Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Alzheimer

Fui recentemente confrontado com um diagnóstico de Alzheimer a um familiar próximo, que me levou a pesquisar informação mais detalhada sobre a doença.
De uma forma natural, percorri toda a infância até à idade actual, recordando imagens, sentindo cheiros e ouvindo sons da altura, que evidenciam, nesta altura da minha vida, a inversão dos papéis de cuidados prestados pelos progenitores à sua descendência. A nostalgia tem destas coisas e faz-nos pensar naquilo que, de outra forma, talvez não nos permitisse abrir novos horizontes.
A actual sociedade tem vindo a sofrer alterações profundas, aos mais variados níveis, que vão desde os novos padrões da educação a que submetemos as nossas crianças, desde a mais tenra idade, até à forma como abandonamos os nossos idosos/velhos, entregues à sua sorte e à solidão.
Não é novidade para nenhum de nós, que vamos vendo as notícias recentes, de hospitais que registam, cada vez mais, um número elevado de camas ocupadas com idosos a quem a família não quer ou não tem condições para receber nas suas casas, especialmente se … ainda trabalham.
A quem podemos confiar a sorte dos nossos mais próximos, que cuidaram de nós enquanto fomos crianças, que nos foram buscar à escola, que nos deram a primeira mesada, que nos puxaram as orelhas quando foi necessário, que assistiram, com orgulho, à nossa Queima das Fitas e nos viram em estados pouco sóbrios, que nos levaram ao altar, no dia do nosso casamento e estiveram prontos para nos ajudar com os nossos filhos?
Em alguns países da nossa Europa, existem as residências assistidas que garantem aos idosos o conforto das suas casas, com assistência médica e cuidados de enfermagem, higiene diária, entre outras actividades que lhes permitem manter a sua dignidade, apesar da sua fraca autonomia, na maior parte dos casos.
Nós por cá, ainda não me refiro ao programa da SIC, mas estamos confinados aos grandes centros urbanos, a preços que muitos hotéis provavelmente não cobram nas suas diárias.
Será que a restante população não é digna ou merecedora de semelhantes cuidados? Será que a desertificação não pode ser combatida com criação de empregos nesta área tão vasta?
Será necessário e correcto limitar o número de vagas e elevar as médias de acesso às medicinas, para termos depois, o reverso da medalha, com médicos estrangeiros e estudantes nacionais a fugir para universidades além fronteiras?
Questões transversais a toda a pirâmide social, que nos podem passar ao lado, se não tivermos receptividade para ver e ouvir.
Os difíceis dias que hoje vivemos levam-nos ao egocentrismo e não permitem a criatividade nem a simplicidade de conceitos tão básicos quanto o voluntariado, nem a entreajuda a quem necessita, em todas as áreas que todos nós conhecemos, por experiência própria, como é o meu caso, ou por testemunhos que nos vão chegando.
Penso que, estará, também, nas nossas mãos dar um passo em frente e explicar às crianças como podemos ajudar sem pedir nada em troca e sem esperar que nos peçam ajuda.
O simples facto de saber que o  avô da minha esposa, que já tem momentos de grande confusão mental e se vê confrontado com a toma de inúmeros medicamentos, fez-me levantar questões tão simples da nossa complexa sociedade.
Deixo-vos um convite para se pronunciem sobre as questões que aqui levantei e que partilhei sobre esta triste realidade.
Para quem, como eu, quiser saber mais sobre a doença, podem consultar o site:www.alzheimerportugal.org
 

tags:
publicado por Pedro Oliveira às 12:33
endereço do post | comentar | favorito
5 comentários:
De Portomaravilha a 16 de Fevereiro de 2009 às 17:47
A avó paterna da minha espose faleceu dessa doença. É uma doença cuja progressão pede a partir dum dado momento um acompanhamento especializado. A agravação progressiva da perda das diferentes etapas da memória (imediata, anterior ...) requer uma vigilância permanente. E esta dificilmente pode ser feita por familiares que têm obrigações laborais. Por outro lado, quando o cônjugue já é idoso, este dificilmente poderá realizar todas as tarefas.

Aqui, devido ao desenvestimento do Estado, desde alguns anos para cá, no serviço público, começam a existir diferênças abismais entre os centros de acolho . Ricos e pobres não são iguais perante a doença.

Com efeito, algo inédito em França, cada vez menos as prestações ou actos médicos ou para madicais são reembolsados na sua totalidade. O que prejudica os mais pobres e desfavorecidos.

Sou profundamente a favor da solidareadade entre gerações, mas também sou a favor duma repartição justa da riqueza. Sarkozy ofereceu 14 bilhões (lerem bem ) às famílias mais ricas de França ( abolição do imposto sobre as grandes fortunas e heranças). Não teriam estes melhor servido para os lares da terceira idade, para os hospitais... ?

E Viva o Porto !
De salvoconduto a 17 de Fevereiro de 2009 às 01:46
Imagino o que é ter alguém na família com a doença. Imagino uma pessoa sentir-se tão limitada para lhe acorrer. Gostaria de imaginar um país com capacidades para proporcionar os meios adequados para minorar a situação. E de repente assusto-me.
De patti a 17 de Fevereiro de 2009 às 10:35
Também conheço um caso próximo e sei o quanto é difícil conviver com a doença, ainda para mais porque a degeneração em alguns casos é muito rápida.
De Si a 17 de Fevereiro de 2009 às 16:00
São tantas as questões levantadas neste post, que nem sei por onde começar.
A revolta é enorme quando nos debatemos com situações de abandono e degradação de adultos com mais idade, porque, para além do egoísmo inerente à personalidade de muitos familiares destes, de facto, 'todos os santos ajudam': o lobby dos médicos sobre as vagas dos cursos e da distribuição geográfica dos poucos que entram é escandaloso. O lobby das farmacêuticas gigantes que vão libertando fórmulas de ajuda a estes pacientes a conta gotas, de acordo com as vontades dos seus accionistas, é ultrajante; a permissividade da Segurança Social, relativamente a lares sem condições e a outros milionariamente pagos é indescritível. 'Santas Casas da Misericórdia', então, são termos abomináveis, porque em nada se revelam misericordiosos para quem delas necessita. Falar de ajuda, voluntariado, abnegação?? Para quê, se logo em torno destes termos se arranjam grandes negociatas que em nada ajudam quem realmente precisa?
Perdoe-me, Pedro: sou, por princípio, uma pessoa optimista e com espírito de luta perante as dificuldades, mas há temas que me desencorajam completamente....
P.S. - Lamentavelmente, de facto, esta doença é deveras assustadora. Todas as informações sobre a prevenção e tratamento nunca serão demais.
De Nucha a 17 de Fevereiro de 2009 às 17:01
Muito há para comentar...e ás vezes até apetece dar um murro na mesa e dizer basta! Sei que já é um lugar comum mas continuo a dizer "façam mais estádios de futebol" porque precisamos...!!!!
Cada vez me indigno mais com o estado das coisas. Que fazer aos velhos? Aos que já foram novos? Que vai ser de nós?Onde pára o ditado "que velhos são os trapos"????
Abraço indignado!

Comentar post

.vasculhar neste blog

 

.quem esteve à mesa

Ana Narciso

Eduardo Louro

Jorge Vala

Luis Malhó

Paulo Sousa

Pedro Oliveira

Telma Sousa

.connosco à mesa

Os nossos convidados

Dr. Miguel Horta e Costa

Eng. Cláudio de Jesus

Dr. Saúl António Gomes

Dra. Isabel Damasceno 

Prof. Júlio Pedrosa 

Cor. Valente dos Santos

 

Os nossos leitores

Ana Rita Sousa

Carlos Sintra

 

O nosso email

 

Siga-nos 

 

.podcast


Curvas do Livramento

oiça os nossos debates

Ed. Zero

Edição 1 - 04/Jun/009

Ed. 1.1 Europeias

Ed. 1.2 Autárquicas

Ed. 1.3 Casamentos Gay

Edição 2 - 30/Jun/009

com Clarisse Louro

Ed. 2.1 Pós Europeias

Ed. 2.2 Legislativas

Ed. 2.3 Autárquicas

Ed. 2.4 PMós 2º Clarisse Louro

.Palestras Vila Forte

Prof. Júlio Pedrosa - Audio 

 

Prof. Júlio Pedrosa - Video 

 

Prof. António Câmara - Palestra

Prof. António Câmara - Debate

Prof. António Câmara - Video

 

Agradecemos à Zona TV

 

.Vila Forte na Imprensa

Região de Leiria 20100604

Público 20090721

O Portomosense20081030

O Portomosense20081016

Região de Leiria20081017

Região de Leiria20081017

Região de Leiria2008052

Jornal de Leiria 20080529

O Portomosense 20071018

Região de Leiria 20071019 II

Região de Leiria 20071019 I

Expresso 20071027

O Portomosense 20071101

Jornal de Leiria 20071101

Região de Leiria 20071102

.Últimos Comentários

Special thanks to MrCosmos
The Feedburner expert

.arquivos

.arquivos blog.com

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

.Vizinhos Fortes

.Quiosque

diários

semanários
  regionais
 
   

.Filme recomendado

 

 

Trailer

 

 

 

.Leitura em curso


A Revolução dos Cravos de Sangue

de Gerard de Villiers

Estamos em Portugal, no rescaldo do 25 de Abril, e Lisboa é um tabuleiro de xadrez onde CIA e KGB jogam uma partida mortal. Os serviços secretos americanos, desesperados por apenas terem sabido do golpe de Estado através dos jornais, esforçam-se para impedir que Portugal caia nas mãos do comunismo. Do outro lado, a KGB tem em mente um plano diabólico e põe em campo os seus melhores agentes. É então que um golpe de teatro promete desequilibrar esta guerra fria. Natália Grifanov, mulher de um poderoso coronel da KGB, está disposta a passar para o Ocidente e a relatar todos os segredos que sabe. Para organizar essa deserção a CIA escolhe o seu melhor agente: Malko Linge. Mas nem ele conseguirá levar a cabo esta missão sem evitar danos colaterais. E é então que, nas ruelas de Alfama e nos palácios da Lapa, entre traições e assassinatos, a Revolução dos Cravos mostra a sua outra face.

E, acredite, não é bonita!

Um thriller soberbo e original, passado no pós 25 de Abril de 1974.


Saida de Emergência

.Contador de visitas

.tags

. 25 abril(10)

. 80's(8)

. académica(8)

. adopção(5)

. adportomosense(11)

. aec's(21)

. alemanha(7)

. ambiente(9)

. amigos(5)

. amizade(7)

. angola(5)

. aniversário(9)

. antónio câmara(6)

. aquecimento global(7)

. armando vara(9)

. ass municipal(12)

. autarquicas 2009(46)

. avaliação de professores(9)

. be(7)

. benfica(13)

. blogosfera(16)

. blogs(38)

. blogues(19)

. bpn(6)

. casa velório porto de mós(10)

. casamentos gay(17)

. cavaco silva(8)

. censura(7)

. ciba(6)

. cincup(6)

. convidados(11)

. corrupção(7)

. crise(35)

. crise económica(8)

. cultura(7)

. curvas do livramento(10)

. democracia(7)

. desemprego(14)

. disto já não há(23)

. economia(25)

. educação(63)

. eleições(7)

. eleições 2009(55)

. eleições autárquicas(40)

. eleições europeias(12)

. eleições legislativas(46)

. escola(8)

. escola primária juncal(9)

. eua(8)

. europa(14)

. face oculta(18)

. freeport(14)

. futebol(39)

. futebolês(30)

. governo(6)

. governo ps(39)

. gripe a(8)

. humor(6)

. internacional(18)

. joao salgueiro(38)

. joão salgueiro(15)

. josé sócrates(7)

. júlio pedrosa(10)

. júlio vieira(6)

. juncal(31)

. justiça(11)

. liberdade(11)

. magalhães(6)

. manuela ferreira leite(13)

. médio oriente(10)

. medo(12)

. natal(13)

. obama(6)

. orçamento estado 2010(7)

. pec(8)

. pedro passos coelho(7)

. podcast(11)

. politica(12)

. politica caseira(6)

. porto de mós(119)

. porto de mós e os outros(41)

. portugal(27)

. presidenciais 2011(6)

. ps(48)

. psd(54)

. psd porto de mós(11)

. publico(9)

. religião(6)

. rtp(12)

. s.pedro(6)

. salgueiro(16)

. sócrates(81)

. socrates(62)

. teixeira santos(6)

. tgv(6)

. turismo(8)

. tvi(6)

. twitter(17)

. ue(17)

. vila forte(24)

. todas as tags

.subscrever feeds