Sexta-feira, 5 de Março de 2010

Futebolês #17 Jogo partido

A expressão de hoje – jogo partido – tal como todas as expressões que por aqui têm passado, mostra-nos, uma vez mais, que não podemos nem interpretá-la literalmente nem afastarmo-nos por completo do seu sentido comum. O que vem provar que o futebolês tem mesmo regras, quase que poderemos dizer que tem a sua própria sintaxe, e que não é apenas uma linguagem marginal de uns tantos apanhados da bola.

 

Claro que o jogo não se parte no sentido de ficar escaqueirado e feito em pedaços, como facilmente se percebe. Nesse sentido o jogo está sempre inteiro, mesmo que não esteja recheado de todos os ingredientes. Não é, por exemplo, por uma ou mesmo ambas as equipas não estarem completas que o jogo passa a estar partido, se bem que o facto de não estarem completas as possa levar a partir o jogo. A expulsão de jogadores até poderá deixar tudo um pouco mais descomposto, mas não exactamente partido. O que não impede no entanto que a equipa fique feita em cacos.

 

Claro que vemos equipas feitas em cacos nas mais variadas circunstâncias, não é preciso haver qualquer expulsão. Por exemplo, no passado domingo o Sporting fez em cacos o Porto, quando se pensava que era o Sporting que estava todo escaqueirado. O jogo nunca se partiu, mas o Porto ficou sem ponta por onde se pegar 

 

Anteontem, em Coimbra, vimos a selecção nacional também feita em cacos, num mau presságio do que aí poderá vir. E não foi preciso que o jogo se partisse, nem sequer que o amputassem do que quer que seja. Nada: equipas completas, 11 jogadores de cada lado (bem sei que, pelo menos na segunda parte, parecia que havia muito mais chineses - eles são realmente muito mais que nós - mas eu contei e estavam mesmo11 de cada lado); tudo completo. Até as bancadas estavam cheias o que, como bem sabemos, é coisa rara por cá. Nem público faltou, como bem vimos e melhor ouvimos… Bastou que o nosso seleccionador, aquele que todos nomeamos seleccionador nacional por unanimidade e aclamação e que durante tanto tempo trouxemos ao colo, resolvesse que teria de continuar a inventar. Que não tinha esgotado todo o seu potencial inventivo na fase de apuramento.

 

Começa por inventar que a selecção chinesa é igual à da Coreia do Norte, provavelmente porque se limitou a olhar para os olhos. Em bico, também! Curiosamente a Costa de Marfim, que como se sabe é o nosso primeiro adversário no Mundial e que nem sequer tem seleccionador, optou por jogar com a Coreia do Sul, que não nos custa nada a perceber que seja mais parecida com os seus irmãos do norte. Só que com esses não eram favas contadas e, afinal, o que importava era uma vitória para o currículo e fazer mais uns quantos internacionais e não, ao contrário do apregoado, preparar a participação no Mundial e, em particular, o tal jogo com a Coreia do Norte. Depois inventa uma selecção que… vejam só: Hilário, Paulo Ferreira, Rolando, Miguel, Tonel … e Hugo Almeida. Então com este último, com a óbvia escassez de alas (poucos e maus: Cristiano Ronaldo, Simão, Nani, Varela, Coentrão…) inventa testá-lo na ala esquerda. Parece que a lógica é esta: “como temos muitos pontas de lança, e o Hugo Almeida é um jogador de top, de que a selecção não pode prescindir, terá que ser aproveitado para jogar nas alas, para onde não temos ninguém de jeito”. Vejam só!

 

Evidentemente que o público de Coimbra foi intérprete fiel do sentir do povo da bola e assobiou monumentalmente aquela brincadeira. E Carlos Queirós, que não pode responder a murro a estes críticos, faz de conta que não percebe e responde com coisas absurdas. Numa dessas diz que todos os objectivos foram atingidos, que é uma expressão que me deixa sempre de pé atrás. Duvido de quem atinge sempre todos os objectivos. Mas duvido ainda mais quando, como aqui dizia há poucos dias, alguém diz que os atingiu sem que tivessem sido previamente tornados públicos.

 

Bom, com tudo isto deixei a bola para trás, quer dizer, deixei para trás o jogo partido. O jogo está partido quando saltou para fora de qualquer lógica de controlo. Quando os jogadores perdem as posições (mais uma expressão do futebolês) isto é, quando o sentido táctico do jogo é ultrapassado por circunstâncias que já ninguém controla. Seja por dentro, no campo, seja por fora, do banco. E o jogo pode partir por três razões: por expulsões, como acima se deixara perceber, quando deixam de estar em campo as peças necessárias à execução de uma determinada estrutura táctica; por opção deliberada de uma das equipas que, sentindo-se dominada pela superioridade táctica do adversário, decide romper com as bases em que o jogo está lançado, esticando o jogo e impondo um futebol directo de que espera tirar vantagem; e, finalmente, quando o jogo se aproxima do fim e, num cenário em que só a vitória interessa, uma ou ambas as equipas partem para um forcing final, no tudo por tudo de uma das mais emblemáticas expressões do futebolês: mais com o coração do que com a cabeça!

 

Daí que a expressão faça sentido, como de resto temos visto com tantas outras. O jogo de facto parte-se, deixa de ter o mesmo figurino e passamos a vê-lo já desmembrado!

 

 

Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Futebolês #06 Chuveirinho

 

 

 

Não. Não é uma daquelas coisas que começamos por erguer por cima da cabeça logo pela manhã. Não é um chuveiro pequenino. Nem tão pouco outra daquelas coisas com que, antes destes modernos dispositivos gota-a-gota, regávamos as alfaces no quintal. Nem mesmo aquela chuva miudinha, enfadonha mas que molha tudo!

Em futebolês chuveirinho é outra coisa, mas tem tudo a ver água, com molhar e molhada e mesmo com pingar.

O chuveirinho surge quando uma equipa que passou o tempo todo sem conseguir fazer nada de jeito, vendo aproximar o fim do tempo de jogo, também chamada a fase do desespero, começa a despejar, não água mas a bola, para a área adversária. Ou seja, como não encontrou forma de fazer a bola chegar com eficácia à chamada zona de finalização, porque para tal lhe faltasse arte e engenho, a equipa ensaia um novo esquema táctico, tipo tudo ao molho e fé em Deus, que passa por chutar bolas para a área do adversário onde, nessa altura, estão quase todos os jogadores: os adversários todos e todos os da equipa que tenham alguma altura que se veja.

A bola é então sucessivamente despejada para a área, normalmente a pingar, quer dizer a descrever uma acentuada curva, bem pronunciada e de trajectória bem previsível. Pois bem, parece-me que isto basta para perceber que o termo não é assim tão estapafúrdio como poderia parecer!

Esta táctica do tudo ao molho e fé em Deus tem tudo para não dar certo. É quando se diz que se joga mais como coração do que com a cabeça, o que parece não bater certo porque indispensável, naquelas condições, é mesmo a cabeça. Ás vezes, no meio da confusão, a mão também dá uma mãozinha!

Mesmo sabendo-se que tem tudo para não dar certo – porque os adversários estão de frente para a bola e, ainda por cima, normalmente são mais altos, porque a trajectória da bola é muito previsível, porque a equipa fica desposicionada e vulnerável a um contra golpe do adversário, e ainda por mais uma série de razões que os entendidos serão capazes de acrescentar – às vezes até resulta… Por isso mesmo é uma táctica usada por todas as equipas no mundo na hora das aflições.

O chuveirinho não nasce de geração espontânea. Tem como predecessores, o jogo partido e o jogo directo e, mais remotamente, o jogo vertical. 

Tudo começa com o estudo do adversário. Quer dizer, em vez de se ter o adversário estudado durante a preparação do jogo, tipo trabalho de casa feito, começa-se o jogo em tom morno tipo não ata nem desata. O problema começa precisamente quando aquilo não sai dali, do dito estudo mútuo. Às vezes ainda passa para a fase do jogo rendilhado, que é quando andam ali de um lado para o outro mas sem sair do mesmo sítio, sem qualquer objectividade. Quando dão por ela já só faltam 20 minutos para os 90. Então parte-se o jogo, que não é mais desatar a chutar a bola para a frente e desatar a correr atrás dela, numa interpretação desajeitada do chamado jogo vertical, numa imitação da clássica escola inglesa do tipo kick and rush. E já não é só o jogo que se parte, é a própria equipa que fica partida. Partida em 3, se bem que só duas das partes é que jogam: a defesa e o ataque. Os dos meio-campo só vêm a bola a sobrevoá-los, perfeitamente inatingível. Desesperante…

E pronto, chega-se aos últimos 5 minutos e é um ver se te avias: o defesa central vai para a área adversária juntar-se aos outros 7 ou 8 que já por lá andam e o guarda-redes sobe até ao meio campo para bombear a bola para lá. E, se há um canto ou a cobrança dum livre, ainda lá vai ele também…para atrapalhar ainda mais!

O engraçado é que às vezes dá em qualquer coisa. Ainda há poucos meses o Rui Patrício, que nem chegou a tocar na bola, festejou um golo como se fosse seu numa dessas ocasiões. O certo é que o Sporting passou essa pré-eliminatória da Champions, relegando o Twente para a Liga Europa, onde se lhe juntaria logo depois.

E amanhã há clássico: espero que sem chuveirinhos, com fair play e sem cadeiras nem outras coisas partidas! Que ganhe o melhor e que o melhor, não levem a mal, seja o meu Benfica...Se não for... que ganhe à mesma! Mas se nem for o melhor nem ganhar também não é grave... é só um jogo de futebol. Ah...mas chateia-me!

 

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