Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

UM CONCELHO VISTO ÀS AVESSAS

 

Um dos acontecimentos que está a marcar a Politica Concelhia neste inicio de 2009 é sem dúvida a apresentação pública do documento Porto de Mós 2025.
Este documento, único na abordagem do Concelho numa perspectiva de longo prazo a partir da actual realidade, trata de forma séria e interligada as várias áreas de intervenção da Câmara Municipal.
Esta iniciativa inédita na forma (normalmente as Câmaras encomendam estes estudos a especialistas avaliando-os qualitativamente em função da quantidade de milhares de euros que custam), é da responsabilidade pessoal dum Portomosense, completamente desapegado do poder e que gratuitamente disponibilizou esse valioso trabalho.
Este documento e a sua apresentação tiveram uma timida divulgação, que por estar recheado de ideias visionárias, tem certamente incluidos os princípios elementares para que definitivamente se dê inicio sério à discussão e perspectiva de futuro para o concelho de Porto de Mós.
João Neto é um visionário. Mas este documento tem a marca do seu profundo conhecimento sobre a actual realidade do Concelho. É também a prova da sua generosidade e amor à terra onde nasceu e cresceu e finalmente a demonstração da forma como na generalidade autor e documento são desvalorizados.
Só mesmo os medíocres consideram os visionários um desperdício! E no actual contexto a diferença entre os Municipios que evoluem de forma equilibrada e com sucesso (vidé qualidade de vida para os cidadãos, orgulho em residir, atracção ao investimento, etc) e os outros, está na capacidade dos seus Governantes em transformar ideias visionárias em projectos de valor acrescentado, fazendo bem o que ainda está por fazer.
Tenho pouca esperança que no actual contexto Politico, no nosso concelho exista capacidade, ousadia, determinação e até coragem para pegar neste documento, trazê-lo à discussão Pública e transformá-lo em Plano estratégico para Porto de Mós.
Aliás numa primeira análise as palavras do Presidente da Câmara são sintomáticas; “entendo que o concelho tem outras prioridades”.
Ou seja, um plano estratégico para quê?
Ao jornal regiao de leiria  disse ainda comentando o documento; “ …o reforço da rede de águas e de saneamento, são algumas das medidas que entendo como urgentes”. Sem dúvida!
Mas o que tem isso de semelhante com a necessidade ou não dum plano estratégico para os próximos 15/20 anos?
Se há 15/20 anos o desenvolvimento do Concelho tivesse passado por um documento de planeamento, certamente à altura visionário, hoje estaríamos a pensar de forma integrada todas as áreas de actuação da Autarquia, a pensar nas pessoas e não a definir à la carte investimentos absurdos pagos com os euros dos contribuintes.
É que este documento não prevê investimentos de centenas de milhares de euros como o da substituição da rotunda do rossio, só porque SIM! Ou investimentos de centenas de milhares de euros, como o da escola da Cumeira, quando à partida já se sabia que, de acordo com a carta educativa é para encerrar a curto prazo! Ou o sumptuoso investimento de milhões de euros no cine-teatro de Mira de Aire…
O” problema” dum Plano Estratégico é que obriga a que seja seguida uma linha de rumo, que seja dada prioridade ao planeamento, à acção integrada, ao forte investimento nas pessoas e à disponibilidade para descentralizar na acção e nas ideias. No fundo é necessária uma forte capacidade de liderança, aliada à coragem e ousadia para criar roturas com princípios instituídos, enferrujados e invulgarmente voltados para dentro.
O Presidente da Câmara tem uma visão às avessas do nosso concelho!
Pensa o futuro do Concelho de acordo com o tempo que vai estar logo à tarde, porque amanhã pode chover. E está tanta coisa por fazer por causa da chuva.
Perspectiva a evolução das obras de acordo com a capacidade e disponibilidade de alguns, poucos, muito bons trabalhadores da Câmara (conforme o tempo).
Tem sempre definidas na ponta da língua as grandes prioridades para o concelho: Saneamento básico(sente-se envergonhado da realidade do concelho) e abastecimento de água. Concordo. Sem dúvida grandes prioridades. Mas passaram 3 anos após os quase 20 que esteve na Câmara ligado ao Poder e nesta matéria  pouco ou nada acrescentou ao que já estava feito.
Prioridade para Porto de Mós é a definição duma linha de rumo, séria e partilhada pela maioria dos cidadãos deste concelho.
Prioridade são as pessoas porque é pelas pessoas e para as pessoas que existem cidadãos eleitos.
Achei que esta visão às avessas de Governar um Concelho, com uma prática de navegação à vista de costa era apanágio Socialista. Mas não. O Camarada do Presidente da Câmara de Porto de Mós, Presidente da Câmara de Lisboa pôs à discussão na passada semana a carta estratégica de Lisboa 2010-2024 - Um compromisso para o futuro da Cidade.
Sinais…
É que afinal há Socialistas e Socialistas. E em Lisboa o abastecimento de água e saneamento básico também são prioridade.
A grande diferença é que a carta de Lisboa certamente foi elaborada por consultores de renome internacional e a de Porto de Mós foi oferecida pelo João Neto.
Quem sabe se não será esse o segredo da diferença !
publicado por Jorge Vala às 00:01
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10 comentários:
De aurora a 19 de Fevereiro de 2009 às 08:56
Jorge, a tua exgerada adnmiração pelo João Neto é tão ridicula quanto a indeferença do presidente da câmara ao projecto do mesmo!!!! No meio está a virtude......O João Neto não é o Idolo que tu apregoas, nem a honestidade em pessoa, vá lá Jorge tem calma......
Aurora
De Pedro Oliveira a 19 de Fevereiro de 2009 às 10:16
Tocas em vários aspectos que hoje em dia estão a fazer a diferença noutros concelhos:

-Liderança
- Capacidade de inovar
-Capacidade de ouvir
- Capacidade de implementar


Quem ouviu a palestra do Professor António Câmara, sabe que a proposta apresentada pelo João Neto se enquadra na perfeição no "pensar diferente".Cabe aos politicos, quem está no poder e quem pretende lá chegar, ter a inteligência suficiente para ler, ouvir, e para depois tomar decisões.
João Neto teve a ousadia de fazer uma proposta para o seu concelho, mas mais uma vez Porto de Mós e quem pode decidir, gosta de chutar para canto e inventar desculpas, até se for preciso falar na vida privada dele.Sintomático dos fracos, quando estão perante alguém que pensa diferente, nada melhor que tirar-lhes credibilidade por esta ou aquela razão, a mais valia das ideias não conta.

Deixo aqui uma sugestão ao meu amigo Luís Malhó que espero bem que o PSD apoie, que seja efectuada uma AM extraordinária em que seja convocado o João Neto para que os Deputados Municipais possam ouvir as explicações do projecto e que seja dada oportunidade para a discussão ser alargada. Não quero acreditar que TODOS os deputados municipais tenham a mesma opinião dos líderes partidários em relação à base de trabalho que é o Porto de Mós 20025.
Será que a pergunta do Jorge tem razão de ser?

" grande diferença é que a carta de Lisboa certamente foi elaborada por consultores de renome internacional e a de Porto de Mós foi oferecida pelo João Neto.
Quem sabe se não será esse o segredo da diferença !"

Fica a minha sugestão, Porto de Mós MERECE!


De Maria Antonieta a 19 de Fevereiro de 2009 às 17:03
Gostei muito do que escreveu Pedro e subscrevo inteiramente.
Há coisas que são mesmo apanágio dos fracos.
Eu prefiro ser visionária. Ah! e a propósito dizem que Obama é visionário .
Mas isto somos nós, eu e o Pedro a pensar.....ou a ter visões de um dia ver Porto de Mós no topo
De Nuno a 19 de Fevereiro de 2009 às 11:47
O João Neto é de facto um excelente arquitecto, engenheiro, arquitecto paisagista e urbanista.....Um visionário, a excelência em pessoa.......o supra sumo da barbatana.

Nuno

De LR a 19 de Fevereiro de 2009 às 14:47
Concordo com o Jorge Vala quando diz que não se vislumbra ninguém capaz de colocar este ou outro projecto visionário em prática.Tenho sou é uma dúvida desde a entrevista do João Neto, o quereria ele dizer quando disse que só Gomes Afonso poderia aplicar estas ideias?Que saberá ele?Nem quero pensar que será Gomes Afonso a confrontar João Salgueiro, seria a demonstração que Porto de Mós é uma terra de velhos do restelo e que os partidos no nosso conceho estão acabados.
Mas temo que seja verdade para mal das pessoas que cá vivem.Somos e seremos, a confirmar-se, uma terra sem esperança para os nossos netos.O tempo não volta para trás,por muito que os incompetentes o queiram.
De Maria Antonieta a 19 de Fevereiro de 2009 às 16:58
Eu postei aqui logo que saiu o documento mais ou menos isto" seeste documento aparecesse em Porto de Mós assinado por um ilustre teria uma enorme aceitação"
Hoje penso igualzinho.
E tem outra coisa. O que eu aqui analisei e o que todos devem analisar é o documento em si, com as respectivas propostas. E as propostas são muito boas.
O João Neto fez um belissimo trabalho em prole do concelho e de forma graciosa tornou-o público.
Por isso lhe devemos estar agradecidos e quem o não quizer reconhecer será por inveja ou por má índole.
No que toca ao CDS reconhece-lhe o mérito e na medida do possível lutará para que muitas propostas deste documento possam estar inseridas num programa eleitoral.
Nâo somos nem visionários, nem mal agradecidos, nem convencidos.
Se as propostas se reconhecem boas, vindas elas de onde vierem, porque não adoptá-las.
È necessário abrir horizontes e para se apresentarem boas propostas não é necessário ser santo nem ter nenhuma auréola de anjo em volta da cabeça.
Se assim fosse a maior parte dos gestores das nossas empresas públicas não o eram.
Ah!Mas isto sou eu a pensar....devo ser visionária
De Maria Antonieta a 19 de Fevereiro de 2009 às 19:28
sisto a publicar aqui este texto que merece a reflexão de todos nós. aqui fica :
"A Grã-Bretanha poderá estar à beira da bancarrota!
Depois da Islândia, o Reino Unido poderá ser o próximo país a ser afectado pelo colapso do mercado imobiliário americano.
Além destes países, o diário inglês Daily Telegraph (em Outubro de 2008) alertava que o Paquistão, a Argentina, o Cazaquistão, a Hungria e a Grécia poderão estar em maus lençóis.
Entretanto por cá, o primeiro-ministro descobriu que Portugal também já estava em recessão e que 2009 poderia ser um ano sombrio.
Depois das vacas gordas e do oásis chegou a crise, mas entretanto ainda há espaço para investimentos faraónicos, como o TGV e o novo Aeroporto de Lisboa, extraordinário, o legado que deixam às gerações vindouras.
Isto para não falar dos submarinos…
Aterrado fiquei eu, esta semana depois de ver «Os Negócios da Semana», no SIC Noticias e de ouvir alguns dos mais conceituados e reputados economistas da nossa praça defender a redução dos salários dos portugueses.
Sobre este mesmo assunto lembro-me de ter ouvido falar o falecido Sousa Franco – antigo Ministro das Finanças de António Guterres.
Inquietante e profético.
Arrepiante diria mais.
Agora, começo a entender o significado das palavras Nova Ordem Mundial – colapso, caos, guerras civis e recomeçar do novo, a partir do Nada – Dum lado, os ricos, os mestres da golpada, os intocáveis, do outro, os servos, os escravos.
E não haverá lugar para o meio-termo.
A geografia do mundo como a conhecemos sofrerá profundas alterações.
Irão estas alterações decorrer suavemente e no espaço de gerações?
Não…
Elas ocorrerão mais breve do que aquilo que se pensa.

Etiquetas: Club Bilderberg, Senhores do Mundo
De Silva Neto a 19 de Fevereiro de 2009 às 19:45
De Silva Neto a 19 de Fevereiro de 2009 às 19:33
Numa altura muito dificil da minha vida, que poucos ou ninguém podem avaliar e onde não quero ficar sem rosto, lamento a fulanização. Pedi que o trabalho que apresentei foi lido, visto e analisado, despido do seu autor. Estarei sempre cá para o defender, meu caro amigo Jorge, como sempre fiz em tudo o que fiz. É um trabalho sério, mesmo sem ser preciso dizer que duas universidades o acompanham. Sério!... E do mesmo animal que talhou o Calígula, do Nobel Camus, com música e tudo, uma novidade na altura, no nosso castelo; do mesmo animal que ajudou a criar a rádio e que agarrou o jornal "O Portomosense" do qual foi director; do mesmo animal que criou e promoveu o Festival da Canção com autores e interpretes locais; do mesmo animal que criou as Marchas Populares; do mesmo animal da reabilitação do castelo, do mesmo animal do Congresso Histórico com actas por publicar; do mesmo animal que propôs as medalhas de ouro municipais ao mérito cultural à Banda Recreativa Portomosense, ao Doutor Saul Antonio Gomes e a "O Portomosense", todas atribuídas; do mesmo animal dos Prémios Prestígio D. Fuas a figuras "esquecidas" cá do burgo e do mesmo animal do impôs livro documental sobre Porto de Mós no âmbito dos 700 anos do Foral, que foi Prémio Calouste Gulbenkian. Coisas, talvez banais que de mim fazem parte e de que me muito orgulho.

Jorge: Desculpa este desabafo mas, no dia dos meus 53 anos de vida, senti necessidade de alguma escova, de algum brilho e de alguma marcação de território. Contudo penso que Porto de Mos 2025 é o meu MAIOR E MELHOR CONTRIBUTO Á MINHA TERRA.
Deixado na nossa biblioteca, superiormente dirigida, é o meu obrigado a todos. A Todos! Mesmo a todos!

E em ti vai um abraço forte a todos os Portomosenses.
De Pedro Oliveira a 20 de Fevereiro de 2009 às 08:46
Parabéns Jovem!
abraço
De Ana Narciso a 19 de Fevereiro de 2009 às 20:59
Em primeiro lugar: parabéns a você , 53 anos é uma excelente idade para termos alguns privilégios e o teu foi apreseNtar a tua visão de futuro para este concelho.
Não sei se o veremos alguma fora do papel e da net. Com um concelho hipotecado por mais de 20 anos ( 5 mandatos!!) e um dinheiro alocado a um QREN que ninguém entende, não resta muita margem de manobra para quem quer aplicar o teu sonho.
Mas as eleições estão aí.Vamos ver as opções estratégicas das forças políticas locais.

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