Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Crise de esperança

Muito se tem comparado o que resulta do PEC com o que era dito há apenas seis meses, na última campanha eleitoral. Nestes últimos dias muitas frases de Sócrates têm sido recordadas. Eis algumas:

 

·         "Aumentar os impostos? Era só o que faltava. Numa altura em que o país enfrenta uma crise destas, acha que proporia aumentar os impostos?”

·         “Acabar com as deduções fiscais conduziria a um aumento fiscal brutal para a classe média”.

·          “Nós temos de modernizar as nossas infra-estruturas. Nenhum país desiste disso, em particular num momento de crise.”

 

Claro que uma mudança tão radical em tão pouco tempo não abona em nada a credibilidade política dos protagonistas. Por muito que estejamos habituados à mentira eleitoral e que já a tenhamos por inevitável. Por muito que a classe política se esforce por banalizar a mentira e o incumprimento eleitoral. Por muito que ainda agora, no congresso social-democrata, tenhamos visto um congressista aqui da nossa região, desfrutando dos seus dez minutos de glória (cada um tem os que merece!), proclamar, com o crédito de quem ganha sucessivamente eleições há 24 anos, que sem mentir não as teria ganho, e que tenhamos achado esta afirmação a menos disparatada de todas as que produziu.

 

Mas, quando perante o evidente aumento da carga fiscal, o governo afirma que não há qualquer aumento de impostos, já não é de descrédito que se trata. Quando o primeiro-ministro afirma que “…podíamos ter escolhido o caminho fácil de aumentar os impostos mas escolhemos o difícil de reduzir a despesa”…” não só vemos razões para desacreditar como para deixar cair as últimas réstias de esperança.

 

À crise económica, financeira e social que nos devasta junta-se a pior de todas: a crise de esperança.

 

A esperança roubada por um governo que escondeu a realidade até mais não, mostrando-a apenas quando já não a podia esconder mais e como se nada tivesse a ver com ela, impingindo-nos a história da "crise internacional". Que nos dá como solução um PEC que não tem soluções, que não mexe no que é estrutural e se limita a reafirmar um Estado predador. E insaciável, apenas com olhos para a receita: aumentos reais de impostos e venda dos últimos anéis que ainda sobram. A privatização da REN e dos CTT assim, sem mais nem menos e apenas porque é preciso fazer dinheiro, é inaceitável. É mais do mesmo, não é privatizar, é transferir monopólios para os privados, que não é bem a mesma coisa, como estamos fartos de sentir na pele!

 

Uma esperança roubada por mais sacrifícios sem perspectivas, sem um desígnio, sem horizontes, sem sequer luz ao fundo do túnel!

 

Uma esperança roubada por uma oposição que espera pela alternância sem preocupação de se afirmar como alternativa, que se entretém em jogos florais à espera que chegue a sua vez. Que o poder lhe volte a cair no colo para o distribuir pelos seus, pelos muitos que, órfãos (de poder), famintos e desesperados, se empurram e atropelam pelo melhor lugar na lista… Numa das muitas listas que hão-de vir!

 

publicado por Eduardo Louro às 14:00
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De Paulo Sousa a 18 de Março de 2010 às 20:42
De facto vivemos um impasse em o relógio corre contra o governo, que todos sabemos ter os dias contados, e que ao olharmos para o que a democracia nos oferece, uma alternativa na oposição, não ficamos descansados.
Talvez o PSD nos surpreenda e daqui a umas semanas o líder que sair das próximas eleições nos mostre um caminho para além da crise. Sobre isso já manifestei a minha preferência. Repetir as formulas do passado, que nos levaram a actual situação, esperando que desta vez nos tragam a prosperidade que nunca aconteceu não faz sentido. O meu preferido, Paulo Rangel, apresenta numa abordagem diferente que me parece inspiradora. Ainda assim, não sou filiado e por isso não voto.
Se retirarmos este talvez dos cenários possíveis o que sobra é de facto preocupante.
De Ana Narciso a 18 de Março de 2010 às 20:47
Para além das pessoas está a ideologia e Paulo Rangel manifesta alguma indecisão em várias matérias. Hoje, na entrevista, terei oportunidade de confirmar ou não esta indecisão. Mas sobretudo não aprecio homens com falta de memória: não assumir que foi um dia militante do CDS não augura nada de bom.
Desta vez, não estamso de acordo. C'est la vie!!
De Paulo Sousa a 18 de Março de 2010 às 21:20
Mais uma vez lembro que não voto... mas se votasse e dúvidas tivesse, depois da Grande Entrevista teria-as perdido.
De Rui Silva a 18 de Março de 2010 às 22:41
Você, o seu irmão e o Pedro, fazem-me confusão, com tanta sapiência sobre o PSD e nunca se sentiram motivados para se filiar e dar algo, será que ainda não perceberam que estas eleições são para aqueles que dão algo aos outros, para além de mandar umas bocas em blogues?
São para aqueles que cumprem serviço civico ao irem a reuniões discutir o que pensam, sobre as diferentes visões da vida em comunidade e que sabem o que é um partido, uma organização que pode influenciar o futuro das pessoas?
Quem é você para dizer se Rangel, Passos ou Branco são ou não os melhores para liderar o partido?
O que está em causa é o Partido Social Democrata, depois logo se vê se há condições ou não para eleições antecipadas, mas primeiro há que organizar o partido devolvê-lo aos militantes.A pressa de ganhar eleições deu no que deu por isso mudar não é inventar um salvador para ganhar eleições, mudar é mudar de vida dentro do partido, não percebendo isso é continuar a acreditar em D. Sebastiões, mas claro gente como você, seu irmão e outros que nada percebem disto a não ser de tachos e panelas tipo emplastros o que dá jeito é um senhor sem escrupulos, sinceramente não percebo porque malha no João Salgueiro, quando o vejo a "apoiar" Rangel, assuma-se e filie-se ou então cale-se e fale só do Juncal.
De anonimo´s a 19 de Março de 2010 às 09:56
Rui,
...não estou de acordo consigo.
...mande calar o gato.
...o psd é um potencial governante, diz respeito a nós todos, e nao a certa gente fútil do psd....
...nao quero ver um passos coelho como PM do meu Portugal.
Toca a todos, nao?
bjs carinhosos (mais uma vez falhou o alvo...querido...)
De Rui Silva a 19 de Março de 2010 às 16:08
A resposta que dei ao Sr. Paulo Sousa também pode ser para si Drª .
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