Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

O que nós temos, os outros não, e vice-versa #5 – Casamento

O Casamento é um vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante reconhecimento governamental, religioso ou social e que pressupõe uma relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica são as relações sexuais.

 

Na maior parte das sociedades, só é reconhecido o casamento entre um homem e uma mulher.

 

Segundo a Wikipedia, em alguns países é também institucionalmente reconhecido o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. (Em Novembro de 2008, a Holanda, a África do Sul, o Canadá, a Noruega, a Bélgica e a Espanha) acrescento eu praticamente todos os países do mundo.

 

Estou de acordo, que pessoas que vivam maritalmente, do mesmo sexo ou não, mesmo que não sejam casadas, tenham todos os benefícios que um Estado laico, atribui aos casais.

 

Mais do que isso a mim faz-me uma grande confusão, ou melhor, sou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, penso mesmo que o casamento é um acto de pessoas conservadoras, nada moderno e não percebo como é que as forças políticas de vanguarda o defendem.

 

 

Mas que este é mais um tema, que vai resolver a gravíssima crise que vivemos, não tenho a menor dúvida nem eu nem o nosso Primeiro Ministro.

estou: Enganado
publicado por Luis Malho às 00:06
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34 comentários:
De Paulo Sousa a 15 de Fevereiro de 2009 às 10:50
De Pedro Santos a 15 de Fevereiro de 2009 às 22:16
Não percebo o argumento da não utilização da palavra casamento. Porque só pode ser utilizado numa relação heterossexual?

Um casamento é um contrato entre duas pessoas que querem partilhar um vida em comum com todos os direitos e obrigações que vêm associados a esse acto social. E é importante, sim, que haja uma forma de garantir os direitos de portugueses que são tratados de forma desigual. Portugueses esses que, se tiverem o parceiro/a no hospital e numa situação grave de saúde, ou às portas da morte, não poderão visitar porque isso só é permitido ao cônjuge ou à família, por exemplo.

Por mais eleitoralista que seja a proposta (que estava já na proposta de governo em 2005), por mais mentiroso que seja o PM, há pessoas a quem estão a ser negados direitos, em situações tão simples como comprar uma casa. E a discussão deste tema, agora, não exclui nem disfarça problema nenhum. Esse argumento parte do pressuposto que as pessoas são todas ignorantes, que não veêm o que se passa à sua volta e que basta Sócrates vir a praça pública dizer algum coisa, que deixa de haver massa crítica para perceber o país e o mundo.
Um argumento que se pode juntar ao que o PM utilizou (de forma absolutamente cínica e insultuosa à inteligência de qualquer português) quando chumbou a proposta do Bloco, sobre não ser o momento para discutir o tema.

Aliás, se o tema fosse assim tão descabido, tão socialmente desenquadrado, por que razão se discute com tanto fulgor? Porque se postou neste blog? Se há assim coisas tão mais importantes porque é que até a Douta Igreja Católica se veio pronunciar?

Não há «tempos» para dar às pessoas aquilo a que elas nunca deveriam ter sido privadas - DIREITOS.


Um cumprimento especial ao Jorge Soares pela lucidez com que, na minha opinião, vê este tema.

De Pedro Oliveira a 16 de Fevereiro de 2009 às 10:55
O horror do vazio
00h30m
Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

Mário Crespo in JN
De Luis Malho a 17 de Fevereiro de 2009 às 23:43
Mais um post intreressante sobre o tema
http://blasfemias.net/2009/02/17/notas-sobre-o-pros-pros/
De Luis Malho a 17 de Fevereiro de 2009 às 23:48
Não resisto a publicar uma crónica de LOutubro do João Pereria Coutinho, no Expresso, sobre o tema:

Casamento "gay".
"Abomino histerias. E o casamento "gay" é histeria. Segundo dizem, recusar o casamento a pessoas do mesmo sexo é uma "discriminação". As pessoas dizem a palavra - "discriminação" - e esperam que eu me comova. Não me comovo. Claro que é uma discriminação. E daí? Todos os dias, a todas as horas, sobre as mais variadas personagens, a sociedade exerce as suas "discriminações". Se, por mera hipótese, eu pretendesse casar com duas mulheres, estaria impedido pela força da lei. Não será isto uma "discriminação"? Por que motivo o Estado impede que três adultos que se amam possam construir uma família em conjunto?

Arrisco hipótese: porque a sociedade estabeleceu os seus códigos de conduta, os seus símbolos, as suas "instituições". São estes códigos, estes símbolos, estas "instituições" que sustentam a vida em sociedade e não vale a pena questioná-los por cálculo racionalista. Acabamos por chegar a conclusões francamente lunáticas. Se o casamento passasse a ser um mero contrato baseado no afecto (a visão sentimental da tribo), não haveria nenhuma razão substancial para impedir todas as formas possíveis de casamento: entre pais e filhos; entre irmãos; entre duas mulheres e um homem; entre uma mulher e vários homens; etc.

É justo que duas pessoas do mesmo sexo que partilham uma vida em comum possam assegurar certos direitos sucessórios ou fiscais. Não é justo desmontar o casamento tradicional para acomodar o capricho de uns quantos. Pior: o gesto apenas abriria uma nova forma de "discriminação" sobre todos os outros - pais e filhos; irmãos; duas mulheres e um homem; uma mulher e vários homens - que são deixados injustamente à porta do matrimónio. Tenham juízo e, já agora, portem-se como homenzinhos."

João Pereira Coutinho
De Pedro Santos a 18 de Fevereiro de 2009 às 00:52
Já que estamos numa de sugerir leituras:

http:/ jugular.blogs.sapo.pt /732749.html#cutid1

Reacções aos comentários de:

Mário Crespo: Nunca imaginei que um Senhor do jornalismo fosse tão intransigente e, tendo em conta o que escreveu, socialmente retrógrado. Para alguém que não admite que se ponha em causa a liberdade de expressão, a sua opinião é completamente discriminatória em relação à liberdade individual.

João Pereira Coutinho: Enfim, mais do mesmo. Não sei como se consegue ler o que escreve. A sua eterna e douta visão do mundo, lá do alto do seu altar, continua a demonstrar a superioridade moral com que eternamente fala sobre tudo e todos. Nem o ego dele o deve aguentar.

De Paulo Sousa a 18 de Fevereiro de 2009 às 01:00
Já aqui disse e repito.
O que fica mesmo mal nos ditos defensores da tolerância, é a intolerância que mostram perante quem não os apoia.
De Paulo Sousa a 20 de Fevereiro de 2009 às 14:26
E porque não legalizam o casamento incestuoso, ou poligâmico?
Se os apoiantes dos casamentos gay acharem exagerado, podem sempre imaginar que o casamento incestuoso pode ser também entre pessoas do mesmo sexo, e que num casamento poligâmico existirão sempre, pelo menos, duas pessoas do mesmo sexo.
Porque não?
De Pedro Santos a 20 de Fevereiro de 2009 às 18:06
As suas questões são pertinentes. Mas o Paulo também sabe que são demagógicas...

1 - O que se está a debater é o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. E quem faz lobby por esta alteração são todas as pessoas que entendem haver um discriminação clara (que a Constituição já não permite) mas que existe em relação à liberdade dessas pessoas se casarem. Ao longo do tempo os movimentos homossexuais têm reivindicado este direito, bem como o de não serem discriminados só porque gostam de pessoas com o mesmo sexo. Este movimento, que não engloba só homossexuais , defende o direito aos direitos. E esta é uma luta de dezenas de anos. É por causa da sua dimensão social, pelo impacto que tem na sociedade, que se deve debater e alterar, mesmo enquanto minoria.

2 - Não se está a debater a poligamia, pelo menos agora. Está-se a debater o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Duas. E não quer dizer que não se possa debater o casamento poligâmico. Mas quem é que o defende? Há movimentos na sociedade a defender essa alteração?

3 - Casamento incestuoso . Tema muito delicado porque envolve família , relações de consanguinidade, etc. Não nego que existam relações de amor entre familiares directos mas, mais uma vez, onde estão as pessoas a pedir uma alteração neste sentido? Quem é que defende isto? Que relevância tem socialmente?

4 - Só se está a discutir cada vez mais o casamento entre pessoas do mesmo sexo porque a sociedade está mais aberta, porque há cada vez menos pessoas com vergonha de dizerem quem são e como são. E dessa consciência vem a necessidade de reivindicar os direitos que são negados, dessa voz que se ouve cada vez mais vem a pertinência social. Quando houver uma movimento social que defenda o casamento poligâmico ou o incestuoso que se discuta e se altere a lei. Mas neste momento não é isso que se está a discutir.

Os defensores do não, como o Paulo, só lançam estes argumentos para criar mais confusão. Não se está a por em causa a falência do que é o casamento civil. Está-se a pedir que ele se alargue a uma minoria que o reclama e que por ele é discriminada.

5 - Se continuarmos com essa falácia posso perguntar porque não posso casar com um cão ou com mesa... E, parto do pressuposto, que o Paulo também sabe que isso não faz sentido nenhum!
De Paulo Sousa a 20 de Fevereiro de 2009 às 19:57
Casar com uma mesa não faz qualquer sentido, agora com um automóvel... seria bem mais compreensível.
Sabemos que nesta conversa nenhum de nós irá mudar de opinião, mas ao debater as ideias e os conceitos ficamos com as nossas certezas mais definidas.
Esqueçamos os casos concretos e falemos sobre os conceitos. Defenderia a possibilidade de que dois irmãos ou irmãs se pudessem casar? Ao fim e ao cabo a questão da consanguinidade não é obstáculo em termos de procriação.
Para mim essa possibilidade é tão aceitável como o casamento gay, dito normal (!!!). Apenas uma questão de aceitação social, como aliás é o casamento gay.
Fala de direito aos direitos e logo de seguida fala em 'dimensão social'. E porque é que os defensores do casamento incestuoso, que tendo uma menor 'dimensão social' não têm o mesmo direito? Não será por serem uma minoria (pequena) dentro da minoria (grande) que não merecem o apoio da grande maioria. Não se atreveriam a negar à minoria pequena o que exigem para si, só por serem uma minoria maior, pois é de direito aos direitos que falamos.
Não me encontrando entre os defensores do casamento gay, respeito a liberdade de cada um, mas entendo que logo que se alargue o conceito de casamento tradicional deixa-se a porta aberta a que outras excepções encaixem nos argumentos dos defensores. A união de facto é uma figura com reconhecimento legal e fiscal e por isso considero-a suficiente em termos de acitação social para quem entenda ‘juntar os trapos’ com quem quiser.

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