O clima que se instalou depois do verão e que justificadamente se mantém está a tornar-nos, ainda mais pessimistas, depressivos, do que normalmente somos.
Na minha actividade profissional, sou confrontado diariamente, com a terrível pergunta: O que fazer? Onde é que vamos parar? Tenho dado sempre a mesma resposta: Não vejam televisão e O mundo não vai acabar agora e portanto é aproveitar para mudar o que está mal. As pessoas nestes momentos estão muito mais disponíveis para aceitar a mudança.
Mas caramba, há sinais aterradores daquilo que estamos a viver, para além da crise internacional. Senão vejamos alguns exemplos:
1. Ontem António Vitorino, numa conferência, no Instituto de Defesa Nacional: “Na justiça, temos um problema de ineficácia e de inadequação do sistema perante as necessidades da vida actual, social e económica, mais sujeita à necessidade de uma revisão e alteração profunda” e a necessidade de “revisitação à democracia representativa” pois é evidente a “incapacidade actual do sistema de partidos”.
2. Que Mário Crespo, jornalista assumido da área do PS, escreveu uma crónica, impossível de resumir, mas de leitura obrigatória.
3. Que o Director do SOL, sem ser desmentido, tenha dito à Sábado, que um alto dirigente do PS, muito próximo do Primeiro Ministro, lhe tenha colocado como condição para facilitar a resolução da debilitada situação financeira do jornal a não publicação de mais nenhuma noticia sobre o Freeport.
Nada disto tem a ver com a Crise, mas é muito mais grave, pois a crise há-de ser ultrapassada, como todas as outras, e o Regime, esse dificilmente mudará.
Ou será que não? Nas crises todos estamos muito mais disponíveis para mudar!!
Nada disto tem a ver com crise?
O pior é que tem, porque a crise tem infelizmente muitas vertentes.
Não é só financeira, é também económica, já está a ser e será ainda mais uma crise social e por arrastamento será também um crise política.
Claro que a crise política, especificamente no nosso país, está associada à descredibilização continua da classe política. Não me refiro aos casos vergonhosos deste governo, mas também à instituição da mentira por parte dos partidos políticos. O PS e o PSD tem especiais responsabilidades nessa descredibilização por governarem alternadamente o país há décadas.
A maioria dos portugueses já votou no PS ou no PSD, ou em ambos (caso contrário nunca teriam governado), e pela ligação chamemos-lhe afectiva a um dos dois poderá haver algum constragimento em assumir este facto.
Quando o partido que apoiamos está no poder, e há abusos e mentiras, fingimos que não se passa nada e em casos irreflectidos ficamos à defesa dizendo que os outros já fizeram o mesmo.
Quando o partido que apoiamos está na oposição, e há abusos e mentiras, criticamos com razão o partido no poder e temos de ouvir os apoiantes do então governo dizer que 'voçês' (??) já fizeram o mesmo.
É normal os políticos mentirem!
Até as crianças sabem disso!!
Há dias, ouvi alguém a manisfestar-se sobre mais um escândalo futebolísticos dizendo: "O Futebol já parece à política!!". Pensei para comigo que de facto apesar do normal termo de comparação para algo que funciona de maneira pouco clara ser o futebol, chegamos a isto.
Quem tira partido são os pequenos partidos radicais que, como nunca foram poder em Portugal, mostram-se donos de uma moral que sabemos ser de carácter oportunista.
Claro que quando há barriga cheia é mais fácil fazer de conta que não se passa nada, mas quando as coisas pioram é normal que se exija responsabilidades àqueles que nos estão sempre a prometer melhorias e falham repetidamente.
As coisas podem piorar.
Já estamos em crise há anos, crise na justiça,crise na educação,crise na economia,crise na saúde,crise nos valores.Enfim, somos um povo que não se alinha em nada.
Para mudar é preciso vontade e saber para onde, aqui é que as coisas se complicam: mudamos para onde? Qual é o caminho e com quem?
Muito complicado meu caro Luís.
De Maria Antonieta a 18 de Fevereiro de 2009 às 17:54
Muito complicado também eu digo.
Sobretudo porque não há um plano. Tomam-se medidas avulsos ou melhor anunciam-se medidas com pompa e circunstãncia e depois na práctica não existem, são virtuais.
O ano passado tinhamos de poupar porque não havia dinheiro e os portugueses ap+ertaram o cinto, pagaram iva mais caro, impostos superiores. Agora pareceque há dinheiro para tudo especialmente para o BPN e outrosque tais. E quem já disse que os ordenados deadmnistradores, certos gestores etç têm de ser reavaliados?
Muito mais grave do que esta crise internacional que já está a transformar-se numa crise social com consequências inavaliáveis, é o completo desnorte em que o governo está.
E já agora a título de rodapé sei que há muitos municípios com plano anticrise.
Em Porto de Mós dever-se-ia inventariar os problemas já existentes e os que venham a existir e sobretudo as possíveis soluções. Outra coisa que me parece pertinente é o seguinte:
Todas as crises trazem com elas épocas de oportunidades.
E se inventariassemos as potenciais oportunidades para depois podermos tirar partido disso.
Aqui fica a sugestão. Claro que ninguém deve achar uma sugestão interessante.
De
AP a 19 de Fevereiro de 2009 às 08:06
Enquanto o povo continuar sereno e a querer futebol, fado e telenovelas o regime não vai mudar.
Importa mais que tudo a crise de mentalidades e cultura do povo português.
Portugal enfrenta, além da crise económica, uma crise de liderança. Quem o diz é o empresário Belmiro de Azevedo.
«Nós temos uma crise de líderes no Governo, nos partidos políticos, nos empresários, nas associações, nos sindicatos», afirmou, num encontro promovido pelo Fórum para a Competitividade.
Belmiro diz que não haverá despedimentos na Sonae
O fundador do Grupo Sonae, considera existir «falta de liderança a muitos níveis» e defende que «Portugal precisa, mais do que de novos líderes, de bons líderes».
No caso dos sindicatos, Belmiro de Azevedo disse que os mesmos «defendem o emprego para ávida», uma teoria abandonada há décadas e que não pode ser prosseguida na actual conjuntura.
Quanto aos políticos, diz o empresário que «falam do que não sabem e prometem o que não podem cumprir».
Ver e ler mais em :http://ww1.rtp.pt/wportal/acessibilidades/legendagem/pecas.php?data=2009-02-18&fic=telej_1_18022009&peca=8&tvprog=1103
Comentar post