Sábado, 16 de Maio de 2009

O Exemplo de D. Nuno Álvares Pereira

 

 "Após a aclamação de D. João I em Coimbra, foi nomeado fronteiro mor do Alentejo, dando início à pesada tarefa de realizar a independência do reino. Em Atoleiros, a 6 de Abril de 1384, distante meia légua do lugar de Fronteira, travou luta contra uma força superior composta por muitas das melhores lanças de Castela. Perante a evidente superioridade do invasor deu provas de invulgar sensatez no modo como se adaptou às circunstâncias e resolveu as dificuldades em seu favor. Mandou a hoste apear, formar quadrado e defender com as lanças cravadas no chão, inclinadas para fora. Dentro do dispositivo ficaram os besteiros e peões para lançar virotes e pedras contra o atacante. D. Nuno, montado numa mula, fora do quadrado, face ao invasor, seguro e tranquilo da força da sua razão fez as últimas recomendações. Com o inimigo à vista, apeou, ajoelhou, armou-se de lança e bradou “Amigos que ninguém duvide de mim”. Ouviram-se gritos de guerra. Portugal, S. Jorge! Castela, Santiago! Os grandes de Castela, confiantes e bem armados, lançaram sem demora os cavalos sobre a pequena mas corajosa força que ousava opor-se à sua vontade. Pesados pelo peso que transportavam começaram a ser dizimados pelos projécteis certeiros que do interior do quadrado os iam atingindo. Poucos conseguiram chegar às lanças onde se espetaram, E os portugueses triunfaram! A batalha de Atoleiros foi decisiva na consolidação da independência do reino de Portugal. Foi brado irreprimível que ecoou na Europa medieva anunciando que Portugal teria de ser tido em conta. Foi marco que iniciou a identidade de Portugal, como Povo, Nação e Reino, significativo pela liderança de D. Nuno que provou merecer a confiança dos companheiros.
O tratado de Salvaterra continuava a justificar as pretensões de Castela, que invadiu Portugal pelas Beiras com um exército numeroso e bem armado. O conselho real de D. João I, reunido de urgência em Abrantes, entendeu prudente adiar o confronto. D. Nuno, contrário à opinião geral, recordou a promessa real em Guimarães de defender a capital do reino e salientou a necessidade urgente de “atalhar o passo” ao invasor. As forças portuguesas reunidas em Tomar, passaram por Ourém, com destino a Porto de Mós. O reconhecimento do terreno, para os lados de Leiria, a 13 de Agosto de 1385, ajudou a escolher o local onde o invasor seria afrontado. Na madrugada seguinte foi ocupado o esporão setentrional do planalto de Aljubarrota. O dispositivo português, virado a norte, aproveitava bem o terreno, dificultando ao máximo o ataque castelhano, mais difícil por o sol estar de frente para o atacante. O rei de Castela ao sentir a dificuldade no ataque evitou o confronto e rodeou a posição portuguesa pelo lado do mar, na procura de terreno favorável ao seu propósito.
D. Nuno, atento, antecipa-se, em decisão oportuna mas arriscada, pela proximidade do inimigo e tacanhez do terreno disponível. Inverte o dispositivo e vai ordeiramente instalar as suas forças dois quilómetros a sul. A decisão demonstra enorme coragem moral e física, elevada capacidade de comando, invulgar disciplina e superior capacidade táctica. Chegados a S. Jorge começaram de imediato a construir - talvez ajudados pela gente mandada pelo abade de Alcobaça - abatizes com as árvores derrubadas, covas de lobo e fossos para complementar as dificuldades naturais das ribeiras de Madeiros e da Mata, que correndo de sul para norte, limitavam o terreno do confronto a nascente e poente, permitindo aos portugueses concentrar as suas parcas forças na frente do atacante."
 
Coronel Valente dos Santos    
 
Continua
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

O Exemplo de D. Nuno

"

II-Considera-se oportuno partilhar com a juventude, breves considerações acerca  do nosso património, herança e memória, (Guilherme d´Oliveira Martins) e relatar a vida de D. Nuno como homem, guerreiro e monge.
            Evocar a Batalha Real, impropriamente chamada de Aljubarrota é recordar, embora telegraficamente, a personalidade e a vida de D. Nuno Álvares Pereira. Filho de Álvaro Gonçalves Pereira, prior da ordem militar dos Hospitalários, nasceu talvez em Cernache do Bonjardim, a 24 de Junho de 1360. Conviveu com o pai até aos 13 anos, de quem ouviu a narração de guerras passadas, em especial a que opunha a França à Inglaterra. Muito jovem aprendeu as “manhas” da guerra e a observar com atenção a luta que opunha a tradicional cavalaria feudal a renovada peonagem.
            Obediente ao pai, frequentou a corte como escudeiro da rainha, onde recebeu educação conforme ao seu estatuto. Voluntarioso, idealista, de inteligência viva e vincada personalidade, viveu a juventude em ambiente que auxiliou uma formação de vincado pendor misticista, próprio da época. O modo de ser e sentir, caracterizado por forte exaltação cavalheiresca e religiosa, era contido por invulgar ponderação e elevada exigência moral.
            O compromisso patriótico de D. Nuno foi desencadeado pela morte do rei D. Fernando a Outubro de 1383, em período de enorme instabilidade social e forte crise da nacionalidade que exigia a necessidade urgente da independência ser reconquistada.      Considerar D. Nuno possuidor de poderes extraordinários, é opinião apressada e simplista do seu comportamento exemplar, orientado por vontade forte ao serviço de um ideal superior. É preciso situar o jovem no seu tempo e em condições humanas normais. A qualidade do seu comportamento resultou da prática diária que sem hesitação o norteou ao longo da vida. Começou por ser um rapaz enérgico e corajoso com invulgar talento guerreiro. Místico e generoso assumiu a responsabilidade de comandar pelo exemplo, empolgando e conduzindo os companheiros à vitória pelo entusiasmo e determinação. Com a idade vieram a ponderação, a clareza de propósitos, a prática da disciplina e a inteligência das decisões que o nortearam nas acções que praticou. Foi o homem necessário no momento e lugar certos. Reuniu e empregou com acerto, escassos meios e vontades disponíveis, por vezes contra a opinião geral, e com eles realizou obra que firmou a nacionalidade."
         
 Continua
                                        Coronel Valente dos Santos

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