Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Agridam-me se quiseram, mas pensem nisto

Sabemos que a situação do país é difícil.

Neste momento comparar Potugal com a Grécia, a Espanha, a Irlanda ou com a Islândia é uma perda de tempo, porque o que importa é arrepiar caminho e mudar de atitude.

Repetindo uma expressão que aqui foi usada há pouco tempo, não vale a pena repetir as fórmulas dos passado e esperar resultados diferentes.

Pedir apoios e subsídios ao Governo é o mesmo que pedir dinheiro emprestado aos nossos filhos e netos, pois terão de ser eles a cumprir com o serviço da dívida contraídas hoje.

Ouvi há dias no programa Alma Nostra, o Prof. Carlos Amaral Dias a dizer que os sindicatos se transformaram em agrupamentos que organizam o egoísmo dos seus membros, pois têm estratégias egoístas contra a realidade e contra a empregabilidade dos trabalhadores.

No momento actual, em que personalidades de competência inquestionável, há muito desligadas da política, vão dizendo que, dada a situação do país, estão disponíveis para colaborar num eventual governo de 'salvação nacional', é porque está a chegar o momento em que, mais que pedirmos o que quer que seja ao Estado, temos de estar disponíveis para dar ao país.

A espécie humana é bem sucedida na natureza pela capacidade de interagir como tribo. Em tribo enfrentámos predadores poderosos e sobrevivemos. Em tribo desafiamos o desconhecido, enfrentamos Adamastores e descobrimos o mundo. Dirão que em tribo também escolhemos uma governação à esquerda, mas isso agora não interessa pois o tempo é de acção.

Ao conceito de tribo está também associado o conceito de pertença. Podemos observar nos dias de hoje o espírito tribal de pertença numa das suas formas mais puras, em algo muito português, e que é o grupo de forcados. Recomendo a visualização destas imagens.

Somos capazes de fazer isto por Portugal?

Claro que esta é uma pergunta metafórica, pois não me refiro a cornadas de touro mas sim a sacrifícios ao nível da redução da remuneração, da redução de reformas, ao alargamento do horário de trabalho, à perda de regalias e direitos, o que na prática se traduz numa redução do nosso conforto e aumento do nosso esforço.

Somos capazes de fazer isto por Portugal?

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publicado por Paulo Sousa às 07:30
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6 comentários:
De Jorge Soares a 17 de Fevereiro de 2010 às 09:01
Não Paulo, não somos, todos somos capazes de falar, de dizer que isto está mal, que o governo isto e aquilo, que os políticos são uma cambada de mais isto e mais aquilo, mas basta que se diga que não vai haver aumentos dos salários para termos um cenário de greves e paralisações.

Paulo, somos capazes de tudo, enquanto esse tudo não mexer com o nosso queijo..... é esse o povo que temos, não há volta a dar.

Jorge Soares
De Luis Malho a 17 de Fevereiro de 2010 às 10:09
Somos capazes de tudo, mas só quando nos obrigarem. Por nosso iniciativa não...
De João Romeu a 17 de Fevereiro de 2010 às 12:12
Bom dia Paulo.
Custa-me admiti-lo mas nós os Portugueses conhecidos como o Povo de brandos costumes criamos o habito de olhar apenas para o nosso polegar. Porque olhar para o umbigo já custa. O Paulo já reparou que até aos nossos vizinhos deixamos de dizer "bom dia vizinho" quando vimos alguém em problemas gostamos ainda de o enterrar mais (salvo algumas honrosas excepções ) quanto mais sacrificarmo-nos por o nosso Portugal. Quando ouvimos todos os escândalos a volta dos iluminados que ganham o que ganham e ainda roubam, como diz o Dr. Luis Malhó só se formos obrigados, mais uma coisa Paulo esses Srs. que deixaram a politica com a reputação que o Paulo diz não teriam grandes culpas no cartório como diz o povo?. Custa-me admiti-lo mas só com alguém muito credível , sem estar agarrado a nada nem comprometido com nenhum lobby e o mais importante ,que os tenha no sitio como as imagens dos forcados e que isto pode começar a ter jeito de País. Noutros comentários que tenho feito porque graças a Deus o Sócrates ainda não descobriu o Vila Forte posso dizer o que me vai na alma " ISTO BREVE DÁ MOLHO" Com certeza conhece duas frases que se nós fossemos um povo que quisesse o melhor para Portugal se adequavam a situação actual cito " O importante é o que podes fazer pelo teu País e não o que ele pode fazer por ti. Jonh F. Kennedy " ou a celebre frase do Dr. Martin Luther King " I have a dream " também eu tenho um sonho de ver os meus filhos e netos a viverem num País livre de corruptos, livre de indivíduos que nada fazem senão receber o R.M Nacional, livre de chorudas reformas ,livre de reformas de fome ,livre de pessoas a reformarem-se com 53 anos, livre de cunhas, livre dum sistema fiscal que tudo leva e nada faz, livre dum sistema de saúde onde quem tem dinheiro ou cunha se consegue tratar. Mais teria a dizer mas como já tive dois enfartes do miocárdio , tenho que controlar a minha revolta e desilusão.
De Ana Rita SousaInfelizmente a 17 de Fevereiro de 2010 às 14:02
Infelizmente eu não tenho qualquer tipo de resposta a estas questões.
Mas acredito que mais do que a crise económica e financeira que se sente no país, há uma crise existencial que penso superar as outras duas.
E esta, é para mim a mais assustadora. Será que Portugal continua a acreditar num D. Sebastião que há de vir para nos salver?
E aqui arrisco a dizer que ambas as possíveis respostas a esta questão me assustam terrivelmente.
Se SIM, asusta me uma espera acomodada a algum iluminado que irá com uma varinha mágica ressuscitar o nosso Portugal.
Cada um de nós como cidadãos de mundo, como Portugueses deveria sentir que temos capacidade de acção e que por mais mínimo que seja podemos fazer em conjunto algum barulho, podemos agir de alguma forma.
Se NÃO, acho que me assusta ainda mais, porque mesmo que envolvidos nesta nostalgia poética que em termos práticos não nos leva a lado nenhum, havia ainda a capacidade de acreditar que um dia as coisas podem mudar e que há uma luz no fundo do túnel, que nem tudo está perdido..
Será que ainda se pode falar de uma identidade portuguesa? Será que restou algo da coragem e da grandeza dos nosso antepassados que desbravaram fronteiras além mar, conquistando mundos e fundos?
Será justo continuar a acreditar que há algo que restou? Que há em nós alguma espécie de herança do fomos um dia?
Eu acredito que cada um de nós tem capacidade de acção e que depois da tempestade vem a bonança, acredito também que o ser humano tem essa capacidade de agir em tribo e de se for preciso agarrar um touro pelos cornos, ou de desbravar mares nunca antes navegados.
Acredito em Portugal e tenho um imenso respeito e orgulho por toda a nossa história e tradição. Não sei se restou algo dessa identidade.. Nem podemos viver dessa mesma história, mas podemos nos inspirar nela e agir.

MAR PORTUGUÊS

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

Fernando Pessoa, Mensagem

De Paulo Sousa a 18 de Fevereiro de 2010 às 00:17
"Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor."

Lembrei-me desta passagem para a colocar no post inicial não o fiz, mas acabou por cá vir ter.

Tocas em várias coisas que me apetece comentar.
Esta não sei se ajuda a nossa autoestima, mas é um facto. A família que desencadeou os descobrimentos portugueses, em que se destaca o Infante D. Henrique, foi gerada por D. Filipa de Lencastre e tiveram uma educação britânica...
Na mesma linha de raciocínio, em que fomos grandes quando dirigidos por estrangeiros, lembro-me da capacidade de mobilização que se conseguiu com Scolari à frente da selecção. Qualquer treinador português que sugerisse uma bandeira na janela seria ridicularizado e assim foi o que se viu e ainda se vê, pois em Junho vamos todos voltar comprar uma bandeira por 1€ feita na China com uns fogareiros a brasas a fazer de castelos. Também podemos ver um outro caso que é o de Fernando Pinto na TAP. Está lá há anos, e já sobreviveu a vários governos de vários partidos. Quando lá chegou a TAP estava falida e depois disso tem continuado a voar enquanto outras grandes companhias já se despenharam. Que português conseguiria fazer o mesmo sem ser apelidado de boy, sem ser acusado, com ou sem fundamento, de ter preferência partidária e de ver a sua cabeça a rolar após eleições?
Isto agora é uma provocação, mas se tivéssemos um PM estrangeiro (também teria de ser competente, mas existem muitos estrangeiros competentes) o país daria um salto em frente, nomeadamente pela mobilização social.
De Paulo Sousa a 18 de Fevereiro de 2010 às 00:42
A propósito do assunto recomendo a leitura deste texto.

http://indigoeomar.blogspot.com/2010/02/vitoria-do-hutspa.html

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