Quinta-feira, 11 de Março de 2010

PEC(ADOS)

O PEC aí está com as receitas esperadas. Lembrando um slogan publicitário poder-se ia dizer que, no sítio do costume, as receitas do costume.

 

Um autêntico livro de facturas. Lá está a factura que cabe a cada um e a todos nós: mais impostos, menos salários, pensões abonos e subsídios. A factura que marca o início do fim das ilusões, das que; à nossa maneira, sempre gostamos de viver e das que, irresponsavelmente, nos têm sido vendidas. Quem paga a crise? As classes médias, como sempre e como não pode deixar de ser. É que ricos, e basta que fixemos para critério o rendimento anual de 250 mil euros, há apenas 4 mil portugueses. Não dá para nada, ao contrário do que muita esquerda gosta de apregoar!

 

Que ao menos tenha essa virtude de acabar com as ilusões e de abrir uma nesga à verdade, que tão arredada anda da nossa vida colectiva. E, se não merece o elogio dos portugueses, já mereceu o da OCDE.

 

Para mim, no entanto, é um PEC cheio de pecados. Pecados mortais, sete como os bíblicos:

 

  1. Atraso: Um PEC atrasado, que vem muito tarde, como aqui já referi por diversas ocasiões. Tarde porque vem depois do Orçamento, quando deveria vir antes (assim perde um ano, o primeiro ano já não é este mas 2011, e tarde para o exterior (mercados e credores).
  2. Economia: Este PEC esquece que tudo reside na economia e nem sequer toca no modelo económico, um modelo esgotado, que não permite crescimento.
  3. Poupança: Um PEC que não se preocupa com a poupança. Que nada faz para promover a substituição de dívida externa por dívida interna, não só mais barata e mais saudável mas ainda instrumento de promoção da poupança numa economia que consome mais do que produz.
  4. Falácia da despesa: A medida mais emblemática de controlo de despesa é a famosa regra do 2 por 1 na função pública – entra um novo funcionário por cada dois que saiam. Não só não seria suficiente como é falso – não significa qualquer redução de despesa; antes pelo contrário significa aumento de despesa com o que entra, pois os dois que saem transitam para a reforma, com a mesma despesa.
  5. Mentira: A mentira continua a fazer carreira à boleia do PEC. A mais chocante é a de que não há aumento de impostos ou que, quando há, são apenas excepções. A comunicação do governo insiste em que reduzir deduções fiscais não é aumentar impostos, com uma argumentação ofensiva da inteligência humana. “ O caminho mais fácil seria aumentar impostos”, afirma o primeiro-ministro, reafirmando uma “opção política clara de não aumentar impostos”.
  6. Privatizações: O encaixe de 6 mil milhões, atingível ou não nas actuais condições, que não passará de uma pequenas cócegas na dívida – o seu destino obrigatório – representa apenas a privatização da TAP, dos CTT e dos seguros da CGD. O resto (EDP, REN e GALP), e à excepção da TAP o que realmente conta, são já empresas privadas. Não são privatizações, trata-se apenas de vender, já não os anéis, mas os dedos. E todos sabemos o que isso significa!
  7. Ilusão das grandes obras: Os grandes investimentos, bandeira eleitoral do governo ainda há poucos meses, contra tudo e contra todos, são objecto de adiamento. Não é verdade: terão que ser cancelados, não há mais condições para os levar à prática!

 

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publicado por Eduardo Louro às 08:55
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De antonio carvalho a 11 de Março de 2010 às 15:22
Como já não tenho pachorra para tanta asneira e tanta mentira, decidi que não gastaria olhos nem tempo com o tão famoso OE/2010, que todos dizem não servir o País (excepto o PS), mas que o PSD e CDS deixaram passar, com a desculpa esfarrapada de sentido de Estado. Afinal se não presta nem resolve nada, para que é que serve!?.
Agora vem o PEC. Eu a pensar que agora é que as medidas concretas vinham corrigir as asneiras e mentiras do OE, eis que a crise continua e é para durar.
Desemprego aumenta -Subsidio de desemprego baixa;
Funcionários públicos: esbolhados de aumentos e retirada de direitos, é um doce;
Trabalhadores privados :- Sem aumentos salariais e perda de regalias, nomeadamente na área da saúde e apoio social a filhos estudantes;
IMPOSTOS: Muito esperto este 1º. Ministro- Retira deduções em sede de IRS e depois diz não haver aumento de impostos- É o explendor da mentira;
Mas, para cúmulo da mentira curta e do engano pseudo-democrático, aumenta em 3%, a taxa máxima do IRS (de 42 para 45%) estimando-se que esta medida dê aos cofres do Estado, apenas 20 milhões de euros a mais, pois apenas existem 35.000 contribuintes que pagaram IRS à taxa de 42%:
Entretanto a taxa de IRC para os bancos, continuará a ser mais baixa do que para as empresas com fins lucrativos e que criam de facto riqueza, emprego e pagam impostos.
Com este bolo tão guloso, quem se ri com o maior cinismo do mundo, são a CE da UE; o BCE, FMI e Agências de rating. e os falsos politicos de oposição, que para gaudio de tanto cinismo, esqueceram tão depressa o que fizerem com Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite, Santana Lopes e Catroga, Paulo Portas ou Bagão Félix. Vejam se descobrem alguma diferença objectivamente diferente do que Sócrates faz e promete fazer.
Esses eminentes economistas sem vergonha, que todos os anos vêm falar dos mesmos problemas e apontam as mesmas soluções, não se calam porquê ! ? Que raio de lições dão eles que nunca acertam nas soluções dos problemas ! ?. Será que o Governador do BP (é Banco de Portugal) não a petrolífera inglesa, só falam de economia quando se fala de salários, nomeadamente daqueles que o têm na média nacional e no salário minimo! ?.
Então essa praga de neo-liberais armados em mestres de justiceiros económicos, não se preocupa com a cada vez maior desigualdade social, em que a riqueza está cada vez mais pendente para o lado do capital e não se questiona porquê.! ?.
Eu quero saber, se quando acabarem de vender as empresas que foram nacionalizadas pelos diabos dos comunistas em 1975, onde é que vão arranjar dinheiro para combater o défice. Será que então começam a vender os cidadãos portugueses em leilões de escravos!? Com estas medidas tão eficientes em execução permanente hà dezenas de anos, parece claro que é o único caminho que nos querem permitir utilizar!?
Não digo mais, porque estou a ficar azedo que chega.
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