Segunda-feira, 1 de Março de 2010

Violência Doméstica

A propósito da notícia do DN sobre maus tratos, não pude deixar de ficar admirado com a estatística referida.
Estamos em pleno século XXI, no Ocidente, onde teoricamente há lugar ao respeito pelos Direitos Humanos e onde os atentados à dignidade e integridade física e psicológica de cada um dão direito a punição. Pois sim!
“Todos os seres Humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.”
Declaração Universal dos Direitos do Homem (1949), Art.1.º
Fico, naturalmente, constrangido quando ainda vejo cônjuges, especialmente, em locais públicos manterem um diálogo acesso entre si, com recurso à falta de educação e respeito, se não entre cada um deles, pelo menos, pelos demais que testemunham a pobreza de espírito e a fraqueza de todos os padrões de comportamento.
Já li e ouvi sobre este assunto e não me canso de ser verdadeiramente surpreendido pelas notícias mais atrozes sobre esta matéria. Então já não basta recorrer à violência entre iguais, marido e mulher, é também necessário mostrar todos os sinais de cobardia para agredir os idosos e crianças?
A condição humana distingue-nos dos restantes animais pela capacidade do raciocínio e inteligência aplicadas a factores comportamentais de origem social e pessoal.Que direito temos “nós”, humanos, de infligir sofrimento aos indivíduos da mesma espécie e até de outras? Qual a justificação para tamanha irracionalidade?
O papel social, ainda que no Ocidente, reservado à mulher é sem dúvida de menor relevância, permitindo que o factor dependência lhe dê azo a maus tratos, sem que possa insurgir-se contra o agressor. As campanhas promovidas pelas várias instituições e organizações não são suficientes para reduzir os números. É necessário criar um ponto de ruptura com a mentalidade de desigualdade entre géneros e faixas etárias.
Já não digo o mesmo em relação às camadas sociais, pois sabe-se que este mal afecta estratos de vários níveis, sem olhar à bolsa de cada um. Infelizmente, aqui predomina claramente a total falta de educação e respeito.
Fui educado para o respeito pelos meus semelhantes e não posso aceitar que os nossos pais e avós, porque também nós um dia chegaremos a essa condição, possam ser submetidos a maus tratos sejam eles de natureza física ou psicológica, qualquer que seja o motivo ou pretexto invocado.
 

publicado por Pedro Oliveira às 08:00
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3 comentários:
De nasdaq a 1 de Março de 2010 às 16:45
Nao está em causa a educaçao que recebeu.
Mas nunca diga que desta água não beberá...
De PortoMaravilha a 1 de Março de 2010 às 23:58
Muito obrigado, Pedro Oliveira , quer pelo texto quer pelo link. Não tinha artigos pt sobre o assunto.

É necessário educar e tentar mudar as mentalidades e hábitos. Um provérbio árabe ( ou berbere / agora não lembro ) diz : "Bate a tua mulher todos os dias . Se não sabes porquê , ela sabe-o ".

É efectivamente necessário combater contra a discriminação sexista ( e não só ) e, sobretudo, apoiar as organizações de apoio às vítimas que libertam a palavra.

Também eu fui educado no respeito pelos meus semelhantes e concordo consigo : A submissão antes de ser física é psicológica. Pensar como já ouvi , junto de portugueses, que cada mulher no fundo é uma puta ( passe-me a expressão ) é sintomático da discriminação sexista .

Em França , a violência conjugal também existe. Mas creio que a importância e a presença de organizações de apoio tem libertado a palavra, reduzindo essa violência. Mas ainda há muito que fazer.

Nuno



De Telma Sousa a 2 de Março de 2010 às 11:46
Infelizmente este continua a ser um tema muito actual. Na minha opinião Pedro não bastam as campanhas publicitárias a alertar para este facto, sobretudo é necessário que eduquemos as novas gerações de forma diferente, mais respeitadora pelas diferenças de género, idade, religião, etc. A raiz deste problema (violência doméstica) passa muito pelas crenças (representações em torno do sexo que são geradas em sociedade (conjunto de crenças e ideias feitas) atribuídas ao sexo feminino ou masculino que perduraram ao longo dos anos e que, sem nos darmos conta, fazem parte (cada vez menos, felizmente) da matriz educacional.

Apesar dos progressos alcançados na lei e na vida, apesar do igual estatuto de cidadania das mulheres e dos homens tanto na esfera privada como na esfera pública, a maioria dos nossos indicadores e muito do nosso quotidiano ainda reflectem papéis e expectativas sociais padronizados em função do sexo (feminino ou masculino): para as mulheres, a obrigação dos cuidados à família, o trabalho invisível e não remunerado, o espaço doméstico, o emprego entendido como suplemento do rendimento familiar; para os homens, a obrigação do sustento familiar, o trabalho pago, a carreira, o poder no espaço público, a desvalorização do investimento no apoio à vida doméstica e familiar.
Vejamos que desde muito cedo o Homem foi visto como um sujeito de direitos, indivíduo livre, autónomo e responsável. A Mulher só num passado recente adquiriu direitos iguais. Todas estas questões estão também na raiz da violência doméstica, assim como a aquisição de modelos educacionais desrespeitadores da mulher, do idoso, da diferença, da assumpção o lote de emoções e afins. Enquanto continuarmos a educar com utilizando expressões do género: “Que feio um menino não chora” “Maricas, um menino não chora” “Um Homem não tem medo, é forte.” Etc etc continuaremos a amarrar homens e mulheres em estereótipos de género que em nada ajudam é evolução humana e ao respeito pelo outro e pela diferença.

E mais, Pedro, muitas pessoas que praticam violência doméstica têm consciência do quanto isso é errado e punível, mas dai até conseguirem parar vai um passo de gigante, porque é algo muito profundo na sua personalidade. É absolutamente indesculpável mas muitas vezes compreensível quando se vai à raiz da sua estruturação como pessoa, aos modelos familiares ou sociais. Também em muitos casos é “tratável”. É preciso querer e haver as estruturas adequadas.

Mas este é um tema muito complexo que dá horas e horas de positiva discussão.

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