Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

O Vale do Lena

O vale do rio Lena, aninhado entre as alturas de Porto de Mós e Aljubarrota, apresenta uma autenticidade e beleza que comove e sensibiliza o visitante. Estendido no sentido nordeste-sudoeste ao longo do rio Lena, que docemente vai matando a sede a pomares, hortas e vinhas.

Esta benignidade ajuda a entender o passado local e regional, permitindo chegar à conclusão que foi palco activo de povos que em seu tempo aqui viveram e labutaram. A passagem permanece viva no património edificado dos períodos: romano (pedras tumulares, pontes, caminhos); mourisco (caneiros de rega, toponímia) e medieval (salinas das Brancas, coevas de D. Sancho e a batalha Real).

Procuramos em viagem pelo tempo, despojada e breve, chamar a vossa atenção pelo passado histórico local e regional que não está condicionado a limites geográficos autárquicos, antes recomenda parcerias inter-municipais de vivência histórica apoiada em factos no nosso passado colectivo.   

O Património é uma realidade viva que só tem significado quando relacionado com pessoas e comunidades. A nova postura museológica recomenda a participação de autarquias e residentes, expressa nas Leis n.11/87 (Art.º4º e 20º), de 7 de Abril, e n.º107/2001 (Art.º3º.8-), cuja leitura recomendamos. 

A movimentação de exércitos ou grupos armados foi sempre considerada perigosa e difícil porque os caminhos escolhidos condicionam segurança, comodidade e velocidade de marcha da força em trânsito; antes (em itinerários de aproximação); durante (para escolha e exploração do melhor aproveitamento táctico do terreno); depois (para romper o contacto com o inimigo, retardamento, fuga) do local do confronto.

A memória da batalha Real não se circunscreve ao local do confronto entre as forças antagonistas, onde a Fundação Batalha de Aljubarrota tratará certamente o tema com a excelência que merece.

O conhecimento do terreno e das vias relacionadas ou com acesso ao local do confronto é condição indiscutível ao entendimento da luta e necessário à transmissão a  gerações mais novas. Baseados em atenta observação do terreno, de cartas antigas e na memória dos moradores mais idosos procurámos descobrir os percursos utilizados ainda balizados com oliveiras milenares.

O vale do Lena apresenta quatro itinerários identificados que iremos referir:

- Romano: evidente nas pontes “do Cavaleiro” sobre o rio Lena, com mato, reparada no parapeito e talha-mar com cimento (!); “da Freixa”, sobre a ribeira da Freixa, em ruínas e coberta com mato crescido; “ do Coito”, sobre a ribeira das Alcanadas, em estado razoável mas coberta com mato crescido;

-Medievo (“Caminho de D. Nuno” Tomar - Porto de Mós);

-Medievo (Etapa do caminho de D. Nuno, reconhecimento de Porto de Mós - Porto da Cevada), junto da 1.ª posição portuguesa virada a norte;

-Medievo (caminho dos beirões retardatários Porto de Mós – S. Jorge (a montante da fonte dos Vales). O encontro de João Fernandes Pacheco com el-rei D. João I “tão directo e aparentemente tão simples” merece alguma reflexão porque poderá dar alguma explicação acerca dos autores do elevado número de obstáculos artificiais.

E agora o que fazer!? Estamos perante um desafio que não podemos ignorar. Temos todos obrigação moral e de cidadania, salientarmos o que nos une e diminuir o que nos possa separar. Temos de, à semelhança da batalha Real e de outros municípios (Óbidos, Macedo de Cavaleiros e Castelo Branco) nos juntarmos e criarmos condições para dar conhecimento e usufruto pedagógico deste património que parece estar ao abandono. Os alunos orientados pelos professores merecem e têm direito a um passeio pedestre, de comboio de rodas, de BTT, enquanto na natureza recebem aulas adequadas, em locais limpos sinalizados e tratados. Seria também interessante estabelecer parcerias, talvez em rede histórica, com Municípios que tiveram desempenho destacado na batalha Real. (Atoleiros, Macedo de Cavaleiros, Trancoso, Guimarães, Batalha, Tomar, Ourém, Abrantes, etc.).

 

S. Jorge, 2 de Abril de 2009

 

Cor. Valente dos Santos

Sábado, 11 de Outubro de 2008

O novo Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota

 A abertura ao público no próximo dia 12 de Outubro, do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrora, (CIBA), representa o culminar de um trabalho de estudo e investigação, que se iniciou em 2002. Os diversos paineis e objectos expostos, foram o resultado de uma extensa recolha de informações e gravuras, efectuada em diversas bibliotecas e instituições europeias. Este trabalho de investigação e exposição, permitiu que o CIBA constitua hoje o local mais avançado tecnologicamente, em toda a Europa, em termos de descrição de uma importante batalha medieval. Este facto constitui seguramente um motivo de orgulho para todos os portugueses e em particular para os residentes do concelho de Porto de Mós.


O CIBA está dividido em quatro áreas principais. A primeira e a mais importante, é a área expositiva, constituída por três núcleos. O primeiro núcleo descreve o campo de batalha de Aljubarrota, nomeadamente através de um fosso construído pelo portugueses durante a Batalha, bem como a descrição da situação política e social existente na Europa no século XIV. O segundo núcleo apresenta um filme sobre a Batalha de Aljubarrota e as suas causas, utilizando as mais modernas técnicas de multimédia. O terceiro núcleo descreve os trabalhos arqueológicos realizados neste Campo, apresenta os ossos dos mortos desta Batalha, explicando o motivo da sua morte e expõe os relatos dos cronistas, apresentando os textos que escreveram para a descrição desta batalha.

A segunda área deste Centro é constituída pelos serviços educativos, onde grupos de todas as idades podem, através de marcação prévia, ouvir uma exposição sobre a vida e a cultura medieval, e de participarem em diversos trabalhos alusivos a esses temas. A loja é a terceira área do CIBA, onde os visitantes podem encontrar e comprar cerca de 300 referências alusivas à Batalha de Aljubarrota e á sua época. A quarta área é constituída pela cafetaria, onde é possível almoçar ou tomar uma simples bebida, de 3ª feira a domingo.

Em torno do CIBA, e através de arranjos paisagísticos realizados entre 2005 e 2007, foi aberto ao público toda a área disponível pertença do Estado Português e da Fundação Batalha de Aljubarrota (FBA), com o objectivo de explicar, no local, a forma como se desenrolou a Batalha de Aljubarrota. Para este efeito, existirão dezasseis pontos de paragem onde, através de audioguias ou de uma guia, os visitantes podem ser informados do que sucedeu durante a Batalha, em cada um desses pontos.

A abertura ao público do CIBA passou a dotar o Campo de São Jorge de uma interessante e aliciante oferta cultural. Esta oferta cultural tem assim uma vertente interna, que é apresentada no interior do CIBA, e uma vertente externa que procura recuperar e descrever o próprio campo de batalha.

Mas para além da descrição do investimento realizado, importa também referir o impacto que ele poderá ter na Região. Com a inauguração do CIBA, Porto de Mós passou a dispôr possivelmente do mais moderno centro de interpretação existente em toda a Europa. Passou assim a existir um motivo novo e significativo, para que o concelho de Porto de Mós passe a receber um muito maior número de visitantes, tanto nacionais como estrangeiros. Estes visitantes não se limitarão a visitar o CIBA, mas terão também a possibilidade de conhecer e de realizar as suas compras no concelho de Porto de Mós. Esta nova situação é portanto potencialmente geradora de riqueza nesta Região e em particular no concelho de Porto de Mós.

Em segundo lugar, o Campo de São Jorge poderá transformar-se num dos principais pontos de turismo cultural existentes em Portugal. Com efeito, o facto de descrever, com qualidade, uma época crucial e decisiva da História de Portugal, com interesse tanto para portugueses como para estrangeiros, permitirá que o Campo de São Jorge passe a constituir um dos importantes pontos de interesse existentes no nosso País. Este objectivo é também facilitado pelo facto da Batalha de Aljubarrota se inserir na Guerra dos Cem Anos, que se revelou fundamental para a construção política europeia, tendo implicado a participação da Inglaterra, da França e  também de Portugal e de Castela.

Por último, mas não constituindo um ponto menos importante, a descrição da Batalha de Aljubarrota, de forma rigorosa e empolgante, terá seguramente um duplo efeito benéfico entre os portugueses: em primeiro lugar descreverá uma época que, embora extremamente importante na nossa História, não estava ainda evidamente explicada; em segundo lugar demonstrará que os portugueses são capazes de obras grandiosas e notáveis, o que para os portugueses de hoje constituirá não apenas uma fonte de inspiração e de orgulho, mas também um motivo para acreditarem nas nossas próprias capacidades. Também por esta razão, a FBA procurará que uma importante percentagem dos visitantes do CIBA seja constituída por grupos escolares, tanto do ensino primário, como secundário, ou mesmo universitário.

A partir do próximo dia 12 de Outubro, o concelho de Porto de Mós passará a dispôr de uma significativa e nova oferta cultural, que apenas este concelho tinha legitimidade histórica para apresentar.

Existem assim todas as condições para que um trabalho de promoção e divulgação realizado em conjunto pela FBA, pela Região de Turismo de Leira-Fátima e pela Câmara Municipal de Porto de Mós, possa potenciar esta nova realidade. Da eficácia deste trabalho conjunto beneficiarão todos os portugueses, e em particular todos os residentes do concelho de Porto de Mós.
 
 
Miguel Igrejas Horta e Costa
 
Administrador da Fundação Batalha de Aljubarrota
publicado por Autores do blog às 12:33

editado por Paulo Sousa em 28/10/2008 às 14:17
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