Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Matar... a paixão pelo futebol

 

Não conseguimos ficar indeferentes ao futebol. A sua designação como o circo dos tempos modernos é perfeitamente legítima. Nenhum outro desporto provoca tantas emoções a tanta gente. Novos e velhos, ricos e pobres, todos os continentes foram contagiados sem que nenhum período de quarentena lhes valha.

Os media também adoram o futebol que cria conteúdos e alimenta audiências continuamente. Não saberíamos o que é a Silly Season se os campeonatos não parassem durante seis ou sete semanas. As férias parlamentares são uma treta.

Não é novidade dizer que grandes interesses se movem fora das quatro linhas. Dirigentes, investidores, media, todos são demasiadas vezes os actores principais. Até os políticos sempre que podem estão na tribuna para serem vistos.

Esta semana registaram-se dois acontecimentos, que motivaram este meu post.

O primeiro foi o afastamento da República da Irlanda pela França. O acontecimento não foi o afastamento em si mas a forma como as coisas aconteceram. As imagens são de todos conhecidas e as reações continuarão a fazer-se sentir.

A recusa por parte das autoridades que regulam este desporto em recorrer ao video como auxiliar de arbitragem é, na minha opinião, um indicador de que existe má-fé na gestão da coisa. O video já é utilizado no Basquetebol onde em caso de dúvida o jogo pára por uns instantes enquanto as imagens são vistas por um colégio de comissários a quem é reconhecida idoneadade para ajuizar, recorrendo a imagens de vários ângulos sobre o que se passou. A única justificação que ouvi sobre esta recusa por parte da FIFA e da UEFA reside no facto de não o fazerem por não poderem assegurar que em jogos de escalões inferiores existam os recursos necessários. Ainda assim não faz sentido que nos jogos dos escalões principais e em competições internacionais, onde milhões de euros estão envolvidos, assim como a paixão de milhões de adeptos, isso não seja adoptado,

Sabemos que existem lobbies para que a interpretação dos árbitros se sobreponha às imagens, ou seja, à realidade. Desta forma, deixa-se ou não, espaço para que o grande público entenda que existem pressões sobre alguns resultados?

Esta recusa está ligada ao outro acontecimento da semana, que não é o desenrolar do Apito Dourado, ou Final, ou qualquer outro caso da Justiça Portuguesa, mas sim a divulgação de que a UEFA está a investigar 200 jogos realizados na Europa, onde alegadamente terá havido resultados combinados, sendo que se assume que a industria das apostas está também envolvida.

Ao fazer uma busca na net sobre este acontecimento, que será o maior escândalo da história do futebol europeu, só o encontrei referido no Jornal de Negócios. Isto num país em existem três jornais diários dedicados ao futebol, em em que todos têm edições on-line. É fácil de concluir que todos eles, os media em geral, preferem fazer manchetes com uma ruptura de ligamentos, coisa que mede uns escassos milimetros, do que com o que será o maior escândalo da história do futebol europeu.

O semanal post de futebulês do Eduardo não poderia ser mais a propósito. Matar. Isto sim é matar, mas matar a paixão pelo futebol.

Perante tudo isto, prefiro afastar-me e mudar de canal.

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publicado por Paulo Sousa às 07:56
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4 comentários:
De Marco a 24 de Novembro de 2009 às 12:00

Bom dia Paulo,

Olhando para aquilo que escreveu, concordo com algumas coisas e não concordo com outras:

Relativamente à utilização do vídeo num jogo de futebol, já existem modalidades em que isso é francamente utilizado, além do Basket , também o futebol americano, no entanto eu não sou a favor de tal utilização, ou pelo menos à sua utilização extrema e explico, com que regularidade seria utilizado o vídeo ? Sempre que existisse um caso duvidoso ? Quem decide se é duvidoso ou não? Se é sempre que é duvidoso o jogo para a cada falta, a cada fora de jogo?

Tenho dúvidas se o vídeo iria ajudar alguma coisa ao futebol, depois de que viviam os jornais? os jornalistas? as TV's que se alimentam deste tipo de situação?
E o futebol, a paixão pelo jogo não está também neste tipo de discussão?

Agora o que e parece importante é que os agentes desportivos, nomeadamente os árbitros, observadores, deveria de ser profissionais, e como todo o profissional deviam de ser penalizados se cometessem erros e premiados pelo bom desempenho. Acabar com a arbitragem como "part-time" .

Quanto ao esquemas de apostas, parece-me que todos os jornais desportivos fazem publicidade a casas de apostas, seria, como hei-de dizer, estar a cuspir no prato que lhes está a dar de comer, errado digo eu e o Paulo , mas para os directores de jornais certo.

Desde que se permitiu, com a criação das SAD , a entrada na bolsa dos clubes, e a possibilidade de qualquer um poder entrar no negócio futebol, que correríamos o risco de este tipo de situação acontecer, a entrada no jogo de milionários russos (muitos conectados com a máfia russa), o mesmo na Alemanha e países de Leste (Roménia e Bulgária), grandes adeptos deste tipo de jogo, era fácil que mais cedo ou mais tarde tivéssemos conhecimento deste tipo de situações.

Cumprimentos,

P.S. - Em Portugal há um grande número de clubes patrocinados por uma casa de apostas, precisando os clubes de dinheiro como de pão para a boca, vamos ver o que vai acontecer num futuro próximo.
De Eduardo Louro a 24 de Novembro de 2009 às 18:50
Sou completamente a favor da utilização das novas tecnologias no futebol profissional, no que só vejo vantagens e nenhuma desvantagem. A maior das vantagens é precisamente a eliminação da suspeita que mata este jogo que movimenta milhões pela sua capacidade de mobilizar paixões pelo mundo fora. Quando perder credibilidade, quando a suspeita e a batota submergirem a verdade, perderá essa sua capacidade milionária.
Na actual fase de desenvolvimento tecnológico não há qualquer razão para temer pelo normal desenvolvimento do jogo: já há 4 árbitros, para não falar da nova invenção dos 6, em teste na liga Europa. Pois basta que um desses todos esteja dedicado ao equipamento tecnológico. Exemplos: qual a dificuldade em enviar electronicamente a informação do fora de jogo, através das linhas que vemos traçadas no écran, ou aquele círculo que marca a distância das barreiras? E alguém tem dúvidas que se desenvolveria rapidamente todo o tipo de software para analisar tantas outras situações? E o chip na bola?
Não há qualquer dificuldade técnica que justifique a resistência à inovação, nem mesmo o número de câmaras em cada jogo. Se há dinheiro para tudo no futebol como poderá não haver para as câmaras necessárias? Se até são as televisões os maiores parceiros do negócio?
Os problemas são outros. É obrigatório instalar câmaras nos túneis de acesso aos balneários mas, quando é necessário recorrer às imagens, elas desaparecem? Parece que as imagens do último Braga-Benfica já desapareceram… E não se passa nada! Quem vive da batota há-de fazer tudo para impedir essa revolução no futebol!
Batota para ganhar milhões, mesmo nas apostas clandestinas. O Paulo tem razão: assim vão matá-lo. E nós que gostamos tanto dele!
De Rafael Marcelino a 24 de Novembro de 2009 às 22:12
Não me parece viável a aplicação dos meios de Videos para delinear o validade das jogadas.
Muita gente tenta fazer prova em nome de exemplos dos EUA como o Hockey no Gelo, Basket, Futebol Americano etc..mas esquececem-se de que isso existe com um povo de outra cultura (Não como a Latina) e vejam os exemplos dos Britanicos que nunca apelaram a esses meios.Nos Américas as equipas de alta competição estão sediadas numa cidade hoje e amanhã podem mudar por ,motivos económicos para outra cidade. São pertença de um proprietário ou de um grupo associativo (Pequeno) aonde não vivem de subsidios nem de bolsa de valores.Vivem do facturante com os seus espectáculos. Depois, esses videos são vistos em caso de dúvidas por gente altamente profissionalizada e que decide a longa distância. Exemplo, no Hockey existe uma liga com 30-equipas no Canada e EUA.
Apenas 30 e é na Cidade de Toronto-Canada que está o Juri para todos jogos ao mesmo tempo quer no Canada ou EUA.Mas nas ligas Juniores já não existem Videos se bem que estas são pertença dos mesmos proprietários.
O culto Latino é terrível e se estamos 3-pessoas a ver o mesmo lance nas TVs, temos diferentes leituras do visto conforme a cor clubista de cada um ou dos seus intereses, como não iriam depender os mesmos jurados?!O problema seria o mesmo e a mesma suspeita da decisão. É que mesmo ao verem que é o preto que bate na bola, o outro diz que foi o Branco. Tudo no bom ver Latino.
E mais..como deveriam ser as ligas secundárias e as leis de jogo?!, seriam uns filhos e outros enteados?!,
É que nem que seja num jogo entre solteiros e casados as regras são iguais até agora, depois seriam os menores etc.
O erro faz parte da vida do Futebol.
Os Latinos vivem bem com este estado de coisas.
De Paulo Sousa a 29 de Novembro de 2009 às 17:37

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