Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Vamos comprar ao "puto"!

imagem da net

 

Quanto vale Angola para Portugal?
É a pergunta que nos fica, depois de ler a edição nº 875 da revista VISÃO, do passado dia 10 de Dezembro, bem como a edição do Expresso de Sábado, 21 Novembro 2009

 

“É o nosso quarto maior parceiro comercial e um dos destinos estrangeiros preferidos das empresas portuguesas. Aquela que é uma das mais pujantes economias africanas deverá travar a fundo em 2009 - o crescimento estimado pela OCDE ultrapassa em apenas duas décimas os 0% -, mas os efeitos da estagnação não chegam às carteiras dos angolanos que enchem os voos da TAAG e fretam jactos de luxo para vir a Lisboa, às compras.”


Ora aqui está uma verdadeira extravagância! Há angolanos que se dão ao luxo de fazer Luanda-Lisboa, cerca de 7 horas de voo, para ir ao cabeleireiro, alisar os cabelos mais difíceis de tratar.
Há empresários angolanos que preferem adiar reuniões em Portugal, sempre que não conseguem voo com lugar na classe executiva. Já para não falar naqueles que compram relógios, de edições limitadas, pelos valores mais difíceis de imaginar.
Alta costura, Spa’s, tratamentos de estética, joalharia, enfim, toda uma diversidade de temas que não passa despercebida a estes luxuosos angolanos. Dizem os entendidos no assunto que se trata de um Cliente exigente, que conhece bem os produtos, sabe o que quer e é determinado, não olhando ao custo. A Loja das Meias em Lisboa, oferece inclusive, atendimento personalizado, com horário de atendimento especial, de porta fechada ao público, e já direccionado para as peças que pretendem adquirir.
Este tipo de Cliente representa, já, uma fatia significativa do mercado, que influencia os responsáveis das lojas, no momento de aquisição das suas colecções, uma vez que manifestam grande preferência por produtos com as marcas bem visíveis
Não conheço Angola, mas assumo que como qualquer grande país, com riquezas naturais, tenha na sua estrutura social, grandes desequilíbrios que permitam este tipo de actuação.
Pessoalmente, custa-me a digerir que se permitam estes excessos, sem justificação para os fins, especialmente quando os contrastes são óbvios.


Se o armário de Andrea Tocha, 28 anos, tivesse mais alguns metros, podia ser confundido com uma loja de luxo. A apresentadora de televisão, em Angola, e imagem de um programa a estrear sobre automóveis, gosta de ver a roupa pendurada nos cabides por cores e dividida por categorias (vestidos de noite, calças e peças casual). Arranjou até um cantinho só para sapatos e carteiras, acessórios que lhe levam uma boa fatia do que ganha. "São a minha perdição. E quando me apaixono por uma peça, o preço não é o mais importante", conta.
O 'vai e vem' entre Luanda e Lisboa, por motivos profissionais, permite-lhe renovar o guarda-roupa nas melhores lojas da capital. Entre as peças mais caras que carrega na bagagem - as que Andrea, depois, exibe nas festas e casamentos (onde é quase um crime repetir a toilette) - vão também os básicos que compra nas grandes cadeias de roupa barata, "que tanta falta fazem lá", admite.Se é certo que o investimento chegou em força à capital angolana, para onde estão projectados novos centros comerciais, está por construir uma avenida no eixo principal da cidade que possa acolher marcas premium. "Faço compras nas boutiques multimarcas. O problema é que a roupa custa duas vezes mais em Luanda do que em Lisboa". A melhor oferta, a preços mais competitivos, explica a 'dependência' das lojas de luxo nacionais dos clientes angolanos De acordo com as várias marcas contactadas pelo Expresso, quase todas concentradas na Avenida da Liberdade ou Chiado (e que preferiram manter o anonimato), os angolanos já representam quase 30% dos clientes. "Quando aqui entram, não olham a preços. Procuram qualidade e peças com o logo visível", afirma o responsável por uma conhecida marca de moda masculina. É comum a loja facturar, numa só venda, entre €50 e €100 mil, pagos por transferência bancária ou cartão de crédito. "Há dois anos, os mesmos clientes utilizavam o dinheiro, mas isso agora está ultrapassado", relata a mesma fonte. O mesmo diz Manuela Saldanha, responsável pela Loja das Meias, marca centenária que, em 2007, apostou num espaço próprio em Luanda, e ainda não se arrependeu. Também em Lisboa, na Rua Castilho, as mulheres angolanas têm cada vez mais peso na contabilidade da empresa familiar. "Preferem as marcas de referência, como a Dior ou Prada. Compram grandes quantidades para oferecerem à família e amigas", conta, o que contraria a suspeita de que as peças sejam revendidas em Angola. Para o relações públicas, e especialista no mercado de luxo, Ricardo Figueiredo, a importância dos angolanos na vida económica das marcas> premium "acentuou-se com a crise económica", e foram eles "os principais responsáveis pelo facto de as lojas, em Portugal, não se terem ressentido tanto como em Espanha, mais dependente do turismo asiático, por exemplo". Conscientes da importância dos clientes angolanos, na maioria homens de negócios (ver caixa com perfil), as marcas desdobram-se em acções de charme. "Alguns são convidados para as melhores festas internacionais".
Angolanos não sentem crise
Na joalharia de luxo, os angolanos também se destacam, tanto pelo valor dos artigos que compram como pela facilidade com que os pagam. António Moura, que representa em Portugal a Chaumet, Dior e H. Stern, fala do caso recente de "uma senhora angolana que comprou uma pulseira por €120 mil, e pagou com cartão de crédito, sendo o pagamento imediatamente autorizado pelo banco".
Nos últimos quatro meses, foi a vez dos turistas chineses, sobretudo de Hong Kong e da Tailândia, começarem a dar nas vistas nas ourivesarias da capital. "Adquirem artigos equivalentes aos dos angolanos. Ou seja, compram com facilidade peças muito caras", explica António Moura, sublinhando que são ainda em menor número do que os primeiros.
Também Pedro Rosas, director-geral da joalharia David Rosas, admite que, entre os turistas que nos visitam, os angolanos são os melhores clientes, e já representam cerca de 12% do total das vendas em Lisboa. "São consumidores muito informados, que procuram as últimas novidades e marcas boas", garante, acrescentando que se trata geralmente de "homens, empresários ou ligados ao governo de Angola, que compram sobretudo relógios de ouro para si próprios".
Já os brasileiros, cerca de 8% do total de clientes da David Rosas em Lisboa, escolhem Portugal para as suas compras com o intuito de pouparem. "Adquirem produtos mais baratos do que os angolanos e aproveitam para contornar as taxas de importação do Brasil".
No final do ano passado, segundo António Moura, as vendas retraíram-se de uma maneira geral, uma vez que o anúncio da crise gerou pânico mesmo entre os clientes com mais recursos financeiros. "Ficaram mais cautelosos e não queriam exibir determinadas peças para não serem mal-interpretados", explica.
Ainda que os clientes angolanos em Portugal não sejam uma tendência recente, como confirmam os dois empresários, o que acontece é que os turistas russos ou japoneses, que também compravam artigos de griffe, foram os mais afectados pela crise. "Já os angolanos, continuaram a gastar dinheiro numa altura em que os outros desapareceram, dando mais nas vistas", diz António Moura. E explica que "a ideia de que são meia dúzia de pessoas com muitos milhões que fazem andar o negócio do luxo está errada". Afinal, são os largos milhares que não são ricos, mas que optam por comprar uma ou outra peça cara, embora com menos frequência.


Fonte: Expresso e Visão

publicado por Pedro Oliveira às 07:59
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De Paulo Sousa a 18 de Dezembro de 2009 às 08:51
A única nota menos positiva, e cuja resolução não depende dos portugueses, será o desequilíbrio na distribuição da riqueza pelos angolanos, de resto é bom saber que existem empresas que estão posicionadas num mercado que lhes permite ultrapassar a crise sem sobressaltos. Afinal de contas ganhar dinheiro não é pecado...
Seria interessante Lisboa posicionar-se como um destino de luxo para toda a Africa, se bem que tem concorrentes de peso como Paris, Roma, Londres, etc.
A aquisição de empresas estratégicas pelo capital 'angolano' será também uma falsa questão, pois os capital não tem pátria. Se o marcado espanhol oferece melhor retorno, a Sonangol estaria lá em força. Será que o orgulhosinho tuga preferia investidores chineses ou russos como acontece nos EUA ou em Inglaterra?
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