Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Sobre o nível da política local

 

O Iluminismo trouxe ao pensamento ocidental, entre outras coisas, a separação do que pertence à esfera legal e à esfera moral. Algo pode ser imoral aos olhos da sociedade e ser inatacável legalmente. O contrário também. Foi nessa base que os estados se tornaram laicos e o mundo ocidental se distingue do antigo regime e da maioria das sociedades islâmicas.

Uma separação idêntica deveria acontecer na política local, onde uma questão levantada sobre a esfera pública de um qualquer interveniente é fácil e rapidamente interpretada na esfera pessoal.

Como ninguém se candidata a um cargo público por obrigação, assume-se que quem o faz, conheça as regras do jogo. É por isso que algumas reacções não fazem sentido. Dizer que se foi convidado não justifica o facto de acumular funções pública e privadas, deixando em aberto a possibilidade de um dia de manhã se decidir algo e à tarde se usufruir da decisão. Ao referir esta possibilidade não estou a afirmar o que quer que seja em abono ou desabono, e se o que está em causa é uma ou muitas empresas que fornecem flores, parafusos ou alcatrão, mas manda a clareza democrática que quem está ao serviço da coisa pública se resguarde de qualquer sombra de dúvida. Lembram-se do discurso do Dr. Teixeira na última Assembleia Municipal do mandato anterior sobre a ética republicana? Era exactamente disto que falava e devia servir para todas as forças políticas.

E se a questão da compatibilidade de funções levantada pelo PSD foi tão despropositada porque é que Albino Januário já tinha pedido previamente um parecer sobre esse assunto? Se se sentiu politicamente inseguro ao ponto de o fazer é porque a questão não é desprovida de substância. E se já tem um parecer porque é que não o torna público? A bem da clareza deveria fazê-lo.

E como é claro que o assunto é politicamente relevante, torna-se ridículo o tom ofendido, surpreso e incomodado com que Albino Januário falou à Radio Dom Fuas quando relatou a última AM. A vitimização é a arma do PS para fugir às críticas. Salgueiro e Sócrates fazem exactamente o mesmo, mas como ninguém está acima das críticas, é desjável que evoluam e reajam de outra forma.

Se dúvidas existissem sobre a forma serôdia como o concelho é governado, estas desapareceriam perante o lavar de roupa suja familiar que decorreu em paralelo ao debate. De facto a AM é o espelho da comunidade. É pena, mas a realidade é esta, e é dura como punhos fechados. A falta de nível que sobra de tudo isto é totalmente coerente com os resultados globais da governação socialista em Porto de Mós.

 

publicado por Paulo Sousa às 08:30
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