Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Quinta-feira Negra?

A Bolsa de Lisboa, depois de duas semanas consecutivas em queda, assistiu hoje (e a esta hora a praça ainda não fechou) à queda do índice PSI-20 em perto de 6%, com as cotações das principais empresas nacionais a caírem entre os 7 e os 9% (apenas a EDP e a PT caem menos que isso), coisa que se não via desde a crista da onda da crise financeira, no Verão de 2008.

Para quem acha que as opiniões das instituições financeiras internacionais, entre as quais as agências de rating, não passam de palpites para os quais nos podemos estar nas tintas, aqui está a indesmentível prova de que estão errados. Aqui está a prova de que, quando se trata de mercados financeiros, é necessário cuidar, para além do ser, do parecer.

Quem tem a paciência de me ler estará recordado de, há uma semana, me ter debruçado sobre esta matéria, chamando a atenção para dois textos que aqui havia publicado no final do ano passado a propósito do Orçamento de Estado (OE) e apontando como falha principal de todo o processo do OE uma envolvência de fingimento que descurou, precisamente, o “cuidado, assim a jeito de caldos de galinha, de explicar bem explicadinho o orçamento mas enquadrado num contexto de um plano para os próximos 4 anos, para deixar claro que temos um caminho bem diferente do da Grécia! Ou do da Espanha, que afinal é que é a grande preocupação”.

Pois é, hoje o pobre do ministro das finanças clama para que esperem pelo Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) que se prepara para entregar dentro de duas semanas em Bruxelas, mas ninguém o ouve. Grita com as instituições internacionais, e já não só contra as agências de rating, que mudaram de presa. Que largaram a Grécia para se focarem na presa portuguesa! Mas é tarde. O governo teve tempo suficiente (100 dias!) para preparar o OE e o PEC, de forma consistente e apresentá-los, bem explicadinhos, em simultâneo. Para que fosse possível, precisamente, demonstrar, como se apregoa, que não estamos no mesmo saco da Grécia. Ou da Espanha.

O governo não fez nada disso e a oposição também não ajudou. Preferiram todos fingir! E, para ajudar à festa, a oposição decide apostar em levar por diante a absurda (nesta altura completamente absurda e irresponsável) questão da Madeira (cujo rendimento per capita é superior ao do continente) via lei das finanças regionais e, o primeiro-ministro, resolve sair-se com aquela tirada verdadeiramente extraordinária de que o défice de 2009, os 9,3% que surpreenderam toda a gente (do ministro das finanças ao governador do banco de Portugal), mais não é que o resultado de uma opção clara do governo de ajudar famílias e empresas a enfrentar a crise. Esta declaração do primeiro-ministro é verdadeiramente assassina! Porque em contradição com as autoridades nacionais na matéria (Ministério das Finanças e Banco de Portugal) mas, fundamentalmente, pelo que revela de credibilidade e de sentido de responsabilidade.

Claro que, depois da entrega do OE na AR, desenhou-se uma certa campanha com vista a mostrar que a situação de Portugal não é a da Grécia, protagonizada em especial pelo próprio ministro das Finanças, pelo governador do Banco de Portugal e pelo presidente do IGCP (Instituto de Gestão do Crédito Público). Só que a emenda foi pior que o soneto, pois passou a ser uma campanha pela negativa, do tipo daquela publicidade comparativa (e negativa) que até é proibida por lei, levando o ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, a reagir atacando, naturalmente, Portugal.

Sucederam-se artigos dos mais diversos especialistas nas principais publicações internacionais da especialidade e Portugal tornou-se. como diz Teixeira dos Santos, na nova presa. E culmina, ontem mesmo, com a União Europeia, através de Joaquin Almunia, comissário para os assuntos económicos e financeiros, a dizer, com todas as letras, que o problema de Portugal é semelhante ao da Grécia.

Os mercados reagem a tudo e nem sempre com reacções racionais. Os mercados financeiros internacionais reagiram a tudo isto fazendo disparar a percepção de risco da nossa economia que, entre outras consequências, leva os investidores a abandonar o nosso mercado de capitais. E foi o que se passou hoje: muitos investidores, cansados e assustados, desfizeram-se de muito papel!

 

Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Ponto Final

O fim da passada semana colocou ponto final em dois dos temas que mais têm apaixonado a opinião pública e agitado a opinião publicada: a avaliação dos professores e casamento homossexual!

Penso que há um denominador político comum entre ambos. Não me parece que este epílogo simultâneo seja mera coincidência . Porque em política não há coincidências!

O processo político de avaliação dos professores não só atravessava a agenda política nacional há vários anos como fora, na opinião dessa nova classe profissional designada de politólogos – tão nova que o termo é logo assinalado a vermelho aqui no meu processador de texto, o que me faz interrogar sobre se à conhecida licenciatura em Ciência Política terão juntado uma nova em “Politologia” – responsável pela perda da maioria absoluta de Sócrates. Com cedências, como sempre terá de acontecer em qualquer negociação, ou traições como igualmente sempre acusam os mais radicais, a verdade é que este processo teve um ponto final de relevante efeito político. Se terá o mesmo relevo efectivo na realidade do ensino e no estado da educação em Portugal, isso é outra história.

A aprovação da lei do casamento homossexual colocou também ponto final numa discussão que atravessava o país nos últimos meses. Mas aqui com algumas ressalvas. Apenas em princípio porque, ao contrário do processo de avaliação dos professores, sobram algumas pontas: laivos de suposta inconstitucionalidade, expectativa pela posição que o Presidente da República assumirá quando a lei lhe chegar para promulgação, sabendo-se que se trata de uma lei que não encaixa no seu perfil conservador e mesmo a repercussão que a petição pelo referendo, uma petição com 90 mil assinaturas, sempre terá. Temo pois que aqui não estejamos perante um ponto final mas um ponto e vírgula, ou mesmo reticências.

Mas para o que me proponho analisar – a coincidência no desfecho dos dois processos – não faz qualquer diferença: são ambos pontos finais, porque assim foram concebidos, foi esse o objectivo.

A aprovação do casamento homossexual e o acordo sobre a avaliação dos professores são politicamente fundamentais para o governo na actual conjuntura política e de governação que tem o orçamento como pano de fundo. A primeira porque funciona como um rebuçado para a esquerda numa ocasião em que terá de negociar o orçamento à direita, dada a óbvia e evidente impossibilidade de o fazer à esquerda. A segunda funciona como uma mensagem de capacidade de negociação que, naturalmente, reforça a imagem negocial do governo com vista ao acordo de viabilização do orçamento com a direita.

O negócio político tem razões que a razão desconhece. Por isso parecia tão despropositado avançar com uma questão tão fracturante quando o país se vê confrontado com tantos e tão complexos problemas. Por isso aquela reunião de quinta-feira no Ministério da Educação entraria pela madrugada dentro, inevitavelmente condenada ao sucesso, ao contrário do que anunciavam ventos e marés!

 

 

publicado por Eduardo Louro às 11:00
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Mensagens de Natal

Nesta quadra proliferam as mensagens de Boas Festas, um velho hábito social que se tem adaptado à evolução das tecnologias. Se os postais de Natal ainda vão tendo algum espaço nas relações profissionais e comerciais, no relacionamento pessoal reinam os sms e os e-mails, se bem que os primeiros já não sejam bem aquilo que eram há ainda poucos anos. São geralmente o dois em um, isto é, juntam os tradicionais votos de feliz Natal aos de feliz, mas também próspero, Ano Novo.

Por outra via – a televisão – chegam-nos as clássicas mensagens de Natal do Cardeal Patriarca de Lisboa, enquanto líder da comunidade católica, e do Primeiro-ministro (PM) e a de Ano Novo do Presidente da República. Assim é há muitos anos…

Sobre a primeira, que nem sequer ouvi, não me vou obviamente pronunciar. Nem sequer sobre a legitimidade do seu enquadramento nesta tríade: é assim, e não me interessa discutir agora se bem ou se mal. Sobre a terceira, como ainda não ocorreu, nada a dizer…

Pronto, está visto que eu quero é falar sobre a Mensagem de Natal do PM!

A primeira expressão que me ocorre é: francamente! Logo de seguida vem-me à memória aquela imagem do Diácono Remédios, e a sua mais famosa expressão transmitida naquele tom bem beirão, rural e profundo: não havia necessidade!

A oposição foi unânime (mais um pleno da oposição que este PM consegue) a referir que o PM vive noutro país, diferente daquele em que todos nós vivemos. Eu também acho mas, fundamentalmente, acho que o PM subverteu todo o espírito de uma mensagem de Natal. E que, de tão óbvia inversão da realidade, apenas nos conseguiu deixar muito mais preocupados e intranquilos. Muitos mesmo revoltados!

Quando numa suposta mensagem de Natal se utiliza o registo de um Tempo de Antena em campanha eleitoral já é caso para ficarmos de pé atrás. Quando isso acontece em plena crise política (num dos mais conturbados períodos de relacionamento institucional entre órgãos de soberania), social (numa das misturas mais explosivas de que temos memória em Portugal, que junta desemprego, como nunca antes visto, criminalidade e descrédito das instituições), económica (estagnação velha de mais de dez anos e sucessiva destruição e inviabilização do tecido económico) e financeira (descontrolo do défice e da dívida e um cenário de descrédito internacional) estamos perante uma obsessão pela campanha eleitoral.

Parece que o PM, embalado por um ano maioritariamente passado em campanha, ainda não percebeu que o longo ciclo eleitoral de 2009 já há muito terminou. Ou, então, acha mesmo que terminou mas que já aí está outro…

Seja ou que for nada de bom nos augura para o futuro e, em particular, para o próximo Orçamento Geral do Estado. Porque, ao arrepio do que aqui referi a propósito do Orçamento para 2010, o PM insiste em não falar verdade e em confundir convicções com obsessões!

 

 

 

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Estamos em Portugal, no rescaldo do 25 de Abril, e Lisboa é um tabuleiro de xadrez onde CIA e KGB jogam uma partida mortal. Os serviços secretos americanos, desesperados por apenas terem sabido do golpe de Estado através dos jornais, esforçam-se para impedir que Portugal caia nas mãos do comunismo. Do outro lado, a KGB tem em mente um plano diabólico e põe em campo os seus melhores agentes. É então que um golpe de teatro promete desequilibrar esta guerra fria. Natália Grifanov, mulher de um poderoso coronel da KGB, está disposta a passar para o Ocidente e a relatar todos os segredos que sabe. Para organizar essa deserção a CIA escolhe o seu melhor agente: Malko Linge. Mas nem ele conseguirá levar a cabo esta missão sem evitar danos colaterais. E é então que, nas ruelas de Alfama e nos palácios da Lapa, entre traições e assassinatos, a Revolução dos Cravos mostra a sua outra face.

E, acredite, não é bonita!

Um thriller soberbo e original, passado no pós 25 de Abril de 1974.


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