Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Futebolês #20 Entrada fora de tempo

 

 

 

Começo já a ficar com a sensação, de cada vez que procuro uma nova expressão para esta rubrica, que o baú se está a esgotar… À vigésima primeira edição começa a surgir aquela sensação “desta é que é, vamos ter de ficar por aqui … por falta de matéria-prima”. Depois acaba sempre por surgir mais uma e aí surge uma outra sensação que, por mais que a tenha aqui trazido, não deixa de me invadir o espírito sempre em tons de grande novidade. Refiro-me àquela sensação que tem um pouco a ver com o que em tempos se disse da Coca-Cola: primeiro estranha-se e depois entranha-se! Primeiro estranhamos a sonoridade da expressão e somos invadidos por uma percepção de “non sense” para, logo depois, a acharmos a mais natural do mundo, tão natural que não temos mais nada a fazer que encontrar-lhe todo o sentido que tem…

 

Invariavelmente, depois lhes apontar os vícios e os paradoxos, acabo por achar que fazem todo o sentido. A entrada fora de tempo não foge à regra!

 

Entrar fora de tempo não é mais do que chegar atrasado, como me parece indiscutível. Só que no futebolês, porque em futebol a bola é rainha, vedeta e estrela maior, como temos visto ao longo de todas estas semanas, tudo se passa em função dessa entidade central que é a bola. Daí que entrar traduza o entrar à bola, a atitude deliberada da sua conquista ou, no mínimo de a roubar ao outro. Como temos visto a bola é o que de mais precioso existe no jogo, o que é verdadeiramente surpreendente. Perceber que a bola, quando ainda por cima há ali tantas ao redor do campo, é mais preciosa que o Cristiano Ronaldo não deixa de ser reconfortante para todos nós que só percebemos que cem milhões é uma coisa com muitos zeros.

 

Conquistar a bola para si, ou simplesmente destruir a sua ligação ao adversário, num reflexo dos mais primários dos sentimentos das histórias de amor e ciúme e de faca e alguidar, dá o mote a um jogo que vive de paixões. Muitas vezes mais violentas que as dessas próprias historias de encontros e desencontros, de amores e de traições. Tudo se faz por essa conquista ou por esse roubo. Entra-se á bola de toda a maneira e feitio, esquecendo por completo que apenas se está à procura da mais preciosa donzela daquele reino, sem o mínimo de cavalheirismo, de elegância, de delicadeza, de charme. E como quem a tem dela não larga mão, tudo faz para frustrar as intenções dos que se atravessam no caminho da sua idílica relação, defendendo a sua princesa com todas as suas forças, a nada se poupando, sem regatear esforços e, muitas das vezes, com sacrifício do próprio corpo e muito em especial das próprias pernas. Um verdadeiro exemplo de sentido de defesa da sua dama!

 

É desta dialéctica, desta luta entre quem guarda e preserva um tão escasso e raro bem (uma para vinte e dois) e quem o tenta roubar, que nasce a entrada fora de tempo. Quando o putativo ladrão entra já, orgulhoso, o proprietário pôs a bola a salvo. Já ela lá não está e apenas encontra as pernas que o outro lá deixou, num sacrifício que a bola não dispensa como verdadeira prova de amor. Chegou atrasado!

 

A entrada fora de tempo, ao contrário da bola dividida, é penalizada. Eu acho que até deveria ser duplamente penalizada: por falta de pontualidade, um dos graves defeitos dos portugueses que, a não ser penalizado, nunca mais será corrigido, e pelos danos físicos causados no adversário. Deveriam ser mostrados dois cartões amarelos: um para cada sanção!

 

O problema é quando há confusões: é frequente vermos entradas fora de tempo do Bruno Alves (bom, aquilo é aterrador, é fora de tempo e fora de tudo o que é aceitável!) e dizerem-nos que não, que é uma bola dividida. E aqui há uns mesitos, num tempo de caça às bruxas e quando alguns ainda acreditavam que las hay, las hay, era um ver se te avias: bolas divididas do David Luiz passavam logo a entradas fora de tempo. Era limpinho!

 

 

 

Sexta-feira, 12 de Março de 2010

Futebolês #18 Bola dividida

Já vimos que as bolas se podem multiplicar, que muitas vezes se multiplicam em campo e que até há segundas bolas. Dividir a bola é coisa que parece não bater certo: se há apenas uma bola … não se pode dividir. A bola é como um número primo…. Todavia movimenta-se em ambientes de grande divisão e provoca ela mesma muitas divisões.

 

Por exemplo os portistas estão divididos sobre o destino a dar ao treinador: enquanto uns acham que deve sair já, de imediato, outros acham que deverá sair apenas no fim da época. Mas estão absolutamente unidos na decisão de não levar o seu contrato até ao fim…

 

Também os sportinguistas estão agora divididos sobre o mesmo tema: treinador. Ainda há bem pouco tempo estavam absolutamente unidos sobre a matéria: o contrato precário do Carvalhal era para cumprir. Mas agora já não, estão mesmo muito divididos!

 

Os portistas estão ainda divididos sobre uma matéria que verdadeiramente os angustia. É a questão do segundo lugar no campeonato. Uns torcem pelo Braga para que o Benfica não seja campeão. Outros sabem que o terceiro lugar não dá Champions

 

Se há tanta coisa dividida no mundo da bola como não poderia haver uma bola dividida? Até o jogo é dividido. É certo que é dividido por dois meios campos e é dividido em duas partes. Que, ao contrário da bola, até é divisível. Mas não é por isso que se fala de um jogo dividido!

 

Ainda no final do jogo do Benfica de ontem Jorge Jesus, que não é grande orador mas de futebol(ês) sabe como poucos, dizia que o jogo tinha sido dividido. Mais, que a eliminatória seria ela própria também dividida. Quer isto dizer que o jogo não se tinha caracterizado por um claro domínio de uma equipa mas pela repartição do domínio e das oportunidades de o ganhar. Como a eliminatória dividida quer dizer está em aberto, sem um sentido claro de favoritismo. Mas isso era já um exagero de expressão porque, pelo que se viu, ela parece já bem inclinada para o lado do Marselha…

 

A expressão bola dividida não tem qualquer analogia com a do jogo dividido. Nem poderia ter, como facilmente se percebe.

 

Num jogo a bola é objecto da mais acesa e mais brava das disputas. É mais disputada que a mais bela das donzelas no baile da paróquia, até porque a relação é-lhe bem mais favorável: uma única para vinte e dois mancebos. Os encantos do jogo jogam-se em grande parte nessa disputa, que milhões de olhos seguem sem qualquer tipo de descrição. Uma disputa que tem vários momentos. É precisamente um desses momentos que determina a bola dividida. A bola é dividida quando está em condições de ser disputada em igualdade de circunstâncias, quando se encontra numa posição equidistante aos dois contendores que a disputam. Quando, pode dizer-se assim, se encontra em terra de ninguém.

 

A bola dividida faz uma certa apologia da livre concorrência e da transparência. Uma bola transportada pelo Di Maria ou pelo Messi, junto ao pé, como se nas botas tivessem um íman que a atrai, está bem de ver que não é uma bola dividida. Essa é como aquela donzela que vai para o baile da paróquia mas já leva o namorado, que não descola e que pode até provocar alguns dissabores a alguém mais atrevido, como canta o Rui Veloso.

 

Tudo é desculpável para discutir uma bola dividida. É por isso que muitas vezes muito boa gente trata por bolas divididas umas que estão bem agarradas, daquelas que vão de braço dado com o namorado. O que evidentemente só pode correr mal. É o caso daquelas entradas a matar, que só podem mesmo dar vermelho, mas que o árbitro desculpa por se tratar de uma bola dividida.

 

E pronto, daqui já se fica mesmo a ver que a bola dividida é assim como o Natal. É quando um homem quiser. Se é um dos nossos que entra com tudo (outra do futebolês) não tem mal nenhum: era uma bola dividida. Se é um do adversário, qual bola dividida qual quê?

 

A bola dividida, a par da segunda bola, constitui ainda um dos principais indicadores de sucesso. Quem ganha mais bolas divididas, a exemplo de quem ganha mais segundas bolas, está mais perto de ganhar o jogo. Por razões óbvias: porque é quem mais se empenha, quem mais luta, em suma, quem mais trabalha. E, também no futebol e ao contrário do dicionário, o trabalho vem antes de sucesso!

 

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