Segunda-feira, 22 de Março de 2010

"coisas de Crianças" **

“Não ligue, são coisas de criança”. Esta foi a resposta de um Director da Escola a uma mãe que se queixava das agressões de que o seu filho era vítima. Ao ver e ouvir isto num canal de TV senti uma raiva crescente. Não aceito, ninguém pode aceitar, esta ligeireza, esta desresponsabilização por parte de quem gere um espaço determinante na formação das gerações vindouras! Sejamos claros, o “bullying” não é de hoje e não se acaba por decreto. Mas não pode continuar a ser escondido e omitido. A Escola de hoje é muito diferente e mais complexa. As crianças e os jovens passam mais horas na escola. Juntam-se hoje, no mesmo espaço, crianças com 10 anos e jovens com 17, 18 anos (2º e 3º ciclo, respectivamente).

 

E não podemos ignorar que o fecho das escolas das aldeias lançou crianças num meio diferente e sem qualquer estrutura de acompanhamento para a integração das mesmas. Vencer o “bullying” não é fácil, mas não é, não pode ser impossível! Durante a discussão do actual Estatuto do Aluno, tive oportunidade de propor a criação de constituição de equipas multidisciplinares nos Agrupamentos de Escolas para, em articulação com os inúmeros organismos que existem fora da escola, pudessem ajudar a despistar situações de risco, acompanhar essas situações e promover soluções. Infelizmente, a maioria de então não aceitou esta proposta. Temos de olhar de frente para o problema. Não podemos “fazer de conta”, “encolher os ombros” ou “assobiar para o lado”. Por isso, não entendo que, nos relatórios anuais da Escola Segura e do Observatório de Segurança em Meio Escolar, os dados referentes ao “bullying” não estejam diferenciados e estejam diluídos nos crimes de ofensas à integridade física. Esconder para quê? Para se combater esta “praga” não se pode escondê-la! Toda a comunidade escolar (com a família incluída) deve ser mobilizada para a sua identificação e acção correctiva.

 

Os funcionários, os professores, os colegas e a família das vítimas devem saber ver os sinais que são evidentes: tristeza, desinteresse pela escola, perda de rendimento escolar, comportamentos de isolamento na escola, etc. E devem saber o que fazer e a quem recorrer para intervir. Os estudos dizem que apenas metade das vítimas apresenta queixa. É fundamental que as vítimas percebam que têm a quem recorrer, que podem partilhar a violência que sofrem, e para isso é determinante que os agressores sejam exemplarmente punidos. A família do agressor tem de ser envolvida no processo, de forma a se poder corrigir os comportamentos futuros pois, como diz o Secretário-Geral do Instituto de Apoio à Criança, Manuel Coutinho, “os agressores não desenvolveram valores e nem sempre têm consciência do que fazem aos outros”. A vítima e a sua família têm de ser apoiados e esse apoio tem de ser imediato quando se justifique. Acredito que se não fugirmos às responsabilidades seremos capazes de reduzir os abusos. Para isso temos de agir de forma concertada, pois o “bullying” não é “coisa de crianças” mas sim um problema de todos nós!

 

Emídio Guerreiro, Diário de Coimbra de 17 de Março de 2010

 

 ** tive a devida autorização do Deputado Emídio Guerreiro para colocar no Vila Forte este texto. Um grande bem haja para ti, Emídio.

 

Domingo, 7 de Março de 2010

Os "Leandros" deviam ser, também, a preocupação dos portugueses

"Ontem, quarta-feira, Christian não foi à escola. No dia anterior, almoçou à pressa na cantina, saiu aflito para o recreio quando viu, mais uma vez, o corpo franzino de Leandro, primo e amigo de 12 anos, ser espancado por dois colegas mais velhos.

Depois, perseguiu o rapaz que, cansado da tortura de quase todos os dias, ameaçou lançar-se da ponte, ali a dois passos. Perseguiu-o, impediu-o. Por fim, imitou-lhe os passos, degrau a degrau, até à margem do rio Tua. O primeiro estava decidido a morrer: despiu-se, atirou-se. O segundo estava decidido a salvá-lo: despiu-se, atirou-se.

Leandro morreu - é a primeira vítima mortal de bullying em Portugal; Christian agarrou-se a uma pedra para sobreviver. Antes, arriscou a vida a dobrar: digestão em curso em água gelada. Eram 13.40 horas. Ontem não foi à escola. Os pesadelos atrasaram-lhe o sono. Acordou cansado, alheado, emudecido. Leandro não é caso único. Ele também já foi agredido.

Christian não é o super-homem; não é sequer rapaz encorpado; é um menino assustado, tem 11 anos, não terá 40 quilos, o rosto salpicado de sardas e tristeza. Os olhos dos pais pregados nele, os dele cravados no chão da sala. Não estava sozinho na luta. "Estava eu, o Márcio (irmão gémeo de Leandro), o Ricardo...", este e aquele, os nomes dos amigos como um ditado, ele encolhido, no colo um cão minúsculo a quem insistentemente afaga o pêlo. "Não conseguimos salvá-lo, já estávamos tão cansados". O lamento sabe a resignação e à inquietação de quem veio de outra escola, em Andorra, Espanha, onde "à mais pequena coisa, os professores chamavam os pais", recordam, "preocupados", Júlio e Júlia Panda, pais de Christian, filhos da terra, Mirandela, no cume de Trás-os-Montes, retornados há pouco mais de um ano, trazidos com a crise e o desemprego. Vivem agora na aldeia de Cedainhos, a 15 quilómetros da cidade, lugar estacionado no tempo, onde vivia também Leandro e onde todas as casas, com laços mais ou menos próximos, são casas da mesma família.

Escola sem luto nem explicação

Um palmo acima, na mesma rua, vive a avó, Zélia Morais. Tem a cozinha cheia netos, mais de dez, netos de todas as idades, os gritos inocentes dos mais novos a misturarem-se na dor dos outros. Sabe tudo ao mesmo fado. É a imagem da desolação, ela prostrada no sofá, o coração com febre. "O meu menino era tão humilde. Todos os dias vinha saber de mim. Todos os dias", palavras repetidas embrulhadas em falta de ar. "E agora?" Agora, responde o filho Augusto, homem de meia idade que a coluna prendeu a uma cadeira de rodas, "agora, nem que tenha de vender tudo, vou até ao fim do mundo para saber quem levou o meu sobrinho a matar-se". A ameaça parece dura, dura um segundo, desfaz-se em pranto. "O meu menino sentava-se aqui comigo, conversava como adulto, era a minha companhia". Os pais de Leandro também vivem ali; não estão. "Estão em casa amiga, passaram a noite no hospital".

Ontem Christian não foi à escola. Mas na escola dele - E.B. 2,3 Luciano Cordeiro, onde partilhava o 6º ano com Leandro -, o dia foi normal. Nem portas fechadas nem luto nem explicação. O porteiro do turno da tarde entrou às 15 horas, bem disposto. "Sou jornalista, queria uma entrevista", ironizou. Tiro no pé. O JN estava lá. Perdeu o humor, convidou-nos a sair "já". A docente que saía do recinto também foi avisada, inverteu a marcha, já não saiu. Havia motivos para baterem tantas vezes no Leandro? Responde Christian: "Todos batem em todos".

 

HELENA TEIXEIRA DA SILVA

 

nota: deixo link a meu texto sobre temática bullying no Vila Forte, AQUI.

 

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Bullying

Faço minhas as palavras de Mahatma Gandhi quando afirmou, “A Humanidade não pode libertar-se da violência senão por meio da não violência”. Não posso estar mais de acordo com esta filosofia, mas o que é certo é que vemos e assistimos diariamente às aberturas dos noticiários com cenas de grande violência. Pior do que isso, temo pelo facto de ver chegar, cada vez mais, aos menores que seguem os exemplos e estímulos do meio envolvente.


Para muitos, será concerteza o pesadelo de quem já sentiu e viveu as agruras da violência, seja por intimidação física, insultos ou humilhações públicas, perpetrados por colegas de escola ou do trabalho.


O fenómeno não é novo, mas o estrangeirismo ganha cada vez mais destaque e protagonismo no nosso quotidiano português. Para os mais distraídos, falo do Bullying que nos atinge em proporções cada vez mais intensas e frequentes. Este conceito define “comportamentos de natureza agressiva, entre pares, com intenção de provocar dano”, afirma Sónia Seixas, doutorada em Psicologia e autora de uma tese sobre bullying em contexto escolar.


Com ocorrências mais conhecidas no meio escolar, que pode ir desde os primeiros anos até ao ensino universitário, é no entanto nos 2º e 3º ciclos que se ouvem mais casos, sem esquecer os que nunca ou tardiamente vêem a sua divulgação pública. As vítimas, normalmente crianças, apresentam características bem definidas no plano emocional, sofrendo de baixa auto-estima e revelando comportamentos inseguros, que os denunciam perante a intimidação. Na maioria dos casos, não oferecem resistência, até porque se trata de uma luta desigual, e permitem-se abusos constantes e repetidos pela parte do agressor, a quem se atribui a designação de bully. Com grande facilidade, podemos fazer uma pesquisa rápida e dar de caras com testemunhos terríveis que nos marcam, só de ler e ouvir. Imagine-se o que sentirão as vítimas quando confrontadas com esta dura e triste realiadade.


Dizem os entendidos na matéria, que as possíveis razões na origem deste fenómeno estão associadas à pretensa popularidade reconhecida ao agressor, que tem por trás uma realidade pessoal esvaziada de qualquer estrutura familiar sólida e estável, actuando pelos seus atributos físicos, muito superiores perante as vítimas que escolhe para inferiorizá-las.
É certo que nos meus tempos de escola, também havia lutas entre rapazes, e por vezes alguns episódios engraçados de puxões de cabelos entre meninas mais afoitas e atrevidas, mas nada que revelasse carácter de violência contínua com objectivos claros e bem definidos de garantir humilhação e mal estar premeditados.


Que a sociedade caminha no sentido da auto-destruição, não é novidade para qualquer um de nós, até porque o planeta está em vias de extinção, mas o que é certo é que temos vindo a acelerar este processo, que dá provas da sua precocidade, uma vez que começa cada vez mais cedo, entre crianças. Poderemos inverter esta tendência? Como?
Sou pai de duas crianças, sendo que com muita frequência ouço à mais velha, episódios que ocorreram na sua escola que me fazem pensar na sua segurança. Onde estão os pais destas crianças? E os professores nunca testemunham estas vivências? Onde estão quando sucedem? O que fazem quando lhes, se, chega ao conhecimento? Há, na sociedade, estruturas adequadas e preparadas para tratar as vítimas destas agressões? O que podemos fazer para evitar o fenómeno? Que destino podemos dar aos bullys?


Enfim, medos e receios, mais do que muitos, quando se trata da violência, seja em que contexto for, mas obviamente, crianças e idosos em primeiríssimo lugar. São o princípio e fim de uma vida que merece ser vivida sem sobressaltos e com saúde. O sorriso de uma criança feliz é mais de meio caminho andado para o sucesso de uma nação.
 

 

nota: Amanhã vai ocorrer uma sessão temática sobre esta matéria do "Bullying", no Auditório da Escola Superior de Educação de Leiria. Saber mais AQUI.

tags:

.vasculhar neste blog

 

.quem esteve à mesa

Ana Narciso

Eduardo Louro

Jorge Vala

Luis Malhó

Paulo Sousa

Pedro Oliveira

Telma Sousa

.connosco à mesa

Os nossos convidados

Dr. Miguel Horta e Costa

Eng. Cláudio de Jesus

Dr. Saúl António Gomes

Dra. Isabel Damasceno 

Prof. Júlio Pedrosa 

Cor. Valente dos Santos

 

Os nossos leitores

Ana Rita Sousa

Carlos Sintra

 

O nosso email

 

Siga-nos 

 

.podcast


Curvas do Livramento

oiça os nossos debates

Ed. Zero

Edição 1 - 04/Jun/009

Ed. 1.1 Europeias

Ed. 1.2 Autárquicas

Ed. 1.3 Casamentos Gay

Edição 2 - 30/Jun/009

com Clarisse Louro

Ed. 2.1 Pós Europeias

Ed. 2.2 Legislativas

Ed. 2.3 Autárquicas

Ed. 2.4 PMós 2º Clarisse Louro

.Palestras Vila Forte

Prof. Júlio Pedrosa - Audio 

 

Prof. Júlio Pedrosa - Video 

 

Prof. António Câmara - Palestra

Prof. António Câmara - Debate

Prof. António Câmara - Video

 

Agradecemos à Zona TV

 

.Vila Forte na Imprensa

Região de Leiria 20100604

Público 20090721

O Portomosense20081030

O Portomosense20081016

Região de Leiria20081017

Região de Leiria20081017

Região de Leiria2008052

Jornal de Leiria 20080529

O Portomosense 20071018

Região de Leiria 20071019 II

Região de Leiria 20071019 I

Expresso 20071027

O Portomosense 20071101

Jornal de Leiria 20071101

Região de Leiria 20071102

.Últimos Comentários

Special thanks to MrCosmos
The Feedburner expert

.arquivos

.arquivos blog.com

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

.Vizinhos Fortes

.Quiosque

diários

semanários
  regionais
 
   

.Filme recomendado

 

 

Trailer

 

 

 

.Leitura em curso


A Revolução dos Cravos de Sangue

de Gerard de Villiers

Estamos em Portugal, no rescaldo do 25 de Abril, e Lisboa é um tabuleiro de xadrez onde CIA e KGB jogam uma partida mortal. Os serviços secretos americanos, desesperados por apenas terem sabido do golpe de Estado através dos jornais, esforçam-se para impedir que Portugal caia nas mãos do comunismo. Do outro lado, a KGB tem em mente um plano diabólico e põe em campo os seus melhores agentes. É então que um golpe de teatro promete desequilibrar esta guerra fria. Natália Grifanov, mulher de um poderoso coronel da KGB, está disposta a passar para o Ocidente e a relatar todos os segredos que sabe. Para organizar essa deserção a CIA escolhe o seu melhor agente: Malko Linge. Mas nem ele conseguirá levar a cabo esta missão sem evitar danos colaterais. E é então que, nas ruelas de Alfama e nos palácios da Lapa, entre traições e assassinatos, a Revolução dos Cravos mostra a sua outra face.

E, acredite, não é bonita!

Um thriller soberbo e original, passado no pós 25 de Abril de 1974.


Saida de Emergência

.Contador de visitas

.tags

. 25 abril(10)

. 80's(8)

. académica(8)

. adopção(5)

. adportomosense(11)

. aec's(21)

. alemanha(7)

. ambiente(9)

. amigos(5)

. amizade(7)

. angola(5)

. aniversário(9)

. antónio câmara(6)

. aquecimento global(7)

. armando vara(9)

. ass municipal(12)

. autarquicas 2009(46)

. avaliação de professores(9)

. be(7)

. benfica(13)

. blogosfera(16)

. blogs(38)

. blogues(19)

. bpn(6)

. casa velório porto de mós(10)

. casamentos gay(17)

. cavaco silva(8)

. censura(7)

. ciba(6)

. cincup(6)

. convidados(11)

. corrupção(7)

. crise(35)

. crise económica(8)

. cultura(7)

. curvas do livramento(10)

. democracia(7)

. desemprego(14)

. disto já não há(23)

. economia(25)

. educação(63)

. eleições(7)

. eleições 2009(55)

. eleições autárquicas(40)

. eleições europeias(12)

. eleições legislativas(46)

. escola(8)

. escola primária juncal(9)

. eua(8)

. europa(14)

. face oculta(18)

. freeport(14)

. futebol(39)

. futebolês(30)

. governo(6)

. governo ps(39)

. gripe a(8)

. humor(6)

. internacional(18)

. joao salgueiro(38)

. joão salgueiro(15)

. josé sócrates(7)

. júlio pedrosa(10)

. júlio vieira(6)

. juncal(31)

. justiça(11)

. liberdade(11)

. magalhães(6)

. manuela ferreira leite(13)

. médio oriente(10)

. medo(12)

. natal(13)

. obama(6)

. orçamento estado 2010(7)

. pec(8)

. pedro passos coelho(7)

. podcast(11)

. politica(12)

. politica caseira(6)

. porto de mós(119)

. porto de mós e os outros(41)

. portugal(27)

. presidenciais 2011(6)

. ps(48)

. psd(54)

. psd porto de mós(11)

. publico(9)

. religião(6)

. rtp(12)

. s.pedro(6)

. salgueiro(16)

. sócrates(81)

. socrates(62)

. teixeira santos(6)

. tgv(6)

. turismo(8)

. tvi(6)

. twitter(17)

. ue(17)

. vila forte(24)

. todas as tags

.subscrever feeds