Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Adopção por pessoas do mesmo sexo - pais ou Pais?? A diferença está na "maíscula"!

A resistência e oposição ao casamento de pessoas do mesmo sexo passa, em grande parte pelo medo que, esta lei, possa abrir portas à adopção pelos mesmos. Não são raras as vezes que me coloco a questão “O que penso sobre o tema?”. Sem grandes dúvidas, mas também sem certezas e verdades absolutas (não tenho essa pretensão), porque este tema, tal como muitos outros que implicam a vida do outro, deve carecer de profunda reflexão, para mim mais do que aferir a questão da sexualidade o importante é avaliar competências parentais, com todo o rigor com que se faz a avaliação (ou deveria fazer) de um casal heterossexual potencial adoptante.  

 
Afinal o que faz de nós Mãe ou Pai (com a tal maiúscula que faz toda a diferença) não é a capacidade de procriar, de gerar, mas acima de tudo a capacidade de Cuidar, Amar, Proteger… No fundo ser Pai ou Mãe é conseguir promover o desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual de uma criança desde a infância até à idade adulta e isto, sem dúvida, está intimamente ligado ao Cuidar, muito para além do aspecto biológico da relação. A capacidade de procriar, de gerar biologicamente um filho não transforma as pessoas em bons pais ou boas mães, transforma-nos isso sim em progenitores.
 
A nossa cultura é fundada na função cuidadora, afectiva, mais do que progenitora, ou não fosse S. José um pai adoptante e não biológico de Jesus Cristo. E não é aqui que se fundamenta toda a nossa cultura?
 
Muitos dir-me-ão ou pensarão que a diferença está no facto de um casal do mesmo sexo não o conseguir fazer de forma saudável, pondo em causa o desenvolvimento saudável da criança. Mas, quantos e quantos (lamentavelmente) casais heterossexuais, totalmente defensores dos valores da família não conseguiram fazer crescer crianças saudáveis e felizes? Quantas e quantas crianças são diariamente entregues a casais adoptantes heterossexuais que não vão ser assim tão bons Pais? O que falha? Em muitos casos, falha o rigor na avaliação das competências parentais, mais do que o despiste de perturbações da personalidade ou condições financeiras, ou se são uma família tradicional ou ou…
 
Uma criança, acima de tudo quer sentir que verdadeiramente é amada, cuidada, aceite, que pode contar, hoje e “amanhã” com as suas referências parentais, para que possa crescer com segurança e feliz e isso nenhum estudo traz evidência de que um casal do mesmo sexo não o consegue! Nenhum estudo vem provar mais significativo sofrimento psicológico em famílias não tradicionais, desde que os pressupostos acima referidos estejam presentes. Estudos demonstram que crianças educadas por casais homossexuais não diferem de outras educadas em famílias tradicionais no que diz respeito a competências emocionais, sociais, ao seu saudável desenvolvimento.
 
Muitas das crianças criadas só pela mãe ou pelo pai apresentam, por isso, mais disfunções no desenvolvimento e vêm a ser homossexuais? Por exemplo, as crianças que crescem em instituições sociais, que são cuidadas e criadas apenas por pessoas do mesmo sexo (não há lá homens e mulheres para “reproduzirem o tradicional relação familiar de Pai e Mãe) são por isso homossexuais?
 
As perturbações no desenvolvimento ou o sofrimento emocional de crianças institucionalizadas, não advém do facto de terem sido criadas só por mulheres ou por homens mas sim de muitos outros factores que poderemos abordar noutra altura.
 
No fundo não há evidência científica de que uma criança tenha de ser criada por um pai homem e uma mãe mulher apresente mais disfunções, maior sofrimento emocional. Existe sim evidência da importância da diferença nas duas pessoas, ou seja, que cuidem e amem de formas diferentes e que se possam complementar. Um pai homem e uma mãe mulher que sejam iguais na sua forma de educar, cuidar e amar também não é positivo. A complementaridade e diferença é fundamental para os pilares do crescimento.
 
 
Quanto ao argumento de que as crianças criadas por casais do mesmo sexo, que vivem uma relação de amor irá ser violentamente discriminada pelos outros… então e conseguimos evitar que as crianças de famílias tradicionais sejam alvo de discriminação, pelo facto de serem altas, baixas, pobres, ricas, gordas, magras, com óculos, sem óculos, sossegadas, endiabradas, filhas de pais divorciados, filhas de pais “demodé”, enfim… tão infinitas são as causas de discriminação seja por adultos ou por pares.
 
Um casal deixa de divorciar-se porque os filhos na escola vão ser “apontados”? Se o fazem não deveriam. O que traz verdadeiro sofrimento é viver e crescer em “falsas” famílias, com falsos afectos, com falsos pilares, porque na verdade, muitas vezes a preocupação não é com o bem-estar e felicidade das crianças, mas sim com a falta de coragem de assumir uma verdade que vai fazer cair por terra toda uma imagem e uma crença perante si próprio, os outros e a sociedade. O bem-estar das crianças muitas vezes fica mesmo lá para o fim de tudo isto.
 
Uma vez mais, uma criança para crescer Feliz necessita de ser Amada verdadeiramente, Cuidada, Protegida, de sentir segurança, de limites e regras, de ser mimada, Amada, Amada, Amada…
 
É urgente deitar abaixo os “muros de betão” que impedem de pensar sem as barreiras da convencionalidade, dos pré-conceitos, dos pré-juízos de valor. E quero deixar bem claro que a minha primeira preocupação é com as crianças, por isso não me venham com a conversa de não me preocupar com as mesmas e sobrepor as minhas ideias de “esquerda de moda” ao superior interesse das crianças.
estou:
publicado por Telma Sousa às 14:00
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32 comentários:
De Carminho a 11 de Março de 2010 às 14:13
Sem querer, penso eu, estes últimos textos são importantes para quem tem dúvidas em defenir-se nas várias vertentes da sociedade, economia,politica e "crenças" socias e/ou religiosas e assim ideologicamente se saber onde cai, por isso e tendo em conta o meu último comentário e transpondo para o PSD afinal é ou não PSD um partido de direita, ou será que é de esquerda, ou nem uma coisa nem outra?
Quanto ao tema, eu própria sou a favor do casamento homosexual e da adopção. O problema em Portugal é termos crianças a mais em asilos e não devemos ter teias de aranha educacionais, 50 anos da outra senhora não passam assim com um cilc, e impedir que quem queira adoptar e tenha condições,financeiras e emocionais de adoptar, seja branco,preto,cigano,homo,hetero,trans...e depois á o legitimo direito das crianças terem alguém que as ame,acarinhe e lhe dê asas para voar.
Confesso que estou curiosa para ler os argumentos do Paulo Sousa, será que vai falar outra vez do incesto?..........................................................
De Jorge Soares a 11 de Março de 2010 às 22:58
Curiosamente, o primeiro que fiz depois de ler o post no reader do google, foi cá vir para ver se o Paulo já tinha argumentado.

Jorge
De Paulo Sousa a 12 de Março de 2010 às 08:37
Assim estragam-me com mimos.
Obrigado aos dois pela referência.
A sério.

De anónimo´s a 11 de Março de 2010 às 14:56
...um pouco de conservadorismo.
Sou contra a equiparação da união homossexual c o regime matrimonial baseado numa união formalizada heterossexual. Porquê?
--1. Todo o regime matrimonial foi construído por juristas. Estes sao aqueles seres que estudam regras de organização social. Melhor ou pior é irrelevante agora. É preciso gente que estude e aplique as regras pelas quais nos movemos. Ora, o casamento como fonte de direitos e deveres e que envolvem terceiros sanguineos ou não foi pensado na união entre pessoas de sexo diferente.
--2. Esse pensamento baseou-se na experiência cotidiana, de normalidade. Mesmo em Roma, em que a homossexualidade nao era vista de forma discriminatória, o matrimónio era um instituto claramente heterossexual.
--3. O Direito deve disciplinar relações que envolvem pessoas de sexo diferente uma vez que está em causa a conservação e continuidade da sociedade. como ela é. Não é relevante para o Direito a amizade por exemplo.
-4. Casamento é desde há muito (o valor da tradição como método de conhecimento é nuclear no conservadorismo) um acordo de duas pessoas do mesmo sexo em que existe um feixe de deveres-direitos e necessariamente se repercutem na prole.
--5. Não é relevante para o direito a união homossexual uma vez que nada diz à sociedade. Nada. Nada altera! Nada constroi. Nada.
--6. Diferentemente, será atribuír pontualmente certos beneficios do matrimónio, como a preferência na transmissao do arrendamento ou uma prestação social qualquer.
*
bjs
De anonimo´s a 11 de Março de 2010 às 14:59
ERRATA:
onde se diz...
-4. Casamento é desde há muito (o valor da tradição como método de conhecimento é nuclear no conservadorismo) um acordo de duas pessoas do mesmo sexo em que existe um feixe de deveres-direitos e necessariamente se repercutem na prole.

Deve-se ler:

-4. Casamento é desde há muito (o valor da tradição como método de conhecimento é nuclear no conservadorismo) um acordo de duas pessoas de sexo diferente em que existe um feixe de deveres-direitos que necessariamente se repercutem na prole.
De eu sei a 11 de Março de 2010 às 20:55
A sabedoria da(o)s licenciada(o)s em direito é tentar pegar em algo, sem valor percebido pelos demais, e esmifrar argumentos inócuos para as pessoas na sua vivência do dia a dia. O tema Sra dra é o direito á felicidade das crianças,deixe-se de merdas que aprendeu na Universidade.....Falamos de pessoas e não de coisas!
De anonimo´s a 11 de Março de 2010 às 22:09
Sem dúvida que estudei caríssimo.
Fiz algo.
Casamento homossexual e crianças felizes? Discuta-se o primeiro. O último é efeito.
Se despreza o saber...nao aprenda.
E falar de pessoas é falar de temas sociais, para si ignorantemente sao coisas. Estamos entendidos.
Quanto ao resto...aprenda e diga algo de útil, p. ex. aprendendo na Universidade, ou nao aprendeu ainda?
De Anómico a 11 de Março de 2010 às 22:11
Eu sei:
Qd nao se sabe discutir, insulta-se, despreza-se.
É o que vc faz.
Estamos a falar de pessoas a paternalidade necessaria.
O resto tem a ver c inteligencia...
De eu sei - Carminho a 11 de Março de 2010 às 22:39
Efeito?
Não brinque com coisas sérias!
Tanto paleio e não a vi se quer colocar em causa uma das questões da Drª Telma, faça o exercicio proposto e em vez de frases feitas responda a cada uma das questões.Sei que é mãe e portanto diga-nos o que está em primeiro, os seus preconceitos sociais romanos/cristãos ou as crianças e deixe-se de balelas(já não disse merda....).
De sdf a 11 de Março de 2010 às 22:24
eu sei:
Leia melhor. N sabe, tudo bem! Percebemos. Conheço o Prof. Kalamba, vá lá.
De Jorge Soares a 11 de Março de 2010 às 22:53
Telma, como pai adoptivo e biológico e pessoa que se interessa realmente pelos problemas das crianças institucionalizadas e da adopção, tenho lido muito sobre este assunto. Este é sem duvida o post mais inteligente com mais sentido que li sobre este assunto.

Os meus sinceros parabéns pela forma como consegue olhar e explicar o assunto.

Jorge Soares
De Telma Sousa a 12 de Março de 2010 às 01:46
Caro Jorge, muito obrigada pelo seu comentário.

Também eu quero um dia ser mãe biológica (já só falta 1 mês!) e mãe adoptiva de uma criança. Aliás ando há algum tempo para trocar uns e-mails consigo sobre o tema.
Este é um tema que me é muito caro e que me revolve as "entranhas" (deve ser por isso que nem me dei conta de alguns erros de concordância, entre outros que encontrei no texto qdo o voltei a ler, mas já publicado :(). Tenho de fazer um esforço grande para conseguir ser tolerante com muitos dos falsos moralismos e supostos valores mascarados no suposto interesse na felicidade das crianças. Como disse, em resposta a um amigo, lamentável é que de tradicional muitas famílias só tenham o nome. Lamentável é que de família muitas só tenham a composição númerica – um homem pai, uma mulher mãe e os filhos! Mas enfim são famílias tradicionais e para muitas pessoas isso é que é importante! Os afectos, os pilares de educação, a verdade, segurança, etc etc essas é que parecem questões de moda!

Bom fim-de-semana!



De Jorge Soares a 15 de Março de 2010 às 08:50
Telma, o meu mail está no meu perfil, será um prazer trocar ideias consigo.

Espero que esse mês que falta seja leve para si, e claro, que corra tudo muito bem.

Jorge soares
De Paulo Sousa a 12 de Março de 2010 às 01:01
Telma,
Não sendo um tema sobre o qual me possa pronunciar com informação aprofundada, sei pelo que tenho lido, que existem no nosso país demasiadas crianças à guarda do Estado, e que acabam por crescer em instituições que em nada substituem o ambiente familiar. Isto acontece porque a nossa legislação dificulta a adopção.
Não só dentro da Commonwelth como em todo o mundo anglo-saxónico, é frequente uma criança mudar de um destes países para outro para ser adoptada. O sistema baseia-se na boa-fé e na capacidade que cada país terá para acompanhar o sucesso de cada caso e agir em conformidade.
Em Portugal, pelo contrário, o sistema-se baseia-se na desconfiança. A cada pedido de adopção os organismos oficiais, donos do destino dos menores nessa situação, qual miúda gira e muito requisitada, fazem-se caros e toca de complicar ao máximo. Corrijam-me se estiver errado, mas esta é a ideia que retenho. Os defensores do actual sistema dirão que desta forma tentam defender os menores de possíveis abusadores, mas o caso Casa Pia mostra-nos que se de facto têm essa preocupação deviam era acelerar cada caso o mais possível e assim esvaziar as instituições onde, perdoem-me a expressão, os menores estão armazenados, sendo que muitas vezes nestes armazéns não faltarão as montras.
É necessário mudar esta situação.
Além disso a própria legislação não é linear sendo prova disso os casos mediaticos em que os menores são entregues a uma família afectiva e depois regressam aos pais progenitores e depois deixam-nos ir para fora do país, e depois os juízes vêm dizer que estão arrependidos. A sociedade manifesta-se contra o actual estado de coisas e pode dizer-se por isso que não se revê na actual legislação.
Uma vez que o Estado, Governo após Governo, década após década e sem entendermos porquê opta por manter a actual situação, caberá a sociedade civil pressionar os nossos governantes para o mais rapidamente possível (havendo vontade política um ou dois anos seria suficiente) evoluir para uma situação mais equilibrada. É de louvar a criação de Lobbys que criam pressão neste sentido.
Nesta linha, concordo com a esmagadora maioria do que aqui defendes e só lamento que a preocupação que as crianças institucionalizadas têm gerado na sociedade derive de uma agenda em que não são elas, nem as suas necessidades e direitos, que estão no centro do debate.
Assim, apesar de saber que existem muitas e boas intenções acho que estas crianças saem prejudicadas pelo facto de se misturarem no mesmo debate duas questões distintas. Posso estar distraído mas vejo mais associações homossexuais envolvidas neste debate que associações de defesa dos direitos das crianças.
De Paulo Sousa a 12 de Março de 2010 às 01:50
PS: Na mesma linha do que aqui defendo, tenho mais alguns pontos de vista, que deixo em carteira para o debate que gostaria que aqui se gerasse. Deixei por isso algumas pontas soltas no meu texto, espero que as apanhem.
De Telma Sousa a 12 de Março de 2010 às 16:07
Paulo, concordo que no meu texto estão várias questões em debate, por um lado o direito das crianças a serem adoptadas e por outro o direito que duas pessoas do mesmo sexo possam vir a adoptar. Poderá até parecer que elas estão misturadas, ou eu não me expressei da melhor maneira, mas para mim a questão fundamental é o direito que as crianças têm a terem uma família que lhes proporcione os pilares fundamentais para que possam ser felizes, assim o que eu defendo é que a partir deste pressuposto o importante é avaliar com todo o rigor a potencial família e aferir as suas competências parentais, e não as questões da sexualidade. tantas c rianças que são entregues a familia com uma organização tradicional e que não têm a minima capacidade para fazer crescer de forma social e emocionalmente uma criança.

“…só lamento que a preocupação que as crianças institucionalizadas têm gerado na sociedade derive de uma agenda em que não são elas, nem as suas necessidades e direitos, que estão no centro do debate….” Sim, tens toda a razão! O centro do debate tem de ser o superior interesse da criança.

Mas, sinceramente não consigo entender (mas esforço-me) quando as pessoas vêm falar do superior interesse da criança, mas para elas tem de ficar de fora tudo o que sai da norma, ou seja, da família tradicional. Qual interesse? Preocupam-se verdadeiramente com o que sente uma criança que está institucionalizada e que deseja diariamente ter alguém que as ame, que lhes leia uma história, que lhes dê um beijinho ao adormecer, que as proteja, que se preocupe com o que sentem e pensam? Será que se preocupam verdadeiramente com tudo isto e muito mais? Claro que a maioria não, até porque muitos dos que defendem com todo o vigor que a adopção deve apenas ser feita por um homem e uma mulher de preferência casados seriam incapazes de algum dia vir a adoptar uma criança. E mais, quando eu digo que eu e o meu marido queremos adoptar até acham que é um disparate uma vez que vou ter filhos biológicos.
De Paulo Sousa a 12 de Março de 2010 às 20:05
Telma,

Da mesma forma que a liberdade de Abril é refém da esquerda (quando alguém de direita fala da liberdade do cidadão face ao estado é apelidado de neo-liberal, palavra aliás que já deixou de ser um substantivo e se tornou num adjectivo), o tema da adopção é refém dos sectores ditos progressistas.
Receio que ao se apelar ao lado sentimental do grande público, confrontando-o com a vergonhosa realidade das crianças institucionalizadas, e no momento seguinte, ou no mesmo texto como é exemplo o teu post, falar das reivindicações dos casais homosexuais, se possa interpretar um aproveitamento inaceitável da situação destas crianças para alimentar um debate que no final nunca deve ser referendado. Sei que não será o teu caso, mas concordarás que essa interpretação possa ocorrer, e que na prática não ajuda à resolução do problema.
De Pedro Oliveira a 12 de Março de 2010 às 08:24
Há quem, peça tolerância, há quem lhe chame modernice, eu só peço que não retirem o direito a que as crianças sejam felizes com que as quer dar-lhe o melhor do mundo, carinho e decucação.
Paulo Sugiro que leias atentamente os textos do Jorge Soares nos seus blogues.
Os trunfos são as crianças, o resto é conversa!
De Paulo Sousa a 12 de Março de 2010 às 08:35
Pedro,
Se leste o meu comentário com atenção sabes que concordo em absoluto com isso. Concordo ao ponto de achar que as crianças em causa só teriam a ganhar se o assunto fosse debatido de uma forma alargada. No enquadramento em que se tem feito e que a Telma faz, haverá quem se manifeste de forma diferente do faria da forma que eu sugiro. A seriedade e a importância do assunto merecia que se conseguisse a maior abrangência possível e este não será o melhor enquadramento para o conseguir.
De Telma Sousa a 12 de Março de 2010 às 16:40
Não percebi o que queres dizer... Qual é o melhor enquadramento para se discutir a problemática da adopção? O interesse das crianças, certo?
De Pedro Oliveira a 12 de Março de 2010 às 08:52
Li li, e por isso é que te digo para leres os textos do Jorge e veres que podes aderir a movimentos sem o estigma de serem "só" homosexuais precocupados com as crianças institucionalizadas.
Mais, até podemos juntos, os editores do vila forte, aderir a este movimento, que me dizes?
Telma, vamos a isso?
De Paulo Sousa a 12 de Março de 2010 às 11:08
Pedro,
Se me envolver num qualquer movimento desta ou de outra natureza gostaria que fosse mais do que a reacção a um estado de alma. Tu e eu sabemos o que é planeamento estratégico. Qual a missão do movimento? No meu entender teria de ter o interesse das crianças como ponto fulcral. Que meios serão necessários para conseguirmos uma legislação mais razoável? De que forma poderemos maximizar o apoio à causa e dessa forma pressionar o poder político?
Nesta perspectiva faz sentido desprezar à partida o apoio da Igreja? Faz sentido ignorar a força que tem como lobby mobilizador da uma parte significativa da população?
Se os movimentos em curso tivessem como objectivo central uma evolução da legislação no sentido de se preocuparem efectivamente com as crianças institucionalizadas, não desperdiçariam este apoio.
Não discuto as imensas boas intenções que existam nestes movimentos, nem faço juízo de valores, mas a questão estratégica que aqui te refiro é uma falha relevante.
De Jorge Soares a 12 de Março de 2010 às 14:57
Paulo, eu entendo o ponto de vista, e basta ler o meu ultimo post para perceber de onde vem os receios os teus receios, mas as coisas não são assim tão simples... Quando começamos a olhar para o problema uma das primeiras coisas que saltam à vista é que a igreja é parte do problema, a maioria das instituições de onde nunca saem crianças para adopção são mesmo as da igreja, sendo que algumas há que reconhecem logo à partida que não é esse o objectivo e que não pensam sequer nessa hipótese.

Mas eu também estou de acordo, isto está-se a tornar um hábito, sou totalmente contra a utilização do tema adopção na discussão da questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Jorge Soares
De Paulo Sousa a 12 de Março de 2010 às 23:42
Jorge,

Dá gosto debater consigo. É possível termos opiniões diferentes nalguns aspectos mas estarmos de acordo noutros apesar de estes poderem aparecer misturados. Esta capacidade é que faz do nosso mundo um lugar civilizado.
Obrigado
De antonio carvalho a 12 de Março de 2010 às 12:39
Gostei muito da abordagem feita, sobretudo na questão da qualidade afectiva dos progenitores ou adoptantes de crianças.
Sem querer contestar nenhum conceito expresso, esta problemática levou-me a recorrer à leitura de um livro "Sentimento de Nós"editado pela Associação "Aparecer" da autoria de Manuel Parrinha. Embora o livro se destine a um tema fundamental que são os "afectos" ou à falta deles, não resisto a transcrever um pequeno trecho do mesmo:
Sentimento: Volto a recorrer à metáfora da chave do caminho do caminho, importação afrancesada que gosto muito pela abertura ao paradoxo...habitualmente os caminhos não têm porta nem chave! Qual então a senha que temos de conhecer? Melhor, qual a senha que temos engramada para os poder realizar?
O sentimento é a chave para este caminho...para realizar um outro olhar para dentro e projectar uma outra necessidade para fora.
.... Do sentimento à intelectualização é um passo.
Mas o caminho tem armadilhas!!!
....
A esterilidade conduz ao finalizar do caminho (perda da chave), enquanto que a senha que induz à representação do sentimento, conduz à continuidade e a permanência desse caminho.

Significação:
Parece que se chegou ao fim do caminho, pela miragem em que o espelho reflecte a própria imagem. Mas não... embora o pensamento tenha qualquer coisa de narcísico é, fundamental, tão só um portal espacial (e especial) de abertura permanente ao conhecimento mais profundo, seja da realidade de dentro, seja da realidade dos outros e de fora.
Não querendo afirmar nada que não se conheça, acredito contudo que não é mais homem ou menos mulher que se tratam as questões dos afectos de melhor ou pior maneira, mas sim a dádiva em concreto, de que estamos disponíveis para entender, estimular e dar confiança a uma criança, seja ela preta, branca ou em dificuldade identitária.
Bom dia.
De antonio carvalho a 12 de Março de 2010 às 12:45
Só para corrigir.
O último parágrafo do comentário, não é do autor do livro, mas sim meu.
De Telma Sousa a 12 de Março de 2010 às 16:24
Caro António Carvalho,

Muito obrigada pelo seu comentário. Fico muito satisfeita por ver que se interessa por temas que podem fazer toda a diferença na forma como vivemos, no sentido que damos à vida e a forma como desfrutamos dela. Sem dúvida alguma o "sentir" é que nos faz encontrar o caminho e mais importante do que isso é o que nos faz apreciar com magnitude a sua paisagem, e conseguir ultrapassar os obstáculos e resistir à frustração ou à tentação de desistir. A vida assim é muito mais plena. Mas lamentavelmente muitas pessoas ainda acham que "estas coisas" dos "sentires" é para as mulheres ou para os homens efeminados. Pena! Perdem tanto na vida por apenas insistirem em ver e viver o lado racional e socialmente aprendido. É por isso que muitas vezes quando se está perto do fim da linha da vida se sente o tal vazio "O que é que eu fiz com a minha vida? Que sentido é que ela teve? O que é que eu fiz por mim e pelos outros??" Só que nessa altura já pode ser tarde!

Pode parecer que este meu comentário nada tem a ver com o tema do post, mas o António certamente sabe onde quero chegar.

Votos de um bom fim-de-semana

De Anonimo a 12 de Março de 2010 às 15:29
Gosto de ver o Paulo deixar a esquerda alegre sem argumentos.
Ninguém responde?
De Rui Silva a 12 de Março de 2010 às 16:09
Ficámos a saber que para o Paulo Sousa e seus seguidores, a questão resume-se a uma dialéctica entre esquerda e direita, ou mais concretamente entre comunas e católicos.Tristeza de país este que não sabe cuidar dos seus mais necessitados, deve ser este o planeamento estratégico de vida do Paulo e dos seus filhos, se é que os tem.
De Rui Silva a 12 de Março de 2010 às 16:06
Peço desculpa á autora do texto por desviar do assunto, mas fiquei como que dizer entusiasmado com uma possivel justificação para a criação deste blogue através de uma resposta do Paulo ao Pedro em relação a não se fazer nada por impulsos ,mas sim através de um planeamento estratégico.
Ó Paulo diga-nos lá qual foi o planeamento estratégico ao ser um dos mentores deste blog, não nos vai dizer agora que foi por impulso pelo facto de Salgueiro o mandar carregar sacos de milho............?
Pelo menos sabe o que é um planeamento estratégico, ou ouviu falar nas novas oportunidades?
Fazendo o papel da anonimo´s , peço-lhe que seja concreto e não como costuma fazer, ou seja, ir a Lisboa para chegar do Andam ao Juncal..............................

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