Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

25 de Novembro de 1975

A festa ia animada. A malta tinha cometido uns excessos, uns copos a mais… Muitos estavam mesmo bem bêbados, e claro, a confusão estava armada… Uns sopapos para aqui, uns murros para ali, umas mocas no ar e, mocada aqui mocada ali, a coisa começava a ficar preta…

Até que apareceram uns tipos mal encarados e berraram: alto e pára o baile! Durante uns minutos fez-se silêncio mas, pouco depois, chegavam outros tipos e, sem necessitar de berrar dado o silêncio, disseram: siga a dança! Mas logo acrescentaram: mas com calma, vamos lá com mais cuidado… Ah! E agora quem põe a música é a gente!

E foi isto o 25 de Novembro!

Eu também vivi esse dia. Andava a estudar e o dia corria normalmente lá em Económicas, no velhinho Quelhas. Por volta do meio-dia correu a notícia que o Jaime Neves tinha ido dar uma volta com a sua rapaziada nos seus chaimites. Saíra da Amadora e fora ali até à Ajuda, onde ficava o quartel da PM (não é primeiro-ministro, é Polícia Militar), por onde mandava um tal de major Tomé. Mas nada de mais…

Terminadas as aulas, lá pelo meio da tarde, ia eu a atravessar o Jardim da Estrela e encontro o Jardim. Não o da Estrela, mas um antigo colega aqui do Colégio de que tanto tenho falado nestes últimos dias. O Jardim, como não podia deixar de ser, é madeirense e era um tipo que já não encontrava ia para 3 anos, desde que eu deixara o colégio. Não era propriamente um amigo do peito lá do colégio mas, encontrado ali, tanto tempo depois, foi uma festa… E fez-me alterar por completo o meu programa para esse dia.

Conversa puxa conversa, as agruras da vida – o Jardim era um rapaz que tinha uma relação um bocado complicada com a vida – até ao momento de arranjar maneira de me cravar 100 paus (cem escudos, naquele tempo ainda era dinheiro: dava para 20 maços de tabaco, para quase 10 refeições na cantina e para 4 almoços no restaurante). Cravados os 100 paus, combinamos ir jantar e depois ao cinema: ao Londres, na Praça com o mesmo nome, onde passava um filme de desenhos animados do c….. Literalmente: o Tarzoon!

Fomos à sessão das 21:45 que acabou já bem depois da meia-noite. Estávamos nós, e muitos poucos mais, no escurinho do cinema quando o Presidente Costa Gomes se lembrou de decretar o recolher obrigatório. E nós ali, sem saber de nada! Quando saímos não se via vivalma na rua. Achámos estranho, mas só isso. Ele tomou o seu destino com um até amanhã e eu o meu: a Rua de S. Bento. Só que … de transportes … nada! Chega-se a 1 da manhã e nem um autocarro aparecera. Um táxi de vez em quando, mas já não havia dinheiro para pensar em levantar-lhe o braço. E lá tive que ir a palmilhar desde a Praça de Londres até à Rua de S.Bento, atravessando ruas e avenidas desertas sem imaginar o que se estaria a passar. Lá cheguei a casa, madrugada dentro e sem saber que em violação do recolher obrigatório.

Do Jardim nunca mais tive notícias. Nem dos 100 paus! Faz hoje 34 anos!

 

Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

O 25 de Novembro

Hoje deixo aqui em forma de post as vivências do dia 25 de Novembro descritas pelo nosso comentador, Rafael Marcelino,  há precisamente um ano em forma de comentário   a este meu post na altura.

 

" É sem dúvida uma data muito esquecida pelos politicos e consequentemente pelos Portugueses, tanto que os Médias pouco ou nada focam deste evento que finalizou um estado de sitio que se vivia em Portugal.
Foi sem dúvida um marco histório para a nossa pobre Democracia. Coragem e empenho de Ramalho Eanes, Jaime Neves e o apoio Politico de Mário Soares e Sá Carneiro e Freitas do Amaral. HONRAS lhes sejam feitas.
Estava EU a cumprir o meu serviço Militar na Base Aerea-5 de Montreal quando esta foi invadida pelas tropas Pára-Quedistas. Horas muitro dificeis de uma confusão total. Ninguém sabia o que se estava a passar e o que poderia acontecer. O Meu Comandante com quem tive sempre uma excelente relação Coronel-Seara, dizia-me, Que é isto?! sobre prisão no seu gabinete de Comando.
Felizmente o que poderia ser uma tragédia, acabou em PAZ. A vida miltar no seu apoio politico deixou de ser tão activa para se deixar para os Parlamentares e figuras politicas de destaque como Sá Carneiro, Mário Soares e Freitas do Amaral.
Sem dúvida que estes figurinos tiveram um influência muito grande na altura, sem esquecer que o próprio Alvaro Cunhal, aparcebendo-se da situação também ele discretamente acalmou as hostes mais revolucionárias-esquerdistas. Era um tempo de FERRO-e-FOGO. Quem não se lembra do que se passou no Rossio de Porto de Mós?!
Valia tudo, aonde a troca de acusações e de gritos de ordem pública eram frequentes.
Quero apenas referir que esta foi uma data em que se desfez o mais rude ataque esquerdista em Portugal, mas nunca esqueço o 11-Março em que o vivi com muita intensidade, em que lamento muito a Traição feita ao General- Spínola.Este para mim foi muito mais dificil de gerir e que custou a vida de um militar no ralis em Lisboa com o Ataque feito pelos T-33 e F-56 da Força Aerea sobre o Comando de General Lemos Ferreira que mais tarde veio a ser nomeado Chefe de Estado Maior das Forças Armadas. O mesmo que traiu o General-Spínola em que o colocou no Quartel dos Pára-Quedistas em Tancos como Comandante e este a que mandava tudo (Lemos Ferreira). Situação em que o Spínola teve de rosolver coma sua fuga para Espanha.Foram coisas vividas por mim e acompanhadas muito de perto minuto-a-minuto.
Por isso hoje tenho algumas visões de certa gente diferentes dos demais, é que ouvir e viver de perto o que os Homens são capazes de dizer e fazer nas nossas costas, é de brandar aos céus.
Por isso hoje dizem que as escutas telefónicas podem ser verdades, mas como são ilegais....assim se vive em Portugal e com a Justiça.
Obrigado Pedro pela lembrança aqui postada. Quis apenas contribuir de algum modo com o eu testemunho, não querendo ser chato ou maçador. Quando me recordo de certas figuras fico com uma revolta enorme e acho que nunca houve tanta razão para fazer um outro 25/Abril como agora. A luta de classes em Portugal cada vez é maior."

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Há comentários que merecem destaque!*

"Obrigados pela abordagem ao 25/Novembro.É sem dúvida uma data muito esquecida pelos politicos e consequentemente pelos Portugueses, tanto que os Médias pouco ou nada focam deste evento que finalizou um estado de sitio que se vivia em Portugal.
Foi sem dúvida um marco histório para a nossa pobre Democracia. Coragem e empenho de Ramalho Eanes, Jaime Neves e o apoio Politico de Mário Soares e Sá Carneiro e Freitas do Amaral. HONRAS lhes sejam feitas.
Estava EU a cumprir o meu serviço Militar na Base Aerea-5 de Montreal quando esta foi invadida pelas tropas Pára-Quedistas. Horas muitro dificeis de uma confusão total. Ninguém sabia o que se estava a passar e o que poderia acontecer. O Meu Comandante com quem tive sempre uma excelente relação Coronel-Seara, dizia-me, Que é isto?! sobre prisão no seu gabinete de Comando.
Felizmente o que poderia ser uma tragédia, acabou em PAZ. A vida miltar no seu apoio politico deixou de ser tão activa para se deixar para os Parlamentares e figuras politicas de destaque como Sá Carneiro, Mário Soares e Freitas do Amaral.
Sem dúvida que estes figurinos tiveram um influência muito grande na altura, sem esquecer que o próprio Alvaro Cunhal, aparcebendo-se da situação também ele discretamente acalmou as hostes mais revolucionárias-esquerdistas. Era um tempo de FERRO-e-FOGO. Quem não se lembra do que se passou no Rossio de Porto de Mós?!
Valia tudo, aonde a troca de acusações e de gritos de ordem pública eram frequentes.
Quero apenas referir que esta foi uma data em que se desfez o mais rude ataque esquerdista em Portugal, mas nunca esqueço o 11-Março em que o vivi com muita intensidade, em que lamento muito a Traição feita ao General- Spínola.Este para mim foi muito mais dificil de gerir e que custou a vida de um militar no ralis em Lisboa com o Ataque feito pelos T-33 e F-56 da Força Aerea sobre o Comando de General Lemos Ferreira que mais tarde veio a ser nomeado Chefe de Estado Maior das Forças Armadas. O mesmo que traiu o General-Spínola em que o colocou no Quartel dos Pra-Quedistas em Tancos como Comandante e este a que mandava tudo (Lemos Ferreira). Situação em que o Spínola teve de rosolver coma sua fuga para Espanha.Foram coisas vividas por mim e acompanhadas muito de perto minuto-a-minuto.
Por isso hoje tenho algumas visões de certa gente diferentes dos demais, é que ouvir e viver de perto o que os Homens são capazes de dizer e fazer nas nossas costas, é de brandar aos céus.
Por isso hoje dizem que as escutas telefónicas podem ser verdades, mas como são ilegais....assim se vive em Portugal e com a Justiça.
Obrigado Pedro pela lembrança aqui postada. Quis apenas contribuir de algum modo com o eu testemunho, não querendo ser chato ou maçador. Quando me recordo de certas figuras fico com uma revolta enorme e acho que nunca houve tanta razão para fazer um outro 25/Abril como agora. A luta de classes em Portugal cada vez é maior."

 

Rafael Marcelino

 

 

* O Vila Forte aceitou a sugestão do Paulo César e, achámos por bem destacar este comentário do Sr. Rafael Marcelino sobre o 25 de Novembro, por ser um testemunho na primeira pessoa em relação ao que se passou nesse dia tão importante para a nossa democracia.

 

Dentro do mesmo espirito, e porque o contributo do Meu Amigo, Hugo Besteiro, é também relevante, deixo o link que ele sugeriu para aprendermos mais sobre esta data!

Obrigado

 

http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=th10

O que sabe sobre o 25 de Novembro?

O nosso comentador,residente, Rafael Marcelino,em comentário, lembrou a importância do dia 25 de Novembro de 1975 no actual sistema politico que vivemos.Se no dia 25 de Abril temos direito a feriado e  a discursos mais ou menos "seca", já em relação ao 25 de Novembro de 1975, nada.Como tal, peço aos nossos estimados leitores e comentadores, que nos contem o que aconteceu nesse dia, enquadrando,se possivel, a cojuntura politica da época.

No entando coloco dois links sobre o assunto e um vídeo.Obrigado.

 

O desfecho do 25 de Novembro de 1975 foi 'resolvido' em directo na televisão

 

Espanha quis invadir Portugal em 1975

 

 

 

 

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