Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Comentários também são blog

Este fim de semana assistimos à abertura oficial das Comemorações do Centenário da República.

Em 2008 por ocasião do Centenário do Regicídio debatemos aqui no Vila Forte as vantagens da República vs Monarquia. O assunto não foi debatido em todos as perspectivas mas reproduzo aqui parte do debate.

 

"1.       Paulo Sousa disse: 
February 1, 2008 at 11:09 pm
 Não é pela forma mas pelo conteúdo que os países de diferenciam.
O facto do período mais grandioso da nossa história ter sido vivido em Monarquia não tem qualquer significado num debate como este, pois o reigicídio aconteceu num período de declínio da mesma. Como já li esta semana o reigicídio foi um regimícidio, pois constituiu apenas num ponto de viragem, comparável ao que sucedeu no 25 de Abril.
Por favor não me venham com mais referendos. Podem apontar Espanha como um exemplo de um reino economicamente bem sucedido e associar isso à monarquia, mas não se podem esquecer que o absentismo em Portugal é de 7% e em Espanha é metade. Jorge Vasconcellos e Sá, professor catedrático estima que se o nosso absentismo reduzisse também para metade a nossa produtividade e PIB aumentaria 3,5%. O que é que isto tem a ver com o Regime em vigor cá e lá? É apenas e só “a economia, estúpido!”
Um futuro melhor para os nossos filhos, não depende do facto do chefe de Estado ser o Prof. Cavaco Silva ou o D. Duarte, depende sim da nossa acção diária e da nossa contribuição na sociedade.



2.       Pedro Oliveira disse: 
February 2, 2008 at 1:44 am
 Os regimes não se discutem com base nesses pressupostos, caro Paulo.
as respostas que procuro não passam por aí. Ainda bem que temos visões diferentes sobre a mesma coisa. Também sou republicano, mas gosto de perceber, se neste caso concreto valeu a pena matar aquelas pessoas, e discordo completamente quem compara o fim da monarquia ao fim da ditadura de salazar. A politica é feita de sinais para a sociedade e para mim faz toda a diferença se o líder é PR ou Rei, é tudo uma questão de valores e principios. E apesar de poder parecer o contrário por estas palavras, ser PR faz toda a diferença. O que questiono é a forma para lá termos chegado e se não estamos ainda a pagar por um processo que nunca foi explicado. Como se justifica que os regicidas tenham sido deixados ao abandono, com a carbonária a desaparecer e a Maçonaria a ter força que tem até hoje nos destinos do país. Costumo dizer que os dogmas ficaram nos bancos da catequese.
Gostava imenso que a nossa sociedade soubesse discutir estes assuntos sem a economia a mandar, mas para isso era fundamental sabermos a históris toda.



3.       Paulo Sousa disse: 
February 2, 2008 at 9:26 am
 Podemos de debater os regimes pelo que os diferenciam e se quisermos entrar pelo ‘valeu a pena’ será apenas em termos de tertúlia. A história que herdamos não dependeu de nós, apenas o futuro depende. Não acho razoável falar em referendo sobre a Monarquia. O que faremos caso o sim à Monarquia ganhasse? Acham mesmo que ganhava ou iríamos apenas debater, como se debate em Portugal os assuntos referendados, sempre altamente partidarizados? Podemos debater sobre factos históricos mas não adianta debater a história, pois é irreversível. O facto de sermos um país adiado e de tricas não depende do regime politico mas apenas dos portugueses. Não está em causa mas sinceramente prefiro ter um Presidente da República, como o nosso de origens humildes e que com trabalho, seriedade e uma excelente folha de serviço público chegou onde chegou. Não me revejo minimamente na hereditariedade como forma de sucessão. A civilização europeia evoluiu das Monarquias para as Repúblicas e isso só não aconteceu em casos excepcionais.
Esta conversa tem de continuar.



4.       Paulo Sousa disse: 
February 2, 2008 at 1:02 pm
 Em termos históricos a maior diferença entre as mudanças de regime ocorridas no 5 de Outubro e no 25 de Abril, consiste na distancia de tempo que nos separa de ambas. A analise que se possa fazer do início do sec. XX ou de há trinta anos atrás é diferente até pelo facto de conhecermos muitas pessoas que viveram a Revolução dos Cravos e serão poucos ou nenhuns os que possam relatar na 1ª pessoa a implantação da República. Por isso mesmo para algumas pessoas, esta comparação pode ser como uma heresia, mas o que ficará na linha do tempo da nossa história é a Monarquia que deu lugar à República, a Ditadura que deu lugar à Democracia.



5.       Pedro Oliveira disse: 
February 2, 2008 at 3:12 pm
 Para conhecer melhor a época em que ocorreu o regicídio ver a mini série na RTP hoje, amanhã e 2ª ás 21:15.
Este é um assunto muito interessante Paulo, como republicano o que tento é fazer de “advogado do diabo” para tentar perceber se estou certo ou errado nas minhas convicções. Pena que as pessoas tenham tantas certezas e não estejam disponiveis para partilhar as suas ideias sobre estes temas. Ser Português é isto mesmo, ir percebendo as vivências dos nossos antepassados tentando perceber a conjuntura de cada época.A mim fascinam-me estas coisas, tentar perceber o que é ser Português, porque andar cá só para andar ver a “carruagem” não me dá gozo nenhum.
um abraço



6.       Ana Narciso disse: 
February 2, 2008 at 10:04 pm
 Pedro e Paulo acho que este assunto merece uma reflexão mais detalhada sobre o que de facto nos aconteceu. Pode ser uma tertúlia … Eu digo mais depois de 1820 pouco ou nada adiantámos à nossa forma de ser e de estar… só com uma enorme diferença os meios de comunicação de massas. Por inércia própria, porque nos foi sonegada a informação há assuntos da nossa história que é preciso conhecer para compreendermos o presente e anteciparmos um pouco o nosso futuro. Um povo que não conhece a sua história não percebe onde está nem para onde vai. Considero ainda que não é indiferente a história e a organização de um Estado na forma de ser de um Povo. É o seu espelho. Estar ou não na Monarquia, conviver com ela sem aniquilar e liquidar a história é um sinal de grandeza e de maturidade. Infelizmente não é isso que se passa. Ainda hoje. A primeira preocupação parece ser apagar o passado a qualquer preço … a operação de cosmética na rotunda é apenas mais um episódio. “E se a Monarquia ganhasse? Pergunta o Paulo? Ganharia legitimamente como em qualquer outro acto eleitoral. Se isso acontecesse talvez tivessemos a oportunidade de abordar a história de outra maneira, ou seja - com mais verdade.



7.      Paulo Sousa disse: 
February 3, 2008 at 2:45 am 
Acho que por mais tertúlia que se alimente, com ou sem Lancers ;-), apesar de tudo temos de ser pragmáticos. Poupemos as energias do debate sobre um referendo imaginário e apontemos para o que efectivamente importa que é reformar o Estado e o país. Deixemos esse passado mais ou menos explicado para os historiadores. Eles que descubram ou especulem sobre as ligações entre a Maçonaria, a Carbonária e ao Partido Republicano. É claro que adiando as reformas necessárias a situação não irá melhorar e a coluna dos insatisfeitos à procura de alternativas irá engrossar. A República pode e deve defender-se destas vozes que vão surgindo, reformando do Estado. Quando digo que a situação não irá melhorar não me refiro apenas à situação económica, mas também ao mau estar entre a sociedade e as instituições. O PIB pode subir e a situação melhorar apenas em resultado da conjuntura internacional, mas os portugueses não se revêm na Justiça que se pratica, nem na Educação, nem na Saúde a estabilidade da República ou de qualquer outro regime pode ser posta em causa.
Como se poderia começar por fazer uma reforma? Isto dava para outro post, mas os comentários também são blog. Qual o papel do Estado na sociedade? Quais os serviços que entendemos pertencer ao Estado na Educação? Para os cumprir que condições humanas e que equipamentos são necessários? Se a questão for posta dessa forma, nunca o eleitorado escolherá um candidato a PM que diga que está tão apaixonado com a Educação que vai aumentar o seu orçamento em 1% do PIB. Claro que tudo se mantém na mesma e simplesmente se vai desperdiçar mais dinheiro.
Quais as funções do Ministério da Agricultura? Quantas pessoas são necessárias para cumprir essas responsabilidades? Já alguém visitou a Zona Agrária em Leiria? Nunca encontrei tanta secretária (móveis), nem tantos gabinetes em tão pouco espaço. As conversas que se ouvem nos corredores correm todos os assuntos menos a Agricultura e afins. Tive de ali me deslocar algumas vezes em pouco tempo e até à troca de receitas culinárias entre funcionários assisti, já sem falar do que fez um e outro no fim de semana. E ali estou eu, estando fora do meu local de trabalho para cumprir exigências que o Estado me coloca e assisto a tudo isto. É compreensível que até a República seja colocada em causa quando as empresas são acossadas com tanta exigência, não apenas fiscal, e ao mesmo tempo tenhamos de assistir a tudo isto.
Estudos independentes sobre as instituições publicas apontam para o excesso de pessoas espalhadas em demasiadas hierarquias que não acrescentam riqueza suficiente para os custos que comportam. A Constituição não permite ao Estado reduzir o seu efectivo e tão depressa não saímos disto. Digo tão depressa porque um dia a corda poderá rebentar. É uma situação desequilibrada e as história avança sempre à procura de equilíbrios. Já ouvi e concordo que quem está em excesso no Estado mais valia ser mandado para casa. À sua remuneração chamar-se-ia ordenado ou reforma o que não faz muita diferença, pois nos dois casos é o Estado que paga e pelo menos se estas pessoas estiverem em casa não são necessárias tantas secretárias, tantas fotocópias nem tantos carimbos e assim até se acaba por poupar.
Dizendo isto não defendo a República apenas pela manutenção do status quo mas por achar que a governação deve ser entregue aos melhores sem que a hereditariedade tenha nisso qualquer influência.
Muito do saudosismo associado à Monarquia prende-se com alguns valores que esta dizia defender, embora saibamos que nos bastidores dos regimes monárquicos existam igualmente tráfico de influências e muitos outros atalhos que a ninguém orgulham. O que todos pretendemos nesta área, corrijam-me se o entenderem, é que o Estado tenha um sistema de auto controlo independente e consequente. Que os Inquéritos levados a cabo pelo Parlamento sobre os excessos de governantes e da estrutura do Estado sejam conclusivos, punitivos se disso for caso e tornados públicos e que assim tenham um efeito pedagógico e moralizador na sociedade. Mas o sistema está feito pelos mesmos que podem estar eventualmente implicados e não se vai a fundo nem se insiste em ir, porque hoje é outro mas amanhã posso ser o próprio. Muitas das declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados são neste sentido e o mais triste é que não nos está a dar nenhuma novidade.
 O Estado Republicano que se moralize, que a República não vacilará."

 

Alguém quer acrescentar algo ao debate?

publicado por Paulo Sousa às 20:37
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

É uma afronta!

Peço desculpa, mas há coisas que me tiram do sério, alguém é capaz de perceber que um país que vive uma situação financeira péssima, em que centenas de portugueses perdem emprego diariamente, se gastem 10 milhões, sim dez milhões de euros para comemorar os 100 anos da República?

Parece que só para o logótipo foram perto de 100 mil euros.

O Senhor "malhador mor" que é o presidente da comissão das comemorações, diz que as comemorações são para "aprofundar os valores e o ideário republicanos". Ficamos a saber que um dos ideários da República é gastar até mais não e o mexilhão que lixe. Um pouco de vergonha,responsabilidade e sentido de estado era o minimo que se exigia a esta comissão.

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