Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Conflito israelo-palestiniano

A distância poupa-nos o trabalho de ter de tomar uma posição, mas o conflito israelo-palestiniano entra-nos em casa sob a forma de imagens escolhidas para chocar. Poderia ser na forma de noticias mas chocando o público ha um maior mais retorno em termos mediáticos. O contexto e o enquadramento do que se está a passar fica em segundo plano.

Não vale a pena querer saber quem lançou a primeira pedra, pois para isso teríamos de recuar mais de quatro mil anos.

Nos dias de hoje este conflito será a face mais visível do chamado choque de civilizações.

É natural que fiquemos incomodados com as imagens de sofrimento mas gostaria de aqui deixar algumas notas que no meu ponto de vista definem os dois lados do conflito.

- Os centros operacionais e logísticos do Hamas e do Hezbolah, que incluem locais de lançamento de rockets sobre povoações israelitas, localizam-se deliberadamente em prédios habitacionais para que os seus compatriotas sirvam de escudos humanos contra os ataques israelitas.

- Os restos mortais dos soldados israelitas mortos em combate e que fiquem em posse do inimigo são reclamados pelo Estado de Israel que pretendem lhes prestar homenagem e os sepultar de acordo com o ritual judaico. É habitual haver troca de prisioneiros palestinianos, alguns até comprovadamente envolvidos em actos terroristas, por restos mortais de soldados mortos há vários anos.

- Muitas crianças palestinianas são educadas e treinadas para um dia se fazerem explodir matando com eles o maior número de pessoas possível. Os cérebros destes métodos preferem ocupar os lugares politicos e guardam o colete de explosivos para os seus jovens.

- Olhando para as diferenças entre a forma como ambos os lados tratam os seus, leva-me a sentir que de facto, enquanto ocidentais estamos necessariamente mais próximos dos judeus, que dos palestinianos.

- O timing dos ataques dos últimos dias à faixa de Gaza devem-se ao vazio de poder dos EUA, que se prolongará até à tomada de posse de Obama. Aqueles que gostariam de uma América menos poderosa têm aqui uma pequena amostra do que seria o mundo sem a sua influência.

publicado por Paulo Sousa às 23:15
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26 comentários:
De salvoconduto a 30 de Dezembro de 2008 às 00:22
Tivera eu imagens dos quatro israelitas mortos desde que começou a matança em Gaza igualmente as publicaria para demonstrar o absurdo desta guerra. Curiosamente são os primeiros mortos israelitas deste o fim do cessar-fogo, o que demonstra que a guerra só traz sofrimento a ambos os lados, mas há quem prefira viver assim. Causa arrepios a apologia da guerra. Não há solução para este conflito que não seja a via diplomática, mas esta parece não interessar aos falcões de Israel nem aos fanaticos do Hamas. Isso no entanto não me impede de descortinar a desporporção de métodos e meios. Enquanto isso, são precisamente as crianças as que mais sofrem. Morrem às mãos dos israelitas que parecem empurrá-las mais e mais para serem treinadas para se fazerem explodir.

Quanto a Obama esperemos para ver. Pessoalmente não sou crente e por isso não vou a Fátima...
De Paulo Sousa a 30 de Dezembro de 2008 às 08:30
Caro salvoconduto,
Todos os ocidentais, com a preocupação que têm pelos seus iguais, preocupam-se e incomodam-se com as vitimas anónimas deste e de outros conflitos. Ao contrário do que aconteceu na Faixa de Gaza durante o 11 de Setembro, nenhum ocidental dito normal rejubila com as vitimas civis do outro lado, antes pelo contrário.
Acredito que as operações de Israel no terreno dificilmente irão para além do dia 20/Jan/009. Os EUA são de facto um 'tampão' de violência no médio oriente.
De Bluevelvet a 30 de Dezembro de 2008 às 13:39
Tens toda a razão no que escreveste.
Finalmente leio alguém que desapaixonadamente vê os dois lados da questão.
Bom Ano Novo para ti.


De Ferreira-Pinto a 30 de Dezembro de 2008 às 13:49
Este é um conflito onde não existem heróis puros, pois cada um dos intervenientes, mesmo sendo herói, tem o seu quê de vilão ...

Se me for permitido, gostaria de desejar um PRÓSPERO ANO NOVO a todos os membros do VILA FORTE com especial incidência ao Pedro Oliveira, meu leitor assíduo.
De Rafael Marcelino a 30 de Dezembro de 2008 às 16:06
O grande problema que sempre existiu é Politico-estratégico na região. Senão vejamos como simples era o facto de solucionar. Israel vive no seu Estado há pouco mais de 60-anos, é uma potência armada perigosa (Oferta-dos-EUA). Viviam no Mundo como ainda hoje vivem os Ciganos (Estes, ainda ninguém lhes arranjou uma Pátria).Os Palestianianos sempre viveram na região tem direito ao seu território sem humilhações. Era uma questão de limitar os territórios, Israel deixar os ocupados em colonatos e criar-se um Estado-Novo-Jerusalém, como um tipo de Vaticano, aonde todos tivessem os mesmos direitos de entrar e sair contemplando os suas vocações religiosas.Simples.
Os Politicos não querem, e tem quem os apoia.
O Pior é que quem dá a carne para a morte são os residentes.
Uma tristeza...¸A falta de entendimento entre os palestinianos é devido ao poder Israelita em (comprar--$$$$) informações de denúncias entre eles para atirar a matar com mais precisão os Homens que quer eliminar do lado Paletisniano.Chama-se Traição e morte.
Lembramos o que se passou antes de iniciar este últio conflito, diziam as Chefias Israelitas
O Estado de Israel, e o governo debaixo do meu mandato, terá como objectivo estratégico derrubar o regime do Hamas em Gaza", assim proclama Livni nesta quadra natalícia perante os membros do seu partido Kadima. "O que quero dizer é que este passo terá de ser militar e económico, acrescentou.
Netanyahu, por sua parte, também incluio pelo espírito de natal, pediu "uma política de ataque mais activa" e acusou o actual governo, liderado pelo Kadima, de ser "demasiado passivo". Segundo o líder do Likud, derrubar o regime do Hamas é "inevitável a longo prazo".
Às seis da manhã do passado 19 de Dezembro expirou o cessar fogo acordado entre o Hamas e Israel. O exército israelita voltou a bombardear a Faixa de Gaza e as mortes sucedem-se umas às outras.

Foram as "Prendas" para a "árvore de Natal" da Faixa de Gaza...

Genocídio friamente premeditado, é disso que se trata.
O ódio dos Palestinianos não poderá deixar de aumentar. Era de prever quando os enjaularam na faixa de gaza.
Cometem as maiores barbaridades à sombra do holocausto!
É demasiado gratuito um ataque destes, sem qualquer justificação que não sejam as ambições políticas próprias de um período de eleições. Mas usar destes meios é uma selvajaria indigna de qualquer compreensão ou apoio.
Vamos ver o que fará Obama, porque do outro, naturalmente que nada há a esperar
Os políticos israelitas têm competido para ver quem lançava ameaças mais duras, para ganhar o apoio de um eleitorado que nos últimos dias se inclinaram em favor dos partidos da ultra-direita.
Esta escalada verbal terminou com o maior bombardeamento dos últimos anos. E lançou uma clara mensagem ao novo inquilino da Casa Branca, Barak Obama. Uma mensagem de factos consumados procedente de um país que durante a campanha eleitoral norte-americana disse preferir o candidato republicano e que teme que Obama mostre uma maior compreensão pelos palestinianos que os seus ante-cessores


De Rafael Marcelino a 30 de Dezembro de 2008 às 16:23
Apenas acrecento, que vivem nos colonatos (Territórios ocupados) mais de 400-mil Judeus (Aqui reside uma das maiores causas dos conflitos)e com o ainda MURO da vergonha que passou da Alemanha para Israel.
O conflito com o Libano em nada foi ganho por Israel, tentou com a causa dos 2-Soldados testar o partido de Hezbolah-militarmente, em que agora aos Portugueses custa depois da destruição 10-euros vezes 10-milhões para andarmos nós a reconstruir. É nisto que dá....
A Faixa de Gaza é um centro de maior aglumeração humana do Mundo com 1.5-Milhões de Pessoas.
Parece-me como atràs mencionei que o Inicio da Presidência de OBAMA vai ter tarefa dificil, uma vez que querendo a Paz e tentando encontar soluções para ele tem um duro golpe. Os interesses Judeus nos EUA como uma força incrivel na economia interna dos EUA. Essa a que é uma grande Verdade.Aqui reside a dificuldade maiora para os EUA. As Forças economicas dos JUDEUS nos EUA.
De violeta a 30 de Dezembro de 2008 às 19:30
A dor é igual de ambos os lados. Estupidamente destroem-se vidas, famílais e corações que ficam magoados e enraivecidos para sempre. Sinto muito naõ concordar contigo, mas essa dos EUA serem o salvador de alguma coisa não me entra...
Podem ajudar, mas tb dificultam muito. São a pescadinha de rabo na boca... sempre foram, aliás!
bom ano
De José Ferreira a 30 de Dezembro de 2008 às 19:33
Não tenho qualquer simpatia por qualquer uma das partes.
Para mim é tão grave atacar com um avião um alvo militar,e atingir uma escola, como grave é, mandar adolescentes carregados de explosivos, para dentro de um autocarro, os fazer explodir.
Os palestinianos têm direito a ter terra,mas os judeus que também lá vivem desde sempre, necessitando de território.
Aliás, e não devemos esquecer a História,o massacre que o povo judeu sofreu com Estaline e
Hitler.
Também o poderio económico da comunidade judaica no mundo, bem como o poderio económico árabe, que apoia o Hamas.
O problema é de vontade de coexistência. Senão vejamos:
porque é que o Hamas não quer renegociar desde há 10 dias o cessar-fogo que estava em vigor desde Junho?
Nos 10 dias, varios misseis foram lançados para Israel.
Porque é que não sucedeu o mesmo com a Cisjordânia?
Será que a facção moderada da OLP,tenha começado a perceber que a coexistência é possivel?
Ou ao radicalismo que impera em Gaza,dominado pelo Hamas,se pretende o fanatismo judaico de extrema-direita, para nesse clima de terror os falcões de ambos os lados,se manterem na esfera do poder?
Ou não haverá uma estratégia do radicalismo árabe, para palpar o pulso a Obama?
Sou dos que acredita, que independentemente de quem quer que seja o presidente dos EUA,nunca Israel será abandonado.
O fim de mais esta história vai ser o estabelecimento de novo cessar-fogo.
Israel aproveita para destruir mais algumas coisas da segurança do Hamas.
O Hamas mais uma vez quer afastar.se da moderação da OLP, e aparece aos olhos do radicalismo islâmico, como os mártires da revolução.
A União Europeia vai enviar mais uma ajuda financeira, para que não morram à fome.
E os povos vão sofrendo,para dessa forma,manterem vivo o desejo de vingança.
E aguarde-se pelo próximo episódio.

De Hugo Besteiro a 30 de Dezembro de 2008 às 20:44
Gosto pouco das lógicas ocidentais em relação ao conflito na Palestina. Naquela situação não são todos iguais e não são todos igualmente culpados. Não podemos simplesmente olhar para o lado.


A grande maioria do milhão e meio de habitantes da Faixa de Gaza vive em campos de refugiados há décadas.

Israel, um estado criado por Decreto pela mão dos britânicos no fim da 2ª Guerra Mundial, ocupou um território que não lhe pertencia e no qual a sua população era - e continua a ser - claramente diminuta relativamente aos árabes.

Apesar disso e aproveitando a sua vitória na Guerra dos Seis Dias, que os opôs ao Egipto, Jordânia e Síria acabou por aumentar as suas fronteiras, ocupando os Montes Golã da Síria (a maior bacia hidrográfica da região), a Cisjordânia (West Bank) e a Península do Sinai e controlar toda a Jerusalém (cidade de extrema importância tanto para judeus como para árabes). Durante e por causa da guerra, milhares de palestinianos deixaram suas casas em fuga.

No fim do conflito, Israel não devolveu qualquer território e impediu o regresso dos palestinianos às suas casas e às suas terras. Os que conseguiram regressar depararam-se com as suas casas ocupadas por colonos ou simplesmente destruídas.

Desde 1967 que Israel não cumpre a Resolução 242 das Nações Unidas, que ordena a retirada de Israel dos territórios ocupados e a resolução do problema dos refugiados. Há mais de 60 anos que a Palestina - um Estado nunca reconhecido pelas Nações Unidas - é prisioneira no seu próprio território.


Ao longo dos anos, Israel tem humilhado, oprimido e massacrado o povo palestino. A criação de colonatos, a destruição de casas, checkpoints militarizados, o impedimento de os árabes circularem livremente pelos seus próprios territórios, as prisões indiscriminadas, a matança de famílias inteiras, massacres como os de Sabra e Shatila, a construção de um odioso muro na Cisjordânia, o impedimento da ajuda médica e alimentar aos territórios árabes, a destruição de equipamentos eléctricos, estradas, escolas e hospitais!

Israel não é o pobre estado rodeado de perigosos fundamentalistas árabes que apenas deseja viver pacificamente. Israel é o estado mais militarizado da região. É, inclusive, o único estado com armamento nuclear. É também o único estado que usa e abusa de todo o seu poderio militar, como se vê ao longo dos anos na Palestina e como se viu com a invasão do Líbano no Verão de 2006.

Não gosto da hipocrisia ocidental sobre o suposto fundamentalismo palestino. Se eu crescesse num território ocupado, fosse diariamente humilhado, me destruíssem a casa e visse morrer os meus irmãos, pais, filhos e amigos lutaria contra isso. Com todas as minhas forças. Com pedras, fisgas, rockets e, provavelmente, até com um cinto de bombas à cintura.

O bombardeamento indiscriminado da população da Faixa de Gaza pelos caças F-16, só nos dois primeiros dias, provocou cerca de 300 mortos e 900 feridos. Este é mais um episódio abjecto do genocídio em câmara lenta que vem sendo perpetrado na Palestina ao longo de décadas. Nos primeiros dias do bombardeamento foram despejadas, segundo os jornais israelitas, 100 toneladas de bombas sobre as populações palestinianas.

Ao contrário do que indica no início do seu post, a distância não nos poupa o trabalho de tomar uma posição. É apenas mais fácil olhar para o lado. Coisa que o Ocidente sempre fez desde que que o Império Britânico, lavando as suas mãos como Pilatos (também foi naquela região não foi?), aproveitou a descolonização da Palestina para enfiar lá os judeus que toda a gente dizia defender mas que ninguém estava interessado em ter no seu território.
De Hugo Besteiro a 30 de Dezembro de 2008 às 21:15
O que escrevi no comentário anterior tem um erro. Foi pela mão do Império Britânico, com a descolonização da Palestina, mas em 1917, com a Declaração de Balfour (que deve o nome ao homem que a escreveu, Arthur James Balfour, então equivalente a Ministro dos Negócios Estrangeiros).

O regresso dos judeus aquela terra fez-se ao longo dos anos, tendo a sua maior afluência no fim da 2ª Guerra Mundial.

O processo terminou, com a conivência da maior parte dos Países Ocidentais, com a declaração unilateral do Estado de Israel por parte deste em 1948. Isto depois de em 1947, as Nações Unidas terem aprovado por maioria a partilha do território da Palestina entre dois Estados, um Judaico e um Árabe.

Mais de 60 anos depois da resolução das Nações Unidas e 80 da Declaração de Balfour o Estado da Palestina ainda não existe!
De Paulo Sousa a 31 de Dezembro de 2008 às 01:03
Caro Hugo,
Como disse há dias o Luís Castro no seu blog Cheiro a Pólvora, nos conflitos sejam eles militares ou não, nunca uma das partes é totalmente dona da razão, podendo haver no entanto uma mais próxima que a outra. É cómodo ver tudo a preto e branco, uns são maus e os outros são bons, ponto final. Mas a realidade está cheia de cinzentos intermédios com muitas tonalidades.
No texto que escrevi referi alguns aspectos em que não estamos de acordo. No seu faltou-lhe falar do Yom Kipur.
Sobre o que diz serem ataques indiscriminados sobre a população civil, é importante salientar que os locais de interesse estratégico do Hamas encontram-se deliberadamente nas zonas habitacionais. Quem é capaz de colocar um colete de explosivos num adolescente também escolhe um prédio civil para paiol sabendo que assim está a colocar em risco todos os que lá habitam.
Há uma outra diferença grande diferença entre os judeus e os palestinianos. Os judeus conseguem organizar-se. Os palestinianos, apesar de falarem a mesma língua de praticarem a mesma religião e de terem uma cultura idêntica à dos países vizinhos, nunca se conseguiram entender e atraiçoam-se mutuamente. Os israelitas em muito menor número, conseguem manter a sua soberania. Mas a moda faz-nos ter pena é dos palestinianos, esse sentimento tão nobre.
Do debate destas questões saem opiniões que nos ajudam a entender o nosso mundo. Não pretendo afrontar mas apenas debater.
Cumprimentos
Bom 2009
De Hugo Besteiro a 31 de Dezembro de 2008 às 01:52
Sim, podemos falar do Yom Kippur (1973) e até da Guerra dos Seis Dias (1967). Mas se calhar não convém esquecer das do Suez (1956) e das Líbano (1982 e 2006).

Essa do "conseguem organizar-se" não deixa de ter algum (negro) humor.

Não me parece muito fácil existir um desenvolvimento e organização real num país (qualquer que seja) quando:
- há décadas são arrasadas cidades e aldeias inteiras e são destruídos os equipamentos mais básicos (escolas, hospitais, instalações eléctricas, estradas, etc.).
- há décadas são impedidas as pessoas de regressar às suas casas (a maior parte delas até foi destruída ou ocupada por colonos) e às suas terras
- há décadas existe um estrangulamento, em todos os aspectos da vida de um Estado (que nem o é efectivamente).
- há décadas existe uma ocupação de grande parte de território e incursões regulares no restante.
- existem mais de milhão e meio de palestinianos em campos de refugiados no seu próprio território (Faixa de Gaza).
- existe um Estado que não é reconhecido, que não tem direito a ter um exército e cujas eleições, na Faixa de Gaza, não são reconhecidas porque ganhou quem "não devia" (gente que por acaso, quando foi criada, até deu muito jeito para combater a influência da OLP e de Arafat.. vale a pena ler a história do Hamas).

Dê-me um exemplo de um povo, em toda a história da humanidade, que se tenha conseguido organizar nessas condições.

Eu não sou defensor do Hamas. Mas compreendo o porquê do Hamas ter ganho as eleições na Faixa de Gaza. E isso muito se deve às posições de Israel e dos EUA com a conivência Ocidental ao longo dos anos, mesmo quando pessoas mais moderadas estavam à frente dos dois povos. Quer rever os acordos feitos ao longo das décadas entre palestinianos, israelitas e outros países? Podemos analisar caso a caso. E também podemos ver a posição de Israel sobre os representantes da Palestina e ver quem é que ao longo dos anos dirigiu os destinos de Israel.

Por último, não se deve confundir a resistência de décadas do povo palestiniano contra a ocupação do seu território e pela sua independência com terrorismo (palavra com significados tão curiosos.. os movimentos de libertação sempre foram assim apelidados pelos seus opressores e a maior parte das vezes pelos EUA de terroristas.. a não ser claro quando esses movimentos eram criados e treinados pela CIA).

O ano já está a começar mal. Cumprimentos.
De Paulo Sousa a 31 de Dezembro de 2008 às 08:36
Hugo,
Acho que o maior problemas dos palestinianos, assim como de muitos outros povos, é uma liderança incapaz de resolver os seus problemas.
Camões refere-se a D. Fernando com uma frase que é adequada para a Palestina, como também para a maioria dos países africanos até como para os EUA durante a Administração Bush agora cessante.
"O fraco Rei faz fraca a sua forte gente…"
Os grandes lideres da história resolveram grandes problemas aos povos que lideraram. Se alguma vez os inimigos de Israel conseguirem tomar uma posição conjunta durante mais de um mês Israel ficará numa situação bem mais difícil.
Boas entradas em 2009
De Hugo Besteiro a 31 de Dezembro de 2008 às 16:03
Isso é tudo muito lindo mas não me deu um exemplo de um povo (com a liderança que quiser) que tenha passado por história idêntica de ocupação, que viu expulsos centenas de milhar de pessoas das suas casas, que estão concentrados em condições sub-humanas, cujos movimentos dentro do seu próprio território são controlados e impedidos, cuja grande parte do território é ocupada por colonatos, a quem lhes são negados direitos básicos assegurados por Convenções Internacionais, a quem é impedida muitas vezes a chegada de mantimentos e medicamentos, que foram ao longo de décadas presos e assassinados (a maior parte das vezes indiscriminadamente) sem qualquer tipo de julgamento, que vêm destruídas regulamente qualquer infra-estrutura por mais básica que seja, etc.

Ao longo das últimas décadas o povo da Palestina teve representantes credíveis, que Israel e os EUA sempre tiveram o condão de ostracizar e de os empurrar para a resistência armada. Mais uma vez lhe digo que vale a pena ler a história do Hamas. Faz lembrar um outro senhor de barbas e os amigos que deram tanto jeito aos americanos de 1979 a 1989.
De Paulo Sousa a 31 de Dezembro de 2008 às 17:27
Sem disparar um único tiro Gandhi fez vergar a vontade do Império Britânico. Sem tivesse escolhido a via da violência teriam existido episódios bem mais sangrentos na independência da Índia que os que se têm verificado na Terra Prometida.
"O fraco Rei faz fraca a sua forte gente…"
De Paulo Sousa a 31 de Dezembro de 2008 às 17:34
Voltei a ler o que escreveu em cima:

"não se deve confundir a resistência de décadas do povo palestiniano contra a ocupação do seu território e pela sua independência com terrorismo"

E depois lembrei-me de um excerto de hoje do Público:

"Khaled Meshaal
O líder do bureau político do Hamas vive exilado na Síria. É considerado o chefe da ala mais dura do movimento islamista. Meshaal apelou a uma terceira Intifada e a atentados suicidas."
De Hugo Besteiro a 2 de Janeiro de 2009 às 05:25
Continua a falar do Hamas como se eu fosse um defensor desse movimento. Se calhar, quando lhe sugeri duas ou três vezes que lesse a história do Hamas, não fui suficientemente explícito. Cá fica então. Eu nunca fui e não sou defensor do Hamas, das suas tácticas e da sua carga religiosa.

O Hamas foi criado (e fomentado por Israel) para combater a influência da OLP e de Arafat. Deu bastante jeito durante uns anos (tal como outros movimentos deram em alturas específicas noutros locais). Mas depois acabou por morder a mão de quem o alimentou (caso que também não é único) e acabou por ficar incontrolável. Ainda que não concorde com os seus ataques indiscriminados também não deixa de ser verdade que a influência que conquistou junto dos palestinianos se deve, não ao "fundamentalismo religioso", mas sim ao apoio efectivo que o movimento dá às populações na Faixa de Gaza e na Cisjordânia em termos de bem-estar e serviços sociais e à construção de infra-estruturas fundamentais como escolas e hospitais (necessidades prementes para as quais os palestinianos são empurrados há décadas). Não é por acaso que o Hamas ganhou as eleições legislativas em 2006 tendo conquistado 74 dos 132 lugares (a Fatah conquistou 45).
Vitória essa que os EUA e Israel se recusam a reconhecer e tendo também o Quarteto para as questões do Médio Oriente (EUA, Rússia, UE e ONU) ameaçado cortar os fundos à Autoridade Palestiniana. Parece-me um bocado estranho para quem apela tanto às eleições democráticas em outras situações.

Ainda que pudéssemos (e não podemos) apontar todos os males da situação da Palestina ao Hamas, os bombardeamentos de toda uma população por causa de um movimento terrorista não fazem qualquer sentido. Não o estou a ver a defender o bombardeamento de algumas populações devido a alguns grupos do seu território que usam (ou usaram) terrorismo para tentar fazer valer a sua perspectiva (Lashkar-e-Taiba, ETA, AUC, IRA, RAF, ..).

Para concluir, já que acha tão puro o movimento sionista também podemos falar de grupos como o Hashomer, o Irgoun (só de 1936 a 1938 este grupo foi responsável pela morte de 250 civis árabes), o Haganah, o Lehi, entre outros. Estes grupos foram depois a base da criação, pelo então 1º Ministro de Israel, Ben Gurion, da Tsahal - as forças armadas israelitas. Outra coisa curiosa é que muitos líderes destes grupos terroristas acabaram por sair para importantes cargos do governo israelita ao longo das décadas (Menahem Begin, 1º Ministro; Itzhak Shamir, 1º Ministro; Ariel Sharon, 1º Ministro; Yitzhak Rabin, 1º Ministro; Rehavam Ze'evi, Ministro; Dov Hoz, vice-mayor deTel-Aviv; Moshe Dayan, Comandante Supremo das FA, Ministro da Defesa e Ministro dos Negócios Estrangeiros; Yigal Allon, 1ºMinistro e Ministro de várias pastas; etc..). Os movimentos sionistas também fizeram vergar a vontade do Império Britânico.. mas não foi com greves de fome ou com marchas pacifistas ;)
De Paulo Sousa a 3 de Janeiro de 2009 às 14:23
Nós temos a vantagem de, se assim o entendermos, poder escolher um dos lados, algo que quer palestinianos e quer israelitas, não têm.
Não concordando com os alguns dos seus argumentos, considero-os válidos para debate.
Estou certo que com a mesma clareza e objectividade que este diálogo correu, o conflito israelo-palestiniano já estaria ultrapassado.
Cumprimentos
Paulo Sousa
De Maria Antonieta a 30 de Dezembro de 2008 às 22:46
Quanto a esta guerra eu nem sei comentar, porque para mim que já vi a guerra de perto, que já vi menbros amputados e cobertorees com restos humanos porque uma mina mandou um chipe com dois homens pelos ares, que já vi homens que não tinham nada de fracos a chorarem como crianças porque o helicópetero chegava com mais uma carga de feridos e que vi no hospital de Bissau um médico o Dr Garcia operar quase 24 horas seguidas
na ânsia de salvar vidas, para mim guerra é guerra e nenhuma é justificável e nesta não vão ser por certo os EUA que vão ser os salvadores.e não esqueçamos um factor preponderante:
O dinheiro dos judeus que se encontra nos EUA.
Não há ingénuos nesta guerra. Muito pelo contrário e na verdade a Palestina já deveria ter sido reconhecida como Estado.
Será que os ocidentais poderão ter a consciência assim tão descansada?
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