Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Mais do que ignorância, demagogia!

A recente crise dos mercados financeiros tem dado pano para mangas para o normal aproveitamento que os políticos fazem de realidades não políticas. Acontece muitas vezes no mundo do desporto, nas catástrofes e outras tragédias várias. Desta vez foi a crise financeira.

A esquerda envergonhada, especialmente aquela que vive fora da gaveta do Soares, apesar de reconhecer quando lhe convém os inegáveis méritos da economia de mercado, não perdeu tempo a apontar a ganância dos operadores financeiros como pecado capital. Até porque classificar como crime o acto ignóbil de ganhar dinheiro, já sabemos que é uma música com auditório garantido.

O nosso PM confessou hoje no Parlamento que soube há dias e no decorrer da referida crise que existia uma coisa chamada short selling. Só faltou mesmo foi dizer que ficou agoniado com tamanha aberração. Ele não sabe mas um dos seus ministros da Economia ou das Finanças poderiam ter-lhe explicado que a possibilidade de vender ou comprar uma mercadoria de que ainda não se é possuidor existe há décadas e destina-se a fazer cobertura de risco.

Aponto como exemplo o caso do café que pode ser negociado antes da colheita, pois essa é a forma de poder defenir um preço de fornecimentos de bens durante um período de tempo no futuro. Uma empresa como a conhecida Delta pode concorrer ao fornecimento de café a uma superfície comercial como o Continente durante um ou mais anos pois já sabe hoje o preço que lhe irá custar a matéria-prima no próximo ano. Para isso compra o café antes da sua colheita e assegura um preço futuro (chamada posição longa). Naturalmente que existe uma contraparte neste contrato que pode ser o produtor do café que assim pode planificar as suas receitas futuras e reduzir o seu risco (chamada posição curta). Se a colheita for abundante a Delta perde a oportunidade de comprar o café mais barato após a sua colheita, mas ao fazer o contrato reduziu o seu risco. Se a colheita for excassa poderá executar os contratos e assim assegurar o preço inicialmente previsto. O processo é em tudo comparável a um seguro contra um determinado risco. A companhia, neste caso um operador financeiro, perante um determinado prémio assume o risco do preço futuro. O mesmo processo existe para taxas de câmbio e para uma lista enorme de mercadorias, como os cereais, gado, metais, algodão, petróleo, etc. Outro exemplo quando se diz que o petróleo está a ser hoje transacionado hoje a 105 USD, esta cotação respeita ao petróleo a ser extraído em Novembro, Dezembro ou até bem mais tarde.

Quando a economia financeira funciona normalmente e dessa forma potencia a criação de riqueza da economia real o Sr. Sócrates, e outros como ele, puxam dos galões e gabam-se da perfomance que implementaram à economia. Quando a coisa não corre bem, neste caso por deficiente regulação dos mercados, matéria que depende da classe política, mais do que sacudir a água do capote, gritam num auto-de-fé histérico e amaldiçoam os gananciosos.

Porque é que não chamou também ganancioso, ou no mínimo incapaz, ao seu camarada Constâncio que não foi capaz de evitar o escândalo do BCP?

 

publicado por Paulo Sousa às 00:13
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De Rafael Marcelino a 25 de Setembro de 2008 às 17:41
Agora com um pouco de bom Humor.

Uma História para sorrir

Um velho Padre, durante anos, tinha trabalhado fielmente com o povo africano,
mas agora estava de volta a Portugal, doente e moribundo, no Hospital de S.
José.
De repente ele faz um sinal á enfermeira, que se aproxima. - Sim, Padre? diz
a enfermeira. - Eu queria ver o Primeiro M José Socrates e o Ministro
das finanças Teixeira dos Santos antes de morrer, sussurrou o Padre.
- Acalme-se, verei o que posso fazer, respondeu a enfermeira. De imediato,
ela entra em contacto com o Palácio de S. Bento e com José Socrates. E logo
recebe a noto­cia: ambos gostariam muito de visitar o Padre moribundo.
A caminho do Hospital, Socrates diz a Teixeira dos Santos:
- Eu não sei porque é que o velho padre nos quer ver, mas certamente que
isso vai ajudar a melhorar a nossa imagem perante a Igreja, o que é sempre
bom.
Teixeira dos Santos concordou. Era uma grande oportunidade para eles e até
foi enviado um comunicado oficial à imprensa sobre a visita.
Quando chegaram ao quarto, o velho Padre, pegou na mão de Socrates, com a
sua mão direita, e na mão de Teixeira dos Santos, com a sua esquerda. Houve
um grande silêncio e notou-se um ar de pureza e serenidade no semblante do
Padre. Socrates então disse: - Padre, porque é que fomos nós os escolhidos,
entre tantas pessoas, para estar ao seu lado no seu fim ? O velho Padre,
lentamente, disse: -Sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo o
Nosso Senhor Jesus Cristo. -Amém disse Socrates. -Amém, disse Teixeira dos
Santos. E o Padre continuou:
-'Então... como Ele morreu entre dois ladrões, eu queria fazer o
mesmo...!!!'
De Maria a 25 de Setembro de 2008 às 19:23
Parabéns pelo post que está excelente. Forma simples e correcta de explicar o mercado de futuros. Eu que sou leiga, não penso que o problema esteja nos day traiding ou outros produtos simples. A raiz do problema é sempre a ganância humana, as especulações, a necessidade de poder, o esconder um erro com outro maior, o brincar com o dinheiro e em ultima analise com o futuro alheio, etc, etc. e por aqui me fico.
De Paulo Sousa a 25 de Setembro de 2008 às 20:17
Obrigado Maria e Ferreira-Pinto.
Pelo que tenho lido a génese desta crise não se deve, nem pouco mais ou menos, à existência destes produtos financeiros mais ou menos sofisticados mas sim à consecutiva fixação de objectivos irreais de crescimento de volume de negócio por parte das empresas financeiras que levam a um 'vale tudo' inclusive à sobreavaliação de imóveis dados em garantia de empréstimos. A questão do subprime, que originou tudo isto prende-se exactamente com a conduta de empresas imobiliárias que certificavam avaliações de imóveis dados em garantia de empréstimos. Antes de rebentar a crise era fácil conseguir um empréstimo de 100% do valor atribuído pelas tais empresas a um imóvel. Meio milhão de dólares para uma operação destas era um valor razoável para a classe média americana.
Quando se fala em falta de supervisão refere-se ao facto das práticas destas empresas Real Estate não serem supervisionadas pelas autoridades financeiras.
Mas como dá jeito dar nas orelhas da direita liberal aí vai disto, que o público aplaude. Mais do que ignorância, demagogia!
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