

Assistência? Então mas esta não é uma expressão universal, utilizada para tudo o que é espectáculo que vive de público?
Não. Apesar do futebol viver de espectadores, das assistências, a expressão em futebolês tem outro significado.
O que não deixa de ser curioso. Parece vislumbrar-se aqui uma forma de sublimação que é muito comum no futebol. Quase idiossincrático! Se a sublimação pode até ser uma arte, o futebol foi sendo encaminhado para dela fazer uma arte suprema.
É que com a queda das assistências, de espectadores, particularmente visível em Portugal, encontrou-se forma de lhe dar outro significado. E logo uma significação baseada numa ideia forte do jogo, que absorve um dos principais momentos do espectáculo: o passe para golo. Assistência é, em futebolês, o último passe para o golo
É também a sublimação do passe. Não se trata pois de um passe qualquer, de um dos muitos que ocorrem durante um desafio de futebol (é curioso como esta expressão se foi perdendo, ao ponto de quase já soar a estranha), nem sequer do último passe, esta também uma expressão do futebolês. Não, é ainda um último passe especial, é o que antecede o golo!
O último passe já tem, por si, uma enorme importância no jogo. Define a finalização. É de tal forma assim que há até o chamado jogador de último passe, para salientar que o último passe não está ao alcance de qualquer um, pelo que exige de qualidade técnica e táctica, de posicionamento. Mas nem sempre o jogador de último passe por excelência é o que faz mais assistências, como o mais rematador nem sempre é o melhor marcador. Têm, ambos, mais probabilidades de o virem a ser, mas só isso.
Assistência deixou, assim, de ser um termo associado a um dos pesadelos das gentes do futebol, precisamente a falta de gente nos estádios. Ao contrário dos grandes campeonatos, e em particular dos dois maiores – o inglês e o espanhol, onde as assistências esgotam normalmente as capacidades dos estádios, com a particularidade de, por exemplo, o Nou Camp, do Barcelona, esgotar apenas com os associados do clube – em Portugal temos a maioria dos estádios às moscas. Um verdadeiro pesadelo (como vemos aqui em Leiria, já tema de chacota nacional), apenas aliviado quando, uma vez por ano, recebem a visita do Benfica, a andorinha que não consegue fazer a Primavera.
Em época de maré vermelha, como a que está em curso, o Benfica é campeão de assistências, ou de bilheteira. No final da primeira volta tinha uma média a rondar os 50 mil espectadores por jogo, mais 12,5 mil (mais de 30%) que o Porto e mais do dobro do Sporting. E ainda dá para ser o abono de família dos pequenos, a quem enche as casas, algumas vezes reforçadas com mais uma bancada amovível. E ainda há quem duvide da tal tese dos 6 milhões…
Mas também nas outras assistências o Benfica domina a temporada, estando inclusivamente o título de rei das assistências a ser discutido entre o Di Maria e o Fábio Coentrão, com o Cardoso e o Saviola à espreita, apesar de serem ainda dos melhores marcadores da liga!
Às vezes estas duas assistências são incompatíveis, como se viu na terça-feira em Alvalade. À assistência do César Peixoto para o golo do Ramires, correspondeu o abandono da assistência das bancadas. Pode parecer um paradoxo – uma assistência que não assiste – mas não é. Porque aquela não era a assistência que não queria assistir, era a que não queria assobiar nem agitar lenços brancos, duas das disciplinas preferidas das assistências cá do burgo quando as coisas não correm bem. As outras, está bem de ver, é chamar nomes bonitos aos adversários e aos árbitros. E especialmente aquela de entoar um dos cânticos do adversário, trocando-lhe um nobre adjectivo por uma deselegância para a uma mãe (não se chega a saber qual), criada há uns anos no Porto mas entretanto adoptada para os lados de Braga, Guimarães (quem diria!) e até ali pelo Campo Grande!
Estranha coisa essa de trocar o apoio e incentivo à sua equipa pela provocação ao adversário ausente! Não é com certeza uma assistência para golo, esta também uma expressão muitas vezes ouvida da boca de narradores e comentadores mas, claramente e como vimos, um pleonasmo!
Prof. António Câmara - Palestra
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