Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Berlim, ano 20 d.m. (depois do muro)

 

Passei quase toda a semana passada em Berlim. Já tinha visitado a cidade em 1993. Dezasseis anos depois, Berlim é um cidade muito diferente. Não na dimensão das suas avenidas e da sua área de implantação, características em que continua imensa e que a faz ter, pelo que conheço, Moscovo como a única concorrente europeia. Basta ver que entre a curva a meio da Herrstrass e o fim da Unter den Linden, a recta que muda de nome várias vezes tem 11,6 km.

Além da consciência que os berlinenses têm da sua centralidade europeia, além de ser a capital da maior economia europeia, a Berlim do início do sec XXI é também um hino e uma mostra da arquitectura que se fará nas próximas décadas.

Distinguir o que foi a Berlim ocidental da RDA é um exercício impossível sem um mapa adequado, ou sem a companhia de um berlinense. Na minha primeira visita, distinguir as duas metades, era muito mais fácil.

Num intervalo ‘arrancado a ferros’ entre outros compromissos, tive a oportunidade de visitar o Museu da RDA. O DDR Museum foi nomeado em 2008 para o European Museum of the Year Award. É um museu cheio de interactividade, onde o visitante ouve, vê, mexe e interage com o espólio. Visita-se todo o museu a fundo no espaço de uma hora, durante a qual o visitante é levado a fazer uma viagem ao dia-a-dia dos alemães de leste dos anos 60, 70 e 80. Mas a visita é também uma viagem a um país em que a própria designação era contraditória. A República Democrata Alemã, não era uma república, pois o seu Presidente não era eleito livremente pelo seu povo (os candidatos eram sujeitos a uma superior triagem prévia), não era democrática, pois o regime era ditatorial, imposto por um outro pais terceiro e não resultava da vontade dos alemães em causa, e também não era alemã, pois o que era mesmo era soviética, em território alemão. Além de que o próprio conceito de Alemanha pressupõe uma soberania que não existia.

 

 

A parte do museu referente à Stasi é das mais impressionantes. Observar os números é revelador do que era a RDA. Em 1989, a Stasi tinha 91.000 funcionários a tempo inteiro e 173.000 colaboradores. Abria diariamente 90.000 cartas, tinha 20.000 telefones sob escutas e toda esta máquina, digna efectiva da designação de Big Brother, consumia anualmente 4,200,000.000 marcos da RFA. Nos seus 180 km de prateleiras estavam arquivados 39.000.000 de ficheiros. Comparar a PIDE à Stasi é o mesmo que comparar o Centro Comercial Jardim em Porto de Mós ao Alexa na Alexanderplatz, um dos mais dinâmicos Centros Comerciais da cidade, curiosamente pertencente à Sonae Sierra.

No museu não podia faltar o famoso Trabant, o carro pelo qual as famílias alemãs esperavam em média 16 anos, mesmo tendo dinheiro para o comprar. Também se pode ver uma maqueta detalhada das linha de 'defesa' do muro onde as minas pessoais, o arame farpado e as espingardas dos guardas estavam viradas para o próprio povo, o que fazia do país uma prisão. Estima-se em 125 o número de alemães que foram abatidos pelos guardas quando tentavam fugir do 'paraíso' comunista.

Também desconhecia os detalhes do que se passou no famoso jogo do Mundial de Futebol de 1974 entre a RDA e a RFA, em que a RDA ganhou no confronto directo na fase de grupos, mas foi a RFA que trouxe o título para casa. As fardas das duas equipas estão expostas, entre muitos brinquedos, condecorações, músicas da época, programas de TV, rádio, etc. O museu da RDA é realmente um local a visitar.

Comparar a Berlim actual, cosmopolita, grandiosa e claramente capitalista, com a que retinha na memória de 1993, ainda profundamente marcada pelo regime comunista, é viver o famoso 'quinxe a xero' do Ricardo Araújo Pereira.

Há menos de um mês na Assembleia da República o PCP votou contra uma proposta de congratulação pela queda do muro de Berlim aquando do seu 20º aniversário.

Como é que se pode festejar o 25 de Abril com tanta festa e engolir em seco no 9 de Novembro, dia em que o muro caiu? Será que os alemães não mereciam liberdade? Será que a ditadura vigente na RDA era boa só porque era de esquerda? Será que a Stasi, os prisioneiros políticos e a censura eram aceitáveis só porque tinham origem comunista? Alguém me ajude que não consigo entender.

publicado por Paulo Sousa às 07:26
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1 comentário:
De Pedro Oliveira a 7 de Dezembro de 2009 às 11:20
Olha que o muro não caiu, foi derrubado,lol.
Parece que há um senhor, que é prémio "nóbel" ,que defende a Ibéria, não a companhia aéra,mas a integração de Portugal na Espanha e que é comunista, que escreveu um livro: ensaio sobre a cegueira...

Boa 1ª segunda feira da semana a todos, pelo menos esta começa com sol...

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