Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

A candidatura de Fernando Nobre: ainda a excelente notícia

Os comentários ao que aqui escrevi na passada quinta-feira a propósito da candidatura de Fernando Nobre, que intitulava de “uma excelente notícia”, impeliram-me a retomar o tema.

O post suscitou larga expressão de comentários e, mais do que isso, a apresentação de uma candidatura – Sebastien de Vries (pelo nome não poderei garantir que reúna condições de elegibilidade, mas acredito que tenha salvaguardado essa minudência) – que, pelo enorme apoio que de imediato aqui suscitou no Vila Forte, não poderia ignorar neste regresso ao tema.

Focando-me no entanto nos comentários permito-me identificar claramente três ideias centrais que marcam as atitudes políticas (talvez fosse mais apropriado falar em tiques políticos) em Portugal: uma primeira ideia de currículo político, no caso de falta dele; uma segunda ideia de que a política é para os políticos, ainda complementada por uma noção de desperdício, no caso que não faria sentido que Fernando Nobre desperdiçasse as suas muitas qualidades numa candidatura destas e, finalmente, uma terceira ideia que chamaria de contexto político-partidário, de a avaliar e analisar à luz das coordenadas do xadrez partidário reinante.

É antiga a ideia que uma candidatura à Presidência da República deve, numa lógica de carreira profissional na política, corresponder ao fim de um percurso político constituído por toda uma vida dedicada à política, com longas passagens pelo parlamento e pelo governo, aqui de ministro a chefe do executivo, primeiro-ministro. A Presidência da República corresponderia como que a um prémio de carreira que chegaria no últimos anos de vida activa. Dos quatro presidentes da terceira república, metade, Soares e Cavaco, confirmam este perfil. A outra metade, Eanes e Sampaio, desmentem-no. Mas não é isto que está em causa quando me apresso a aplaudir, como excelente notícia, esta candidatura. O que está em causa é precisamente o oposto, é surgir uma candidatura de alguém que não fez carreira política, que não está comprometido com quem conduziu o país a este estado, que não está sujo pelo lamaçal e que não está conspurcado pelo cheiro de que falava então.

Não perceber isto, e continuar a perguntar pelo que Fernando Nobre fez na política até hoje que legitime a sua candidatura é, como o próprio refere na primeira entrevista que deu depois de a anunciar, é o risco que corre: “O risco de muita gente não compreender porque é que um humanista e um humanitário, a partir de certo momento, entende dever entrar num processo que à partida não era o seu”. Não perceber isto é não perceber que é aos grandes homens que cabem os grandes exemplos de cidadania e que cabe, quando a vida política chega ao que chegou entre nós, dizer que “a política não se esgota nos partidos e nos políticos profissionais”. Mas perceber isto é uma excelente notícia!

Não se poderá dizer que a ideia de que a política é para os políticos esteja muito afastada da anterior. Na realidade não está, faz parte da mesma lógica. No entanto, a forma como foi apresentada, complementada com a tal noção de desperdício, remete-a para um patamar de descrença. Da fatalidade da política estar reservada não aos melhores mas aos mais medíocres de nós. Não posso deixar de citar, do comentário de Maria Antonieta:

i)                     “…Fernando Nobre demasiado precioso em relação ao Mundo para se dedicar á politica.”

ii)                   “A política é demasiado pequena para ele”.

Pois a mim parece-me que é uma bênção que, nesta altura da nossa vida colectiva, tenhamos alguém que se proponha resgatar a política aos medíocres e devolver-lhe a mais nobre dimensão da cidadania. É uma excelente notícia que um dos melhores de nós, que ainda acredita em utopias, que soube e teve a coragem de fazer opções de vida marcadas pelo primado do outro em relação ao eu, decida dizer-nos que é possível fazer tudo isso. Que pelo menos ele acredita nisso!

Finalmente o contexto politico-partidário. Comentava-se que esta candidatura dividiria a esquerda e, dessa forma, seria uma boa notícia para a direita e centro-direita, ou seja para a reeleição de Cavaco Silva. Mais, teria tido origem na velha guerrilha Soares/Alegre e, dessa forma, sendo promovida pelos soaristas, iria abrir mais uma grave ferida no PS. Acresce ainda uma tentativa de exploração de um trajecto supostamente errático quando balizado pelas fronteiras do xadrez partidário: Fernando Nobre apoiou Soares nas últimas presidenciais, Capucho nas últimas autárquicas e o BE nas últimas europeias…

São leituras de um contexto que não corresponde ao contexto que fez desta candidatura uma excelente notícia. Designadamente a sua contribuição para a reabilitação da sociedade civil, num contexto de afirmação dos direitos de cidadania e de capacidade para dizer aos partidos e aos políticos que basta! Esta candidatura constitui um desafio aos portugueses e não a este ou àquele partido, a esta ou àquela figura, ou a este ou àquele figurão. Se os portugueses compreenderem e aceitarem o desafio é irrelevante quem divide o quê e quem ganha com quê!

Claro que sabemos todos que não é fácil que os portugueses compreendam este desafio, que é ainda menos fácil romper com as barreiras dos aparelhos partidários e bem mais difícil montar uma campanha eleitoral sem as máquinas partidárias. Mas vale a pena tentar!

 

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Os donos da rua

Nas cidades do futuro as ruas deixarão de ser públicas e como tal passarão a ser reguladas pelos seus donos. Andar de skate de patins, comer, filmar e tirar fotografias poderão actos proibidos e o mesmo se passa com pedir esmola, ser sem abrigo, distribuir propaganda política ou realizar manifestações políticas.

A obsessão pela segurança e pela privacidade justificará que estas áreas sejam patrulhadas por seguranças privados e não por agentes da autoridade.

Tal facto alterará a relação de cada cidadão com o espaço público e dessa forma com a sociedade.

 

Acontece que isto já é uma realidade em algumas zonas de Londres e de Liverpool. O empreendimento Stratford City, – um dos principais locais dos Jogos Olímpicos de 2012 – vai ser uma cidade privada dentro da cidade. Também o Liverpool One, que se estende por 34 ruas do centro de Liverpool, é, na prática, propriedade da Grosvenor, a sociedade imobiliária do Duque de Westminster, que alugou todo o espaço, incluindo ruas e locais públicos, à Câmara, por 250 anos.

 

Será isto o início de uma tendência?

 

 

Texto baseado num artigo da presseurop.eu, através da Courrier Internacional

Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Serviço público

imagem da net

 

Tem queixas, sugestões ou reclamações para fazer que tardam em ser resolvidas pelo seu Presidente de Junta e/ou de Câmara? Então, em vez de perder tempo nos corredores da Junta ou da Câmara vá a este "sitio" ,na web, e diga de sua "Justiça". Uma boa dica do nosso vizinho, Ferreira-Pinto. Porto de Mós já lá tem histórico .

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Quem suja, limpa!

As nossas vilas  e cidades estão cheias de cartazes,tarjas e  pendentes de plástico em tudo o que é postes de iluminação, viadutos, para além dos suportes que são feitos de propósito para as campanhas eleitorais.

Principalmente os pendentes de plástico e as tarjas ficam colocados até "caírem de maduros", não era de responsabilizar as organizações que lá colocam esse material por forma a retirar esse "lixo" no fim dos eventos?

Duas sugestões: ou os retiravam numa data razoável após o que publicitam, ou as autarquias faziam esse trabalho e apresentavam a factura.

Assim é que não. Ainda ontem vi um tarja pendurada só por um lado, num viaduto, se não for retirada entretanto poderá causar grave acidente.

publicado por Pedro Oliveira às 12:33
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Estamos em Portugal, no rescaldo do 25 de Abril, e Lisboa é um tabuleiro de xadrez onde CIA e KGB jogam uma partida mortal. Os serviços secretos americanos, desesperados por apenas terem sabido do golpe de Estado através dos jornais, esforçam-se para impedir que Portugal caia nas mãos do comunismo. Do outro lado, a KGB tem em mente um plano diabólico e põe em campo os seus melhores agentes. É então que um golpe de teatro promete desequilibrar esta guerra fria. Natália Grifanov, mulher de um poderoso coronel da KGB, está disposta a passar para o Ocidente e a relatar todos os segredos que sabe. Para organizar essa deserção a CIA escolhe o seu melhor agente: Malko Linge. Mas nem ele conseguirá levar a cabo esta missão sem evitar danos colaterais. E é então que, nas ruelas de Alfama e nos palácios da Lapa, entre traições e assassinatos, a Revolução dos Cravos mostra a sua outra face.

E, acredite, não é bonita!

Um thriller soberbo e original, passado no pós 25 de Abril de 1974.


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