Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Futebolês #24 Tiro

 

O futebolês, como toda a linguagem desportiva, tem uma forte carga belicista. O que não admira pois o futebol, como grande parte das restantes modalidades desportivas, desenvolve-se a partir de conceitos, tácticas e estratégias profundamente ligadas às lides militares.

 

Os mais elementares conceitos do jogo – defesa, ataque e contra-ataque – têm uma sustentação bélico-militar que vai muito para além da semântica. Daí que o tiro, para além de constituir uma modalidade olímpica, tenha o seu lugar nesta forma de expressão, associado a um movimento dos membros inferiores, também conhecido por puxar a culatra a trás, que resulta num disparo que é um pontapé numa bola que se transforma em projéctil.

 

Até aqui tudo bem. Temos um tiro que resulta de um movimento da culatra transformado num disparo que expele um projéctil. Mesmo que a culatra não seja mais que uma perna e que o disparo seja simplesmente impulsionado pela coxa e pelos gémeos. A coisa começa a soar a estranho é quando se fala de um tiro de pé esquerdo, fazendo percepcionar o pé como uma arma mortífera, coisa de que nem Bin Laden ainda se lembrou!

 

A verdade é que é destes tiros que gostamos. De pé esquerdo ou de direito. Com o peito ou com a parte interior do pé. Com a parte exterior ou mesmo de bico, de trivela e ou de bicicleta. E não dos outros, que também os há. E bem mais vezes que o desejável!

 

Como os tiros, os outros, estes tiros – os remates – também podem ser fulminantes. Ou de pólvora seca! E a bola também pode passar de mero projéctil a um muito mais moderno e sofisticado míssil. Teleguiado, até.

 

O Cristiano Ronaldo, por exemplo, não desfere simples tiros de pé direito. Não ele desfere verdadeiros mísseis teleguiados, com destino infalível. Bom, isto no Manchester United e no Real Madrid, porque na selecção nacional não passa de uns meros fogachos que mais parecem tiros de pressão de ar. Desconfio que se trate de um grave problema de logística das selecções nacionais porque também o Messi, que no Barcelona (parece que quando encontra do outro lado o comandante-chefe Mourinho a coisa pode complicar-se!) faz do seu pé esquerdo um autêntico lança mísseis, quando chega à selecção da Argentina parece que o transforma numa simples e desajeitada caçadeira. Mas aí, para além da logística, parece-me que há ainda um sério problema de comando. Logo na pátria de el comandante!

 

Da mesma forma que nem todos os países podem ter submarinos (sendo que alguns seria mesmo melhor que os não tivessem, tantas são as alhadas para os adquirir!) nem todos os jogadores podem disparar mísseis. Se mesmo aqueles dois, os dois melhores do mundo, o fazem apenas em determinadas cenários de guerra, imagine-se quão restritiva é a sua utilização. Alguns ficam-se pelos já muito bons tiros certeiros! O que importa é o resultado final, se um tiro certeiro dá no mesmo de um míssil, que diferença faz?

 

E depois o tiro certeiro tem a vantagem de ser muito mais abrangente que o míssil. É que extravasa o remate e o próprio rectângulo de jogo . Por exemplo, Luís Filipe Vieira deu um tiro certeiro quando contratou o Jesus. Claro que o tiro foi certeiro mas não para o Jesus: foi certeiro no Quique e atingiu o Rui Costa ainda de raspão! E parece que também foi certeiro para Pinto da Costa que, apesar de apenas atingido por uma ligeira nuvem de fumo de pólvora nos olhos, nada comparável à nuvem que veio do vulcão lá da Islândia, que em vez dos olhos atingiu o coração de muitas companhias de aviação, ficou com a vista turvada e com dificuldade em ver o caminho para a Champions. Bom, e nos túneis, onde ele agora tanto gosta de brincar, é que não consegue mesmo ver nada!

 

Quem se farta de dar tiros certeiros é o Sporting. É cada tiro cada melro! Agora é o Paulo Sérgio… Eu bem avisava na semana passada que era difícil arranjar um treinador a sério! Mas como o critério era um treinador que este ano tivesse ganho ao Benfica só tinham três hipóteses. Sendo duas meramente teóricas: Rafael Benitez, de que o Liverpool nunca  abriria mão e Domingos que espera, com paciência, pelo FC Porto. Tiro certeiro, pois claro: num universo de três acertaram no único possível – em cheio!

 Sem tiros, certeiros ou falhados, e com cravos vermelhos em vez de balas, se fez a revolução há 36 anos que, neste domingo, já depois de amanhã, iremos celebrar. Curiosamente o mesmo dia em que muitos, seis milhões segundo as contas, poderão também festejar o título. Uma coisa agora bem mais escassa do que naqueles tempos! Também por isso mais saborosa!

 

PS: Hoje o Vila Forte vai ter um filho. A Telma vai dar à LUZ! Não vai dar a Alvalade, ao Dragão a outro sítio qualquer.

Sábado, 21 de Novembro de 2009

Futebolês #02 MATAR

Ver imagem em tamanho realDepois de beijar, matar. Enfim, tem alguma coisa a ver! Não há o chamado beijo da morte? Pelo menos todos conhecemos um, já lá vão mais de 2 mil anos…

Mas não dramatizemos. Se falar de matar, e da morte que lhe está associada, não é tabu então em futebolês é mesmo a coisa mais normal deste mundo.

O futebolês está cheio de matanças. No futebol mata-se muita coisa. Felizmente que, na maioria das vezes, não passa mesmo de figura de estilo. Também é certo que a morte, a verdadeira e trágica, passa muitas vezes pelo futebol: em pleno campo de jogo, nas bancadas ou até bem longe dos estádios, como acabou de acontecer com o infeliz Robert Enke. Mas essa, a trágica e que todos temos por certa, não é para aqui chamada.

Mata-se a jogada, mata-se a bola e até se mata o jogo.

Matar a jogada é a expressão usada para impedir o desenvolvimento de uma acção de construção de jogo. É uma das expressões do futebolês que me parece mais apropriada: porque liquida a jogada, retira-lhe a vida com recurso à ilegalidade, e muitas vezes à violência. Quando existem sempre alternativas legais para esse impedimento: através do desarme, por exemplo. Desarmar o adversário não é despojá-lo das armas, não é obrigá-lo a depor as armas, é tão só roubar-lhe a bola (mas roubar legalmente, que é coisa que não existe só no futebol). Mas não deixa de ter o mesmo sentido de humilhação…E, aí, claro que já não há matança. Matar é ilegal, mesmo no futebol!

A fronteira aqui, como em tudo na vida, é mesmo o cumprimento da lei. E, como todos sabemos, é onde as coisas se complicam …

 

Também há o entrar a matar. É entrar com tudo sobre o adversário: umas vezes vai adversário e bola; outras, só adversário. O exemplo, claro, é Bruno Alves, integrando uma dinastia que conta com Paulinho Santos, Jorge Costa e Pedro Emanuel, tudo gente bem conhecida…

Curiosamente em futebolês quem mata não é, por definição, o matador. O matador é outro, é o 9, o ponta de lança, o rato de área.

É a ave rara do futebol, por quem todos os clubes dão o rabinho e oito tostões!

Apesar da analogia apontar para o vocabulário tauromáquico, há várias espécies de matadores: o tipo sniper, que faz da área o seu esconderijo, onde permanece muito quietinho, com uma enorme paciência à espera da oportunidade de atirar a matar; e o tipo serial killer, que mata a eito e de qualquer maneira, sem paciência nenhuma, de quem se diz que só tem olhos para a baliza. Mesmo assim mata muito menos que o sniper. E há ainda o matador compulsivo, que vive para matar. É uma obsessão!

Lembram-se de um tal Jardel? Pois, é o exemplo. Matava tanto que quando pensou que já não havia mais nada para matar…foi o que se viu: matou-se a si próprio.

Como comecei por dizer também se mata o jogo. E, mais uma vez, não é normalmente coisa do matador. Normalmente mata-se o jogo ao marcar o segundo golo, ou a fazer subir o score para a diferença de dois golos e, aí, o assassino até poderá ser o matador. Mas quem o mata o jogo mais vezes é mesmo o árbitro; então em Portugal parece que têm mesmo vocação exterminadora. Os dirigentes desportivos também matam que se fartam, esses não só matam o jogo como matam a sua galinha dos ovos de ouro! É mais um dos muitos anacronismos do futebol: quem mais precisa do jogo é que o mata!

E mata-se a bola, que é mesmo o anacronismo-mor! Mas é! “Mata a bola no peito e pousa na relva”. “Mata no peito e dispara de primeira”. Mas, é mais uma curiosidade, não é aqui que a bola fica morta. Não, uma bola morta é outra coisa, é quando está inofensiva. O que é estranho porque a bola é a coisa mais pacífica desse mundo, nunca faz mal a ninguém. 

Ver imagem em tamanho real

Farta-se de ser maltratada e nunca reage. Diz-se que chora, mas só isso! 

Os jogadores levam muito a sério isso de matar a bola no peito. 

Só assim se compreende a sua enorme preocupação com essa zona do corpo: vejam os peitorais que exibem, mais lustrosos e bem tratados que carabinas de coleccionadores e caçadores.

Pois é meninas, quando deliram com aqueles peitorais do Cristiano Ronaldo, tenham muito cuidado: aquilo é uma arma letal, meticulosamente preparada para matar!

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

93 milhões de euros é muita massa

                                

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Os Rostos da Arrogância

Estes podem ser arrogantes,são os MELHORES DO MUNDO!!!

 

 

                               

 

 

Estes deviam trocar a arrogância politica pela humildade democrática

 

                          

 

 

 

 

 

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Divirtam-se ,Bom fim-de-semana!....

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