Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Futebolês #27 Linha

Linha é um dos mais discretos mas também dos mais utilizados termos do futebolês. Entra nas maiores controversas do futebol e na maioria das expressões que animam a discussão falada em futebolês.

Desde logo porque o jogo se desenrola dentro de quatro linhas, mesmo sabendo que é fora delas que muitas coisas se decidem. Depois porque o próprio campo, o espaço delimitado pelas quatro linhas, é também ele dividido por linhas: é a linha de meio-campo, onde se situa o círculo central, é a linha lateral, a linha final, que no seu espaço ocupado pela baliza se passa a chamar linha de golo. Mas é ainda a linha de área, da grande e da pequena!

Tudo linhas de grande discussão: discute-se exacerbadamente se uma bola saiu pela linha final, ou mesmo pela linha lateral, e quem lhe tocou em último lugar, uma discussão que começa com os próprios jogadores que, para o efeito, criaram até uma sinalética própria: levantar o braço. Invariavelmente levantam-no ambos, reclamando para si a legitimidade da recuperação da bola.

O tom sobe frenética e muitas vezes dramaticamente quando em discussão estão as linhas de área ou a de golo. São as linhas das grandes decisões: da bola que entra ou não, da carga sobre o guarda-redes que é ou não faltosa, da falta que dá em penalti ou num simples livre directo

Mas se a controvérsia é grande quando se trata de linhas traçadas a branco sobre o tapete verde, ela sobe exponencialmente quando essas linhas deixam de estar traçadas a régua e esquadro e passam a simples linhas imaginárias, como a linha do último defesa, que determina o fora de jogo e que continua a ser a maior fonte de discussão, e a decisão de mais difícil acerto e de maior influência no desenrolar do jogo.

A linha é de uma riqueza vocabular ímpar no futebolês e, por isso, não se esgota à volta do xadrez geométrico do campo. Atinge ainda a própria geometria interna das equipas: a linha defensiva, a linha média e a linha avançada. Ou a dimensão táctica do jogo, com a defesa em linha, também ela desenhada em função de opção táctica relativa ao fora de jogo. Ou a própria constituição da equipa, também ela designada de linha. O treinador faz ou apresenta a linha. O jogador alinha na equipa.

Também aqui há, como sabemos, lugar à polémica. Raramente o treinador faz a linha em linha com o adepto. Nós, adeptos, que só vemos os jogadores ao domingo, chegada à hora da constituição da equipa, sabemos sempre muito mais sobre os jogadores do que o treinador que com eles trabalhou toda a semana. E é sempre evidente que a nossa linha é muito melhor do que a do treinador, uma verdade indiscutível que raramente consegue ser sujeita a prova!

Já quando se trata da linha do seleccionador nacional a coisa é ligeiramente diferente. Aí estamos em maior igualdade de circunstâncias! E por isso temos muito mais razão para achar que ele é uma besta

Como é, agora com a convocatória para o mundial da África do Sul, o caso. Nem é necessário questionar os convocados: Quem é aquele guarda-redes que ninguém conhece? Porque é que o Beto jogou todos os últimos jogos no FC Porto? Onde é que o Deco tem andado a jogar? Onde é que estão médios construtores de jogo para levar a bola aos avançados? Basta lembrarmo-nos da trapalhada de uma pré-convocatória com 50 nomes, que ninguém conseguiu entender para que serviu e que não serviu mesmo para nada. Da rábula da convocação de 24 em vez dos 23 da convocatória final, quando a FIFA permitia ainda convocar 30. Os mesmos 30 que, um ou dois dias depois, seriam encontrados com mais 6 convocados a título provisório, um dos quais nem sequer constava do primeiro grupo de 50! Confuso? É que é assim mesmo: uma confusão! Criada sem qualquer nexo por Carlos Queirós que, assim, perdeu – creio que definitivamente – a oportunidade de conquistar o apoio popular que nunca conseguiu fazer por merecer, e de que a própria selecção se ressente.

Ao fim da linha chegou o campeonato da I Liga. Com o Benfica a fazer finalmente a festa há muito anunciada e sucessivamente adiada. E que festa! Nunca visto!

Foi um campeonato com um justo vencedor e com um tão surpreendente quanto justo segundo classificado. Tão justo que é injusto que o treinador do Braga o tenha ofuscado com um discurso descabido, ultrapassado e sem sentido.

O evidente abuso do discurso à volta do castigo a Vandinho nota-se claramente por dois pormenores: a recuperação de Andres Madrid, que brilhou no lugar de Vandinho na última fase do campeonato quando, depois do regresso do FC Porto, onde estivera emprestado (!) na época anterior, estava completamente perdido no plantel; e a quebra de Hugo Viana, a estrela maior da primeira volta do campeonato que, na segunda, praticamente não jogou. Que seria dito se tivesse sido castigado como, de resto, me pareceu ter feito por merecer?

Foi um campeonato da confirmação de uma estrela: Di Maria. Mas de duas grandes revelações: Fábio Coentrão, transformado por Jesus num grande defesa esquerdo, e Falcao – que Pinto da Costa, como já fizera com o Álvaro Pereira, roubou ao Benfica – um grande ponta de lança mas, acima de tudo, um grande jogador de futebol! Capaz de alinhar em qualquer dos gigantes europeus!

 

 

publicado por Eduardo Louro às 08:00
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De Rafael Marcelino a 15 de Maio de 2010 às 20:02
Tenho alguma dificuldade em perceber a justeza do Campião uma vez o S.C.Braga liderou 20- das 30-Jornadas perdendo-a com os famosos castigos e depois de ter fechado as inscrições do jogadores na Liga.
Fazemos de conta que nem foi de propósito ao anunciar os castigos pós-data.
Foi uma vitória (Final) adiada jornada após jornada como se estivesse escrito desde a primeira que o Campeão era ou tinha de ser um tal clube.
Mas é e foi tudo limpinho. Admiro-me muito é a impresa tão caladinha com o caso Karlec em ter jogado em 3-clubes. Ai..se fosse ao contrário...
Por outro lado o Jogadores Falcão (excelente) e Alvaro Pereira nem sei se foram roubados pelo FCP-de PC ao SLB ou se foram roubados ao Jornal A Bola.
Casos destes tenho a certeza que este ano vai haver mais.
De Eduardo Louro a 17 de Maio de 2010 às 14:40
Sr Rafael,

No seu primeiro comentário, sobre a convocatória para a selecção, vejo um análise crítica objectiva e com aderência à realidade, não especulativa. Neste seu segundo comentário estou a ver o Estádio de Alvalade eufórico, a festejar os golos do Porto e a gritar por Domingos Paciência enquanto os seus jogadores, lá em baixo no relvado, perdiam o jogo com a Naval... Mas era cá uma festa!
De Rafael Marcelino a 17 de Maio de 2010 às 20:07
Eu também não gostei nada dessa festa.Podiam-na ter guardado para o Tunel, assim ninguém via ou ouvia. Mas deve de ter sido por terem escapado a uma humilhação grande de um 6º lugar como aconteceu noutras paragens da 2º circular em 2000/2001. Digo eu...
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