Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Praga

 

Há já algum tempo que tinha pensado ir a Praga. O guia turistico já tinha sido adquirido há 3 anos, mas por vários motivos, não foi possivel ir antes. Este ano, tudo marcado com a devida antecedência não podia falhar, e assim foi!

Partida dia 27 e regresso na noite de 1 para 2 Janeiro. A bagagem vem cheia!

Estas viagens de final de ano, pelas Capitais Europeias, são sempre lições de aprendizagem,  e esta não foi diferente.

O Professor António Câmara, na sua palestra em Porto de Mós, afirmou que as cidades criativas tinham mais capacidade de captar e reter cidadãos, de lhes dar melhores condições de vida e que a cultura é essencial para a felicidade das pessoas. Pois muito bem, Praga que durante séculos foi Capital Europeia do Judeísmo e até ao derrube do muro de Berlim pertenceu ao "lado de lá", é hoje uma cidade cosmopolita, cheia de juventude, com uma imensa actividade cultural, com ruas cheias de lojas bonitas, das melhores marcas mundiais, mas também com muitas outras de produtos nacionais, principalmente da região Bohémia.

As igrejas são fantásticas, os museus bem organizados, interactivos, os transportes públicos são modernos, com horários e bilhetes compativeis entre si. O parque automóvel é recente, VW, Skoda, Mercedes, são as marcas dominantes.

As ruas estão SEMPRE limpas! São um povo amigo dos cães, que se vêem por todo o lado,  acompanhando os seus donos, devidamente agasalhados e bem tratados. Há pontos dispensadores do saco para recolha de detritos e sistemas de limpeza municipal bem organizados. Estes amigos fiéis podem viajar nos transportes públicos, garantindo as devidas condições de segurança e entrar nos vários estabelecimentos comerciais, sem que se veja o dístico da proibição colado na porta de entrada. Também não se vê gente a mendigar no metro, nem a cantar ou tocar para as moedinhas de cortesia. Muitos turistas pelas ruas e nos monumentos.

E o que dizer das feiras tradicionais de Natal, com as "tasquinhas" nas principais praças? Belíssimo, mas não vi por essas bandas a ASAE ... Tudo muito bem decorado, bem organizado sempre cheio de gente, apesar dos vários avisos para ter atenção aos carteiristas, ávidos de uma pequena distracção.

No metro não há torniquetes, o que revela o princípio da boa fé e da educação cultural. No entanto, a fiscalização existe para que os mais atrevidos possam ser  punidos com coimas avultadas. Eu próprio fui abordado por um elemento, devidamente identificado, que me solicitou o bilhete e confirmou as marcações do bilhete.

Como não levava na mala expectativas especiais, em relação à cidade e ao País que, SÓ, está há 6 anos na UE e não há mais de 20 como nós, não posso dizer que tenha vindo desiludido com o que quer que seja, mas fiquei surpreendido com profissionalismo no atendimento nos locais públicos e pelo facto de todas as igrejas terem um cartaz musical TODOS os dias. Tive a oportunidade de assitir e participar num destes espectáculos no National Museum e digo participar porque o Tenor e a Soprano fizeram questão de se "envolver" com o público de modo a que fossem um todo. Ali, a música erudita não é vista como música SÓ para iluminados ou para elites. É óbvio que há galas na Ópera, que exigem outra indumentária e postura mais formal.

O bailado tem tanta força em Praga, que se auto-intitula Capital Europeia do Bailado. Há espectáculos por todo o lado, com bilhete familiar para 4 pessoas, por cerca de 40 euros, com um detalhe interessante, bancos aquecidos!

Voltando às lojas, registo com agrado a qualidade e a forma de apresentar os produtos nacionais e da região, lojas lindissimas que valorizam ainda mais os produtos à venda.

Como sempre, percorri kms a pé, batendo grande parte das ruas e avenidas da cidade, apanhei sol escondido, chuva e alguma neve, e comi bem e a preços razoáveis. Não faltou a salcicha no pão ...

Nota-se que a preservação do património é uma preocupação, bem como a limpeza e organização da cidade. Todas as pessoas percebem inglês, quase todos o falam o que é uma vantagem em relação, por exemplo, aos Alemães.

Sinto-me mais rico por ter tido a oportunidade de conhecer mais uma cidade europeia e constatei como é que, a outra escala, se pode potenciar a localização geográfica e as riquezas existentes.

A estrada passa mesmo ali ao lado, como era bom que certos autarcas fossem fazer umas viagens por essa Europa fora...

Se tudo correr bem, daqui a uns meses há mais...

 

 

publicado por Pedro Oliveira às 07:58
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10 comentários:
De Ferreira Pinto a 5 de Janeiro de 2010 às 11:58
Sempre que me falam de Praga, é apenas com referências elogiosas.
Vejo-as aqui confirmadas, mais uma vez.
Vou ter de puxar Praga mais para cima nas cidades a visitar!
Bom Ano.
De carlosbarbosaoliveira a 5 de Janeiro de 2010 às 12:28
Confirmo tudo o que dizes, Pedro, mas Praga já era, antes da queda do muro de Berlim e da entrada na UE, uma cidade fantástica que se distinguia, entre outras coisas, pela diversificada oferta cultural Aliás, diria que em quase todas as grandes cidades do Leste ( excepção para Bucareste)a música é uma presença constante e a cultura tão essencial como respirar.
De Rui Ribeiro a 5 de Janeiro de 2010 às 12:34
Com uma apresentação destas, deixaste-me com "água na boca"...
Vai ficar registado como um destino a ter em conta, numa viagem pela Europa, mas, se tudo correr bem, para fazer de moto!!!

Relativamente aos 6 anos na UE ... é tudo uma questão (primeiro) cultural e (por arrastamento) postura Municipal/Governamental!
Uns aproveitam e desenvolvem ... outros não!

Abraço,
De Paulo Sousa a 5 de Janeiro de 2010 às 14:22
Visitei Praga em 1993. A Rep. Checa e a Eslováquia tinham acabado de se separar e ainda havia dupla circulação de moedas. Nessa altura eu vivia em Lisboa, que já era uma capital da União Europeia, e fazendo uma comparação era dificil, pois a centralidade europeia não é coisa que se adquira por tratado internacional. Lisboa tem inegavelmente os seus encantos mas, para o bem e para o mal, é, e será sempre, periférica.
Guardo na memória o património, a vida cultural, assim como a vida nocturna com as suas cervejas de meio litro e refugiados(as) do Kosovo. Lembro-me do espanto que senti ao encontrar um pianista a tocar num piano de cauda no centro da cidade, sem trânsito.
O turismo literário à volta de Kafka é algo que deveríamos copiar com Camões ou Pessoa.
O volume de turistas explica-se pela centralidade (tem sete ou oito capitais a menos de 500 km) mas não só. Se não me falha a memória em 1992 Praga tinha tido oito milhões de turistas...
Como disse o Carlos, mesmo antes da democracia já se destacava claramente do restante bloco de leste. Cheguei a Praga vindo da Polónia que comparando nessa época era quase terceiro mundo.
Foi a última cidade que visitei com um amigo interrailer, o Graig de Newcastle (Australia), que conheci à saída de Berlim. Separamo-nos aí. Ele seguiu para a Roménia e eu para Bratislava e Viena.
Se repararmos que Praga fica entre a Baviera e a Austria será suficiente para não se estranhar tanto elogio, em termos culturais, económicos, etc...
Fiquei sempre com a região da Boémia debaixo de olho, mas ainda não chegou o momento.
Praga é de facto uma capital de primeira grandeza e merece ser visitada.
De Si a 5 de Janeiro de 2010 às 16:02
Em 2009 tive o prazer de lá estar por duas vezes, embora não propriamente em turismo.
Tenho fotos quase iguais às exibidas neste post, à espera da altura certa para aparecerem lá no meu canto.
Como igual é a minha admiração por aquela cidade que me encantou do princípio ao fim.
O destaque vai sobretudo para a conservação dos monumentos e dos prédios em geral, em constante manutenção, que permite (pasme-se!) que os dourados que decoram ferros forjados e igrejas (sobretudo a de S. Nicolau) estejam em perfeitas condições e de brilho inalterado, apesar de apanharem sol e neve a valer.
E as flores? Reparou nas flores e nas floristas, Pedro?
De Pedro Oliveira a 5 de Janeiro de 2010 às 16:21
Sim cara vizinha, tenho até fotos de flores, nos "quiosques" de rua, fantásticas com neve a cair.
Uma cidade encantadora, uma das cidades que nos marcou.Há cidades que nos marcam quando as visitamos, já assim tinha acontecido com Londres, Paris, Barcelona, Roma e Viena, agora foi Praga, já houve outras que não nos marcaram tanto,não que não sejam interessantes de visitar,mas não despertaram as mesmas emoções, Copenhaga,Helsinquia,Estocolmo,Madrid.
Está na lista para a segunda volta,mas ainda há mais para a continuar a 1ª, hoje recebi sugestão de Amesterdão e Berlim.
De Luis Malho a 5 de Janeiro de 2010 às 18:23
Pedro, que saudades...
Também estive em Praga, através do Interrail, no verão de 1992, então capital da Checoslovákia.
Recordo com saudade o Castelo ... de Kafka..., aquela ponte com dezenas de artistas de rua, a praça principal com animação até altas horas da noite e milhares de turistas, a casa de Kafka, as estações de metro a metros de profundidade, etc...
Fui roubado em Praga, mas nem isso me fez perder a vontade de voltar.
Pedro grande destino sem dúvida, e obrigado por me teres feito recordar Praga.
De Maria Araújo a 5 de Janeiro de 2010 às 22:57
Confirmo.
Eu adorei e gostaria de lá voltar, para disfrutar dos concertos e outros espaços que ficaram por ver.
Minha sobrinha esteve a trabalhar lá. Regressou no Verão passado deixando lá as amigas com quem viveu.
Mas, em finais de Novembro, voltou a Praga, por uma semana, e quando regressou disse: "Estive tanto tempo em Praga, conheci muitos cantos, mas ao voltar lá senti que ainda não conheci tudo. Praga tem muita para se descobrir. Esta cidade tem magia".
Um dos pormenores que ela me chamou à atenção foi que podia andar tranquila à noite. Ela e as amigas nunca saíam para se divertirem antes da 1hora.
Gostei desta decrição.
De patti a 6 de Janeiro de 2010 às 10:23
Tenho muita vontade de conhecer as capitais da Europa de Leste. Tenho a ideia que nos levam à contemplação.
É um projecto para daqui uns anos.
Vê-se que gozaste muito bem estes dias.
De PortoMaravilha a 6 de Janeiro de 2010 às 18:30
Conheci Praga em 1986 . Logo após a Revolução de Veludo.

Havia uma grande euforia nas ruas e a cidade tinha sido invadida por turistas curiosos. Eram turistas curiosos ( o que é cada vez mais raro ver ) . Havia ainda falta de certas denreias alimentares frescas ( o hotel onde estava hospedado só tinha leite em pó, por exemplo ).

Desde então não regressei a Praga. E suponho que a cidade tenha conhecido alterações.

O barroco de Praga tem muitas semelhanças com o do Porto. Senti-me quase em casa.

Esse barroco que se sente na obra de Mário Claúdio e que também se sente em Bohumil Hrabal.

Nuno

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