de 2009 às 17:19
Casamento homosexual, lei do aborto, eutanásia e liberalização das drogas são leis digestivos como lhe chamo. Não servem para a refeição mas complementam-na. Não serão esses os problemas da nação.

Mas esta em particular entra com situações anti-natura e como tal tem de ser bem estudada e muito melhor aplicada.

Se por um lado não me oponho a união de factos e ao casamento civil entre dois homosexuais com todos os seus direitos e deveres, acho inadmissivel a adopção.
por parte destes. Considero este acto ( Adopção ) inadmissivel porque apesar de não ter nada contra quem se descobre com esta tendência; Também acho que ninguem deve viver considerando esta união como um acto normal e natural e todos sabemos que os nossos pais são a primeira referência e aquela que nos acompanha (felizmente) por maior periodo.

Casais homosexuais englobam H-H ou M-M. E aí temos um problema pois por inseminação artificial um casal M-M pode procriar. Como tal tinhamos todos como iguais mas uns mais iguais do que outros. Isto não é justo, devendo na minha opinião criarem-se parâmetros para que haja igualdade.

Outra questão nos aparece. Que é a situação de mãe ou pai solteira(o). E sobre isto o que se pode dizer:
-será consequência
-causa
-anti-natura
-azar
-escolha
-etc....

Não conseguindo criar um concenso sobre estas situações. Como se poderá legalizar?

Um dos problemas nacionais é a mau legislação que visa e divide muitos parâmetros mas não se consegue acautelar quanto ás caracteristicas pelos quais estes parâmetros se devem reger.

A titilo de exemplo apresento a lei anti-tabaco que nos foi apresentada:

casas com menos de 100 metros quadrados só podem ser de fumadores se tiverem uma ventilação "adequada". Mas não visam a "adequabilidade" a que se referem

Casas com mais de 100 metros quadrados podem ser de fumadores ou não consoante o critério que o dono quer. Mas se optar pelas duas deverá ter uma "barreira fisica". Mas não dizem que tipo de barreira querem, pode ser uma lona, um biombo, um papel, uma parede de tijolo, ou outro género qualquer.

O que apetece dizer:

" Que M---a de meias leis nós temos!"

entre ter uma meia-lei ou nenhuma lei sobre estes assuntos. QUAL É A DIFERENÇA?
De Jorge Soares a 11 de Novembro de 2009 às 23:13
Ricardo, tenho uma má noticia para si, sou presidente de uma associação que defende os direitos das crianças e nessa qualidade estive presente num workshop em que estavam representadas todas as equipas de adopção a nível nacional e onde se falou da adopção por homossexuais, e sabe uma coisa? a situação actual em que os homossexuais não se podem casar é muito mais favorável à adopção. Isto porque a lei não permite que a nenhum candidato se questione as suas orientações sexuais, portanto, basta que se apresentem como candidatos singulares para que posam adoptar. E na verdade há muitos que o fazem.

De resto, eu, como conhecedor da realidade do acolhimento das crianças em Portugal, acho muito bem que o façam, até porque são estes candidatos que costumam adoptar as crianças que ,ais ninguém quer, as crianças de cor, as crianças com deficiência, as crianças mais velhas, as crianças que evidentemente, todos os que agora enchem o peito de ar para dizer que são contra a adopção por homossexuais, nunca adoptariam, ou estou enganado?

É contra a adopção por parte destas pessoas, mas seria capaz de adoptar uma destas crianças?, uma das outras que todos querem? alguma?

Acha que estas crianças estariam melhor esquecidas pelo estado, por si, por tanta gente, nas instituições que com uma família?...

Jorge Soares
De Ricardo a 12 de Novembro de 2009 às 18:01
Sr. Jorge eu se um dia pudesse ou quisesse adoptar uma criança. "Escolheria" com base na tristeza dos olhos ou com base na esperança do sorriso.

" Escolheria". Quão mal me parece esta palavra.

Desse "grupo de risco" a que se referiu. Há um "tipo" pela qual eu não optava, sim são as crianças com deficiência, não o fazia pois acho que ninguem está preparado para acolher uma criança nestas condições. Acho que para o fazer tem de se ter um amor incondicional por alguem, e esse amor incondicional só surge á séria dentro da consaguinidade. Penso.
Sim a estas pessoas eu não o fazia.

Voltei a faze-lo "grupo de risco". Que mau eu sou!.

Sr. Jorge Soares os senhores com as tendências referidas fazem-no. Será que não o fazem para que a sociedade os poupe um bocadinho á critica.

A adopção de crianças mais velhas. Impoê-se aqui uma pergunta. A que idades nos referimos?

Penso que uma criança com mais de 12 anos já está formada na sua pessoa, não será influenciavel. Pode é sentir revolta contra o "casal" que a adoptou.

Uma criança com 3anos irá aceitar melhor a situação, pois irá conviver com a situação durante mais tempo. Mas não há um receio que esta criança tome a situação como a normal e ganha estas tendências por influência?

Nada tenho nada contra alguem que a meio da sua vida se descobre homossexual.
Mas qual será a situação de alguem que pode estar a ser criado como homossexual.

Epa, não sei. Mas considero esta vivência anti-natura.

E depois qual é o problema. A partir do momento que opto pela vida com alguem do mesmo sexo, sei á priori que a procriação não é possivel.
Mas são os parâmetros que escolhi e pelos quais me devo reger.
São mundos diferentes não se pode querer metade de um e metade de outro.

Um "homem" diz só sou feliz com alguem do mesmo sexo do que eu. Eu tenho de compreender e aceitar.
Tal como a pessoa que faz esta escolha deverá aceitar que não pode ter "herdeiros".

São mundos diferentes, logo não podem correr de maneira paralela ou coincidente.

Eu aceito a sua situação, não me sinto igual ; Mas eles tem de aceitar a minha difernça também.

Adopção zero
De Jorge Soares a 12 de Novembro de 2009 às 19:30
Não vou continuar esta discussão, até porque quando diz isto:

"Acho que para o fazer tem de se ter um amor incondicional por alguem, e esse amor incondicional só surge á séria dentro da consaguinidade."

Está a dizer que não amo da mesma forma os meus filhos, um biológico e outro adoptivo. Deixo-lhe um conselho, se realmente acredita nisto, nunca pense em adoptar, as crianças só devem ser adoptadas por quem acredita que as consegue amar incondicionalmente.

Jorge Soares
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