Terça-feira, 16 de Março de 2010

Obrigado!

 

 

No habitual jantar de sexta, jantar que se realiza todas as semanas há muitos anos, entre amigos que estudámos e vivemos Coimbra, foi-me sugerido a leitura de um texto, via Facebook, sobre o que é isso de ser da Académica.

Quando cheguei em 1990 a Coimbra era mais um adepto do SLB, mais porque sim e porque sempre foi assim em casa do que por qualquer outra razão.Nos anos que estive em Coimbra vivi a vida Académica de uma forma intensa, ainda que estudante do ISEC, eu e um conjunto de amigos, FAN´S (Falange de Apoio Negro), seguíamos a Briosa para todo o lado e os fins de semana eram desportivamente preenchidos, desde o futebol, passando pelo hóquei, andebol, basquete,... . Esta vivência fez com que a paixão pela Velhinha Académica crescesse e fosse passada para os meus filhos, hoje continuamos a ir à bola e a sofrer, como aconteceu no sábado.Por isso meus caros amigos, em Abril terei todo o gosto em vos receber no ECC, mas os 3 pontos vão ficar na Lusa Atenas.

 

 Aqui fica o texto:

 

Vingança! (ou uma crónica inevitável)
A infância traz marcas que nos perseguem, como fantasmas. No meu caso lembro-me distintamente da segunda pergunta que os meus novos amigos me faziam (a primeira era "como te chamas")
 
-És do Benfica ou do Sporting ?,
 
nesses tempos distantes em que a capital portuguesa dominava olimpicamente o futebol e a expressão "sociedade anónima" lembrava apenas escritórios mal iluminados nas ruas da Baixa.. A pergunta era aquela, então,"Benfica ou Sporting", as respostas possiveis contidas no enunciado. E a minha era invariavelmente a mesma, sincera e natural como respirar
 
-Sou da Académica,

algo que me parecia extremamente normal e até motivo de particular
orgulho. Mas não para os meus infantis amigos

-De quem?,

perguntavam, aturdidos pela bizarria, pela excentricidade. Não havia vida futebolística além dos dois grandes rivais lisboetas, com excepção
possível de um Belenenses, clube de vetustos avós, ou - Deus nos livrasse! - do Futebol Clube do Porto. Agora, da Académica, aos seis anos, ninguém era,muito menos alguém nado e criado em Lisboa.
Excepto eu. E ainda o sou, e sempre o serei, até porque acredito que a
Académica de Coimbra é o clube de futebol mais romântico do mundo. Umclube de estetas, de dandies do futebol, que aceitam as derrotas como parte da vida e não existem em função exclusiva das vitórias.

O tempo, felizmente, tem-me vindo a dar razão, e não disfarço algum contentamento com isso. Quero dizer, a parte das derrotas chateia-me de morte, como a todos os apaixonados. A diferença é que quem é da Académica sabe viver com isso, porque tem a certeza de que tanto ganhar como perder faz parte do património do clube. 

Porém, no capítulo das solenes embirrações que me assolam sobre esta matéria, uma há que me põe sociopata. É quando alguém replica, após saber da minha filiação clubística, que a Académica é um clube "simpático".
Simpático?! Simpático é o senhor que deixa passar a velhinha para a frente da fila - a Briosa é um clube brilhante, elitista e inteligente, e que conta, como todo o Universo deveria saber, com os melhores adeptos do planeta.
 
A magia da Briosa é única e entranha-se. A mim, apanhou-me quando vi com o meu pai (academista) uma final da Taça de Portugal - por acaso, uma que ficou na história, a de 1969. Jogámos e perdemos com o Benfica de Eusébio, por dois a um. Tínhamos na altura uma super equipa - em que pontificava,curiosamente, Artur Jorge -, mas o que mais me impressionou (com 5 anos) foi o ambiente que se vivia no estádio. Mais tarde vim a saber que se tratava da célebre greve académica, e que a Briosa era vista como uma equipa "anti-regime". Mas a entrada dos jogadores, vestidos com as capas negras - sim, eles estudavam mesmo! - , o maravilhoso toque de bola e passe curto (marca registada de Coimbra) e a festa que se fez antes, durante e depois no Estádio Nacional marcou-me para sempre.

Não se pode achar "simpatico" um clube assim. Tem que se amá-lo, com o rigoroso exagero da paixão. E vingá-lo, como o agora o faço com décadas de atraso, perante os meus infantis amigos que não sabiam quem era a Académica de Coimbra.

Sara Lourenço - publicado em 2005, na revista Epicur
publicado por Pedro Oliveira às 14:00
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10 comentários:
De Rui Silva a 16 de Março de 2010 às 20:51
Quero-lhe dar os parabéns pela forma aberta e frontal com que assume o seu benfiquismo até aos 18/19 anos sem lógica racional e demonstra como as nossas vivências nos fazem mudar de forma racional.
Tenho a certeza, não há motivos objectivos para o negar, que hoje será um Academista dos sete costados.Eu como lagarto confesso respeito-o pois sempre me ensinaram que a "bola" era irracional.Também percebo que para si a Académica é mais que bola, fiquei surpreendido pelo facto de ir a coimbra todas as semanas para um jantar de amigos.
Para um homem das ciências exactas é bom saber que a paixão também se aprende e não porque sim!
Se não conseguirmos roubar o título aos lampiãos na luz que seja a Académica em Coimbra.
De Pedro Oliveira a 17 de Março de 2010 às 08:27
O jantar é todas as sextas, mas eu não vou lá todas as sextas. O que move a Académica não é roubar nada a ninguém, penso que o texto é bem claro nisso, isso são guerras de segundas circulares.
De Ferreira-Pinto a 17 de Março de 2010 às 09:51
A BRIOSA é, certamente, tudo isso mas parece sofrer de um grande mal ... não há maneira de arranjar um plantel capaz de não andar sempre com a corda na garganta!
De Jorge Oliveira a 17 de Março de 2010 às 11:18
Quando cheguei a Coimbra, aprendi a sofrer pela Velhinha AAC-OAF , não só pelo futebol, mas principalmente pelas amizades nascidas que ainda hoje perduram, e durante 13 anos fui sócio e acompanhei a "Preta", por esse país fora, estando na 1ª ou 2ª divisão, pouco importava, o que importava era ter amigos fora e dentro do campo, onde nas longas noites pós jogo se falava de futebol mas também de politica, de história de educação e de tudo o que um jovem naquela cidade respira, e durante anos foi assim até muito depois de ter terminado os meus estudos, até que surgiu um presidente suspeito por vários actos de corrupção, que foi eliminando todos os vestígios do jogador estudante (nos anos 90 chegaram a ser 12 no ensino superior) e esta Académica deixou de ser a Minha Académica, sobram os amigos e já não é pouco.
De Pedro Oliveira a 17 de Março de 2010 às 17:04
Todos somos poucos para inverter essa situação que referes, o amor pela instituição faz com a minha participação, e de muitos outros, seja a de acreditar que podemos mudar, a Instituição MERECE!!
Pena que na sexta me seja impossivel ir à AG onde se vão continuar a discutir os estatutos, os sócios devem dizer o que pensam e lutar por uma Académica que seja o orgulho de todos nós, na 1ª ou na 2ª divisão.Os Homens passam a instituição fica.Quero que os meus filhos continuem a Amar a Briosa como os mesmos valores que eu aprendi a amá-la como tal tenho que ajudar a lutar para que os dirigentes actuais e futuros sejam os que melhor representam esses valores, que tão bem foram descritos pela autora do texto.
De cbo a 17 de Março de 2010 às 23:18
Pois eu, quando cheguei a Lisboa, nos anos 60 e dizia que era do FC Porto, era olhado com condescendência e gozado sempe que o FCP perdia com Benfica e Sporting. A vingança demorou uns anitos, mas valeu a pena...
Abraço
De Jorge Oliveira a 18 de Março de 2010 às 09:59
Aí está um sentimento digno de um verdadeiro portista, Vingança, por essas e por outras é que após 25 anos de conquistas, continuam em minoria quando passam o Douro para baixo.
Foi exactamente por esse sentimento como outros tipo ódio não existirem na minha Académica que me fizeram apaixonar e foram exactamente o surgimento desses sentimentos que me fizeram afastar.
Sabe a grandeza vê-se nas vitórias mas sobretudo nas derrotas.
De CBO a 18 de Março de 2010 às 12:01
Caro Jorge
Deve entender vingança entre aspas... Ao contrário do que diz, não somos mais vingativos do que os sportinguistas ou benfiquistas. Eu bem sei o que ouvi este ano depois de o SLB e o SCP terem ganho ao Porto. Já não via tanta arrogância desde os anos 60. Mesmio quando há uns anos fui a Alvalade e me obrigaram a entrar por uma porta onde havia um letreiro a dizer "entrada para os cães", ou há dois anos fui a um jogo de hóquei à Luz de onde só saí vivo por milagre.
Como vê, são todos iguais. Vai ver na segunda-feira, após a final da Taça da Liga, as reacções de uma e outra parte.
Quanto a sermos poucos abaixo do Douro, parece-me que estará um pouco enganado... Os festejos quando ganhamos são bem elucidativos. Não só pelo número de pessoas, mas essencialmente pela sua juventude.
De Pedro Oliveira a 28 de Abril de 2010 às 08:42
Aos eventuais interessados aqui fica resumo da AG de ontem, terminou à 1:30 da manhã e ainda faltam aprovar alguns artigos, ficámos no 69:

http://osexoeacidade.com/sem-categoria/academica-39/

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