Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Vou faltar a uma promessa

Prometi a mim mesmo não falar, mais, sobre esta guerra dos professores a partir do momento em que pelas evidências todas, tenho a certeza do que está em causa não é o "modelo" da avaliação, mas sim a própria avaliação.O último sinal foi a alternativa dada após um ano de luta: AUTO-AVALIAÇÃO!
 
Mas vou faltar ao prometido por causa do que ouvi hoje de manhã (8 da manhã) na antena 1.
A antena 1 resolveu acompanhar duas famílias até á escola, uma em Coimbra em que o casal trabalha por conta de outrem e,  estavam muito preocupados se a filha não tivesse aulas, pois não sabiam como fazer.
A outra família acompanhada foi em Lisboa, em que a mãe foi levar os filhos ao colégio (escola particular) e que estava descansada porque os filhos nunca foram prejudicados ou ela, pois os professores nunca fizeram greve e sabia, foi informada pela escola, que hoje também ia haver aulas.
Mas o facto mais espectacular para mim nem foi constatar as diferenças entre o público e o privado no que diz respeito a este assunto particular da avaliação, porque todos sabemos que  no sector privado somos avaliados, o mais fantástico foi essa senhora ter dito à jornalista que estava descansada e no segundo seguinte ter dito que era professora do ensino publico e que ia fazer GREVE!!
 
Deixo os comentários para os meus caros amigos leitores do Vila Forte!...

 

estou:
publicado por Pedro Oliveira às 22:42
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11 comentários:
De Ana Narciso a 4 de Dezembro de 2008 às 09:26
Olhe que não é verdade , Pedro! Em 150 mil haverá certamente quem se encaixe no seu preconceito, o que não está certo no seu racicínio é meter todos no mesmo saco, ou seja todos professores recusam a avaliação. Não é verdade!
Em relação ao caso que apresenta, só reforça o que disse atrás : há excepções para todos os gostos. Em 150 mil quantos haverá assim?
De rui fonseca a 4 de Dezembro de 2008 às 11:23
essa professora bem odia ter ficado calada.só ela é que tem direito a estar descansada...esta democracia...
De Ferreira-Pinto a 4 de Dezembro de 2008 às 11:35
A Ana Narciso procurou calibrar as coisas, mas infelizmente como aquela senhora que aponta há muitos por aí.
Eu, por exemplo, tive de mandar as minhas filhas às 08.30 para a escola porque um dos seus docentes quando perguntado se ia fazer greve, deu como resposta: "amanhã, quando der o toque logo vereis!".
Claro que o cavalheiro não apareceu ... deve ser dos que diz que quer ser avaliado mas, no fundo, quer uma avaliação que o conduza ao topo da carreira.
O mais curioso é que o dito cujo acumula numa escola profissional e nessa foi dar as aulas direitinho!
De Rui Fonseca a 4 de Dezembro de 2008 às 20:01
Ferreira-Pinto,
Mas alguém honesto acredita que querem alguma avaliação?
Já estou pior que o Luís Malhó, se estão descontentes que mudem de emprego que é o que nós fazemos.Os professores ainda não se aperceberam que estão a alimentar um senhor que se quer promover à conta de uma situação que ele sabe que mexe com quem tem medo de ser avaliado.
Um exemplo que os professores não admitem e que é normalissimo no mercado trabalho: a empresa x, contrata uma pessoa recém licenciada na área de recursos humanos que implementa a avaliação de desempenho, nessa área trabalhavam mais pessoas,mas não tinham essa competência e receberam formação, no fim para validar a formação tiveram de fazer um teste, uns passaram outros chumbaram e tiveram de repetir a formação, repito, quem deu a formação e avaliou foi uma recém licenciada, as pessoas avaliadas eram mais velhas na casa e na idiade.Veio mal ao mundo?
Para quê estes Senhores Professores virem com a lenga lenga de mais novos avaliarem mais velhos? Outra, pessoas que avaliam alunos todos os dias, não sabem ver nos primeiros minutos se um colega preparou bem a aula, ou consegue cativar a atenção dos alunos?estão a chamar incompetentesa si próprios ao dizerem que não podem avaliar pessoas de outras áreas, pois não estão a avaliar conteúdos programáticos, não é esse o objectivo.Outra, queixam-se que passam muito tempo dentro da escola em aulas de substituição coisa e tal, mas depois são os mesmos que prevêm carradas de vivistas de estudo que necessitam de ser acompanhadas por professores que não vão dar aulas, a outras turmas, e que precisam de ser substituidos por outros professores, e muitas dessas viagens são pura e simplesmente zero em termos de valor acrescentado para as disciplinas, como é o caso de religião e moral...
Enfim, não há um único argumento válido nesta luta a não ser o Não queremos ser avaliados.E os professores do PSD vão na onda para desgastar o PS e só estão a contribuir para cavar o fosso, até porque esta lei é a cópia chapada do que Durão Barroso queria fazer, mas os jornalistas andam distraídos e o PSD desnorteado.Viva o Nogueira!
De Ana Narciso a 4 de Dezembro de 2008 às 22:13
Rui Fonseca
está convidado a passar um dia na escola comigo. Como é adulto e escolarizado alguma coisa saberá ensinar aos miúdos. Depois conversamos sobre tudo o que se passou nesse dia e quais as implicações que a primeira máxima deste parágrafo encerra. Até lá, o Rui nem tem pachorra para ouvir argumentos que o contrariem. O convite está de pé.
De Anómico a 4 de Dezembro de 2008 às 22:23
Também na escola de Porto de Mos, aqui há uns anitos atrás, tivemos uma Sra prof na altura presidente da comissão executiva, que escolheu para o seu filho uma escola privada fora do nosso Concelho.

Porque terá feito ela essa escolha?
De Jorge Pereira a 5 de Dezembro de 2008 às 00:51
Ferreira Pinto, a sua primeira frase não merece sequer comentários. Quereria dizer que quem acreditar que os professores querem ser avaliados é desonesto? Tal como em qualquer profissão, há bons e maus profissionais. As generalizações dão sempre em asneira. Quanto ao exemplo da recém-licenciada em recursos humanos... o problema está mesmo aí: é que este processo de avaliação avançou sem que houvesse formação para os avaliadores. Seria o mesmo que, na tal empresa de que fala, o funcionário mais novo, que faz exactamente a mesma coisa que os mais velhos (embora com muito menos experiência e, digamos, "tarimba"), fosse avaliar os outros. Depois, demonstra muita ignorância sobre o trabalho docente. Essa avaliação de que os primeiros minutos de aula são suficientes para avaliar se é bom ou mau professor, de que qualquer professor, de qualquer área pode avaliar..., valha-nos Deus! Na minha escola (pelos rankings, uma das melhores do distrito) o professor de Educação Especial seria avaliado pela colega de Educação Tecnológica. Os professores que exercem funções no Centro Novas Oportunidades ou nos Cursos de Educação e Formação de Adultos até à data não sabem como vão ser avaliados (e as Novas Oportunidades são uma aposta deste governo!) Estes são apenas alguns exemplos do ridículo deste sistema importado do Chile e sem paralelo em nenhum país europeu (sabia disso?!).
Quanto ao seu comentário acerca das visitas de estudo e da Educação Moral e Religiosa... desculpe lá, mas o que diz é uma monstruosidade e, para sua informação, as escolas definem, normalmente, nos seus regulamentos internos, um número limite de visitas de estudo (e não viagens...) por turma que não pode ser ultrapassado. Acredite que um professor que propõe uma visita de estudo, nos tempos que correm, é quase um herói, só o faz porque acha que elas são mesmo mais-valias porque não é fácil a gestão de alunos fora da sala de aula. Mas, enfim, estar aqui a falar-lhe de estratégias diversificadas no desenvolvimento de competências dos alunos talvez seja um pouco espúrio para quem, tal como muitos, cai no eterno erro de levar a discussão para a comparação de escolas a fábricas ou a linhas de montagem.
Continue na sua, a pensar que os professores não quer ser avaliados. Tal como a Dr.ª Ana Narciso, convido-o a passar uma semana numa escola, a assistir a aulas de turmas dos Cursos de Educação e Formação, a estar disponível para atender Encarregados de Educação a qualquer hora, a ter de corrigir testes, fazer actas, preparar reuniões e aulas para o dia seguinte depois de passar 10, 11, 12 horas na escola.
Admito, no entanto, Ferreira Pinto, que concordamos numa coisa: Mário Nogueira não representa convenientemente os docentes e passa uma imagem muito enviesada da classe para a opinião pública.
Quanto ao texto inicial do Pedro, apenas quero dizer-lhe que não conheço propostas que passem apenas pela auto-avaliação (embora ela seja fundamental e já exista no actual modelo). Digo-lhe ainda que leccionei no ensino particular e no público e não notei assim tantas diferenças. Ah, e já agora: no ensino particular não há professores titulares nem quotas! Há competência ou incompetência. Esta última aguenta-se por lá durante pouco tempo e não necessita de nenhuma avaliação burocrática ou importada do Chile para levar “guia de marcha”. Era bom que também assim fosse nas escolas públicas, nisso estaremos de acordo.
De Pedrosa a 5 de Dezembro de 2008 às 09:05
Esta discussão está muito interessante e só queria deitar mais uma "cavaca " para a fogueira.Há uma dúvida existencial que me assalta e que ,em minha opinião claro está, revela a base da questão, eu não consigo compreender como é que os professores sendo pessoas com estudos superiores, sejam os únicos, penso eu, que não têm uma ordem profissional e sejam "comandados" por um sindicato, qual grupo de operários,sem querer faltar ao respeito à classe operária. Se nem eles, professores, se valorizam, querem que sejam os outros a valorizar?Mais, há uma comissão pro-ordem em que o seu representante veio a público tentar colocar bom senso nesta discussão e foi autênticamente calado pelo Sr. MN.
Será que não têm uma ordem profissional porque tinham que ter um código de conduta e tinham de prestar provas para entrar(avaliação)?
Sinceramente faz-me muita ,mas mesmo muita confusão, ver pessoas com esta formação superior deixarem-se tratar como gente sem estudos e as figurinhas que fazem nas manisfestações não abona nada em vosso favor.Vejam como negoceiam as outras classes profissionais do vosso nível.Tenham ao menos amor próprio.
Lobbies é muito diferente de carneirada, peço desculpa pela palavra,mas é o que sinto quando vos vejo com as vossas palavras de ordem e a irem atrás daquele senhor.
Quantos aos vossos argumentos, tenho dificuldade em contra-argumentar, pois pelos motivos expostos,tenho dificuldade em perceber linguagem sindicalista, gosto mais muito mais da linguagem com nível diferente.Não sou elitista, mas cada um deve saber estar consuante a sua formação, descer ao nível das arruaças e desaforos, não corresponde em
nada á vossa formação.A mulher de César, não era só a mulher de César.....
Para finalizar, existe uma diferença grande entre participar na solução e estar empenhado na solução:
A galinha participa no bacon com ovos mexidos, o porco está empenhado...
De Rui Fonseca a 5 de Dezembro de 2008 às 20:47
Pedrosa, essa foi na mouche!!!!!!
É isso mesmo ! E contra factos, não há hipótese de argumento, a questão da Ordem Profissional, desmascara tudo.Adorei também a analogia da galinha e do porco. Este comentário foi porreiro PÁ!!
De carlosbarbosaoliveira a 5 de Dezembro de 2008 às 15:28
Há momentos em que o silêncio é de ouro, mas quem pensa nisso quando lhe põem uma câmara à frente e logo imaguina o seu momento de glória, para mais tarde recordar?
Essa questão da diferença de avaliação entre público e privado dava pano para mangas....
De Ana Narciso a 8 de Dezembro de 2008 às 22:43
Depois de uma retirada por outras paragens, " sento-me" de novo à mesa e fico pasmada com o teor desta conversa. Lendo o que aqui está escrito, a Ministra está de parabéns porque conseguiu colocar todos contra os professores. Confirma-se aqui a célebre frase" perdi os professores, ganhei os portugueses". É verdade. Com uma grande diferença. quem ensina são os professores e não o resto dos portugueses e é com os professores que a Ministra terá que contar . èlas!! e digo mais , os argumentos aqui avançados pelos "não-professores" são exactemente os mesmos se outra classe se manifestasse - Imaginem os magistrados!! imaginem médicos!Ui!! portanto é normal - Quem não faz parte das escolas , não faz a mínima ideia do que estamos a falar. Infelizmente nem a Ministra.

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